PESQUISA

Saúde

Ganho de peso durante a vida pode acelerar envelhecimento do cérebro

Pesquisa brasileira revela que variações de peso desde a infância até a meia-idade podem influenciar o ritmo do declínio cognitivo

Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein

Embora a relação entre obesidade na meia-idade e prejuízo cognitivo já seja conhecida, ainda há poucas evidências sobre como a variação de peso ao longo da vida afeta o funcionamento cerebral. Agora, um estudo brasileiro aponta que engordar de forma contínua desde a infância pode acelerar o envelhecimento do cérebro em até 6,5 anos.

Publicado em abril no periódico científico Neurology, o trabalho é resultado da tese de doutorado do geriatra Paulo Henrique Lazzaris Coelho, desenvolvida na disciplina de Geriatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e no Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP.

A conclusão foi baseada na análise de dados de 11.361 participantes do Estudo Longitudinal Brasileiro de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), um dos maiores estudos de saúde sobre a população adulta do país. Desde 2008, o levantamento acompanha servidores públicos de seis capitais brasileiras, com idades entre 35 e 74 anos.

Como não era possível obter medidas reais de peso desde a infância, os pesquisadores se basearam em silhuetas corporais autorrelatadas pelos próprios participantes, em cinco momentos da vida: aos 5, 10, 20, 30 e 40 anos. Cada participante selecionava a figura que mais se parecia com seu corpo em cada faixa etária, o que permitiu estimar variações de peso e categorizar os perfis em abaixo do peso, peso normal, sobrepeso e obesidade.

A partir desses dados, os autores estabeleceram quatro padrões predominantes de trajetória: “peso normal estável”, “normal para sobrepeso”, “abaixo do peso para normal” e “sobrepeso estável”.

Análise cognitiva

A função cognitiva dos participantes foi avaliada por meio de três testes padronizados, aplicados em três momentos diferentes ao longo de oito anos. “A maioria dos estudos olha para o indivíduo uma vez só, fazendo uma fotografia do desempenho cognitivo daquele momento. No nosso estudo, como avaliamos três momentos, conseguimos criar um filme sobre a cognição daquela pessoa”, observa Coelho à Agência Einstein.

Um dos métodos aplicados foi o teste de memória, no qual os voluntários precisavam memorizar e depois recordar listas de palavras simples após curto e médio intervalos de tempo. “Esse é um teste padronizado para avaliação da cognição na doença de Alzheimer. Com ele a gente mede capacidade do indivíduo se lembrar das palavras avaliando tanto a memória imediata, logo após ele ver a lista, quanto a memória tardia”, explica.

O segundo teste é de fluência verbal semântica e visa avaliar a linguagem. Nesses casos, os participantes tiveram que falar em um minuto a maior quantidade de palavras nas categorias animais e vegetais. Os pesquisadores também avaliaram a fluência verbal fonêmica, em que os voluntários tiveram que falar a maior quantidade de palavras que começassem com as letras A e F. “Com esses testes computamos a quantidade total de palavras que eles produziam e, com isso, foi possível fazer uma avaliação global de linguagem”, explica o pesquisador.

Por fim, os pesquisadores avaliaram a função executiva, ou seja, a capacidade de planejar, organizar e executar tarefas. Ela foi medida por meio de um teste de trilhas, em que os participantes precisavam conectar letras e números em sequência alternada, sendo o tempo de execução o principal indicativo de desempenho. “Quanto menos tempo ele demora, melhor”, afirma Coelho.

Declínio cognitivo acelerado

Ao longo das três fases de avaliação cognitiva, os pesquisadores observaram que os grupos que apresentaram ganho de peso ao longo da vida – em especial aqueles que passaram de peso normal para sobrepeso, os que saíram de abaixo do peso para normal e os que se mantiveram com sobrepeso – sofreram um declínio cognitivo mais acelerado em comparação com os participantes que mantiveram seu peso normal de forma estável.

Em termos práticos, essas trajetórias representaram um envelhecimento cerebral antecipado de 4,6, 4,9 e 6,5 anos nos três cenários, respectivamente, com prejuízos mais pronunciados na memória e na função executiva.

