PESQUISA

Saúde

Diagnóstico do câncer de próstata une exames conhecidos e novas técnicas

Pesquisa reforça a importância do teste de PSA aliado a tecnologias que tornam o diagnóstico mais seguro e personalizado

Por Bruno Pereira, da Agência Einstein

O exame de PSA, sigla em inglês para antígeno prostático específico, é o principal marcador para detectar precocemente o câncer de próstata. Embora não seja, por si só, um diagnóstico, o teste pode ajudar a salvar vidas. É o que aponta um estudo divulgado em outubro no The New England Journal of Medicine.

O acompanhamento foi feito ao longo de 23 anos, observando os resultados de saúde de 162 mil homens. A investigação mostrou que realizar o exame de PSA periodicamente reduziu em 13% as mortes por câncer de próstata em relação ao grupo que não fez o exame de forma padronizada.

“Esse estudo é muito relevante pelo seu impacto, mas começou em 1993, quando não tínhamos ressonância magnética, terapia focal e cirurgia robótica. Então, os resultados comparativos hoje em dia provavelmente trariam uma diferença maior”, observa o urologista Ariê Carneiro, coordenador da pós-graduação de Cirurgia Robótica em Urologia do Einstein Hospital Israelita.

Outro ponto é que os acompanhamentos periódicos do estudo foram feitos em um intervalo muito maior do que os que são atualmente recomendados pelas principais sociedades médicas mundiais e brasileiras que tratam do câncer de próstata. Por aqui, o rastreio anual deve começar em homens a partir de 50 anos de idade e, em média, vai até os 75 anos.

Há casos que a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda começar ainda mais cedo: indivíduos com histórico familiar e de etnia negra devem iniciar com 45 anos e aqueles com mutações genéticas que favoreçam o aparecimento de tumores são orientados a começar o rastreio a partir dos 40 anos.

“O que vimos no estudo é que os países adotavam estratégias muito diferentes. Enquanto na França a triagem era feita a cada dois anos, na Bélgica era a cada sete anos e a média foi de um exame a cada quatro anos. Para nós, isso é praticamente não fazer acompanhamento. Confunde os resultados e nos faz observar o estudo com cautela”, analisa Carneiro. Por outro lado, diz o médico, a pesquisa mostra que, mesmo fazendo o rastreamento de maneira esparsa, é possível salvar muitas vidas.

Acompanhar é preciso

Os próprios autores ponderam que um PSA elevado nem sempre indica tumor maligno, e que falsos positivos podem levar a biópsias desnecessárias, incômodas e caras para os sistemas de saúde.

O exame de toque retal, por muito tempo visto como etapa obrigatória na detecção do câncer de próstata, hoje tem sido reservado a casos específicos. Esse procedimento pode complementar a análise, especialmente para identificar tumores raros que não elevam o PSA e tendem a ser mais agressivos.

O essencial é fazer o acompanhamento médico com frequência. “O diagnóstico precoce e em fase inicial permite abordagem menos invasivas e, em casos selecionados, nenhum tratamento ativo deve ser recomendado”, diz o urologista. Segundo ele, o maior problema no Brasil costuma de homens que não fazem acompanhamento. “Por isso, quatro em cada 10 cânceres de próstata aqui só são descobertos em casos metastáticos”, alerta.

A vigilância desse tipo de tumor, portanto, fica presa entre dois extremos: do ponto de vista da saúde pública, rastrear todos os homens anualmente tem um alto custo; por outro lado, deixar de submeter pacientes aos exames pode fazer com que o câncer cresça de forma silenciosa até ser um problema que ameace a vida. Por isso, cada vez mais tecnologias estão sendo criadas para melhorar o rastreio e as formas de escolher quem deve de fato ser submetido aos exames.

O futuro do rastreio

Novas técnicas apresentadas em 2025 no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), o principal congresso mundial de oncologia, indicam que o diagnóstico do câncer de próstata caminha para ser mais seletivo e menos invasivo. O uso de biomarcadores urinários e genéticos para selecionar quem deve fazer o PSA está ganhando espaço.

