EMERGÊNCIA CLIMÁTICA

Brasil e Mundo

Cerrado: desmatamento emite 135 milhões de toneladas de CO2 desde 2023

© Adriano Gambarini/WWF Brasil/Divulgação

Levantamento é do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia

Por Letycia Bond – Repórter da Agência Brasil – São Paulo

O desmatamento no Cerrado gerou a emissão de mais de 135 milhões de toneladas de CO2, de janeiro de 2023 a julho de 2024. O volume que corresponde a 1,5 vezes o total produzido pela indústria brasileira a cada ano.

Levantamento foi feito pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e divulgado hoje (18). Os dados foram obtidos através do SAD Cerrado (Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado), que utiliza satélites ópticos do sensor Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia e compara imagens de áreas com um intervalo mínimo de seis meses, a fim de observar se houve derrubada de árvores.

Segundo maior bioma do país e altamente diverso, o bioma é formado por três tipos de vegetação: a savânica, que predomina e foi a mais destruída no período, a florestal e a campestre.

As formações savânicas do Cerrado, que compõem 62% da vegetação do bioma, responderam por 88 milhões de toneladas de CO2 (65%) emitidas no intervalo analisado. As queimadas de formações florestais geraram quase 37 milhões de toneladas, enquanto a destruição das formações campestres, que ocupam 6% da área do bioma, resultou na emissão de cerca de 10 milhões de toneladas.

Mais uma vez, o Ipam evidenciou a catástrofe que o desmatamento na região apelidada de Matopiba – que compreende os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia –  tem representado para o bioma. Os casos de incêndio nessas unidades federativas são o motivo da distribuição de 108 milhões de toneladas de gás carbônico, espalhadas na atmosfera.

O volume corresponde a 80% do total registrado no bioma e à metade do dispersado pelo setor de transportes, de acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

Na lista da Matopiba, o estado com o maior volume de dióxido de carbono liberado foi Tocantins, com mais de 39 milhões de toneladas. No total, 273 mil hectares foram desmatados, e, tanto em 2023 como em 2024, a unidade federativa liderou o ranking de emissões provenientes da derrubada de formações savânicas e florestais, que acabaram representando, juntas, 98% do total do estado.

Em segundo lugar, aparece o Maranhão, com 35 milhões de toneladas de dióxido de carbono expelidas e 301 mil hectares de vegetação nativa devastada. Conforme salienta o Ipam, o estado também lidera as emissões originadas pelo desmatamento de formações campestres (6 milhões de toneladas).

Dentro da sigla que compreende os quatro estados, estão Bahia, em terceira posição na lista, com 24 milhões de toneladas, e Piauí, por último, com 11 milhões.

A relação de estados que abrangem o bioma segue com Minas Gerais (6,9 milhões), Mato Grosso (6 milhões), Goiás (5,7 milhões), Mato Grosso do Sul (3,2 milhões), Pará (1,9 milhões), Rondônia (220 mil), Distrito Federal (81 mil) e São Paulo (2 mil). No Paraná, nada foi detectado no período.

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Brasil e Mundo

Chefes dos Três Poderes discutem aumento de penas a crimes ambientais

© Ricardo Stuckert/PR

Lula, Pacheco e Lira dizem concordar que incêndios são criminosos

Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Os presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva; do Senado, Rodrigo Pacheco; e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, disseram concordar que a onda de incêndios florestais que afeta o país tem origem criminosa. Em reunião nesta terça-feira (17) entre os chefes dos Três Poderes para discutir medidas para enfrentar a crise climática, eles falaram sobre um eventual aumento de penas para os criminosos.

“Não se pode pode acusar, mas que há suspeita [de crime], há”, declarou Lula no encontro. “O dado concreto é que, para mim, parece muita anormalidade.” O presidente da República disse considerar estranhas as convocações para o ato promovido na Avenida Paulista em Sete de Setembro com a frase “Vai pegar fogo”.

Pacheco disse acreditar haver uma coordenação entre os incêndios. “É muito evidente que, diante desse contexto, a quantidade de focos [de incêndios], há, sim, uma orquestração, mais ou menos organizada, que pretende incendiar o Brasil”, declarou. Lira considera que há uma influência criminosa na onda de incêndios. “Estamos enfrentando um problema iminente de organizações criminosas, inclusive no atear fogo”, afirmou.

Aumento de penas

O aumento de penas para crimes ambientais também foi tema da reunião. O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, disse estar discutindo com a Advocacia-Geral da União (AGU) uma proposta para aumentar as penas para incêndios florestais, atualmente com punições mais brandas que as de um incêndio comum.

“No incêndio normal, a penalidade é de três a seis anos e, no incêndio florestal, um crime ambiental, é de dois a quatro anos. Então o que se vai buscar é pelo menos igualar”, explicou.

Também presente ao encontro, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, defendeu que o Congresso discuta o aumento de penas para crimes ambientais. “No incêndio normal, a penalidade é de três a seis anos e no incêndio florestal, um crime ambiental, é de dois a quatro anos. Então, o que se vai buscar é pelo menos igualar”, disse.

Congresso

O presidente do Senado disse ser possível um eventual “aprimoramento legislativo” da Lei 9.605, que trata dos crimes contra a fauna e a flora, e do Código Penal, mas recomendou equilíbrio nas discussões para evitar “populismo legislativo”. Segundo Rodrigo Pacheco, a legislação atual já estabelece agravantes e permite combinar penas.