Segundo Coelho, as explicações para esses achados envolvem múltiplos fatores. O ganho de peso ao longo da vida pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, que por sua vez têm impacto direto sobre o cérebro. Além disso, condições associadas à obesidade, como inflamação crônica, alterações hormonais e acúmulo de proteínas como beta-amiloide (marcador da doença de Alzheimer) também podem contribuir para o declínio cognitivo.

Desigualdade social

Na pesquisa, esses efeitos foram observados com maior intensidade entre mulheres e indivíduos negros ou pardos, enquanto não se verificaram associações relevantes entre homens brancos. As disparidades entre os grupos demográficos indicam que há outras influências em jogo.

No caso das mulheres, por exemplo, diferenças fisiológicas no desenvolvimento de doenças cardiovasculares e o subtratamento de fatores de risco como hipertensão e diabetes podem ter papel importante.

Já entre negros e pardos, a interação entre questões biológicas e determinantes sociais — como qualidade da educação, acesso limitado a serviços de saúde e discriminação estrutural — pode explicar parte das desigualdades observadas. Mulheres negras ou pardas frequentemente enfrentam barreiras socioeconômicas que dificultam o acesso a uma alimentação equilibrada, à prática regular de exercícios físicos e a cuidados médicos de qualidade. Esse contexto pode favorecer o ganho de peso e agravar os riscos cognitivos.

Além disso, o estresse crônico causado por situações de racismo e desigualdade social também está associado a prejuízos na saúde mental e cerebral. “Isso pode contribuir para o ganho de peso e, consequentemente, para um maior risco de comprometimento cognitivo. O acesso limitado a serviços de saúde pode levar a diagnósticos tardios e à falta de intervenções preventivas”, analisa o neurologista Marco Túlio Pedatella, do Hospital Israelita Albert Einstein em Goiânia.

A boa notícia é que o estudo também reforça o papel da prevenção. Coelho destaca que o controle do peso tem papel importante em proteger contra o declínio cognitivo, já que as trajetórias de ganho de peso ou de sobrepeso apresentaram um declínio mais rápido ao longo dos oito anos de acompanhamento do que quem manteve peso normal. Segundo ele, após os 35 anos é natural que o desempenho cognitivo comece a diminuir, mas esse processo se acelera especialmente quando há doenças que afetam diretamente o cérebro, como as cardiovasculares e as demências.

Formas de prevenção

Diante desses achados, os pesquisadores defendem a adoção de políticas públicas voltadas ao controle do peso desde a infância como estratégia para promover um envelhecimento mais saudável, principalmente entre populações vulneráveis. Na prática clínica, os resultados também podem mudar como os profissionais acompanham pacientes com histórico de obesidade, incorporando a avaliação da saúde cognitiva como parte essencial do tratamento.

Para Pedatella, a prevenção do declínio cognitivo deve ser encarada como um esforço multifatorial. Isso inclui o monitoramento do peso desde a juventude, a adoção de uma alimentação balanceada, a prática regular de atividades físicas (que, além de controlar o peso, melhora o fluxo sanguíneo cerebral e promove a neuroplasticidade), além do estímulo a atividade intelectual, sono de qualidade, controle de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, e o fortalecimento dos laços sociais, que também têm efeito protetor sobre a mente.

“Estudos como esse, com dados específicos da população brasileira, são fundamentais para adaptar diretrizes de saúde ao nosso contexto. Eles permitem identificar grupos mais vulneráveis e desenvolver estratégias de intervenção precoce mais eficazes”, conclui o neurologista do Einstein.

Fonte: Agência Einstein

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Saúde

Cerca de 40% das pessoas com dor crônica têm depressão ou ansiedade

Segundo nova pesquisa, a prevalência é maior entre jovens e mulheres com doenças como fibromialgia. Tratamento multidisciplinar pode ajudar

 

Por Gabriela Cupani, da Agência Einstein

Cerca de 40% das pessoas com quadros de dor crônica sofrem de ansiedade ou depressão, mostra uma nova revisão de estudos feita pela Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e publicada no início de março no periódico Jama.

