UNANIMIDADE

Economia

Representação do Parlasul aprova acordo Mercosul-UE; texto segue para o Congresso

Proposta aprovada por unanimidade prevê redução gradual de tarifas e pode impulsionar exportações de máquinas, autopeças e produtos agrícolas da região

A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) aprovou, nesta terça-feira, dia 24, o texto do acordo Mercosul-UE. A decisão, tomada de forma unânime em São Luís, ocorre após um pedido de vista ter adiado a análise iniciada no último dia 10. Com este passo, o tratado comercial segue agora para votação nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

O acordo Mercosul-UE estabelece a criação da maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo um mercado de 720 milhões de pessoas. O cronograma prevê que o Mercosul zerará as tarifas sobre 91% dos bens europeus em um prazo de 15 anos, enquanto a União Europeia eliminará impostos sobre 95% dos produtos sul-americanos em até 12 anos. Além do Brasil, o texto ainda precisa ser ratificado pelos congressos da Argentina, Paraguai e Uruguai, além do Parlamento Europeu.

Perspectivas para a indústria e agricultura regional

Para o polo industrial de Valinhos e da Região Metropolitana de Campinas (RMC), a aprovação traz perspectivas de ganhos imediatos. O acordo prevê tarifa zero, desde o início da vigência, para setores como máquinas, equipamentos, automóveis e autopeças — segmentos com forte presença produtiva ao longo das rodovias Anhanguera e Bandeirantes. A ApexBrasil estima que a implementação do tratado pode incrementar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, favorecendo a inserção da indústria nacional em cadeias globais.

O próximo desafio do governo brasileiro será a articulação política no Congresso Nacional para garantir a ratificação do texto. Para o setor empresarial local, a expectativa é de que o acordo traga maior previsibilidade jurídica e redução de barreiras técnicas, permitindo planejamentos de longo prazo para investimentos e geração de empregos na região.

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Brasil e Mundo

STF mantém decisão sobre perda do mandato de Zambelli

Hugo Motta deverá dar posse ao suplente em de 48 horas
André Richter – Repórter da Agência Brasil

Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter a decisão do ministro Alexandre de Moraes que anulou a votação da Câmara dos Deputados que rejeitou a cassação e manteve o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP).

A liminar foi proferida nesta quinta-feira, dia 11, e referendada hoje pelo colegiado. A votação começou às 11h e foi finalizada por volta das 16h, com o último voto, que foi dado pela ministra Cármen Lúcia.

O placar final foi de 4 votos a 0. Também votaram pela manutenção da decisão os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Moraes, relator do caso.

Suplente 

Com a decisão final do STF sobre a questão, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), deverá dar posse ao suplente de Zambelli, Adilson Barroso (PL-SP), no prazo de 48 horas.

Na última quarta-feira (10), a Câmara decidiu manter o mandato da deputadaO placar da votação foi de 227 votos a favor e 110 contra. Eram necessários 257 votos para aprovação da cassação.

Diante da deliberação que manteve o mandato da parlamentar, Alexandre de Moraes decidiu anular a resolução da Casa que oficializou o resultado da votação.

O ministro disse que a decisão é inconstitucional. No entendimento de Moraes, a Constituição definiu que cabe ao Poder Judiciário determinar a perda do mandato de parlamentar condenado por decisão transitada em julgado, cabendo à Câmara somente “declarar a perda do mandato”.

Fuga

Em julho deste ano, Zambelli foi presa em Roma, na Itália, onde tentava escapar do cumprimento de um mandado de prisão emitido pelo ministro Alexandre de Moraes.

Por ter dupla cidadania, a deputada deixou o Brasil em busca de asilo político em terras italianas após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023.

De acordo com as investigações, Zambelli foi a autora intelectual da invasão para emissão de um mandado falso de prisão contra Alexandre de Moraes.

Segundo as investigações, o hackeamento foi executado por Walter Delgatti, que também foi condenado e confirmou ter realizado o trabalho a mando da parlamentar.

Em agosto, a parlamentar foi mais uma vez condenada pelo Supremo, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

O caso está relacionado ao episódio em que ela perseguiu um homem de arma em punho pelas ruas de São Paulo, pouco antes do segundo turno das eleições de 2022.

Após a fuga para a Itália, o governo brasileiro solicitou a extradição da parlamentar para o Brasil.

O pedido de extradição foi oficializado no dia 11 de junho pelo STF.  Em seguida, a solicitação foi enviada pelo Itamaraty ao governo italiano.