Eles ajudam a identificar quem realmente tem indícios de um problema prostático e se beneficiaria mais do rastreamento, além de distinguir tumores agressivos de lesões indolentes que podem ser manejadas apenas com a vigilância. Essa observação ativa, inclusive, também tem mudanças: há novos estudos mostrando como a ressonância magnética combinada ao PSA aumenta a segurança do monitoramento e diminui a frequência de biópsias, realizadas pela uretra ou pelo reto, o que gera incômodo e dor.

“O futuro é selecionar melhor quem deve ser rastreado e tratado. Estamos caminhando para deixar a detecção mais simples e barata, além de entender melhor também os marcadores genéticos do tumor depois da biópsia”, analisa Ariê Carneiro. “Estamos chegando mais perto de acompanhamentos mais efetivos e eficazes no uso dos recursos públicos. Tudo isso combinado com a precisão dos tratamentos, incluindo a cirurgia robótica, poderá nos levar a ter uma revolução na melhora da qualidade de vida e na sobrevida dos pacientes.”

Fonte: Agência Einstein

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Brasil e Mundo

62% dos brasileiros não sabem o que é a COP-30

Levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Real Time Big Data mostra que o Meio Ambiente está em último lugar entre as principais preocupações dos brasileiros

Nova pesquisa do Instituto de Pesquisa Real Time Big Data indica que 62% dos brasileiros não sabem o que é a COP-30, em andamento em Belém, no Pará. Apenas 38% declaram estar cientes sobre o que é o evento, promovido anualmente pelos signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima.

O levantamento ouviu 1.500 pessoas entre os dias 11 e 12 de novembro de 2025, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

A pesquisa mostrou que 79% da população nunca tinha ouvido falar na COP antes de a reunião ser recebida no Brasil. Apenas 21% tinham conhecimento anterior. Apesar da pouca familiaridade com o tema, após ouvir breve explicação sobre o que é o evento e seus objetivos, 61% dos entrevistados classificaram a iniciativa como positiva, sendo que 27% a consideram negativa e 12% não responderam.

Por outro lado, 70% se mostraram pessimistas quanto à possibilidade de a COP-30 trazer resultados práticos e uma ação mundial efetiva. Além disso, 74% não consideram como estratégia eficaz o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, proposto pelo Brasil na COP para remuneração de países pela preservação de florestas.

Por fim, os brasileiros também se mostraram incrédulos quanto às ações das empresas brasileiras no combate às mudanças climáticas; sendo que para 84% elas não desempenham papel importante nesse sentido.

Meio Ambiente não é visto como prioridade

O Real Time Big Data também questionou os entrevistados sobre quais deveriam ser as prioridades do governo brasileiro nesse momento. O meio ambiente aparece em último lugar, tendo sido indicado por apenas 4% das pessoas ouvidas na pesquisa.

Confira abaixo os resultados:

  • Segurança Pública – 27%
  • Saúde – 23%
  • Educação – 20%
  • Economia – 16%
  • Desenvolvimento Social – 10%
  • Meio Ambiente – 4%

 

Sobre o Realtime Big Data

O Realtime Big Data é uma das grandes referências nacionais em ciência de dados e pesquisas qualitativas e quantitativas, destacando-se pelo alto nível de excelência técnica e pela oferta de análises claras. Fundado em 2015 pelo cientista político Bruno Soller, o Instituto de Pesquisa tem atuado especialmente no cenário político, de forma a transformar números em informação para apoiar as melhores decisões de governo e de estratégias eleitorais. A partir de 2024, o Realtime Big Data inicia uma nova fase, marcada pela chegada do sócio estrategista Wilson Pedroso e pela ampliação dos braços de atuação.

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Economia

Bioeconomia ganha força na indústria brasileira, mostra CNI

Mais de 80% dos executivos defendem o uso sustentável da biodiversidade como ativo estratégico das empresas

Mais do que um tema de debate na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), a bioeconomia é vista pela indústria brasileira como um pilar essencial para o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono.

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 70% dos empresários atribuem importância à bioeconomia para o futuro do setor, sendo que 20% a consideram de “total importância”, 37% “muito importante” e 20% “mais ou menos importante”.

O levantamento, encomendado ao Instituto de Pesquisas Nexus, ouviu 1.004 empresas industriais de pequeno, médio e grande porte em todas as regiões do país, entre 13 de agosto e 9 de setembro de 2025.