A dor é considerada crônica quando persiste por mais de três meses. Ela pode ser causada por diversas doenças, como osteoartrite, osteoartrose, fibromialgia, câncer, entre outras. Altamente incapacitante, estima-se que afete cerca de 21% dos adultos no mundo.

Os autores identificaram 376 pesquisas envolvendo 347.468 pessoas com dor crônica em 50 países. Os resultados mostram uma prevalência de 39,3% para depressão e 40,2% para ansiedade entre os indivíduos analisados. Esses índices foram maiores em jovens e mulheres, justamente o grupo mais afetado por esses transtornos mentais.

“Sabe-se que pacientes com dor crônica têm alta incidência de transtornos mentais porque são quadros prolongados que acabam afetando significativamente a qualidade de vida, trazendo impactos negativos e prejuízos à vida dessas pessoas”, explica o psiquiatra Elton Kanomata, do Hospital Israelita Albert Einstein.

O estudo constatou também que os maiores índices foram observados nos casos em que não havia lesões evidentes nos tecidos, como fibromialgia: cerca de 54% tinham depressão e 55,5%, sintomas de ansiedade.

Sem tratamento, os quadros de saúde mental podem agravar a dor crônica. “A depressão ou a ansiedade não tratada afeta a qualidade de vida, diminui a adesão ao tratamento, pode levar ao uso irregular das medicações e até ao abandono do acompanhamento médico”, diz Kanomata. “Tratar esses quadros é essencial para aumentar a taxa de sucesso do tratamento contra a dor crônica.”

O especialista ressalta a importância de um trabalho envolvendo profissionais de diversas especialidades, incluindo o psiquiatra. “Atualmente, os profissionais estão mais atentos a esse risco [da presença de depressão ou ansiedade]. Médicos que atendem pacientes com dor crônica costumam avaliar também esses sintomas e, na existência deles, já podem considerar medicações que ajudem a tratar esses casos.”

Fonte: Agência Einstein

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Economia

Maioria dos jovens brasileiros quer ter o próprio negócio

Jovens trabalham mais que estudam no Brasil © Wilson Dias/arquivo Agência Brasil

Também consideram corrupção o maior problema do país, mostra pesquisa

Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

Três em cada dez jovens brasileiros entre 18 e 27 anos têm como maior desejo profissional ter o seu próprio negócio ou a sua própria empresa. Isso é o que mostrou uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (19) e realizada pelo Centro Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (Sou_Ciência) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com o Instituto de Pesquisa IDEIA.

De acordo com a pesquisa, o nível de escolaridade influencia no interesse em empreender. Quanto maior a escolaridade, maior o interesse em ter a própria empresa. Jovens pretos (31%) e pardos (32%) também são os mais interessados em ter o próprio negócio.

“A pesquisa nos surpreende pelo fato de que temos um número expressivo de jovens empregados com CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] – cerca de 42% de jovens nessa condição – mas que não querem permanecer como empregados celetistas. Há um movimento em direção a outras formas de trabalho”, explicou Pedro Arantes, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador do Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (Sou_Ciência).

Outros jovens entrevistados também revelaram o desejo de trabalhar como funcionário público (18%), viver de renda ou de investimentos (18%), exercer sua profissão como autônomo (12%) e trabalhar como empregado com carteira assinada (11%). E cerca de 8% deles ainda revelou o desejo de não trabalhar.

Em entrevista à Agência Brasil, o pesquisador revelou que o levantamento revela que a “juventude não quer ser classe trabalhadora”.

“A carteira de trabalho não é objeto de desejo. E entre autônomos e empresários, há uma vontade clara de que eles toquem seu próprio negócio ou sua própria vida sejam como indivíduos-pessoas jurídicas ou pessoas jurídicas-empresariais”, afirmou.

Ainda de acordo com esse estudo, a posição política desses jovens revelou contrastes: aqueles que se identificaram como de esquerda têm maior interesse em ser funcionário público (28%). Diferentemente dos jovens de direita, que são os mais interessados em ter seu negócio (38%).