A decisão final sobre o processo de extradição será tomada durante uma audiência que será realizada pela Justiça italiana na próxima quinta-feira (18).

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Brasil e Mundo

STF valida prisões de Bolsonaro e mais 6 condenados

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil/Arquivo
Com decisão, penas passam a ser executadas
André Richter – Repórter da Agência Brasil
Por unanimidade, os ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram nesta terça-feira, dia 25, referendar as decisões do ministro Alexandre de Moraes que determinaram as execuções das condenações do ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais seis réus da trama golpista.

Após assinar os mandados de prisão, Moraes pediu a convocação de uma sessão virtual para o julgamento do caso.

O colegiado formou placar de 4 votos a 0 para manter as prisõesAlém de Moraes, os votos foram proferidos pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

Somente os quatro ministros vão votaram. No mês passado, o ministro Luiz Fux deixou o colegiado após votar pela absolvição de Bolsonaro e foi para a Segunda Turma da Corte.

Mais cedo, o trânsito em julgado do processo foi reconhecido por Alexandre de Moraes após o fim do prazo para apresentação de novos recursos, que terminou na última segunda-feira, dia 24. O ministro rejeitou os recursos e determinou o início das penas.

No dia 14 deste mês, por unanimidade, a Primeira Turma da Corte rejeitou o primeiro recurso de Bolsonaro e dos demais réus.

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Brasil e Mundo

STJ adia para março regulamentação do plantio de cannabis medicinal

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) adiou mais uma vez, por unanimidade, o prazo para que a União e a Anvisa concluam a regulamentação da importação de sementes e do cultivo de cannabis para fins medicinais e científicos. A nova data-limite agora é 31 de março de 2026.

O tema é considerado estratégico para pacientes que dependem de produtos à base de canabidiol (CBD). A medida também é essencial para que decisões judiciais recentes possam ser cumpridas em todo o país.

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu o adiamento no último dia do prazo anterior, 30 de setembro. O texto original previa que a regulamentação deveria ter sido concluída ainda em junho.

Segundo a União e a Anvisa, o trabalho exige uma estrutura ampla e multidisciplinar. A elaboração da minuta envolve validações técnicas em diversas etapas, já que a norma abrangerá importação de sementes, cultivo, industrialização e comercialização de cannabis com baixo teor de THC.

Em documento enviado ao STJ, a AGU afirmou:

“São muitas as questões profundas e tecnicamente relevantes ainda a serem enfrentadas para que a proposta seja efetiva e garanta segurança à saúde.”

A relatora do caso, ministra Regina Helena Costa, reconheceu que não há má-fé por parte dos órgãos federais. Para ela, a natureza “estrutural” da demanda exige flexibilidade, pois envolve diferentes ministérios e etapas complexas.

A ministra destacou que a atuação conjunta dos órgãos demonstra intenção de cumprir a decisão judicial, apesar das dificuldades técnicas. Todos os ministros da Primeira Seção acompanharam o voto.

A decisão ocorre dentro de um Incidente de Assunção de Competência (IAC), mecanismo que vincula tribunais e juízes de instâncias inferiores, que deverão seguir o entendimento do STJ.

Em novembro de 2024, o STJ fixou entendimento histórico: a Lei de Drogas não se aplica a espécies de cannabis com baixo teor de tetrahidrocanabinol (THC), o composto responsável pelos efeitos psicoativos.

Com isso, o tribunal autorizou uma empresa a importar sementes de variedades com menos de 0,3% de THC e alto teor de CBD, considerado seguro e amplamente reconhecido por seus benefícios terapêuticos.

Produtos ricos em CBD são eficazes para o tratamento de diversas condições, incluindo:

  • epilepsia refratária

  • esclerose múltipla

  • distúrbios com espasmos musculares

  • síndromes que provocam crises convulsivas

A expansão da regulamentação também abre portas para a produção nacional de derivados e para o desenvolvimento do cânhamo industrial, usado nas indústrias têxtil, alimentícia, cosmética e de construção.

Para que o entendimento do STJ possa ser aplicado na prática, a regulamentação deve definir:

  • critérios para importação de sementes

  • regras para plantio controlado

  • diretrizes para industrialização

  • normas de comercialização

  • limites de THC para cultivo legal

A expectativa é que, após a publicação da portaria, o país avance na produção nacional de insumos, reduzindo custos para pacientes e ampliando a pesquisa científica.