Mais de 80% dos executivos defendem o uso sustentável da biodiversidade como ativo estratégico das empresas. Segundo a pesquisa, 89% dos empresários apoiam o uso econômico e responsável dos recursos naturais, distribuídos da seguinte forma:

  • 32% afirmam que a biodiversidade deve ser conservada, garantindo seu uso sustentável;

  • 29% defendem que ela deve fazer parte dos negócios de forma sustentável;

  • 28% acreditam que o tema deve ser integrado às políticas de responsabilidade socioambiental.

Apenas 5% defendem a preservação total, sem uso econômico. A diferença é significativa: enquanto preservar significa manter a natureza intocada, conservar envolve o uso racional e sustentável dos recursos naturais.

“O estudo confirma que a indústria brasileira já enxerga a sustentabilidade como vetor de competitividade e inovação. A bioeconomia e o uso inteligente da nossa biodiversidade são grandes diferenciais no cenário global”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban. “Na COP30, vamos mostrar ao mundo que o Brasil tem as soluções para uma nova economia de baixo carbono, e a indústria é protagonista dessa transformação.”

A pesquisa mostra que a sustentabilidade está cada vez mais incorporada à estrutura das indústrias. Quase metade das empresas (48%) já possui uma área ou departamento específico para tratar do tema — um avanço de sete pontos percentuais em relação a 2024.

O levantamento também indica que o custo mais competitivo (55%) é o principal fator que motiva o aumento do uso de fontes renováveis nas indústrias. Em seguida aparecem os incentivos fiscais (10%) e a redução na emissão de poluentes (8%).

Entre as ações mais comuns de sustentabilidade já implementadas, destacam-se:

  • redução da produção de resíduos sólidos (90%);

  • otimização do consumo de energia (84%);

  • modernização de máquinas com foco ambiental (78%).

A CNI participará da COP30, em Belém (PA), entre 10 e 21 de novembro, com um estande na Blue Zone, promovendo painéis e reuniões sobre bioeconomia, economia circular, transição energética, mercado de carbono, financiamento climático e novas tecnologias.

“A presença da CNI na COP30 expressa o compromisso da indústria com um futuro sustentável”, destaca o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo. “Vamos mostrar como o setor produtivo tem integrado a biodiversidade e os recursos naturais de forma responsável aos modelos de negócios.”

A participação da CNI na conferência conta com a correalização do SENAI e do SESI, além de apoio institucional e patrocínio de empresas e entidades como Schneider Electric, JBS, Suzano, Itaúsa, Vale, Braskem, Ambev, CPFL Energia, Aegea e outras.

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Brasil e Mundo

Uso de internet por adolescentes em escolas cai para 37% em 2025

O celular é o principal dispositivo, citado por 96% dos entrevistados. Em seguida vêm a televisão (74%), computador (30%) e videogame (16%)

O uso da internet por crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos nas escolas caiu de 51% em 2024 para 37% em 2025, segundo o estudo Tic Kids Online Brasil 2025, divulgado nesta quarta-feira, dia 22, em São Paulo.

Uma das explicações é a lei que restringiu o uso de celulares nas escolas, aprovada no início deste ano. A medida teve impacto direto na forma como os alunos acessam a internet durante o período escolar.

“Começamos a coleta da pesquisa em março, quando a restrição já estava em vigor. É possível perceber relação entre a lei e a queda do acesso à internet na escola”, afirmou Luísa Adib, coordenadora do estudo Tic Kids.

Quais fatores influenciam a queda do acesso?

Além da restrição de celulares, outros fatores contribuem para a diminuição do uso da internet na escola. O debate político sobre proteção digital de crianças e adolescentes tem ganhado força.

O Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, que ainda não entrou em vigor, também reforça a atenção sobre o tema. “Parte da queda pode ser explicada por regulamentações e pelo debate político”, explicou Adib.

Como os adolescentes acessam a internet

Apesar da queda no uso escolar, o acesso à internet se mantém alto no Brasil. Cerca de 92% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos usam a internet regularmente, quase 24,6 milhões de pessoas.

O celular é o principal dispositivo, citado por 96% dos entrevistados. Em seguida vêm a televisão (74%), computador (30%) e videogame (16%).