Chamada de O que Pensam os Jovens brasileiros, a pesquisa ouviu 1.034 jovens de todas as regiões do país, que responderam a 55 perguntas, feitas por telefone celular, entre os dias 16 e 23 de setembro de 2024. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

Corrupção

A pesquisa ouviu os jovens também sobre diversos outros assuntos. Quando questionados, por exemplo, sobre 13 temas presentes no cotidiano dos brasileiros, a maioria deles respondeu que a corrupção é o principal problema do país, com índice de 34% das respostas. Na pesquisa feita em 2021, a corrupção ocupava a sexta posição nesse critério, com 26%. Naquele ano, a fome e a pobreza ocupava o topo, com 66% das respostas.

Tanto no levantamento atual quanto no anterior, a violência e a falta de segurança aparecem em segundo lugar. Neste ano, 30% das respostas apontavam a violência como o principal problema do Brasil.

“Os jovens são o grupo social que mais está na rua, que mais está exposto e que mais facilmente é vítima de violência, vigilância e repressão. Por isso, ele tem uma percepção mais aguda da violência e reconhece isso como o segundo principal problema [do país]”, falou o pesquisador.

A corrupção é uma preocupação maior para homens, de classe alta, evangélicos ou que se declaram de direita ou centro-direita. Já a violência e a falta de segurança preocupam mais as mulheres, pessoas de classes mais baixas, nordestinos, católicos e pessoas que se declaram mais à esquerda ou centro-esquerda.

Em seguida aparecem a saúde (26%), a crise ambiental e climática (24%), a educação (23%), o desemprego (23%), a inflação e o custo de vida (22%), a fome e a miséria (18%), o racismo e a discriminação (14%), as fake news e a desinformação (13%), o saneamento básico e a moradia (11%), os ataques à democracia (6%) e as disputas por terra (3%).

De acordo com a pesquisa, o tema da crise ambiental, climática e hídrica foi o que mais cresceu na comparação com o estudo de 2021. Há quatro anos, esse tema ocupava o décimo lugar, com a marca de 7% das respostas. Agora subiu para a quarta posição, um crescimento de 243%.

Posição política

A maioria dos entrevistados (67% do total) declara não ser de direita e nem de esquerda, o que aponta que o jovem brasileiro está afastado da polarização brasileira. Cerca de 17% dos entrevistados se declarou de direita ou centro-direita, 16% como de esquerda ou centro-esquerda, 9% do centro. Mas um grande número de jovens (31%) informou que nunca teve posição política. Outros 7% dizem que já tiveram posição política e que atualmente não têm mais. O restante (20%) preferiu não responder.

“Dois terços dos jovens, que chamamos de nem-nem – nem de esquerda e nem de direita – são uma massa numerosa e não colocam a questão ideológica como prioridade para se posicionar”, disse Arantes. “Essa aparente despolitização ou desinteresse por uma posição ideológica clara talvez indique que os jovens estão interessados em pensar o mundo fora dessa zona de conflito aberto que se tornou a política no Brasil”.

Os entrevistados foram indagados também sobre suas afinidades político-partidárias considerando o cenário com os dois maiores adversários na vida política nacional atualmente. Com isso, 23% dos entrevistados se declararam bolsonaristas ou mais próximo do pensamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto 28% se declaram petistas ou próximos aos ideais do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O segmento mais expressivo, contudo, foi dos que não se posicionam em nenhuma dessas correntes: 33%. Os que não souberam ou preferiram não responder somam 16%.

Por outro lado, disse Arantes, a pesquisa demonstrou que há uma forte polarização entre os jovens que se reconhecem como sendo de direita ou de esquerda em relação principalmente a temas comportamentais ou sociais. O reconhecimento do direito ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo, tem o apoio de 80% dos esquerdistas ouvidos na pesquisa, enquanto que, entre os direitistas, esse índice cai para 27%.

Já a ampliação das escolas cívico-militares conta com a simpatia de 68,6% dos jovens de direita, enquanto entre os de esquerda a aprovação é de 26%. Em relação às cotas nas universidades públicas, o apoio dos esquerdistas em se manter ou ampliar essa política representa o dobro dos direitistas: 66% a 33%.