“Nós reputamos que o problema nesse instante não é legislativo. Nem de uma fragilidade de combinação de penas, porque tipos penais há, penas combinadas também há”, afirmou. Pacheco, no entanto, ponderou que o Senado pode debater os crimes previstos em lei para identificar as possibilidades de elevar a pena. “Uma coisa é ter fogo em um hectare, outra coisa é ter fogo alastrado por um parque florestal que atinge vilas, comunidades”, comentou.

Dizendo haver vontade política na Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Arthur Lira, pediu que medidas que precisem de votação no Congresso não sejam confundidas com questões ideológicas. “Não faltará vontade política da Câmara, mas alguns temas acho que têm que vir bem explicados, para que não tenha reação adversa a uma tratativa que fuja de alguns pensamentos mais ou menos ideológicos com relação ao cerne da questão”, disse.

Mobilização de juízes

O presidente do STF afirmou ter pedido uma mobilização nacional de juízes de todo o país, diante da gravidade da situação atual. Ele disse ter recomendado aos magistrados que deem prioridade à tramitação de inquéritos e ações relacionadas a infrações ambientais. A recomendação, explicou, vale para ações criminais e civis e deverá adiantar medidas cautelares, como operações de busca e apreensão e prisões preventivas.

Barroso também afirmou que as Defesas Civis estaduais devem receber as multas pecuniárias em ações coletivas. O pedido vale para dinheiro que esteja depositado em contas do Poder Judiciário.

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RMC

Resiliência e enfrentamento à estiagem são temas de webinário dos Comitês PCJ

Evento será no dia 26 de setembro, das 9h às 12h, no canal de YouTube da Agência das Bacias PCJ

“Resiliência e enfrentamento à estiagem nas Bacias PCJ” é o tema do webinário que será promovido pela Câmara Técnica de Planejamento (CT-PL) dos Comitês PCJ no dia 26, das 9h às 12h. A transmissão será pelo canal de YouTube da Agência das Bacias PCJ, no link https://bit.ly/WebinárioEstiagemBaciasPCJ. Não é necessário fazer inscrição antecipadamente. Estão confirmadas as presenças de representantes das Secretarias do Estado de São Paulo de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e de Agricultura e Abastecimento (SAA) como palestrantes. (ver programação abaixo)

O evento busca promover uma discussão sobre as ações necessárias para o enfrentamento à estiagem prolongada nas Bacias PCJ, explorando estratégias que minimizem os riscos de disponibilidade hídrica. Além disso, como o webinário visa promover a sustentabilidade dos recursos hídricos e segurança hídrica da região, serão abordadas medidas de mitigação para reduzir os impactos e o papel das respostas emergenciais frente a este fenômeno climático.

O secretário-executivo dos Comitês PCJ, Denis Herisson Silva ressaltou a importância e a finalidade do evento. “Estamos enfrentando um momento de estiagem prolongada, na qual o Rio Piracicaba está com uma vazão abaixo da média histórica. Há previsão de um atraso no começo da época das chuvas que, aliado ao aumento da temperatura, torna nossos mananciais ainda mais escassos, comprometendo a segurança hídrica.  Assim, os Comitês PCJ por meio da CT-PL, chamam os representantes de duas importantes secretarias de governo do Estado ligadas ao tema, bem como a Agência PCJ, para apresentar planos, programas e políticas para garantir maior resiliência da população das Bacias PCJ no enfrentamento a estes eventos climáticos extremos”, declarou.

Para o coordenador da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico (CT-MH) dos Comitês PCJ, Alexandre Vilella, é fundamental discutir as ações integradas e de adaptação as mudanças climáticas para unir esforços para enfrentamento da severa estiagem de 2024 e próximos anos.

“O conjunto de precipitações abaixo da média histórica, baixa umidade relativa do ar, altas temperaturas, demandas e desafios ligados a qualidade das águas, trazem de um cenário de grande complexidade para todos os usuários nas Bacias PCJ, seja para os 3,5 milhões de habitantes que se abastecem diretamente do sistema Cantareira, assim como, aos demais 57 municípios que possuem outros mananciais como córregos, barramentos municipais, águas subterrâneas e outras concepções. O momento é de atenção, uma vez que, as previsões climatológicas indicam um ligeiro atraso do início do período chuvoso, assim como, o cenário para 2025 dependerá e muito do comportamento das precipitações e usos ao longo do verão 2024/2025”, comentou.

O diretor-presidente da Agência PCJ, Sergio Razera, destacou que o evento é uma oportunidade para discutir e buscar soluções. “As estiagens aqui nas Bacias PCJ não são nenhuma novidade. O problema é que, a cada ano que passa, elas são mais profundas, mais longas, e isso obviamente numa região que já tem grandes problemas com quantidade e qualidade das águas nos deixam cada vez mais preocupados e em busca de soluções que possam ser realizadas no curto, no médio e no longo prazo. Então, o evento é uma oportunidade de a gente discutir e se aprofundar nessas soluções que podem aliviar, que podem minimizar e criar a resiliência, criar então a nossa estratégia para suportar cada vez mais essas estiagens que se aprofundam ano a ano”, comentou.

