SUSTENTABILIDADE

Economia

CMN amplia uso de fundos de investimento em financiamento sustentável

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Governo quer atrair novos tipos de investidores em linha Eco Invest
Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil
Instrumento do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima para reduzir o risco de variação do câmbio em captações de recursos do exterior, o Programa Eco Invest Brasil poderá comprar cotas de fundos de investimento e fazer operações de securitização (conversão de papéis). Em reunião extraordinária nesta quinta-feira, DIA 17, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou uma série de práticas que pretendem atrair novos tipos de investidores em financiamentos de projetos sustentáveis.

Entre os principais aprimoramentos introduzidos pelo CMN, destacam-se:

•     Autorização para aquisição de cotas de fundos de investimento, ampliando os canais de captação e base de investidores;

•     Inclusão de operações de securitização, favorecendo a mobilização de capital por meio do mercado financeiro;

•     Carência de até três anos para operações de crédito, conforme diretrizes do Ministério da Fazenda;

•     Obrigatoriedade de reinvestimento dos recursos retornados, ampliando o alcance e impacto dos financiamentos públicos;

•     Regulamentação da sub linha de estruturação de projetos, permitindo o lançamento de leilões voltados à preparação técnica e financeira de projetos inovadores.

Em nota, o Ministério da Fazenda informou que as medidas alinham a regulamentação à Lei 14.995/2024, que instituiu o Programa de Mobilização de Capital Privado Externo e Proteção Cambial (Programa Eco Invest Brasil). O CMN também aperfeiçoou a sub linha de financiamento parcial e regulamentou a nova sub linha de estruturação de projetos.

Segundo a Fazenda, a sub linha de estruturação de projetos permitirá que o Tesouro Nacional faça leilões voltados à exportação de bens e serviços verdes, infraestrutura para exportação e turismo sustentável. A regulamentação pretende fazer com que o Programa Eco Invest Brasil atue desde as fases iniciais dos empreendimentos, com crédito para estudos, modelagens e outras atividades de preparação.

Cotas de fundos

A autorização para a compra de cotas de fundos de investimento regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) amplia a diversidade de instrumentos financeiros disponíveis no Eco Invest. De acordo com o Ministério da Fazenda, essa inovação permite maior diversificação de risco, acesso a investidores pessoas físicas e captação de recursos de fundos catalíticos, que financiam projetos de desenvolvimento sustentável na Amazônia.

A inclusão de operações de securitização, informou a Fazenda, fortalece o papel do mercado de capitais na captação de recursos públicos. Coordenado pelo Ministério da Fazenda em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Programa Eco Invest Brasil é uma das principais iniciativas do governo federal para permitir a transição ecológica e mobilizar investimentos sustentáveis voltados à redução de emissões de gás carbônico e à adaptação às mudanças climáticas.

Órgão colegiado presidido pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o CMN também é composto pelo presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, e pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.

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Economia

Brasil descarta 4 milhões de toneladas de resíduos têxteis por ano

No ano passado, cada residência jogou fora 44kg de roupas e calçados

 

Cerca de 4 milhões de toneladas de resíduos têxteis são descartados a cada ano pelos domicílios brasileiros. Só no ano passado, cada residência do país descartou em torno de 44 quilos de roupas e calçados. 

O dado foi divulgado pela consultoria internacional S2F Partners, um hub de inteligência especializada em gestão de resíduos e economia circular.

“Ao contrário de outros segmentos que estão encaminhados no processo da coleta seletiva, o setor têxtil precisa incorporar alguma iniciativa nesse sentido”, diz Carlos Silva Filho, sócio da S2F Partners e membro do Conselho da Organização das Nações Unidas (ONU) para temas de resíduos.

Há ainda muitos desafios diante das características desse tipo de resíduo, como o tempo de decomposição de alguns tecidos, que podem levar de cinco a dez anos, e outros que podem demorar centenas de anos para se decompor”, explica. 

Considerando o universo total de descartes, cada brasileiro jogou fora cerca de 382 quilos de materiais em 2023, sendo que a maior parte desses resíduos eram de fração orgânica (45,3%), seguido pelo de resíduos secos (33,6%). Os resíduos têxteis, couros e borrachas representaram 5,6% desse total, somando cerca de 4,6 milhões de toneladas no ano.

Atualmente se estima que o setor têxtil seja responsável por entre 2% e 8% das emissões de gases de efeito estufa em todo o mundo e consuma cerca de 215 trilhões de litros de água de por ano, o que equivale a cerca de 86 milhões de piscinas olímpicas.

Segundo Silva Filho, a chamada fast fashion, que é a produção em larga escala de roupas com preços baixos e rápida rotatividade, está levando as pessoas a comprar mais, mas usar por menos tempo, com um custo de US$ 460 bilhões por ano.

“Quando se observa a quantidade de resíduo têxtil descartado nos lares, acende-se a luz vermelha de que é necessário pensar em ações prioritárias de sustentabilidade na linha de produção e no mundo da moda, agregando materiais e processos com mais possibilidades de estender a vida útil e viabilizar o reaproveitamento, mas também uma forma de consumir de forma mais consciente, assim como atuação do poder público de forma a regular o descarte correto desses materiais, sempre com a tentativa máxima de reutilização”, acrescentou o membro do conselho da ONU.

