VIGILÂNCIA

Brasil e Mundo

Programa Muralha Paulista é acusado de violar direitos fundamentais

Instituições de defesa de direitos humanos apontam falhas graves no Programa Muralha Paulista.
O sistema de vigilância do governo de São Paulo é alvo de denúncia formal

Uma manifestação técnica foi enviada à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
O documento questiona o uso massivo de dados pessoais sensíveis.

Denúncia envolve dados biométricos e vigilância em larga escala

O Muralha Paulista é operado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP/SP).
Segundo o relatório, o programa realiza tratamento contínuo e integrado de dados.

Entre as informações coletadas estão biometria facial, geolocalização e registros de circulação.
Esses dados são considerados sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A manifestação é assinada pela Defensoria Pública da União (DPU), pelo CESeC e pelo Politicrim.
As entidades classificam a prática como violação de direitos fundamentais.

Como funciona o sistema Muralha Paulista

O sistema integra câmeras públicas e privadas.
Também utiliza reconhecimento facial e cruzamento de bases de dados.

Segundo o documento, mais de 38 mil câmeras já estariam conectadas.
A meta é alcançar os 645 municípios do estado de São Paulo.

Os dados são processados em uma infraestrutura centralizada, chamada fusion center.
Esse centro gera alertas automatizados em tempo real para a segurança pública.

Falta de transparência é um dos principais problemas

As instituições criticam o acesso parcial aos autos da fiscalização.
Trechos relevantes dos Relatórios de Impacto à Proteção de Dados (RIPDs) foram ocultados.

Segundo o manifesto, não há justificativa plausível para os sigilos.
A prática compromete o controle social e a fiscalização institucional.

“A prática viola a prerrogativa da Defensoria Pública da União e torna opaco o processo”, afirma o texto.
A ANPD conduz a apuração do caso.

Riscos de vigilância excessiva sobre toda a população

O relatório alerta que a vigilância não atinge apenas investigados.
Toda pessoa que circula por áreas monitoradas pode ser impactada.

Segundo as entidades, o Estado ainda não comprovou a necessidade do modelo.
Também não demonstrou proporcionalidade entre vigilância e benefícios à segurança.

A justificativa oficial de “restringir a mobilidade criminal” é considerada vaga.
Para os autores, isso amplia indevidamente o alcance da vigilância.

Discriminação algorítmica preocupa especialistas

Outro ponto crítico é o risco de discriminação algorítmica.
Estudos indicam maior taxa de erro em reconhecimento facial.

Segundo pesquisas citadas, falsos positivos são até cem vezes maiores para pessoas negras.
Isso pode aprofundar desigualdades em um sistema penal já seletivo.

“As tecnologias tendem a produzir mais erros contra grupos vulnerabilizados”, alertam as instituições.
O risco aumenta sem auditorias independentes e métricas transparentes.

Recomendações à Autoridade Nacional de Proteção de Dados

O documento apresenta uma série de recomendações à ANPD.
Entre elas, garantir acesso integral da DPU aos autos.

As entidades pedem revisão detalhada dos relatórios de impacto.
Também solicitam definição clara de controladores e operadores de dados.

Outra proposta é estabelecer regras de retenção e descarte das informações.
O texto defende auditorias independentes e transparência ativa.

Pedido de suspensão do programa

As instituições afirmam que não há comprovação de eficácia do sistema.
Segundo o manifesto, o Estado não demonstrou redução da criminalidade.

Também não foram apresentados estudos sobre proporcionalidade.
Diante disso, o documento pede suspensão cautelar do programa.

“É essencial reestruturar a governança e a transparência do Muralha Paulista”, afirmam.
A medida seria mantida até a adequação às normas constitucionais e à LGPD.

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Saúde

Febre maculosa causa mais duas mortes no interior de São Paulo

© Prefeitura de Jundiaí
Óbitos foram registrados no município de Leme
Matheus Crobelatti*
Duas pessoas morreram, na cidade de Leme (interior de São Paulo), na semana passada, devido à febre maculosa. A informação foi confirmada pela Secretaria de Saúde do município. Não foram divulgados os nomes, gênero ou idade das vítimas.

Segundo a secretaria, equipes técnicas da prefeitura adotaram todas as medidas de controle e vigilância assim que os casos foram notificados. As ações de contenção têm sido realizadas pelo Setor de Vigilância Epidemiológica e Zoonoses.

O interior do estado de São Paulo vem sofrendo com casos da doença, que é transmitida pelo carrapato. A cidade de Salto , distante cerca de 90 quilômetros de Leme, registrou três mortes por febre maculosa em 2025. Um parque local foi interditado pela prefeitura, já que duas destas vítimas frequentaram o local.