MONITORAMENTO

Nos Comitês PCJ é a CT-MH – composta por mais 180 membros de diversos setores usuários, governamentais e sociedade civil -, que monitora diariamente as condições das captações. No período seco, entre junho e novembro, a CT-MH também é responsável por deliberar sobre as vazões a serem descarregadas do Sistema Cantareira para as Bacias PCJ. Os dados de chuva/nível/vazões em tempo real em mais de 50 trechos de rio podem ser acessados através do link: https://bit.ly/SiteSAISP.

Os dados de armazenamento do Sistema Cantareira podem ser acessados aqui: https://mananciais.sabesp.com.br/Situacao. Os dados da rede automática de monitoramento da qualidade da CETESB ficam neste endereço: https://simqua.cetesb.sp.gov.br/

SERVIÇO

Webinário dos Comitês PCJ: “Resiliência e enfrentamento à estiagem nas Bacias PCJ”

DATA: 26.09.2024 (Quinta-feira)

HORÁRIO: Das 9h às 12h

LOCAL: Transmissão pelo canal da Agência das Bacias PCJ no YouTube: https://bit.ly/WebinárioEstiagemBaciasPCJ

REALIZAÇÃO: Comitês PCJ

ORGANIZAÇÃO: Câmara Técnica de Planejamento (CT-PL)

APOIO: Agência das Bacias PCJ

DÚVIDAS: Secretaria Executiva dos Comitês PCJ (se.pcj@comites.baciaspcj.org.br)

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA: comunicapcj@agencia.baciaspcj.org.br

PROGRAMAÇÃO

9h – Abertura

Denis Herisson da Silva – Secretário-executivo do CBH-PCJ e do PCJ FEDERAL

9h10 – Introdução ao tema

9h30 – Palestra 1: Plano Estadual de resiliência à estiagem do Governo do Estado de São Paulo

Dante Ragazzi Pauli – Representante da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL)

10h – Palestra 2: Ações da SAA na mitigação dos impactos da estiagem sobre a agricultura

Júlio Cesar Thoaldo Romeiro – Assistente Agropecuário da CATI da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA)

10h30 – Palestra 3: Panorama sobre a estiagem nas Bacias PCJ 2024

Alexandre Luis Almeida Vilella – Coordenador da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico dos Comitês PCJ

Karoline de Goes Dantas – Assessora Técnica da Sala de Situação PCJ/DAEE

11h – Palestra 4: Editais abertos para o financiamento de ações em Saneamento Básico, no contexto da estiagem

Diogo Bernardo Pedrozo – Coordenador de Projetos da Agência das Bacias PCJ

11h20 – Interação / Mesa de discussão

Secretaria Executiva dos Comitês PCJ

11h40 – Encerramento

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RMC

Radar meteorológico chega à Unicamp para monitorar eventos extremos na RMC

Fotos: Antonio Scarpinetti Antoninho Perri Felipe Bezerra Bruno Kabke Bainy (Cepagri) Lúcio Camargo

Aparelho de alta precisão será instalado no Cepagri e deve operar experimentalmente em dezembro, reforçando a prevenção de desastres climáticos na região de Campinas

Fonte: Jornal da Unicamp

Desembarcou na manhã do último dia 13, no aeroporto de Viracopos, em Campinas, vindo dos Estados Unidos, o radar meteorológico capaz de fazer a detecção de eventos climáticos extremos, exclusivo para a Região Metropolitana de Campinas (RMC).

Assim que for liberada pelas autoridades alfandegárias, a antena de três toneladas e meia será instalada numa torre de 10 metros de altura já construída em área do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp. A expectativa é que o aparelho comece a operar em caráter experimental em dezembro deste ano.

O radar integrará o Centro Regional de Meteorologia da RMC, que terá a missão de monitorar a formação de eventos meteorológicos extremos, gerar alertas em tempo integral e manter o funcionamento da Rede de Alerta de Desastres. O Centro será integrado aos sistemas estadual e federal de monitoramento meteorológico.

Radar meteorológico chega na Unicamp

O reitor da Unicamp Antonio José de Almeida Meirelles lembrou que o radar é uma cooperação da Universidade com o Conselho de Desenvolvimento da RMC e com a Agência Metropolitana de Campinas (Agemcamp) – órgão que reúne os 20 municípios da Região Metropolitana.

“Futuramente, este equipamento permitirá colaborarmos para mitigar o impacto das mudanças climáticas em nossa área, minimizando os prejuízos que eventos extremos podem causar à população e ao espaço em que vivemos”, disse o reitor. “Também possibilitará formar pessoas e desenvolver conhecimento associado a estas mudanças em nossa região”, acrescentou.

Meirelles adverte que instalar o equipamento é somente a primeira etapa de um longo caminho até a funcionalidade plena do Centro. Por exemplo, ajustes técnicos e operacionais internos e de comunicação com as defesas civis e com as prefeituras ainda serão necessários. “Haverá muito trabalho a ser feito para atingir a plena capacidade de servir à população da nossa região,” afirmou.

O reitor da Unicamp Antoinio Meirelles: servir a população da região

O radar foi adquirido pela Agemcamp com recursos do Fundo de Desenvolvimento Metropolitano (Fundocamp), em parceria com a Unicamp. O custo total do equipamento foi de US$ 865,4 mil (equivalente a aproximadamente R$ 4,8 milhões).