O estudo mostra que 84% dos usuários acessam a internet de casa várias vezes ao dia. Nas escolas, 12% acessam várias vezes ao dia, 13% uma vez por semana e 9% uma vez ao mês.

Atividades mais realizadas online

Entre os principais usos da internet estão:

  • Pesquisas escolares: 81%

  • Pesquisa de interesses pessoais: 70%

  • Notícias em vídeo ou texto: 48%

  • Informações sobre saúde: 31%

Quase metade dos adolescentes (46%) acessa conteúdos de influenciadores digitais para assistir vídeos várias vezes ao dia. Esse hábito inclui conteúdos variados, alguns potencialmente nocivos.

Segurança digital e mediação parental

O estudo reforça a importância da mediação ativa dos pais. Isso significa acompanhar, dialogar e orientar os filhos no uso da internet. Estratégias isoladas das plataformas digitais funcionam melhor quando combinadas com supervisão responsável em casa.

Segundo Luísa Adib, nenhuma medida sozinha é eficaz. A combinação de recursos técnicos das plataformas com monitoramento familiar garante maior proteção às crianças e adolescentes.

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Saúde

AVC mata uma pessoa a cada seis minutos no Brasil

Custo hospitalar com internação foi de quase R$ 1 bi em seis anos

O acidente vascular cerebral (AVC), ou derrame, continua sendo uma das maiores causas de morte e incapacidade no Brasil. Segundo estudo da consultoria Planisa, uma pessoa morre a cada 6,5 minutos vítima de AVC.

Além da gravidade, o problema gera custos altos para o sistema de saúde. Entre 2019 e setembro de 2024, 85.839 pessoas foram internadas, com média de quase oito dias por paciente. Isso resultou em mais de 680 mil diárias hospitalares.

Custos hospitalares do AVC

Do total de diárias, 25% ocorreram em UTIs e 75% em enfermarias.
Os gastos somaram R$ 910,3 milhões, sendo R$ 417,9 milhões em cuidados críticos e R$ 492,4 milhões em não críticos.

Somente em 2024, até setembro, os custos já passavam de R$ 197 milhões. Desde 2019, os gastos quase dobraram, acompanhando o aumento das internações, de 8,3 mil para 21 mil casos.

O que causa o AVC?

O Ministério da Saúde explica que o AVC acontece quando vasos sanguíneos do cérebro entopem ou se rompem, bloqueando a circulação em uma área cerebral.
O problema afeta mais homens e exige atendimento rápido. Quanto antes o tratamento começar, maiores as chances de recuperação.

Principais sinais e sintomas

Fique atento a:

  • Confusão mental ou dificuldade para falar;

  • Problemas de visão em um ou ambos os olhos;

  • Dor de cabeça súbita e intensa;

  • Perda de equilíbrio, tontura ou dificuldade para andar;

  • Fraqueza ou formigamento em um lado do corpo.

O diagnóstico é feito por exames de imagem, geralmente tomografia computadorizada, que identifica a área afetada e o tipo de derrame — isquêmico ou hemorrágico.

Quem tem mais risco de AVC?

Entre os fatores de risco estão:

  • Hipertensão, diabetes tipo 2 e colesterol alto;

  • Sobrepeso, obesidade e sedentarismo;

  • Tabagismo, álcool em excesso e drogas ilícitas;

  • Idade avançada, sexo masculino e histórico familiar.

Controlar doenças crônicas e adotar hábitos saudáveis ajuda a prevenir novos casos.

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Saúde

Conheça os hábitos que ajudam a causar e evitar problemas com hemorroidas

Pesquisa nos EUA aponta que o tempo prolongado sentado no vaso sanitário por uso do celular favorece a dilatação das veias na região anal; saiba o que mais influencia

Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein

O hábito aparentemente inofensivo de levar o celular ao banheiro pode ser mais prejudicial do que se imagina. Um estudo conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos indica que o uso de smartphone enquanto se está sentado no vaso sanitário está associado a um aumento de quase 50% no risco de desenvolver problemas de hemorroida, condição que representa a terceira causa mais comum de consultas gastrointestinais ambulatoriais.