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Economia

Ambipar e Dow capacitam 228 profissionais da reciclagem e impulsionam a circularidade nos resíduos plásticos

Metodologia criada pela Ambipar dentro do Projeto Cidades Circulares contribui tanto para

a geração de renda dos trabalhadores quanto para a preservação do meio ambiente

 

No primeiro trimestre deste ano, a Ambipar, líder global em soluções ambientais, em parceria com a Dow, promoveu a capacitação no Protocolo do Plástico para cooperativas e associações de reciclagem participantes dos programas Cidades Circulares de Recife-PE, Recicla Junto Consimares e Vinhedo-SP, no interior de São Paulo. Essas iniciativas incentivam a economia circular nos centros urbanos e elevam a renda média dos profissionais da reciclagem. Ao todo, 15 grupos – totalizando 228 profissionais – foram treinados e realizaram visitas às operações da Ambipar em Jaboatão dos Guararapes/PE e à Dow Química, em Jundiaí/SP, patrocinadora da metodologia aplicada.

Segundo Juliana Navea, diretora de operações da unidade de pós-consumo da Ambipar , o objetivo da capacitação foi transformar o conhecimento adquirido em profissionalização, contribuindo para o aumento da receita e para a circularidade dos resíduos plásticos nas centrais de triagem. “Os primeiros resultados já são visíveis. Alguns grupos que participaram do treinamento registraram aumento em suas rendas, por conta de um crescimento de 162% no preço médio do plástico. Além disso, muitas centrais de triagem, que antes recuperavam cerca de 15 tipos de plásticos, estão sendo preparadas para separar pelo menos 25 categorias desse material”, explica Juliana.

A expectativa é que todos os grupos capacitados tenham a expertise de recuperar plásticos que anteriormente não tinham destinação, atribuindo-lhes valor agregado, aprimorando a venda dos materiais e adotando melhores práticas de separação, o que possibilitará negociações mais vantajosas com o mercado.

Outro ponto importante é que a implementação dessas práticas cumpre um papel estratégico na preparação das cooperativas para o eventual decreto do plástico, ainda em discussão no governo federal. A regulamentação deve introduzir novas exigências para empresas de embalagens, como o atendimento de requisitos mínimos de Percentuais de Resíduo Pós-Consumo (PCR). Para cumprir essas normas, é essencial fortalecer as centrais de triagem e capacitar os profissionais da reciclagem, promovendo o desenvolvimento do setor.

“As ações previstas em nosso programa ‘Reciclagem que Transforma’ têm como objetivo fortalecer empreendimentos sociais, como as centrais de triagem operadas por cooperativas e associações de catadores, por meio de metodologias aplicadas”, comenta Giancarlo Montagnani, gerente de Sustentabilidade da Dow Brasil.

Esse é o compromisso da Ambipar, com base em sua metodologia e tecnologia social integradas ao programa Cidades Circulares: formar novos profissionais da reciclagem, permitindo aos municípios a destinação adequada de resíduos pós-consumo e inserindo-os em uma economia circular com foco humanizado.

Sobre a Ambipar

A Ambipar é líder global em soluções ambientais e investe e opera projetos de descarbonização, economia circular, transição energética e regeneração ambiental. Fundada em 1995, a companhia atua em 41 países com um amplo portfólio de serviços ambientais, especialmente para recuperação de resíduos e respostas a emergências ambientais.

Pioneira em diversos produtos e serviços, é referência no mercado em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), com mais de 100 soluções de economia circular, mais de 25 patentes e mais de 50 prêmios de inovação nacionais e internacionais.

Com mais de 23 mil funcionários espalhados pelo mundo e mais de 600 bases operacionais, a empresa possui ações listadas na B3 e na Bolsa de Valores de Nova York. Seu desempenho também é reconhecido pela Standard & Poor’s, que classificou as ações da Ambipar como ações verdes na B3, a bolsa de valores brasileira.

Para mais informações, acesse: https://ambipar.com

Sobre a Dow

A Dow (NYSE: DOW) é uma das principais empresas mundiais de ciência dos materiais, atendendo a clientes em mercados de alto crescimento, como de embalagens, infraestrutura, mobilidade e aplicações de consumo. Nossa atuação global, integração e escala de ativos, bem como nossa inovação focada, liderança em diferentes mercados e compromisso com a sustentabilidade nos permitem alcançar crescimento rentável e contribuir com a construção de um futuro sustentável. Operamos fábricas em 31 países e empregamos aproximadamente 35.900 pessoas. Em 2023, a companhia entregou aproximadamente US$ 45 bilhões em vendas. Menções a “Dow” e/ou a “Companhia” referem-se à Dow Inc. e às suas subsidiárias. Saiba mais sobre nós e nossa ambição de sermos a empresa de ciência dos materiais mais inovadora, centrada no cliente, inclusiva e sustentável do mundo acessando www.dow.com.