“Essa conquista é fruto de um esforço conjunto, resultado de uma demanda importante que discutimos em diversas reuniões do nosso Conselho”, disse o presidente do Conselho de Desenvolvimento da RMC e prefeito de Jaguariúna, Gustavo Reis.

“A instalação deste equipamento na Unicamp representa um avanço significativo para nossa região. O radar meteorológico trará mais precisão e rapidez nas previsões climáticas, o que é crucial para a segurança da nossa população e para a proteção das nossas cidades”, acrescentou Reis.

Eventos extremos

Segundo a meteorologista Ana Ávila, que desde 2017 trabalha no projeto, esse radar é o único sensor que permite prever eventos severos. “O aparelho consegue identificar fenômenos como microexplosões ou tornados com alta precisão, além de definir a velocidade em que os deslocamentos estão ocorrendo”, conta.

“Dada a rapidez com que os eventos extremos se formam, eles são de difícil previsibilidade em qualquer lugar do mundo, entretanto, o mapeamento das áreas atingidas com rapidez e segurança já torna o sistema um grande avanço para a região”, acrescenta a meteorologista.

O radar, do tipo banda X, possui alta precisão num raio de 60 km de extensão, podendo se estender por até 100 km a partir do ponto de sua instalação. Com isso, fará a cobertura para além da RMC. As varreduras serão programadas a cada 5 a 10 minutos.

O aparelho funciona como uma “antena parabólica”, fazendo varreduras horizontais, a 360° graus, em diferentes elevações, gerando uma amostragem para um volume da atmosfera a cada período.

Assim, o equipamento fará a estimativa de chuva em uma determinada área ou bacia com precisão. A previsão de precipitações fortes com algumas horas de antecedência pode balizar medidas de prevenção e enfrentamento e, assim, reduzir de forma significativa os danos sobre regiões suscetíveis a inundações abruptas.

No sentido horário, pesquisadores do Cepagri, David Lapola (coordenador associado), Ana Ávila (meteorologista), Priscila Coltrin (coordenadora) e Bruno Bainy (meteorologista):  único sensor que permite prever eventos severos

Para o meteorologista do Cepagri Bruno Kabke Bainy, um dos diferenciais do radar é a capacidade de dupla polarização – inexistente nos radares que cobrem a região. A dupla polarização, explica Bainy, permite uma melhor classificação dos “hidrometeoros”, as partículas que formam as nuvens – como gotas de chuva, gelo, neve, água super-resfriada, etc. Permite, ainda, diferenciar melhor alvos meteorológicos (ou seja, nuvens) de alvos não-meteorológicos, como nuvens de fumaça, poeira em suspensão, bandos de aves e insetos etc.

“Essa tecnologia também proporciona mais variáveis para serem analisadas em casos de tempestades, que permitem um melhor detalhamento de seus impactos”, continua o meteorologista.

“Com a chegada do radar e, especialmente com a consolidação do Centro Regional de Meteorologia da RMC, o Cepagri terá um recurso importantíssimo para o monitoramento das condições atmosféricas, que permitirá identificar com maior precisão, em tempo real, a formação ou aproximação de tempestades sobre a região de Campinas, e, dessa forma, conhecer suas características, impactos esperados e ter maior precisão sobre o horário e as áreas que deverão ser afetadas”, afirma Bainy.

O coordenador associado do Cepagri David Lapola diz que esse tipo de equipamento “é indispensável em qualquer estratégia bem formulada para enfrentamento de desastres naturais, principalmente aqueles relacionados a chuvas extremas”. Lapola lembrou que, nas últimas semanas, o estado do Rio Grande do Sul – que foi atingido pelas mais severas inundações de sua história – recebeu um equipamento semelhante. “Ter um equipamento deste na região nos leva a um novo patamar em termos de prevenção”, concluiu.

Um sistema de suporte à decisão

O objetivo do Centro Regional de Meteorologia da RMC é criar um sistema de suporte à decisão – para subsidiar ações da Defesa Civil, para a prestação de serviços e para a pesquisa e o ensino.

O Centro divulgará, por exemplo, relatórios com previsão de inundação para diversos segmentos. Além disso, emitirá boletins agrometeorológicos com mapeamento de culturas e balanço hídrico por localização geográfica, em espaços de um mês, a cada 10 dias ou sob demanda.

Ainda fornecerá previsões meteorológicas e aconselhamento agrícola para as culturas da região e prestará serviços de aconselhamento de irrigação e de agricultura de precisão. Poderá, ainda, fazer a previsão de tempo para a aviação em escalas de minutos a hora.

“Essa forma de centro regional é a mais indicada. Já temos centros em Santa Catarina ou no Paraná, mas o modelo adotado aqui é bastante inovador, já que reúne a academia – que irá propor ações nas áreas de ensino, pesquisa e extensão – ao lado da Defesa Civil e dos municípios”, diz Ávila.

O Centro estará vinculado à Unicamp, junto aos seus institutos e centros de estudos, permitindo a criação de cursos interdisciplinares de pós-graduação, envolvendo todos os aspectos relacionados aos eventos meteorológicos extremos – econômico, social e ambiental.