Os resultados foram publicados no início de setembro na revista científica Plos One. Os pesquisadores aplicaram questionários sobre o uso do celular no banheiro e investigaram hábitos comportamentais, como esforço evacuatório, consumo de fibras e prática de atividade física. Participaram da pesquisa 125 adultos, que foram submetidos a colonoscopia de rotina entre 1º de agosto e 15 de dezembro de 2024. Desses, 43% apresentavam hemorroidas visualizadas no exame.

O levantamento revela que 66% dos participantes utilizavam o celular no banheiro, seja para ler notícias, navegar nas redes sociais ou simplesmente passar o tempo. Entre eles, a probabilidade de apresentar hemorroidas foi 46% maior em comparação com quem não tinha esse costume, mesmo após o ajuste para fatores clássicos de risco, como idade, sexo, índice de massa corporal (IMC), nível de atividade física e ingestão de fibras.

O tempo de permanência no vaso sanitário foi apontado como um dos principais fatores por trás dessa associação com o risco de hemorroidas. Entre os que usavam o celular no banheiro, 37,3% relataram permanecer sentados por mais de cinco minutos, contra apenas 7,1% dos que não utilizavam o aparelho. Esse tempo prolongado pode exercer pressão sobre os vasos sanguíneos da região anal, favorecendo o aparecimento das hemorroidas.

Mas, afinal, o que são hemorroidas?

Hemorroidas são veias normais que todos nós temos no ânus.

“Elas se tornam uma doença hemorroidária quando há dilatação desses vasos, causando prolapsos, caroços e sangramento”, explica a coloproctologista Patrícia Romero Prete, do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia – Iris Rezende Machado (HMAP), unidade pública gerenciada pelo Einstein Hospital Israelita em Goiás. “Quando elas estão com problemas, os sintomas incluem coceira, inchaço, um caroço doloroso em volta do ânus, sangramento e secreção.”

A Sociedade Brasileira de Coloproctologia estima que em torno de 50% da população brasileira já teve ou terá uma crise hemorroidária. “Não há dados oficiais, pois a maioria das pessoas quando tem crises de hemorroida não procuram o médico por tabu ou vergonha. Mas esse é um problema bastante comum”, afirma Prete.

Contudo, embora seja uma condição comum, ainda há dificuldades na identificação precisa de todos os fatores que contribuem para seu surgimento. Constipação intestinal, esforço excessivo para evacuar, dieta pobre em fibras, sedentarismo e gestação estão entre as causas conhecidas. Agora, o tempo prolongado no vaso sanitário potencializado pelo uso do celular surgiu como mais um elemento de risco.

De acordo com a médica, o aumento de casos de hemorroidas associados ao uso de smartphones é perceptível na prática clínica.

“Esse é um tema abordado com frequência no consultório. As pessoas carregam o celular para todos os lugares e o banheiro, muitas vezes, é o único momento em que conseguem ficar sozinhas e desconectar dos problemas e do trabalho. Muitos pacientes dizem que aproveitam esse tempo para ler mensagens ou checar as redes sociais. Isso se tornou um novo fator de risco que não existia antigamente”, observa.

O motivo para isso é fisiológico: a partir do momento em que a pessoa fica mais de dez minutos sentada no vaso sanitário, existe um aumento do esforço evacuatório. “Imagine você somar esses dez minutinhos nessa posição contínua ao longo dos anos. Isso provoca uma queda forçada das mucosas, que são os tecidos que sustentam as hemorroidas, e elas descem, causando dilatação, dor e sangramento”, explica a coloproctologista.

A recomendação para evitar o problema é ir ao banheiro apenas para fazer cocô. “Temos que sentir a vontade de evacuar e entrar sem nada no banheiro — sem celular, sem revista, sem livro. O ideal é evacuar em três a cinco minutos. Essa não é uma regra absoluta, pois nem todo intestino funciona igual, mas esse é considerado um tempo seguro. Se não conseguir evacuar, levante-se e saia”, orienta a especialista.

Diagnóstico clínico

O diagnóstico da doença hemorroidária é realizado pelo coloproctologista durante o exame físico, que inclui a avaliação externa do ânus e o toque retal. Em alguns casos, especialmente em pacientes com 45 anos ou mais, ou com histórico familiar de câncer colorretal, a colonoscopia pode ser indicada. O tratamento varia conforme a gravidade e pode ser clínico — com uso de pomadas, medicamentos e mudanças de hábitos — ou cirúrgico, nos casos mais avançados.