Neste ano, 36 casos da doença haviam sido registrados em todo o estado, com 18 óbitos contabilizados até outubro. Agora, já são 20. Em todo o ano passado, foram 72 casos, com 26 mortes.

Doença

A febre maculosa, também conhecida como doença do carrapato, é uma infecção febril de gravidade variável, com elevada taxa de letalidade. Causada por uma bactéria do gênero Rickettsia, a doença é transmitida pela picada de carrapato encontrado em ambientes com animais domésticos, como cães e gatos, gado e áreas de vegetação alta.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES) de São Paulo, menos de 1% dos carrapatos-estrela estão contaminados com a bactéria que causa a doença, portanto, apenas o contato com carrapato não significa uma infecção no indivíduo.

Sintomas

Os principais sintomas da febre maculosa são: febre súbita, dores de cabeça e nas articulações, fraqueza extrema, cansaço ou falta de energia. Entre o terceiro e o quinto dia de infecção, aparecem erupções cutâneas nos punhos e tornozelos, eventualmente espalhando-se por todo o corpo.

Prevenção

A prevenção é essencial e inclui evitar áreas infestadas por carrapatos, usar calças compridas e botas ao circular em regiões de risco. Se for encontrado algum carrapato na pele, é preciso removê-lo imediatamente, sem esmagá-lo com as unhas.

*Estagiário sob supervisão de Odair Braz Junior

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Saúde

Brasil tem 209 casos suspeitos de intoxicação por metanol

© João Valério/Governo do Estado de SP
Ministério da Saúde contabiliza 16 casos confirmados
Daniella Almeida – Repórter da Agência Brasil

O Brasil tem 209 casos em investigação de intoxicação por metanol após ingestão de bebida alcoólica, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde neste domingo, dia 5.

Em todo o país, são 16 casos confirmados – 14 em São Paulo e 2 no Paraná.  As informações são enviadas pelos estados e consolidadas pelo Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde Nacional (CIEVS).

O estado de São Paulo responde pela maioria das notificações, com 14 casos confirmados e 178 em investigação.

Ao todo, 13 estados tem casos notificados – Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pernambuco, Paraná, Rondônia, São Paulo, Piauí, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraíba e Ceará. Os estados da Bahia e do Espírito Santo tiveram os casos registrados descartados. Já o Ceará notificou o primeiro caso suspeito.

Até o momento, o país tem 15 registros de óbitos, com duas mortes confirmadas no estado de São Paulo. As demais mortes (13) estão em investigação.

  • 7, em São Paulo,
  • 3, em Pernambuco,
  • 1, no Mato Grosso do Sul,
  • 1, em Paraíba,
  • 1, no Ceará.

As informações consideram os registros enviados pelos estados até as 16h deste domingo, dia 5, e estão sujeitas a atualizações locais.

Antídoto

O Ministério da Saúde informou também que iniciou a distribuição de etanol farmacêutico, antídoto utilizado no tratamento de intoxicações por metanol, aos estados que formalizaram pedido de reforço de estoque.

Nesta primeira remessa, foram enviadas 580 ampolas a cinco estados:

  • 240 para Pernambuco,
  • 100 para o Paraná,
  • 90 para a Bahia,
  • 90 para o Distrito Federal,
  • 60 para Mato Grosso do Sul.

As unidades distribuídas fazem parte das 4,3 mil ampolas entregues aos estoques dos Sistema Único de Saúde (SUS) pelos hospitais universitários federais, em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

Emergência 

A intoxicação por metanol é uma emergência médica de extrema gravidade. A substância, quando ingerida, é metabolizada no organismo em produtos tóxicos (como formaldeído e ácido fórmico), que podem levar à morte.

Os principais sintomas da intoxicação são: visão turva ou perda de visão (podendo chegar à cegueira) e mal-estar generalizado (náuseas, vômitos, dores abdominais, sudorese).

Em caso de identificação dos sintomas, busque imediatamente os serviços de emergência médica e contate pelo menos uma das instituições a seguir:

Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001;

CIATox da sua cidade para orientação especializada (veja lista aqui);

Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733 – de qualquer lugar do país;

É importante identificar e orientar possíveis contatos que tenham consumido a mesma bebida, recomendando que procurem imediatamente um serviço de saúde para avaliação e tratamento adequado.

A demora no atendimento e na identificação da intoxicação aumenta a probabilidade do desfecho mais grave, com o óbito do paciente.

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