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RMC

Escola Móvel do SENAI-SP leva conscientização sobre Economia Circular para todo Estado

Paulínia e região é a 16ª contemplada pelo Road Show, nesse ano, em um total de 31 do estado paulista

 

SENAI-SP leva conceitos de circularidade da economia para a sociedade paulista. Por meio do Road Show de Economia Circular, a população de Paulínia receberá informações sobre a urgência de modificarmos as formas de produção e consumo vigentes para um modelo circular e sustentável.

A visitação gratuita será realizada na Escola SENAI-SP de Paulínia, localizada na Avenida Engenheiro Roberto Mange, 710, Alto de Pinheiros, no dia 28 de março (das 8h às 17h) e no dia 29 (das 8h às 12h), e contemplará uma aula imersiva sobre os principais conceitos da Economia Circular, que propõe uma mudança de mentalidade ao repensar produtos e serviços, desde o projeto até a revisão de modelos de negócio.

A escola móvel de Economia Circular do SENAI-SP é uma parceria com a empresa SCANIA, que disponibilizou para o projeto, em formato de comodato, um caminhão movido a biometano combustível, garantindo menos emissão de carbono nas viagens pelo estado de São Paulo.

 

Cronograma

A Escola Móvel está percorrendo 31 regiões do estado paulista e concluirá o circuito na 9ª edição do Fórum Mundial de Economia Circular (WCEF), previsto para 13 a 16 de maio.

O objetivo do Road Show de Economia Circular é promover capacitação, treinamento e a disseminação de conhecimento sobre o tema, alcançando um público amplo. Este evento oferece uma oportunidade única para fortalecer a colaboração global e envolver empresas no desenvolvimento de um futuro sustentável pautado pela Economia Circular, um conceito cada vez mais relevante e imprescindível atualmente”, explica Getúlio Rocha Júnior, gerente de Infraestrutura e Suprimentos do SENAI-SP.

 

Serviço

Escola Móvel Economia Circular em Paulínia

Data e horário: 28/03 (8h às 17h) e 29/03 (8h às 12h)

Local: Escola SENAI-SP de Paulínia, localizada na Avenida Engenheiro Roberto Mange, 710, Alto de Pinheiros

Saiba mais: https://economiacircular.fiesp.com.br/wcef-2025.html

 

 

Sobre o SENAI-SP   

O SENAI-SP tem a missão de impulsionar o aumento da competitividade da indústria por meio de ações de educação profissional, inovação, tecnologia, e empreendedorismo industrial. Com mais de 80 anos de atuação, o SENAI-SP supera 1 milhão de matrículas anuais, abrangendo desde cursos para a formação inicial profissional até a pós-graduação. São 90 unidades de formação profissional distribuídas em todo o estado de São Paulo, além de 78 escolas móveis, que levam soluções customizadas para a indústria.

A instituição também se destaca na oferta de soluções em inovação e tecnologia, desenvolvendo projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) e programas voltados para a melhoria da produtividade e competitividade das empresas. Na área de empreendedorismo, o SENAI-SP promove programas de aceleração de startups, inovação aberta, intraempreendedorismo e fomento à cultura inovadora, atendendo empresas de todos os tamanhos e setores.

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Economia

Em dois anos, país aumenta reciclagem de embalagens PET em 14%

© Edmar Chaperman/Funasa
Mesmo assim, reciclagem ainda está abaixo do potencial
Bruno Bocchini – repórter da Agência Brasil
O Brasil reciclou 410 mil toneladas de embalagens PET em 2024, montante 14% superior às 359 mil toneladas recicladas 2022, segundo a 13ª edição do Censo da Reciclagem do PET no Brasil, divulgado nesta segunda-feira, dia 24, pela Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet).

Apesar do resultado positivo, a entidade ressalvou que a falta de políticas públicas de coleta seletiva dificulta a destinação correta das embalagens descartadas pelos consumidores, o que está gerando ociosidade no setor.

“As empresas recicladoras chegam a atuar com uma ociosidade média de 23%, chegando a picos de até 40%”,  destaca o presidente da Abipet, Auri Marçon. “Com isso, a indústria de reciclagem do PET está chegando no seu limite, por não ter a matéria-prima necessária para seus processos produtivos, ao mesmo tempo em que toneladas de embalagens são destinadas aos aterros comuns ou descartadas incorretamente no meio ambiente”, acrescenta.

 

Destino das PETs recicladas

De acordo com o censo, em 2024, o principal destino da resina reciclada das PETs – 37% do total – foi a fabricação de uma nova embalagem, utilizada principalmente pela indústria de água, refrigerantes, energéticos e outras bebidas não alcoólicas. O setor têxtil vem em segundo lugar, com um consumo de 24% da resina reciclada, seguido pela indústria química (13%), lâminas e chapas (13%), e fitas de arquear, utilizadas em empacotamento e fechamento de caixas (10%).