Segundo Patrícia Prete, as hemorroidas internas são classificadas de grau 1 a 4, conforme a gravidade dos sintomas.

“No grau 1, há apenas sangramento; no grau 2, elas saem durante a evacuação e retornam sozinhas; no grau 3, saem e precisam ser empurradas de volta com o dedo; e no grau 4, permanecem para fora o tempo todo”, detalha a especialista. Já as hemorroidas externas se localizam ao redor do ânus e podem formar uma trombose hemorroidária, um caroço duro e doloroso que costuma regredir espontaneamente.

As hemorroidas não causam câncer, mas podem gerar complicações que afetam o dia a dia.

“Hemorroida não causa nada mais grave, não vira câncer e não causa outras doenças. Mas, se crescer muito e causar sangramento intenso, pode levar à anemia; se houver secreção, pode irritar a região anal e dificultar a higiene”, relata.

Além do tempo no vaso sanitário, fatores como histórico familiar, constipação, diarreia crônica, sobrepeso e atividades que exigem esforço físico intenso podem ser prejudiciais. “Alimentos irritativos, como pimenta e molho de tomate, podem desencadear crises. Exercícios com muito peso, ciclismo, spinning e até a prática de equitação também podem contribuir”, alerta a médica do HMAP.

Como prevenir?

Para prevenir o surgimento de hemorroidas, recomenda-se manter o peso sob controle, praticar atividade física regularmente e adotar um hábito evacuatório saudável, seguindo a “regra de três”: evacuar no mínimo três vezes por semana e no máximo três vezes por dia. “Evitar comidas gordurosas, bebida alcoólica e alimentos muito condimentados também ajuda. Mas é importante lembrar que, mesmo com todos os cuidados, a pessoa pode ter uma crise eventualmente”, adverte a coloproctologista.

Sintomas como dor, sangramento, secreção anal, prolapso e desconforto também podem estar presentes em casos mais graves.

“Hemorroidas não causam câncer, mas têm sintomas semelhantes aos de doenças malignas. Por isso, qualquer alteração na região anal precisa ser avaliada por um proctologista. Não adianta recorrer à automedicação ou tentar diagnóstico por inteligência artificial. Apenas o especialista pode diferenciar o que é benigno do que pode ser mais sério”, orienta Patrícia Prete.

Fonte: Agência Einstein

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Economia

Alívio em SP: 7 itens essenciais da cesta básica estão mais baratos em setembro

Segundo pesquisa de Conab e DIEESE divulgada nesta quarta, capital paulista apresentou queda em sete dos 13 alimentos pesquisados, com destaque para tomate, batata e arroz

Se você percebeu que alguns produtos ficaram mais baratos nos mercados de Valinhos, a sensação é real: a capital paulista registrou uma redução no custo da cesta básica em setembro. Essa tendência oferece um alívio nas compras mensais para as famílias da região. São Paulo está entre as 22 capitais que viram o custo médio cair, impulsionada pela queda de sete itens essenciais, como o tomate e a batata.

A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pela Conab e pelo Dieese nesta quarta-feira, dia 8, confirmou a diminuição de preço. Na capital, a queda foi de no custo da cesta. O destaque é que a pressão inflacionária nos itens básicos diminuiu, um sinal positivo que se reflete diretamente no planejamento financeiro doméstico.

Sete dos 13 itens avaliados tiveram uma redução significativa na capital. O líder absoluto de queda foi o tomate, com uma baixa robusta de , seguido pela batata, que ficou mais barata.

Esses dois produtos, frequentemente comprados em grande volume, ajudam a aliviar o orçamento. Outros itens importantes que completam a lista de redução de preços incluem: arroz agulhinha (), leite integral (), açúcar refinado (), café em pó () e manteiga ().

Olhando para o longo prazo, a economia é ainda mais notável: no acumulado dos últimos 12 meses, a batata caiu incríveis e o arroz agulhinha registrou de redução na capital. Acompanhar esses movimentos permite que o consumidor de Valinhos tome decisões de compra mais inteligentes e maximize a economia familiar.