Com a instalação do Centro Regional de Meteorologia da RMC será possível divulgar relatórios com previsão de inundação para diversos segmentos

Com a instalação do Centro Regional de Meteorologia da RMC será possível divulgar relatórios com previsão de inundação para diversos segmentos

Agricultura

Para a coordenadora do Cepagri, Priscila Coltri, o radar meteorológico trará inúmeras vantagens para as pesquisas agrícolas, como melhorar a precisão e a eficiência das análises meteorológicas aplicadas à agricultura em escala de tempo curto, resultando em aprimoramento na resiliência climática das culturas agrícolas e no apoio a decisões relacionadas à agricultura de precisão.

“Um primeiro ponto importante para a agricultura é o monitoramento em tempo real. Em conjunto com dados do satélite GOES, que o Cepagri já tem, o monitoramento em tempo real auxilia as ações de curto prazo nas áreas agrícolas”, explica Coltri.

Segundo a coordenadora, a partir do conhecimento da quantidade de chuvas e de tempestades, em uma escala espacial adequada, é possível prever condições meteorológicas que afetam diretamente o setor agrícola, como períodos de seca ou excesso de chuvas. “Esse monitoramento permitiria, por exemplo, que os agricultores fizessem uso mais consciente dos sistemas de irrigação, evitando desperdício de água e custos elevados”, argumenta.

“Além disso, o radar permite melhorar as pesquisas relacionadas a microclimas da Região Metropolitana de Campinas. Temos muitas áreas agrícolas importantes nessa região, especialmente com fruticultura”, lembra.

Coltri afirma, ainda, que o radar poderá colaborar para as pesquisas relacionadas à análise de dados e à inteligência artificial. “O radar gerará um importante volume de dados, e, para transformá-los em informações úteis para a sociedade e para o agricultor, será necessária a cooperação da ciência de dados e da inteligência artificial”, finaliza.

Transição

O documento que baseou a criação do Centro informa que o estado de São Paulo está localizado em região climática de transição entre os climas tropicais e subtropicais, o que o coloca entre as regiões de ocorrência de tempo severo na América do Sul.

A definição de um evento meteorológico severo caracteriza-se pela formação de tempestade capaz de gerar tornado, com ventos intensos em superfície atingindo velocidade que pode superar 90 km/h e a formação de granizo com diâmetro igual ou maior que 1,9 cm. Esse fenômeno foi registrado em Indaiatuba – um dos municípios da RMC – em 2005, por exemplo.

Em 2016, Campinas foi atingida por uma microexplosão. Este fenômeno é descrito como uma forte coluna densa de ar frio que desce em direção ao solo e, ao colidir, induz a uma forte explosão de ventos divergentes com velocidade que pode atingir mais de 100km/h.

Agemcamp

Desde 2012, a RMC conta com o projeto denominado Plataforma para Redução de Riscos de Desastres. Elaborado pela Câmara Temática da Defesa Civil e aprovado pelo Conselho de Desenvolvimento da RMC, o projeto trata da gestão de risco e do gerenciamento de desastres a partir de quatro pilares: a prevenção, a preparação dos municípios para lidar com os riscos, a resposta diante dos episódios e a recuperação após os desastres.

Em 2017, a Câmara Temática de Defesa Civil consolidou uma política pública desenvolvendo questões de resiliência que resultaram na elaboração do Projeto “Centro Regional de Meteorologia da RMC” – cuja primeira fase passou pela aquisição do radar.

“A chegada do equipamento Radar Meteorológico é um marco a ser consolidado frente aos compromissos de políticas públicas assumidos perante as demandas metropolitanas. Para tanto, foi fundamental a integração do sistema metropolitano da RMC – o Conselho de Desenvolvimento, o Fundo de Desenvolvimento Metropolitano, a Agemcamp, a Unicamp, a Casa Militar e a Defesa Civil do Estado de São Paulo”, disse o diretor executivo da Agemcamp, Eliziário Ferreira Barbosa.

Desenvolvimento de projetos acadêmicos

A ex-coordenadora da Cocen Ana Carolina Maciel: importância estratégica

A ex-coordenadora da Cocen Ana Carolina Maciel: importância estratégica

Ana Carolina de Moura Delfim Maciel, que por dois mandatos consecutivos foi a coordenadora dos Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa da Unicamp, lembrou que as tratativas para viabilização e aquisição do radar tiveram início em 2017.

“Nessa época, já tínhamos em mente a importância estratégica de obtermos uma previsão de eventos climáticos mais refinada, que pudesse atender às necessidades de Campinas, bem como de toda região metropolitana. Além disso, pelo fato de o radar estar situado numa universidade de excelência em pesquisa, ele poderia ser um instrumento importante para o desenvolvimento de projetos acadêmicos baseados em seus dados e suas previsões”, contou Maciel.

“Estamos felizes em saber que poderemos subsidiar a sociedade – e a ciência brasileira – com uma interpretação de dados altamente qualificada, captada por esse radar altamente tecnológico. A Cocen [Coordenadoria dos Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa], mais uma vez, expande os muros da universidade e dialoga com os anseios e as necessidades da população”, avalia.