>> Assista na TV Brasil

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Brasil e Mundo

Presidente Lula sanciona marco legal do hidrogênio verde

© Ricardo Stuckert / PR

Nova fonte pode alavancar produção de energia no país

Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil – Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta sexta-feira, dia 4, a Política Nacional do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono, chamado de hidrogênio verde, que pode alavancar a produção de energia no país, a partir de fontes limpas. O ato ocorreu em evento no Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará.

Ao discursar, Lula ressaltou as potencialidades do Brasil para a transição energética e combate às mudanças climáticas. Ele cobrou novamente que os países mais ricos, que “historicamente” contribuíram mais para o aquecimento global com o uso de combustíveis fósseis e desmatamento, devem arcar com os maiores custos para preservação do meio ambiente.

“Quando eu vejo o pessoal falar de hidrogênio verde, de revolução de energia solar, eólica, biomassa, hidrogênio verde, eu fico pensando qual é o país do mundo que pode competir com o Brasil? Qual é o país do mundo que tem condições de competir com o nosso país nessa questão da transição energética? E nós ainda estamos aprendendo, porque uma das coisas que a gente vai fazer é cobrar do mundo rico que mande o crédito de carbono para nós, porque somos nós que temos floresta para preservar, eles já queimaram a deles, então ajude o que a gente está fazendo sequestrando carbono para o mundo ficar melhor”, disse Lula.

O marco legal do hidrogênio verde institui o sistema brasileiro de certificação do hidrogênio e mecanismos de incentivo para aumentar a atratividade dos projetos para produção de energia. Serão R$ 18 bilhões em incentivos fiscais do governo, em 5 anos, com objetivo de descarbonizar a indústria e os transportes.

Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o Brasil tem mais de R$ 200 bilhões em projetos de hidrogênio verde anunciados dentro do Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2), do governo federal.

De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia 2031, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, o Brasil tem potencial técnico para produzir 1,8 gigatonelada de hidrogênio por ano, sendo que aproximadamente 90% desse volume com uso de energias renováveis.

“É desenvolvimento tecnológico e industrial na cadeia produtiva do hidrogênio nacional”, disse o ministro Alexandre Silveira. “O senhor, presidente [Lula], torna realidade um projeto histórico, cria uma nova indústria para o Brasil, acende a chama que vai revolucionar a matriz de energia do planeta, fortalece a agricultura nacional, nossa vocação, garante a nossa soberania energética e a nossa segurança alimentar, pois está criando um novo caminho para a produção de amônia, e consequentemente ureia, nossos fertilizantes tão importantes na cadeia da agricultura familiar e do agronegócio nacional”, destacou.

O ministro explicou que a ideia é trazer para o Brasil a tecnologia que associa a indústria de hidrogênio verde à produção de fertilizantes nitrogenados. Os gases nitrogênio e hidrogênio reagem entre si, produzindo amônia. “As plantas de hidrogênio vão fortalecer o setor de fertilizantes e reduzir a nossa dependência de importação”, avalia. “Esse conjunto de políticas vai nos entregar um Brasil mais moderno e consolidar nossa liderança na transição energética global”,acrescentou Alexandre Silveira.

Nitrogênio, fósforo e potássio são largamente usados pelo setor agrícola no país, sendo considerados essenciais para o fornecimento de um ou mais nutrientes para as plantações. O Brasil consome 8% de toda a produção mundial de fertilizantes, avaliada em 55 milhões de toneladas, mas importa 85% do insumo usado pelo agronegócio.

Nordeste

O Ceará deve se tornar o principal produtor de hidrogênio verde no país, tendo como hub uma usina no Porto do Pecém. No fim do ano passado, a Fortescue, uma das maiores mineradoras do mundo, com sede na Austrália, anunciou investimentos de US$ 5 bilhões em um projeto voltado para a produção de hidrogênio verde no Complexo Industrial e Portuário do Pecém. O projeto tem potencial para produzir 837 toneladas de hidrogênio verde por dia, com o uso de 2.100 megawatts de energia renovável.

Durante o evento, foram assinados documentos ligados à infraestrutura e ao desenvolvimento regional, como a ordem de serviço para o início das obras da Ferrovia Transnordestina, no trecho entre Quixeramobim e Quixadá, no Ceará. A expectativa da concessionária é terminar a obra até 2026, ligando o interior do Piauí aos portos do Pecém, no Ceará, e de Suape, em Pernambuco. O interior do Piauí, junto com as divisas do Maranhão, Tocantins e Bahia, região conhecida como Matopiba, é forte na produção agrícola e será beneficiada com o empreendimento.

O presidente Lula reforçou o seu compromisso com o desenvolvimento do Nordeste. “Quero tornar o Brasil igual, o Nordeste, o Norte do país, o Centro-Oeste ficarem com as mesmas possibilidades dos outros estados, que têm mais tecnologia, que têm mais infraestrutura, que ao longo da vida receberam mais recursos”, disse.

“Muitas vezes, na hora que o governo tem que decidir fazer uma obra, sempre aparece alguém dizendo que custa muito. E por conta desse custa muito, a gente nunca para para pensar o quanto custa não fazer. Quanto que o Nordeste deixou de ganhar de desenvolvimento por conta do atraso de uma ferrovia?”, acrescentou o presidente, lembrando também do projeto da transposição do Rio São Francisco iniciado durante seu primeiro mandato, em 2005.