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Valinhos

Câmara cria protocolo municipal para febre maculosa

O projeto foi aprovado por unanimidade e segue agora para sanção ou veto do prefeito Franklin (PL)

Foi aprovado na sessão da última terça-feira, dia 4, projeto de lei do vereador Jairo Passos (PL), que institui diretrizes complementares para diagnóstico e tratamento da febre maculosa, em Valinhos. A ideia é fortalecer o sistema de saúde local no enfrentamento à doença, que tem alta taxa de letalidade quando o diagnóstico é feito tardiamente.

Segundo o vereador, Valinhos possui áreas de risco devido à sua configuração geográfica e ambiental, com presença de vegetação, cursos d’água e animais hospedeiros, como cavalos e capivaras, especialmente nas zonas rurais e periurbanas. O projeto visa padronizar procedimentos nas unidades de saúde, promover o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno, de modo a salvar vidas e ampliar a eficácia das ações municipais.

“A proposta visa complementar os protocolos já existentes nas esferas estadual e federal, estabelecendo diretrizes locais claras para diagnóstico precoce, tratamento oportuno e padronização de procedimentos nas unidades de saúde”, afirma o vereador.

O texto também inclui como anexo o “Fluxograma de Investigação da Febre Maculosa”, extraído do Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, que servirá como referência prática para os profissionais da rede pública. A medida busca garantir maior agilidade e precisão na condução dos casos suspeitos e confirmados da doença no município.

O projeto foi aprovado por unanimidade e segue agora para sanção ou veto do prefeito Franklin (PL).

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Brasil e Mundo

Comissão do Senado aprova isenção do IR para quem ganha até RS 5 mil

© Lula Marques/ Agência Braasil.
Texto deve ser votado ainda hoje no plenário da Casa
Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira, dia 5, o projeto de lei que isenta do Imposto de Renda (IR) os trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil. A proposta, enviada pelo Executivo, também prevê redução gradual das alíquotas para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350.

Se o texto for aprovado pelo plenário do Senado e sancionado até o fim do ano, as novas regras começarão a valer em janeiro de 2026.

Atualmente, a isenção é limitada a R$ 3.036 por mês, o equivalente a dois salários mínimos. De acordo com o governo, 25 milhões de brasileiros terão redução na carga tributária, enquanto 200 mil contribuintes de alta renda poderão ter aumento nos impostos.

O relator da proposta, senador Renan Calheiros (MDB-AL), decidiu rejeitar as 11 emendas apresentadas pelos parlamentares. Segundo ele, qualquer alteração obrigaria o retorno do texto à Câmara dos Deputados, o que adiaria a entrada em vigor da medida para 2027.

“Tudo que nós não queremos é que retorne à Câmara. Frustraríamos milhões de trabalhadores que aguardam ansiosamente por esse alívio”, afirmou Renan.

O senador lembrou que, pela legislação, mudanças tributárias precisam ser aprovadas no ano anterior à sua aplicação, o que torna urgente a sanção até dezembro.

O governo estima que a ampliação da faixa de isenção resultará em queda temporária de arrecadação, mas o projeto inclui medidas para equilibrar as contas.

Uma delas é a criação de uma alíquota extra progressiva de até 10% sobre rendas acima de R$ 600 mil por ano (ou R$ 50 mil por mês).

Além disso, o texto estabelece tributação de 10% sobre lucros e dividendos enviados ao exterior, que desde os anos 1990 estavam isentos de IR. A cobrança não valerá para fundos soberanos, governos estrangeiros com reciprocidade e entidades previdenciárias internacionais.

Com essas medidas, o governo prevê superávit de cerca de R$ 12,27 bilhões entre 2026 e 2028, que poderá ser usado para compensar eventuais perdas de estados e municípios.

A oposição criticou a decisão de manter o texto original da Câmara. O senador Carlos Portinho (PL-RJ) afirmou que o Senado não pode abrir mão de seu papel de Casa revisora.

“Nós somos a Casa revisora. Não podemos perder essa função e ter medo de exercer essa função”, disse Portinho.

Ele também questionou a tributação sobre profissionais liberais que atuam como pessoa jurídica (PJ) e que passarão a pagar imposto sobre lucros e dividendos.

Renan Calheiros respondeu que os casos serão residuais, lembrando que profissionais com renda de R$ 1,2 milhão por ano já pagam mais de 10% de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). “Caso não paguem, passarão a estar sujeitos à tributação mínima”, afirmou.

Após aprovação na CAE, o projeto segue para votação no plenário do Senado, prevista ainda para esta quarta-feira, dia 5. 
Se aprovado sem alterações, será encaminhado à sanção presidencial.