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Brasil e Mundo

Presidente do ICMBio pede consciência da população sobre uso do fogo

© Valter Campanato/Agência Brasil

Segundo ele, é importante a ação coordenada entre os governos

Por Douglas Corrêa – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

EMERGÊNCIA

“A primeira coisa que nós temos de fazer é uma conscientização nas escolas, nas empresas que em todo o Brasil está proibido colocar fogo no mato. Às vezes, por falta de conhecimento, o fogo é colocado pelo seu vizinho, pelo próprio proprietário que está fazendo a limpeza de uma área, a limpeza do pasto, mas isso pode ganhar uma proporção muito grande”, disse, em entrevista ao programa A Voz do Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

A denúncia sobre focos de fogo pode ser feita através do número 190 da Polícia Militar e do 193, como também para o Linha Verde dos órgãos ambientais. “É importante também o apoio dos governos estaduais com as suas brigadas e até das prefeituras, que estão mais próximas da população e podem também auxiliar para evitar que um incêndio ganhe grandes proporções”.

Segundo ele, é possível que os efeitos climáticos se agravem nos próximos anos. “Portanto, se a gente não tiver uma ação coordenada, integrada, entre todas as esferas, a gente não vai enfrentar esse tipo de situação”.

Ações criminosas

Pires falou dos focos que são tipicamente criminosos, como colocar fogo num parque nacional, que é crime previsto na legislação ambiental. O presidente do ICMBio lembrou o incêndio que está destruindo o Parque Nacional de Brasília.

“Hoje, a cidade amanheceu com muita fumaça, porque ontem, um domingo muito quente, houve um fogo na Granja do Torto, que acabou se alastrando para o Parque Nacional, como é uma área de floresta nativa, o fogo acabou ganhando uma proporção muito grande”.

Segundo ele, mais de 300 homens do Corpo de Bombeiros, do Ibama e do Exército trabalham no combate às chamas. “Continuaremos a noite inteira, a fim de controlar o incêndio, que poderia ter sido evitado”, garantiu.

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Brasil e Mundo

Lula chama chefes de Poderes para discutir emergência climática

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Governo prepara um pacote de medidas para lidar com as queimadas

Por Pedro Rafael Vilela – Repórter da Aência Brasil – Brasília

Após passar o dia inteiro analisando o cenário das queimadas no país, ao lado de auxiliares e especialistas, nesta segunda-feira, dia 16, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu convidar os chefes dos outros Poderes da República para uma reunião emergencial sobre o tema. A informação é do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Paulo Pimenta.

“[A reunião é] para que façam um diálogo, a partir desse diagnóstico, dessas informações [sobre as queimadas], e possam pensar de forma conjunta o compartilhamento de responsabilidades, na medida em que existem ações que vão além da responsabilidade do governo federal. A ideia é tratar esse tema não como tema do governo, mas como tema do Estado brasileiro, com a participação de todos os Poderes”, disse o ministro a jornalistas, no Palácio do Planalto.

A reunião com os chefes de Poderes está marcada para esta terça-feira (17), às 16h30, no Palácio do Planalto. Lula convidou os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. Também estão sendo convidados os presidentes do Tribunal de Contas da União (TCU) e o chefe da Procuradoria Geral da República (PGR). Além dessa reunião, o governo, por meio da Casa Civil, estuda uma agenda do presidente Lula com os governadores, nos próximos dias.

Pimenta explicou que o governo prepara uma série de medidas, que só vão ser anunciadas e detalhadas nesta terça. Sem adiantar nenhum ponto, ele falou que as iniciativas incluem, por exemplo, algumas medidas provisórias.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, concede entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, desta terça-feira, a partir das 8h, transmitido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

O Brasil enfrenta um cenário grave de queimadas e incêndios florestais este ano. De janeiro a agosto de 2024 os incêndios no país já atingiram 11,39 milhões de hectares do território do país, segundo dados do Monitor do Fogo Mapbiomas, divulgados na semana passada. Desse total, 5,65 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo apenas no mês de agosto, o que equivale a 49% do total deste ano.

No domingo, dia 15, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o governo federal a emitir créditos extraordinários fora dos limites fiscais para o combate às queimadas. O ministro também já determinou medidas para o enfrentamento aos incêndios na Amazônia e no Pantanal, como contratação emergencial de brigadistas e ampliação do efetivo da Força Nacional.

Mais cedo, nesta segunda, o presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Luís Roberto Barroso, cobrou seriedade do Poder Judiciário no combate às queimadas criminosas no país.

A onda de queimadas atingiu a capital do país nos últimos dias. Cerca de 3 mil hectares do Parque Nacional de Brasília, uma unidade de conservação de Cerrado nativo e abundante em nascentes de água, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), já foram consumidos pelo fogo. O próprio presidente Lula sobrevoou a região neste último domingo, quando a fumaça começou a encobrir o céu de Brasília.

A cidade já amanheceu nesta segunda coberta por fuligem e fumaça no ar, o que levou ao cancelamento de aulas. O aumento dos riscos à saúde também é uma preocupação dos especialistas. Há cerca de uma semana, o fogo já havia atingindo grande parte Floresta Nacional de Brasília, que é outra unidade de conservação importante da capital federal.

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Brasil e Mundo

Observatório do Clima propõe redução de 92% nas emissões até 2035

© Ralf Vetterle/Pixabay

Percentual foi apresentado nesta segunda-feira pela entidade

Por Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Um estudo da rede Observatório do Clima aponta que o Brasil precisa reduzir em 92% as emissões de gases do efeito estufa até 2035, para contribuir de forma justa com a proposta de limitar em 1,5 graus Celsius (ºC) o aquecimento global. O percentual tem como base as emissões de 2005 e avança limitando em 200 milhões de toneladas líquidas, a emissão anual que era de 2,4 bilhões de toneladas líquidas, há 19 anos.