Ansiedade e depressão

Problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão, são, disparados, os que mais afetam os jovens brasileiros, apontado por 38% dos entrevistados. Esse problema é um consenso entre os diferentes grupos ouvidos pela pesquisa, seja por jovens de esquerda ou de direita, homens ou mulheres, de maior ou menor renda, católicos, ateus ou evangélicos, brancos, negros ou pardos, universitários ou não universitários, ou de quaisquer regiões do país.

“O que mais afeta os jovens no Brasil de hoje são os problemas de ansiedade e depressão e outros problemas de saúde mental associados que podem ter relação com a pandemia, com os discursos de ódio, perseguição a minorias, intolerância e fundamentalismo religioso, além da tecnologia e hiper-exposição. Mas também tem a ver com o mundo do trabalho desregulado, em que as pessoas não tem jornadas e metas claramente estabelecidas e sofrem mais tipos de pressão”, disse Arantes.

“E percebemos que os jovens com maior instrução, os universitários, são os que apontam esse como sendo o maior problema. Isso também está associado com a pressão na vida acadêmica e com as expectativas profissionais que podem ser frustradas pela crise no mundo do trabalho”, acrescentou.

Em seguida, aparece o consumo de drogas (28%), violência e criminalidade (25%), vício em celular, redes sociais ou games (24%), desemprego e trabalho precário (23%) e a falta de perspectiva do futuro (22%), entre outros.

No levantamento anterior, os jovens apontavam como seus maiores problemas o desemprego e trabalho precário (44%) e a falta de perspectiva de futuro (33%). A depressão e a ansiedade ocupavam a terceira posição, com 32%.

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Saúde

Número de médicos no Brasil aumenta 23,6% de 2019 a 2023

Já o total de enfermeiros cresceu ainda mais: 39,2%

O número de médicos no Brasil teve um incremento de 23,6% de 2019 a 2023. É o que aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em nova pesquisa publicada nesta quarta-feira (4). De acordo com a divulgação, em 2023 o Brasil contava com 502,6 mil médicos, 363,1 mil enfermeiros e 952,6 mil técnicos de saúde.

Os dados mostram ainda que no ano passado o Brasil tinha 23,7 médicos para cada 10 mil habitantes. Em 2022, eram 22,5 médicos por 10 mil habitante, abaixo, portanto, de países como México (25,6) e Canadá (25) e acima da República Dominicana (22,3 por 10 mil habitantes) e da Turquia (21,7).

Os números estão reunidos na Síntese de Indicadores Sociais 2024, que traz uma análise produzida pelo IBGE sobre as condições de vida da população brasileira. É um estudo amplo que aborda temas variados como mercado de trabalho, renda, educação, saúde e condições de vida.

O intervalo de 2019 a 2023 compreende o período que ficou marcado pela pandemia de covid-19. O crescimento do número de médicos registrado nesses quinquênio é mais robusto do que o observado no anterior, que vai de 2015 a 2019, quando o avanço foi de 16,4%.

O salto de 2019 a 2023 se deu de forma mais intensa na rede privada. O número de médicos que não atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu 29,7%. Já o grupo que atua na saúde pública recebeu um incremento de 21,2%.

Mas são os enfermeiros que se consolidaram como os profissionais de saúde que mais cresceram durante o período que engloba a pandemia de covid-19. Eles saíram de 260,9 mil em 2019 para 363,1 mil em 2023, uma diferença de 39,2%.

“Os médicos têm maior interesse no mercado de trabalho privado, no mercado de trabalho não-SUS”, observa Clician do Couto Oliveira, analista do IBGE envolvida na pesquisa.

O estudo reúne ainda outros dados que podem ser associados à pandemia de covid-19. O número de leitos complementares no país – destinados à assistência que exige características especiais como unidades de isolamento, isolamento reverso e unidades de terapia intensiva (UTI) ou semi-intensiva – totalizava 59,1 mil em janeiro de 2020, antes de o Brasil decretar a emergência sanitária.