Lula também assinou uma medida provisória alterando a lei do Programa Nacional de Mobilidade Verde e Inovação (Mover), que visa a descarbonização da frota automotiva do país. O texto trata da importação de peças, visando incremento da eficiência energética, do desenvolvimento estrutural e da disponibilidade de tecnologias assistidas à direção dos veículos comercializados no país.

O presidente também sancionou a lei que autoriza o governo a criar o Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS), por medida institucional, para o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O objetivo do FIIS é assegurar recursos para o financiamento de empreendimentos em segmentos como saúde, educação e segurança pública.

Por fim, Lula assinou decreto que aprova o regulamento do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), permitindo a adaptação do regulamento a diretrizes do Novo PAC.

Hidrogênio verde

Aprovada em julho no Congresso, a nova legislação estabelece diretrizes para a produção, transporte e uso do hidrogênio verde e, ainda, institui uma certificação voluntária e incentivos federais tributários para essa indústria. Por 5 anos, a partir de 1º de janeiro de 2025, o governo vai suspender a incidência do PIS/Pasep e da Cofins, inclusive na compra ou importação de máquinas, instrumentos e materiais de construção destinados a projetos de hidrogênio verde. O benefício poderá ser usado ainda para os bens alugados.

O hidrogênio é um gás combustível inflamável que ganhou maior interesse em razão do risco de segurança energética pelo qual passou o continente europeu no cenário da guerra da Rússia na Ucrânia, uma vez que boa parte dos países da Europa depende do gás exportado pela Rússia. A produção de hidrogênio requer o uso de muita energia, em especial para retirar, por hidrólise, o hidrogênio que é encontrado na água.

Para ter o selo verde, é fundamental que o hidrogênio seja produzido e transportado sem o uso de combustíveis fósseis ou de outros processos prejudiciais ao meio ambiente. Por isso, é considerado o combustível do futuro.

A denominação hidrogênio verde ocorre quando a eletricidade usada na eletrólise da água vem de fontes de energia renováveis como eólica, fotovoltaica e hidrelétrica. O hidrogênio verde pode ser gerado a partir da produção de biocombustíveis, como etanol ou biomassas (resíduos agrícolas ou florestais); de fontes renováveis (eólica, solar fotovoltaica e hidráulica); de energia nuclear; do sequestro e uso de carbono, pela retirada de gás carbônico da atmosfera para ser transformado em oxigênio; da extração do solo; entre outros.

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Brasil e Mundo

União Europeia fará doação de R$ 120 milhões ao Fundo Amazônia

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Iniciativa contribuirá para acelerar combate ao desmatamento, diz UE

Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a União Europeia (UE) vão estreitar parcerias com foco no apoio ao desenvolvimento sustentável e aos investimentos no Brasil. Com esse objetivo, o presidente do banco, Aloizio Mercadante, e a comissária da União Europeia para Parcerias Internacionais, Jutta Urpilainen, assinaram carta de intenções durante o IV Fórum Brasil-União Europeia, realizado na sede do BNDES.

A carta constitui mais um passo no processo de formalização de uma doação da União Europeia no valor de 20 milhões de euros, ou cerca de R$ 120 milhões, ao Fundo Amazônia .

Para Mercadante, trata-se de uma sinalização muito importante porque significa contribuição do conjunto dos 27 países que fazem parte da União Europeia. “Tem um significado maior, dá muito respaldo e credibilidade ao Fundo Amazônia, que se consolidou por ter uma gestão transparente, eficiente, responsável, e por responder a uma das principais demandas, que é a dramática crise climática do planeta. Nós reduzimos em 50% o desmatamento; é por isso que essas contribuições estão sendo fortalecidas”, afirmou.

A comissária Jutta Urpilainen disse que a Comissão Europeia está feliz em se juntar aos estados-membros da UE, que recentemente anunciaram contribuições ao fundo. “Nosso compromisso deverá respaldar os esforços do governo brasileiro e vai possibilitar a aceleração da luta contra o desmatamento.”

Mercadante destacou a importância da preservação da Amazônia, área que abriga 25% da cobertura de florestas tropicais do planeta, onde vive uma população de aproximadamente 29 milhões de habitantes. “Além de ser a maior floresta tropical existente, a Amazônia é decisiva no equilíbrio do clima e esses recursos permitem, ainda, a conectividade das populações ribeirinhas, comunidades indígenas e quilombolas que vivem na Amazônia.”

Recorde de investimentos

O Fundo Amazônia tem, atualmente, recursos no montante de R$ 3,9 bilhões. No ano passado, o fundo bateu recorde de investimentos em novas ações, após quatro anos desativado, e hoje apoia 114 iniciativas, que vão do Arco da Restauração (maior projeto de restauro de florestas nativas) ao fortalecimento do Corpo de Bombeiros no enfrentamento a incêndios , além do combate ao crime organizado na região.