O estudo considerou qual a carga de gases do efeito estufa que a atmosfera ainda suporta para manter o aumento da temperatura global em 1,5ºC e a participação do país nas emissões globais considerando a mudança no uso da terra promovida em seu território.

“É um cálculo para a necessidade do que o planeta precisa. É um cálculo feito entre o que seria justo, contando o histórico do Brasil de colocar [metas] em uma NDC, e também o que é possível a gente fazer olhando para o que nós precisamos de esforço para manter 1,5ºC”, explica Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

O percentual foi apresentado nesta segunda-feira (26) pela entidade, na terceira contribuição para a proposta de meta climática que será apresentada pelo país durante a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém do Pará. O Observatório do Clima, foi a primeira iniciativa da sociedade civil a contribuir, em 2015, com estudos para subsidiar as ambições climáticas brasileiras, tendo contribuído novamente em 2020.

Como parte do Acordo de Paris, do qual o Brasil é signatário, será necessário apresentar até fevereiro de 2025, a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês). A proposta deverá avançar em relação ao Balanço Global (Global Stocktake, GST) que reuniu informações sobre a resposta do mundo à crise climática e foi apresentado na COP28, em Dubai, no ano passado.

O Brasil é o sexto maior emissor de gases do efeito estufa e, em 2023, apresentou uma NDC que estipulava teto para emissão de 1,3 bilhão de toneladas líquidas, em 2025, com redução de 48,4% em comparação com 2005. E em 2030, limita as emissões a 1,2 bilhão de toneladas líquidas, avançando a 53,1% do que era emitido em 2005.

A soma das metas apresentadas por todos os países signatários do Acordo de Paris ainda não garante a ambição global de manter a elevação climática nos patamares atuais e levaria o planeta a um aquecimento de 3ºC acima da temperatura do período pré-industrial.

“Nós estamos fazendo uma NDC para as pessoas que perderam as suas casas na enchente do Rio Grande do Sul, para as pessoas que estão sofrendo com as queimadas agora no Brasil, para as pessoas que estão mais vulneráveis a ondas de calor. Nós estamos mostrando que há um caminho para o país de fazer uma entrega que seja compatível com a gente frear o aumento desses extremos climáticos”, afirmou Astrini.

Para atingir a meta proposta pelo Observatório do Clima, os pesquisadores que contribuíram com o estudo apontam para a necessidade de o país alcançar outras ambições como o desmatamento zero até 2030, a recuperação de 21 milhões de hectares de vegetação nativa, o combate à degradação e aumento da proteção de seus biomas, as transições energéticas e à prática de agropecuária de baixa emissão, além de uma gestão adequada dos resíduos no país.

De acordo com Astrini, o objetivo é levar o estudo aos locais onde o debate é desenvolvido de maneira técnica e de modo a pressionar gestores públicos. “Dentro e fora do governo a gente vai levar esses números para provar que é possível ter mais ambição”, conclui.

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Saúde

Saúde cria sala de situação para monitorar emergências climáticas

Serão propostas ações de prevenção e redução de riscos sanitários

 

Por Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil – Brasília

O Ministério da Saúde criou nesta quinta-feira (1º), em Brasília, uma Sala de Situação Nacional de Emergências Climáticas em Saúde. Em nota, ele informou que a meta é planejar respostas a emergências como queimadas, escassez de água, chuvas intensas e outras ocorrências relacionadas ao clima.

Segundo o ministério, a sala passa a monitorar, em específico, duas situações relacionadas ao clima: queimadas intensas no Pantanal e seca prolongada na região amazônica. Entre as atribuições do mecanismo está elaborar plano de adaptação do setor devido às mudanças climáticas.

“A sala de situação será de responsabilidade da Secretaria de Vigilância em Saúde Ambiente e terá o objetivo de planejar, organizar, coordenar e controlar as medidas a serem empregadas em momentos de urgência. Caberá ao colegiado acionar reforço de equipes de saúde, como da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS)”, especificou.

Outras atribuições são elaborar protocolos de resposta rápida para emergências climáticas, promover a articulação com gestores estaduais e municipais e divulgar informações relativas à situação epidemiológica e assistencial. A sala pode ainda propor ações de prevenção e redução de riscos sanitários, incluindo repasses de recursos financeiros a entes federativos.

Inicialmente, o grupo se reunirá – em caráter ordinário – semanalmente e, em caráter extraordinário, mediante convocação da coordenação. Todas as secretarias do ministério terão representantes no grupo. Também poderão participar das reuniões do colegiado, como convidados especiais, representantes de outros órgãos e entidades, públicos ou privados.

Outras ações

Além do monitoramento de emergências, a sala vai propor ações educativas e de capacitação para profissionais de saúde que atuam em áreas afetadas. “Comunidades mais vulneráveis, especialmente populações de baixa renda e comunidades indígenas, enfrentam riscos maiores devido à falta de acesso a infraestrutura adequada”, destacou o Ministério da Saúde.

O grupo também será responsável por criar o Plano Setorial de Adaptação à Mudança do Clima, consultivo e temporário, que tem como finalidade formular estratégias de adaptação para a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), buscando reduzir os impactos das mudanças climáticas na saúde das pessoas e nos serviços de saúde.