Em julho de 2022, esse número havia saltado para 76,9 mil, mantendo-se estável desde então. Assim, na comparação com o período pré-pandêmico, o país conta com mais de 30% do total de leitos complementares.

O número de tomógrafos também aumentou na mesma proporção. Saiu de 2,3 por 100 mil habitantes em 2019 para 3 por 100 mil habitantes em 2023.

“Esse crescimento se deu em todas as unidades da federação. Mas se deu de forma heterogênea no território e manteve as desigualdades anteriores. Por exemplo, o Distrito Federal já tinha o maior indicador de tomógrafos por habitante e permaneceu como maior. Saltou de 4,6 para 7,2 por 100 mil habitantes”, analisa Clician.

Óbitos

No capítulo sobre saúde, a pesquisa reúne também dados sobre óbitos no país em 2023. Ao todo, foram 1,46 milhão, 8,4% a mais que os 1,35 milhão registrado em 2019, último ano antes da pandemia de covid-19. De acordo com o IBGE, esse crescimento sofre influência dos óbitos por câncer, que subiram 7,7% no período. Os tumores causaram 17% de todas as mortes do ano passado.

Além disso, ao longo de 2023, a covid-19 teria feito mais de 10 mil vítimas, incrementando assim os dados de mortes por doenças virais que, em 2019, haviam sido apenas 173. “Se declarou o fim da da pandemia, mas a covid-19 ainda deixa um saldo significativo de mortes que não ocorriam antes. Em 2019, não havia essa causa”, destaca Clician.

A pesquisa também apresentou dados segmentados por raça e gênero. Chama atenção que, na faixa até 44 anos, morreram 44,2 mil pretos ou pardos em 2023. O resultado é 2,7 vezes acima do número de óbitos de brancos (16,1 mil). Clician chama atenção para o alto número de mortes externas envolvendo jovens pretos ou pardos.

“Esses dados não foram desagregados nessa pesquisa. Mas se sabe que eles são as maiores vítimas relacionadas com mortes violentas. Entre os brancos, a principal causa de morte externa é acidente com automotores – motos e veículos de modo geral”, afirma Clician.

Outro dado destacado pela analista envolvem as mortes por doenças do coração. Na faixa etária entre 30 e 69 anos, esses óbitos somaram 31,2 mil entre homens brancos, número similar aos de câncer.

Já entre homens pretos ou pardos na mesma faixa etária, foram 40,6 mil mortes por doenças do coração, bem acima das 29,9 mil envolvendo tumores. Entre as mulheres, o mesmo se repete: em 2023, as doenças do coração levaram a óbito 18,4 mil brancas e 24,5 mil pretas ou pardas.

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Saúde

InfoGripe indica manutenção de queda de casos de covid-19

Incidência da doença apresenta maior impacto em crianças e idosos

O novo Boletim InfoGripe da Fiocruz indica manutenção do sinal de queda dos casos de covid-19 na maioria dos estados da região Centro-Sul, sinalizando reversão do cenário de aumento de infecções causadas pelo Sars-CoV-2. Apenas o estado do Rio de Janeiro apresenta indícios de retomada de crescimento. A análise destaca também que, apesar desse quadro, a covid-19 permanece como a principal responsável pelas internações entre os idosos nas últimas semanas. Também chama atenção que o rinovírus se mantém como o principal vírus associado à internação de crianças e adolescentes de até 14 anos.

A incidência de SRAG por covid-19 tem apresentado maior impacto em crianças pequenas e idosos, enquanto a mortalidade tem sido mais elevada entre idosos a partir de 65 anos.

Em nível nacional, observa-se tendência de queda ou estabilidade dos casos de SRAG nas crianças de até dois anos e na população idosa a partir dos 50 anos. Nas crianças a partir de dois anos, adolescentes e adultos, verifica-se um leve sinal de retomada do crescimento.