Os recursos destinados aos projetos não são reembolsáveis. Cerca de 240 mil pessoas serão beneficiadas com atividades produtivas sustentáveis, informou a assessoria de imprensa do BNDES.

Aloizio Mercadante anunciou ainda que foram concluídas as negociações com o Banco Europeu de Investimentos para o financiamento, “em condições muito favoráveis”, de 300 milhões de euros, também vinculado à transição energética, economia verde e transição digital.

“É um empréstimo bem importante. Nós já concluímos a garantia soberana do Ministério da Fazenda, e agora vai para o Senado Federal. Assim que for aprovado pela comissão, estarão liberados os recursos. É mais dinheiro para nossa economia”, disse Mercadante.

Alemanha

O governo da Alemanha e o BNDES anunciaram a liberação de cerca de R$ 88 milhões (15 milhões de euros) ao Fundo Amazônia, por intermédio do banco estatal de investimento e desenvolvimento KfW. Além de ampliar os recursos destinados ao fundo, a Alemanha se torna o primeiro país parceiro do Brasil com adesão ao Programa Floresta Viva, iniciativa liderada pelo BNDES para restauração ecológica de biomas brasileiros.

Para o Fundo Amazônia, esta é a segunda parcela da doação contratada no final de dezembro de 2022, logo após as eleições presidenciais no Brasil, em iniciativa que marcou a retomada do apoio internacional ao fundo. A nova parcela se soma a cerca de R$ 107 milhões (20 milhões de euros) que foram liberados pela Alemanha para o fundo, em outubro de 2023.

A liberação dos R$ 88 milhões é a última contribuição realizada pelo governo alemão, segundo maior doador do Fundo Amazônia, com cerca de R$ 380 milhões em doações em valores históricos, que superam R$ 500 milhões quando convertidos ao câmbio atual.

Os recursos do governo alemão somam-se às contribuições dos demais doadores do Fundo Amazônia, que são Noruega, Petrobras, Suíça, Estados Unidos e Japão, além da própria Alemanha, e daqueles ainda a serem desembolsados pelo Reino Unido. Tais recursos reforçam as ações do Fundo Amazônia, considerado hoje o maior instrumento de redução de emissões decorrentes do desmatamento e degradação florestal (REDD+) no mundo.

Floresta Viva

Para o Programa Floresta Viva, o BNDES receberá recursos também do Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento da Alemanha (BMZ), por meio do KfW, no valor de 15 milhões de euros, que serão destinados à execução de projetos para aumento da cobertura vegetal com espécies nativas em todos os biomas brasileiros, desde a coleta de sementes, passando por viveiros florestais até os plantios.

O programa já lançou os primeiros editais referentes aos biomas de Manguezais, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica.

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Valinhos

DAEV Lança Projeto Gota de Consciência nas escolas municipais

Iniciativa educa alunos sobre a importância da economia de água e sustentabilidade; primeira ação ocorre na EMEB Governador André Franco Montoro com a participação de 300 crianças

O DAEV S.A., em parceria com as secretarias de Educação e Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, inaugurou nesta quarta-feira (3) o projeto Gota de Consciência, iniciativa que levará palestras sobre a importância da economia de água para os alunos da rede municipal. A primeira escola a receber a ação foi a EMEB Governador André Franco Montoro, no Jardim Bom Retiro, com a participação de cerca de 300 crianças das turmas dos 4ºs e 5ºs anos.

Com a presença da mascote Torneirinha e através de um conteúdo didático, os estudantes aprenderam que a água é fundamental para a vida humana e quais são as formas simples de economizar o recurso hídrico em casa, principalmente no período de estiagem.

Ações como controlar o tempo do banho, usar balde com água de reuso para limpar ambientes e automóveis, reservar água da chuva e da máquina de lavar para dar descarga no banheiro e regularizar vazamentos são essenciais para evitar o desperdício.

Os alunos receberam cartilhas educativas e interativas, além de copos personalizados do DAEV.

Projeto Gota de Consciência

O projeto Gota de Consciência faz parte do Programa de Uso Racional da Água, que cumpre um dos itens relacionadas à bandeira verde do Plano de Enfrentamento à Crise Hídrica de Valinhos, na qual o município se encontra no momento.

A ação também contempla os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). São 17 objetivos interconectados que abordam os principais desafios de desenvolvimento enfrentados por pessoas no Brasil e no mundo. Em 2022, Valinhos foi reconhecida pelo Instituto Cidades Sustentáveis como a 3ª melhor do país em sustentabilidade e compromissos assumidos quanto as ODS’s.

O projeto engloba os seguintes ODS’s: Saúde e Bem Estar; Educação de Qualidade; Água Potável e Saneamento; Cidades e Comunidades Sustentáveis; Consumo e Produção Responsáveis; Ação Contra a Mudança Clima; Vida na Água; Vida Terrestre; e Parcerias e Meios de Implementação.