O colegiado encaminhará à ministra da Saúde, Nísia Trindade, relatórios técnicos quinzenais sobre a situação epidemiológica das ações em curso.

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Brasil e Mundo

Comitê sobre Mudança do Clima avança na implementação da política climática brasileira

Comitê sobre Mudança do Clima avança na implementação da política climática brasileiraFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Colegiado modificou regulamento interno e recebeu informes sobre trabalhos de seus grupos técnicos

Fonte: Agência Gov | Via MMA

O Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) aprovou na quinta-feira (27/6), durante reunião no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), resolução para incorporar medidas anunciadas pelo presidente Lula em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente. O principal órgão de governança climática do país também recebeu informes de seus grupos técnicos, que trabalham para atualizar e implementar a política nacional de combate à mudança do clima.

A resolução nº6 consolida alterações no regimento interno do CIM para adequá-lo ao Decreto 12.040 , de 5 de junho, que determinou a criação de subcomitês e câmaras, aumentou o número de integrantes do comitê e reforçou a participação social, entre outras medidas.

O colegiado passa a ter um subcomitê-executivo, coordenado pelo MMA, e subcomitê para acompanhar a organização e participação federal na COP30, que acontecerá em novembro de 2025, na cidade de Belém (PA). As três câmaras expandem a participação social, a articulação interfederativa e o assessoramento científico.

Com as mudanças, a Advocacia-Geral da União e os ministérios do Desenvolvimento Social, Mulheres e Educação passam a integrar o colegiado, elevando de 18 para 22 o número de ministérios participantes.

A nova resolução também aumenta de dois para seis o número de representantes da sociedade, de movimentos sociais, do setor privado, da academia e de governos municipais e federais. Um dos objetivos é aumentar a capacidade de articulação interfederativa na agenda climática.

Presidido pela Casa Civil e com o MMA na secretaria-executiva, o CIM foi retomado pelo presidente Lula em 5 de junho de 2023. O comitê tem quatro grupos técnicos temporários (GTTs), dedicados a construir proposta de atualização da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), elaborar os componentes de mitigação e adaptação do Plano Clima e regulamentar e implementar o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).

Todos os grupos foram criados por resoluções adotadas em 15 de setembro de 2023, na primeira reunião do comitê depois de sua reformulação . Desde então, cada grupo definiu e executou seus planos de trabalho. Informes sobre as atividades foram apresentados ao pleno de ministros nesta quinta.

Nos últimos sete meses, o GTT para reformulação da PNMC realizou 15 reuniões e o GTT para regulamentação e implementação do SBCE, 10. Os grupos responsáveis pelos componentes de adaptação e mitigação do Plano Clima tiveram 13 e 12 encontros, respectivamente.

Plano Clima Participativo

O Plano Clima Participativo , plataforma para o envio de contribuições da sociedade ao Plano Clima, também foi apresentado na reunião do CIM. Cidadãs e cidadãos poderão apresentar até três propostas e votar em no máximo outras dez, relacionadas a 18 temas, até 5 de agosto.

Houve ainda atualizações sobre o monitoramento das emissões de gases de efeito estufa do país, executado pelo MCTI, e sobre a atuação do país nas conferências do clima da ONU.

A reunião desta quinta, presidida pela ministra em exercício da Casa Civil, Miriam Belchior, teve participação das ministras Marina Silva (MMA) e Cida Gonçalves (MMulheres) e dos ministros Carlos Fávaro (Mapa) e Wellington Dias (MDS). A ministra em exercício do MIR, Roberta Eugênio, e o ministro em exercício do MCTI, Luis Fernandes, também participaram.

Em discurso na abertura do encontro, a ministra Marina enfatizou a responsabilidade do CIM no combate a eventos climáticos extremos que atingem o Brasil, como as fortes chuvas que atingiram no Rio Grande do Sul em abril e maio, os incêndios no Pantanal e a seca na Amazônia.

Por: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA)

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Brasil e Mundo

Mortes no RS sobem para 178; 34 pessoas estão desaparecidas

© Bruno Peres/Agência Brasil

Mais de 2 milhões de gaúchos foram afetados pelas enchentes

Por Douglas Corrêa – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul informou nesta segunda-feira, dia 24, que o número de mortos pelas fortes chuvas subiu para 178. Há ainda 34 pessoas desaparecidas no estado.

O levantamento aponta ainda que 2,398 milhões foram afetadas de alguma maneira pela tragédia climática, em 478 municípios.

Há 10.485 pessoas morando em abrigos e 388.781 estão desalojadas. Algumas famílias já conseguiram retornar para suas casas, após uma limpeza geral, com a retirada dos entulhos e desinfecção geral do imóvel.

As pessoas podem se cadastrar para receber os alertas meteorológicos da Defesa Civil estadual. Para isso, é necessário enviar o CEP da localidade por SMS para o número 40199. Em seguida, uma confirmação é enviada, tornando o número disponível para receber as informações sempre que forem atualizadas.

Também é possível se cadastrar via aplicativo Whatsapp. Para ter acesso ao serviço, é necessário se registrar pelo telefone (61) 2034-4611. Basta interagir com o robô de atendimento enviando um simples “Oi”. Após a primeira interação, o usuário pode compartilhar sua localização atual ou qualquer outra do seu interesse para, dessa forma, receber as mensagens a serem disparadas pela Defesa Civil estadual.

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