Mesmo diante do cenário de queda de casos de covid-19, a pesquisadora a do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e do InfoGripe, Tatiana Portella, reforça a importância da manutenção das recomendações de prevenção, principalmente para as pessoas que moram nos estados com aumento dos casos de SRAG. “O ideal é usar máscaras em locais fechados com maior aglomeração de pessoas e dentro dos postos de saúde. Diante do aparecimento de qualquer sinal de síndrome gripal como coriza, tosse, febre, dor de garganta, o recomendado é sair de casa usando uma boa máscara”, afirma Portella.

Em 2024, já foram registrados 9.191 óbitos por SRAG.

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Valinhos

Nutricionista desenvolve guia alimentar para vegetarianos

Reprodução: TV Unicamp

O material é resultado de uma adaptação transcultural do guia internacional VegPlate, voltado para a população europeia

Fonte: Jornal da Unicamp – Autoria Silvio Anunciação

A nutricionista Tatiana Consoli Nannetti Dias desenvolveu um guia alimentar para vegetarianos estritos utilizando alimentos normalmente consumidos no Brasil. O material é resultado da adaptação transcultural do guia internacional VegPlate, voltado para a população europeia. O trabalho foi conduzido como parte da pesquisa de mestrado de Dias junto à Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp, sob orientação da professora Julicristie Machado de Oliveira.

O objetivo, segundo a pesquisadora da Unicamp, é apoiar tanto profissionais de saúde, especialmente nutricionistas, quanto indivíduos vegetarianos no planejamento de alimentação equilibrada.

“A adaptação para a realidade brasileira se baseou em informações da POF [Pesquisa de Orçamento Familiares] de onde obtivemos os principais alimentos consumidos pelos brasileiros. A partir disso, fazemos sugestões de alimentos em cada grupo alimentar”, explicou a autora do estudo.

O material é dividido em seis grupos alimentares: cereais, raízes e tubérculos; leguminosas; legumes e verduras; frutas; castanhas, oleaginosas e sementes; e gorduras e óleos vegetais. “Meu prato vegetariano estimula a população a consumir alimentos naturais e o mínimo de processados possível, trazendo também um impacto positivo no custo da alimentação, uma vez que os alimentos in natura tendem a ser mais baratos”, acrescenta a pesquisadora.

A alimentação vegetariana estrita fornece os nutrientes essenciais para o organismo, exceto a vitamina B12. “No guia, temos a imagem de um prato e, ao centro, a vitamina B12, porque é uma vitamina que necessita de atenção com relação à suplementação”, observa Dias. Assista a reportagem da TV Unicamp

Reprodução: TV Unicamp

De acordo com ela, o guia foi elaborado seguindo as Dietary Reference Intakes (DRIs), sendo adequado para adultos com o planejamento dietético de 1200 a 3200 quilocalorias (kcal). Meu prato vegetariano oferece também adaptações específicas para mulheres grávidas e lactantes, com planejamento de 1800 a 3200 kcal, mais porções adicionais para o 2° e 3° trimestres gestacionais e para a lactação.

A pesquisadora submeteu o guia a uma avaliação de 40 nutricionistas, por meio de questionário, e de outros seis profissionais, por meio do grupo focal. “Muitos nutricionistas relataram receio em realizar orientações sobre alimentação vegetariana estrita, pois acreditam que pode haver deficiência de nutrientes, sobretudo para o público materno-infantil. Por outro lado, eles afirmaram que o guia é uma ferramenta útil na prática clínica, na orientação e elaboração de planos alimentares para esse público”, relatou. A pesquisadora informa que o guia Meu prato vegetariano deverá ser disponibilizado em breve após publicação científica.

 

Reprodução: TV Unicamp

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Brasil e Mundo

Investimento em pesquisa coloca a capital como destaque em inovação na América Latina

Centros de pesquisa atraem investidores (foto: CDC/Unplash)

São Paulo fica na primeira posição no Ranking Global Startup Ecosystem que destaca a produção científica, capacidade tecnológica e talento

Fonte: Portal do Governo de SP

O investimento do governo de São Paulo na produção científica paulista colocou São Paulo novamente em lugar de destaque no cenário tecnológico internacional. Pela segunda vez consecutiva, a capital representa o ecossistema de inovação mais robusto da América Latina, ocupando o primeiro lugar no Ranking Global Startup Ecosystem publicado nesta segunda-feira (10), durante o London Tech Week , em Londres, na Inglaterra.