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Brasil e Mundo

IBGE vai medir impacto das enchentes no RS

© Gustavo Mansur/ Palácio Piratini
Levantamento será por telefone a partir de hoje e até 19 de dezembro
Alice Rodrigues*

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou nesta segunda-feira, 15 de setembro, a Pesquisa Especial sobre Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. A pesquisa vai abranger mais de 30 mil residências em 133 cidades para medir os impactos e as consequências da tragédia climática que atingiu o estado há um ano.

As informações coletadas fornecerão dados para o planejamento de políticas públicas, o auxílio à população afetada e a criação de planos de prevenção mais eficazes contra novos desastres.

Como a Pesquisa Funciona e o Cronograma

O IBGE realizará a pesquisa exclusivamente por telefone, usando o número oficial (21) 2142-0123. O levantamento, feito por amostra, vai de 15 de setembro a 19 de dezembro de 2025. A instituição garante o sigilo sobre a identidade dos entrevistados.

Para participar, a pessoa precisa ter mais de 14 anos e residido no Rio Grande do Sul entre o final de abril e todo o mês de maio de 2024, quando ocorreram as enchentes. Se você for selecionado, pode agendar a entrevista pelo telefone 0800 721 8181 ou pelo e-mail peers@ibge.gov.br.

Confira o cronograma de coleta de dados por região:

  • 15 a 26/09: Porto Alegre (12 municípios)
  • 29/09 a 10/10: Novo Hamburgo, Taquara, Montenegro, Charqueadas (23 municípios)
  • 13 a 17/10: Passo Fundo, Carazinho, Frederico Westphalen, Marau, Tapejara e outros (25 municípios)
  • 20 a 31/10: Santa Cruz do Sul, Lajeado, Sobradinho, Encantado (39 municípios)
  • 3 a 7/11: Pelotas, Camaquã (6 municípios)
  • 10 a 14/11: Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Nova Prata (11 municípios)
  • 17 a 28/11: Santa Maria, São Gabriel, Uruguaiana, Cachoeira do Sul (17 municípios)
  • 1º a 19/12: Todas as regiões

A Importância da Participação

O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, reforçou o papel da pesquisa para direcionar políticas públicas mais adequadas. A secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul, Priscilla Maria Santana, também fez um apelo para que a população participe. “Eu queria pedir pro gaúcho, pra gaúcha, responder, atender bem ao IBGE. Porque a partir desse manancial de dados coletados, [a gente] vai estar pensando no futuro de vocês”, destacou a secretária.

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Economia

Confiança do consumidor paulista sobe em agosto, mas segue no campo pessimista, aponta ACSP

Apesar do terceiro aumento mensal no ano, índice segue abaixo dos 100 pontos e reflete queda nas expectativas sobre renda e emprego

O Índice de Confiança do Consumidor Paulista (ICCP), elaborado pela PiniOn para o Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (IEGV/ACSP), registrou 97 pontos em agosto. O resultado representa uma alta de 2,1% em relação a julho, marcando o terceiro avanço mensal do ano. No entanto, na comparação com agosto de 2024, houve queda de 8,5%, mantendo o indicador no campo pessimista, abaixo da linha dos 100 pontos.

A recuperação parcial da confiança foi impulsionada, principalmente, pelas famílias das classes AB, que apresentaram melhora no índice. Em contrapartida, houve retração entre consumidores da classe C e estabilidade entre os da classe DE.

Pela primeira vez, o levantamento trouxe o recorte por gênero, apontando avanço na confiança tanto entre homens quanto entre mulheres.

Na percepção atual, os entrevistados relataram leve melhora em relação à própria situação financeira. Contudo, a segurança no emprego recuou e as expectativas futuras relacionadas à renda e ao mercado de trabalho se deterioraram.

Esse cenário impactou diretamente o comportamento dos consumidores, que indicaram menor disposição para adquirir itens de maior valor, como imóveis e veículos, além de bens duráveis, como eletrodomésticos. Também foi registrada redução no interesse em investir para o futuro.

Capital segue tendência, com leve alta na confiança

Na cidade de São Paulo, o Índice de Confiança do Consumidor (ICCSP) atingiu 89 pontos em agosto, alta de 2,3%, em relação a julho, mas queda de 6,3% frente ao mesmo período de 2024. Apesar do avanço mensal, o indicador permanece no campo pessimista (abaixo de 100 pontos).