 

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Colunistas

Cada passo importa para um futuro sustentável

O ano de 2023 foi confirmado como o mais quente da história, de acordo com o observatório Copernicus Climate Change Service, da União Europeia. Mesmo após passada a influência do fenômeno El Niño, que tem causado o aumento atípico das temperaturas desde meados do ano passado, os próximos anos também prometem ser muito quentes e desafiadores. Não à toa, os cientistas consideram que as mudanças climáticas devem ser consideradas o maior desafio da humanidade neste século e o aumento da frequência de eventos extremos como tempestades, alagamentos, vendavais, secas e incêndios florestais evidencia os grandes impactos desse tema na nossa vida.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) calcula que eventos climáticos extremos provocam diminuição de 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil atualmente e devem criar grandes desafios para o fornecimento de energia no país, fortemente dependente de fontes hidrelétricas.

Apenas nos primeiros nove meses do ano passado, os desastres naturais provocaram perdas econômicas estimadas em US$ 295 bilhões, de acordo com o estudo Global Catastrophe Recap, da seguradora Aon. Claro que não é possível associar todos esses impactos negativos ao aquecimento do planeta, mas é evidente que os desastres naturais estão mais intensos e mais frequentes. No Brasil, o mesmo estudo calcula em US$ 555 milhões as perdas financeiras relacionadas a eventos climáticos extremos, sendo US$ 205 milhões apenas com as fortes chuvas ocorridas em junho no Rio Grande do Sul.

Como vimos na mais recente Conferência de Mudanças Climáticas das Nações Unidas, a COP28, realizada em Dubai, governos, setores produtivos, sistema financeiro, ONGs e outros atores da sociedade procuram soluções para enfrentar esse cenário, mas a sensação geral é de que precisamos avançar mais rapidamente. A discussão há tempos deixou de ser preocupação de ambientalistas e está cada vez mais inserida no debate econômico. O Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, por exemplo, dedicou parte considerável de sua programação para debater soluções para os enormes desafios gerados pelas mudanças climáticas.

Em meio a tantas preocupações, no entanto, há sinais positivos. Os brasileiros já consideram as mudanças do clima um tema muito importante e, inclusive, estão dispostos a mudar comportamentos para evitar que a situação fique ainda mais grave. A pesquisa inédita “Natureza e Cidades: a relação dos brasileiros com as mudanças climáticas”, realizada pela Fundação Grupo Boticário em parceria com a Unesco no Brasil, entre outros parceiros, e apresentada na COP28, mostra que 69% das pessoas já se sentiram impactadas ou conhecem alguém diretamente impactado de forma negativa por tempestades, vendavais, alagamentos e inundações, ondas de calor, deslizamentos ou desmoronamento de encostas.

Entre os atingidos por eventos climáticos extremos, 65% dos entrevistados relatam alguma perda financeira, com prejuízo médio estimado de R$ 8.485,00 por pessoa. A pesquisa revela que 93% dos brasileiros acham que os fenômenos climáticos estão ficando mais intensos no mundo e, também, que 76% das pessoas consideram que a estrutura das cidades não está preparada para chuvas fortes. Além disso, 86% dos entrevistados percebem que as áreas verdes nas cidades estão diminuindo.

Por outro lado, a pesquisa mostra que a população está disposta a contribuir com o meio ambiente para garantir um futuro melhor. Existe grande sensibilidade sobre a importância de tornar nossas cidades mais verdes, com soluções que utilizem a natureza a nosso favor. Praticamente todos os entrevistados (98%) gostariam de viver em cidades mais arborizadas, com mais verde nas ruas e mais parques urbanos.

As pessoas percebem que a natureza oferece bens preciosos e, por isso, precisa ser conservada. Esse amplo apoio da população deve inspirar uma visão de futuro do Brasil, facilitando a transição para uma economia verde, capaz de promover um desenvolvimento realmente sustentável, cuidando do meio ambiente e gerando oportunidades econômicas com desenvolvimento social.

Para avançarmos nesse sentido, no entanto, além de políticas públicas bem direcionadas e atuação coordenada dos diferentes níveis de governo, os esforços voltados para a conservação da natureza precisam contar com mais participação e empenho da iniciativa privada. O uso responsável dos recursos naturais, o respeito às condições de vida das pessoas e a geração de receitas econômicas precisam formar um tripé indissociável.

O momento exige uma profunda reflexão. Além de entregar melhores produtos e serviços, as empresas também podem firmar compromissos reais em favor de um planeta mais equilibrado e de uma sociedade mais justa. Para isso, sabemos que será necessário ampliar a capacidade de formar alianças e parcerias estratégicas para aumentar o impacto positivo. O compromisso com essa causa deve encorajar toda a sociedade a compreender melhor o valor da natureza conservada.

A natureza em equilíbrio, além de ser uma condição essencial para a adaptação às mudanças climáticas, é capaz de gerar uma série de benefícios para todas as formas de vida. Todos somos responsáveis pela construção de um futuro mais positivo e, cada um ao seu modo, também pode influenciar quem estiver ao redor a fazer o seu melhor. Cada passo importa para um futuro sustentável.