Caso o presidente sancione até dezembro, as novas faixas de isenção e alíquotas do IR entram em vigor em janeiro de 2026, marcando a maior mudança na tabela do Imposto de Renda em mais de uma década.

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Economia

Câmara aprova isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil

© Lula Marques/Agência Brasil
Proposta precisa agora ser votada no Senado
Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, dia 1º de outubro, com 493 votos favoráveis e nenhum contrário, o texto-base do projeto de Lei (PL) 1.087/2025, que prevê isenção de Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas com renda mensal de até R$ 5 mil e desconto para quem ganha até R$ 7.350 mensais. 

A proposta, encaminhada pelo governo federal, ainda terá que ser aprovada no Senado, antes da sanção pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para entrar em vigor.

A redução do IR foi uma promessa de campanha de Lula em 2022. Enviado para a Câmara em março, o texto foi aprovado em uma comissão especial que analisou o texto.

Atualmente, são isentos do imposto quem ganha até R$ 3.036. O projeto determina que, em 2026, as pessoas que ganham até R$ 5 mil, terão um desconto mensal de até R$ 312,89, de modo que o imposto devido seja zero. Já quem ganha de R$ 5.000,01 até R$ 7.350,00, o desconto será de R$ 978,62.

Segundo o governo, com a aprovação da proposta, serão beneficiados com a isenção mais de 26,6 milhões de contribuintes, em 2026.

Após a aprovação unânime, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), destacou que a aprovação é um dia histórico para o país e para o Parlamento.

“Aqui demonstramos que quando o tema é o bem-estar das famílias brasileiras, não há lados, nem divisões. É interesse do país acima de qualquer diferença”, disse. “A Câmara dos Deputados sabe ouvir, decidir e estar ao lado do Brasil”, acrescentou.

Compensação

Para compensar a isenção, cujo custo está estimado será de R$ 25,8 bilhões aos cofres públicos, o projeto prevê a tributação das pessoas com rendimentos acima de R$ 600 mil por ano, com uma alíquota progressiva de até 10%.

A alíquota máxima incidirá para quem recebe anualmente a partir de R$ 1,2 milhão. Além disso, ela não será aplicada para quem já paga a alíquota máximo do IR, que é de 27,5%.

Segundo o Ministério da Fazenda, a medida atingirá cerca de 140 mil pessoas, 0,13% dos contribuintes, que hoje pagam, em média, apenas 2,54% de Imposto de Renda.

O relator do projeto, deputado Arthur Lira (PP-AL), estima que haverá uma sobra de R$ 12,7 bilhões até 2027 com a taxação. Em seu parecer, Lira destinou esses recursos para compensar a redução da alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), instituída pela Reforma Tributária.

“É importante ressaltar que esse projeto vai atender diretamente a 15,5 milhões de pessoas no país. Esse projeto é fruto de uma base de cálculo de quase R$ 227 bilhões, que é apurado no imposto de renda no Brasil. E estamos discutindo uma renúncia de receita, no primeiro ano de, R$ 25,4 bilhões, portanto 10% do valor total do imposto de renda pago por todos os brasileiros”, disse.

Justiça tributária

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) disse que com o projeto, o país começa a fazer justiça tributária.

“Nosso país é um país da desigualdade, é um país onde uma ínfima minoria detém a maior parte da riqueza enquanto a maioria do povo brasileiro vive em difíceis condições. A justiça tributária precisa ser feita e esse projeto que mira na justiça tributária. Uma justiça que pode reduzir as desigualdades, que pode fazer com que as pessoas de menor renda e a classe média brasileira possam ter uma capacidade de consumo melhor, uma capacidade de viver melhor a sua vida”, afirmou.

A deputada Fernanda Melchiona (PSOL-RS) lembrou que a iniciativa foi pautada após as manifestações de setembro contra a proposta de Emenda à Constituição (PEC) das prerrogativas, a chamada PEC da Blindagem e o projeto de anistia aos presos pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

“Esse projeto é muito importante, milhões de brasileiros serão impactados com a redução imediata do imposto de renda e com a redução para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7 mil e, ao mesmo tempo, um imposto mínimo que vai ser cobrado dos super-ricos”, completou.

Críticas

A iniciativa foi objeto de críticas de alguns parlamentares. O deputado Gilson Marques (Novo-SC) disse que os recursos não irão para os mais pobres e criticou a tributação de lucros e dividendos.

“Vamos cobrar dos mais ricos, são só 140 mil pessoas para dar para os mais pobres. Isso é mentira! Esse dinheiro não vai para os mais pobres, vai para os políticos. E é melhor que esse dinheiro ficasse ainda que com os mais ricos, porque são eles que empregam, compram as máquinas, fazem os produtos”, argumentou.