“Somos experts em produção científica, destacando-se no mundo todo. Para isso, contamos com universidades estaduais de ponta, como a USP, a Unesp e a Unicamp”, afirmou o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Vahan Agopyan. “Além disso, temos uma intensa movimentação entre os mais de 40 ambientes, vinculados ao Sistema Paulista de Ambientes de Inovação, distribuídos pelo nosso estado”, destacou ao comentar sobre o modelo de descentralização da inovação paulista em um dos painéis do evento..

A cidade de São Paulo é modelo para outros países, já que é especialista em produzir inovação por meio da pesquisa científica, alta capacidade de produção tecnológica e capacidade de gerar e manter talentos nos ecossistemas de inovação. Globalmente, a cidade ocupa o 26º lugar, mantendo destaque internacional pelo segundo ano seguido.

Durante o evento, Vahan Agopyan também participou do “Ecosystem Leaders Forum”, um encontro reservado entre especialistas da área de inovação do mundo. “Os países do G20 também estão sendo avaliados e o resultado será apresentado na reunião de novembro, no Rio de Janeiro”, afirma o secretário.

As startups brasileiras foram alvo de cerca de 61% de todas as rodadas de financiamento na América Latina em 2023. A cidade oferece aos empresários e empreendedores um grande mercado e amplas oportunidades de networking.

O relatório destaca que a infraestrutura do Aeroporto Internacional de São Paulo, que recebe cerca de 41,3 milhões de passageiros anualmente, possui horários de funcionamento semelhantes aos dos Estados Unidos, México e Canadá. Assim como o Porto de Santos, o maior do hemisfério Sul, que conecta mais de 600 portos em 125 países.

O relatório ainda é composto por um outro levantamento, que indica o crescimento de diversas cidades que podem ocupar o ranking principal nos próximos anos. Os três primeiros lugares ficaram com Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte.

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RMC

Observatório registra mais de 13 mil pessoas com deficiência em Indaiatuba

Aumento de 2010 para o Censo Demográfico coletado em 2022 foi de 3.457 pessoas

No último dia 16 de janeiro, o Governo do Estado de São Paulo em parceria com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), lançou a plataforma Observatório dos Direitos da Pessoa com Deficiência que reúne os dados colhidos durante a realização do Censo Demográfico para especificar quantas pessoas com deficiências foram contabilizadas em cada município. O intuito é monitorar e dar embasamento para que as cidades criem politicas públicas mais inclusivas. Em Indaiatuba, de acordo com as informações, foram computadas 9.688 pessoas com deficiência em 2010. Já em 2022,  houve um aumento de 3.457 pessoas, o que representa  o acrescimento de 35,6%  totalizando a 13.145 pessoas com deficiência.

Os dados foram  divididos por tipo de deficiência. Em 2010,  foram contabilizados 4.840 deficientes visuais, 3.160 pessoas com deficiências físicas, 1.908 com deficiência intelectual e 2.088 deficientes auditivos. Já em 2022, os números de deficientes  visuais aumentaram  para 6.568, 4.288 pessoas com deficiências físicas, 2.590 com deficiência intelectual e 2.835 deficientes auditivos. Ao todo, foram registradas 8.413 mulheres e 4.732 homens com alguma das deficiências.

Além do número de pessoas com deficiência a plataforma centraliza esses munícipes oferecendo os dados referentes às áreas educacionais, de emprego, esportes, dentre outros indicadores. “É uma conquista muito importante. Nós já estávamos planejando politicas públicas inclusivas no município, inclusive dentro da secretaria criamos um departamento especifico para atender as demandas e de modo a ter uma comunicação melhor, bem como, um canal exclusivo para as pessoas com deficiência. O prefeito Nilson Gaspar sempre se preocupou em abranger a todos com propostas e ações. Agora, com essa plataforma podemos avançar ainda mais na inclusão das pessoas com deficiência em Indaiatuba”, pontua a Secretária de Relações Institucionais e Comunicação, Dra. Graziela Milani.

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