*Artur Grynbaum é diretor presidente da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e vice-presidente do Conselho do Grupo Boticário

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Brasil e Mundo

Geração de lixo no mundo pode chegar a 3,8 bi de toneladas em 2050

Se tal quadro não for revertido, impacto negativo no clima será maior

Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil – São Paulo

Caso não haja mudança nos padrões de produção, consumo e descarte de materiais, a geração de resíduos sólidos domiciliar no mundo deve crescer 80% entre 2020 e 2050, passando de 2,1 bilhões de toneladas ao ano para 3,8 bilhões.

Cenário considerado promissor é manter a produção de resíduos em 2 toneladas por ano, neste mesmo prazo, apesar do aumento populacional e melhora do poder aquisitivo mundial.

Os dados são do relatório Global Waste Management Outlook 2024 (GWMO 2024), lançado hoje (28) durante a Assembleia das Nações Unidas para o Ambiente, em Nairóbi, capital do Quênia. O documento foi desenvolvido pela International Solid Waste Association (ISWA) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Relatório

O presidente da ISWA, Carlos Silva Filho, um dos autores do relatório, ressaltou que o mundo continua em uma tendência de aumento da produção de resíduos sólidos. “Ainda temos cerca de 40% desses resíduos vão parar em locais inadequados, tipo lixão e queima a céu aberto. Essa é uma tendência muito preocupante”, avaliou.

Se tal quadro não for revertido, ele explica que pode haver impactos negativos no clima, com mais emissões de gases de efeito estufa, principalmente metano; na biodiversidade, com maior exploração de recursos naturais e prejuízos para flora e fauna; e na saúde humana, com maior poluição e impactos direto na qualidade do ar, água e solo.

De acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos 2022, foram gerados no Brasil cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos domiciliares, das quais 76 milhões de toneladas foram coletadas, totalizando uma cobertura de coleta de 93%, mesma média apontada para a América do Sul no relatório. No entanto, 40% dos resíduos coletados no país, cerca de 29,7 milhões de toneladas, ainda seguem para destinos inadequados – lixões e aterros controlados.

Segundo o Atlas Global, no mundo, 38% dos resíduos acabam em destinos inadequados. Na América do Sul, esse percentual é de 34%, o que, segundo o ISWA, permite constatar que o Brasil está em situação deficitária em relação à média global e à média do continente.

Silva Filho apontou ainda que os índices de aproveitamento dos resíduos são bastante limitados no país e no mundo. Segundo o relatório, enquanto a média global é de 19% e a do continente Sul-americano de 6%, o índice de reciclagem de resíduos sólidos urbanos no Brasil varia em torno de 3 a 4% e está estagnado há mais de uma década.

Brasil

No Brasil, o levantamento revelou que, até 2050, a produção de resíduos deve crescer mais de 50% e poderá alcançar 120 milhões de toneladas por ano. Segundo o instituto, o número demonstra que o país carece de ações urgentes.

“O relatório mostra que o país ainda está bastante deficiente na gestão de resíduos. Em termos de aumento e de crescimento da geração, o Brasil está seguindo a mesma linha do mundo, com esse crescimento acelerado. Mas em termos de aproveitamento do resíduo, nós estamos muito atrasados”, avaliou Silva Filho.

A publicação aponta ainda que cerca de 2,7 bilhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso aos serviços básicos de limpeza urbana, como coleta de lixo. No Brasil uma em cada 11 pessoas não dispõe desse serviço. Com isso, mais de 5 milhões de toneladas de resíduos sólidos deixam de ser coletadas anualmente e acabam descartadas no meio ambiente, com impactos negativos no solo, rios e na saúde da população.

Recomendações

Análise das entidades mostrou que o maior impacto no aumento da geração de resíduos sólidos é decorrente do crescimento econômico, sendo 75% em função de aumento de poder aquisitivo, e 25% em função do crescimento populacional.

“O relatório traz a recomendação no sentido de que precisa dissociar o crescimento econômico da maior geração de resíduos sólidos. Nós precisamos de um novo modelo de design, produção, venda, distribuição de materiais e de uma nova consciência no descarte e geração de resíduos.”

Segundo o presidente do instituto, daqui até 2050, a perspectiva é de desenvolvimento econômico no mundo, revertendo essa rota de recessão e entrando numa rota de crescimento.

Um exemplo prático para minimizar impactos é o sistema de responsabilidade estendida dos produtores, ou seja, quem fabrica um produto e o coloca no mercado passa a ser responsável pelo retorno deste produto.

“Com isso, você traz um compromisso para que essa indústria faça produções mais amigáveis, mais fáceis de serem retornadas”, disse Silva Filho. Ele cita ainda o combate ao desperdício de alimentos e modos de ampliar o mercado de reciclagem, fazendo com que o resíduo se torne uma matéria-prima.

O cenário considerado possível de ser implementado seria alcançar 60% de reciclagem no mundo, que atualmente é de 19%, e reduzir a geração per capita de resíduos sólidos para 600 gramas em média – atualmente a quantidade é 800 gramas por pessoa. O total de resíduos sólidos domiciliares gerados no mundo ficaria em torno de 2 bilhões de toneladas, em 2050, em um cenário considerado promissor e também factível. Além disso, tal cenário prevê que não haja mais destino inadequado no planeta já a partir de 2050.

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