A evolução da confiança na capital apresentou resultados mistos, entre as classes socioeconômicas: alta para os entrevistados das classes AB e C, e estabilidade na classe DE. No recorte por gênero, houve leve queda da confiança entre as entrevistadas do sexo feminino e melhora significativa para o sexo masculino.

Também houve melhora das percepções em relação à situação atual, apesar da redução da segurança no emprego. Já as expectativas futuras para emprego e renda pioraram. Nesse contexto, a maioria dos entrevistados mostrou menos interesse em adquirir bens de maior valor e duráveis, embora tenha sido registrado aumento na disposição para investir.

Em resumo, tanto o ICCP quanto o ICCSP registraram alta em agosto, mas ainda acumulam quedas em relação ao ano anterior e permanecem abaixo da marca dos 100 pontos, mantendo-se no campo pessimista.

Para o economista da ACSP, Ulisses Ruiz de Gamboa, o avanço recente na confiança pode estar relacionado à resiliência do mercado de trabalho. “O crescimento do emprego e da renda pode ter contribuído para a melhora na percepção da situação atual. No entanto, à medida que a desaceleração econômica, provocada pela elevada taxa básica de juros (Selic), se intensifique nos próximos meses, é possível que a confiança volte a ser impactada negativamente”, avalia Ruiz de Gamboa.

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Valinhos

Transporte Público de Valinhos salta 28% na aprovação

Mudanças no setor no último trimestre podem refletir na alta da aprovação do setor. / Foto: Divulgação/PMV

Mudança aconteceu no último trimestre, entre abril a julho de 2025

Em um avanço expressivo no último trimestre, o Transporte Público de Valinhos avançou 28% nas avaliações positivas obtidas na Cidade de Médio Porte (CMP). Saltando de 43,4% em abril, o setor registrou 71,4% em julho, maior aprovação observada neste ano. Ainda em janeiro, o setor indicou 46,2% de aprovação. O patamar atual representa a soma de 5,5% de ótimo e 65,9% de bom, considerando margem de erro de 4,8% sob intervalo de confiança de 95%.
A rejeição seguiu a mesma tendência e indicou queda no período, chegando a 10,1% em julho. No comparativo com abril, o setor mostrou taxas 25,2% mais baixas. A rejeição atual é a menor de 2025.
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O Transporte de Valinhos alcançou no último trimestre o Alto Grau de Satisfação pela primeira vez nesse ano. A nota do serviço saltou de 592 pontos em abril para atuais 725 pontos, alcançando patamar mais elevado de satisfação. No cenário atual, o Transporte de Valinhos está acima da média das CMPs, mudança que também aconteceu entre abril e julho deste ano.

No ranking doméstico da INDSAT, que avalia no total 16 serviços públicos em Valinhos, o Transporte Público se classifica entre os 10 melhor avaliados da cidade, em 9º lugar no ranking.
Entre junho e julho deste ano, a frota de transporte público da CMP passou por mudanças significativas, como os 10 novos ônibus 0km entregues ao município e a redução da tarifa de transporte de R$4,70 para R$3,70. Os estudantes permanecem pagando meia tarifa. Além disso, também entrou em vigor a aplicação de tarifa zero para toda a população aos domingos e feriados.
Metodologia 
O índice de satisfação atribuído aos serviços públicos avaliados pela INDSAT segue metodologia exclusiva, resultando em um único número de até 1.000 pontos. A pontuação é atingida através do cálculo dos percentuais de ótimo, bom, regular, ruim e péssimo obtidos por cada serviço. A partir deste número, são classificados da seguinte forma:
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As cidades avaliadas pela INDSAT são divididas em agrupamentos populacionais, contemplando Cidades de Pequeno Porte (CPP), com até 100 mil habitantes; Cidades de Médio Porte (CMP), entre 100 mil e 400 mil habitantes, e Cidades de Grande Porte (CGP), com mais de 400 mil habitantes. Segundo fontes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a previsão para 2025 é de que Valinhos alcance 131.277 habitantes, portanto, município integrante das Cidades de Médio Porte (CMP).

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