O texto determina que o emprego ou a entrega de lucros e dividendos por uma mesma pessoa jurídica a uma mesma pessoa física residente no Brasil em montante superior a R$ 50 mil mensal ficará sujeito à retenção na fonte do IRPF à alíquota de 10% sobre o total do valor pago, creditado, empregado ou entregue.

Não ficarão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda na fonte, os lucros e dividendos relativos a resultados apurados até o ano-calendário de 2025, e cuja distribuição tenha sido aprovada até 31 de dezembro de 2025.

Mais cedo, o deputado Bibo Nunes (PL-RS) classificou a medida como “populista”, apesar de concordar que seja necessária. “É só jogada política, clientelismo, por que Lula não apresentou isso no primeiro ano [de governo]?”, questionou.

Para o deputado Luiz Carlos Hauly (Pode-PR), a proposta é uma medida eleitoral, mas sem reparo estrutural. “Isso resolveu o problema do imposto dos pobres? Não. O pobre continua pagando a mais alta carga tributária do mundo. Isso é enganação. Não tem nada a ver com a reestruturação do sistema de carga tributária sobre os pobres”, disse.

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Brasil e Mundo

STF nega recurso e mantém condenação de Zambelli

© Lula Marques/ EBC
Julgamento começou às 11h em sessão virtual
Felipe Pontes – Repórter da Agência Brasil
Todos os ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) votaram nesta sexta-feira, dia 6, por rejeitar um recurso da deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP) contra sua condenação a 10 anos de prisão por invasão aos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O julgamento começou às 11h em sessão virtual da Primeira Turma do Supremo, colegiado responsável pelo julgamento.

Os ministros Luiz Fux, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino seguiram integralmente o voto de Moraes, relator do caso, para quem o recurso de Zambelli teve “caráter meramente protelatório”, ou seja, o objetivo somente de atrasar o fim definitivo da ação, o chamado trânsito em julgado, quando não há mais possibilidade de recurso, e o consequente cumprimento da pena.

“Assim, considerando o caráter manifestamente protelatório do presente recurso, evidenciado pela mera reprodução de argumentos anteriormente apresentados, é de rigor a certificação do trânsito em julgado”, votou Moraes. 

Trânsito em julgado

Ainda segundo a decisão, o trânsito em julgado e o cumprimento de pena ficam certificados de imediato, sem necessidade de se esperar a publicação do acórdão (decisão colegiada) sobre o caso.

Com isso, a prisão preventiva de Zambelli – determinada por Moraes após ela ter deixado o país depois de ser condenada – deve ser convertida em prisão para o cumprimento de pena.

A sentença condenatória prevê, ainda, a perda imediata do mandato da deputada, de acordo com a jurisprudência do Supremo. O entendimento da maioria dos ministros é de que – por ser a condenação de prisão superior ao máximo de faltas permitidas ao parlamentar – o Judiciário pode determinar a medida.

Ainda assim, a perda do mandato em si depende de ato declaratório da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.

A Primeira Turma negou também um recurso de Walter Delgatti, hacker que executou a invasão aos sistemas do CNJ por ordem de Zambelli. Ele confessou o crime e entregou a mandante.

Delgatti foi condenado a 8 anos de 3 meses de prisão. A sentença determina ainda que os dois paguem R$ 2 milhões, solidariamente, em danos materiais e morais coletivos.

Fuga

O recurso foi protocolado no STF antes de Carla Zambelli fugir para a Itália para evitar o cumprimento da pena. No início desta semana, ela saiu do Brasil com destino aos Estados Unidos. Na manhã de ontem (4), a deputada chegou em Roma, onde deve permanecer. Ela tem dupla cidadania.

A prisão para cumprimento de pena deve minimizar as alegações de perseguição política contra a deputada e facilitar o embasamento jurídico para um eventual pedido de extradição.

Após a fuga, o advogado Daniel Bialski deixou a defesa da deputada. Moraes determinou que a defesa seja feita pela Defensoria Pública da União (DPU).

Em casos semelhantes, a Justiça italiana autorizou a extradição de cidadãos de dupla nacionalidade, como o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado no processo do mensalão.

Condenação 

Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou a deputada Carla Zambelli (PL-SP) a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrido em 2023.

Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Zambelli foi a autora intelectual da invasão e procurou Delgatti para executar o crime, com objetivo de inserir nos sistemas do CNJ um mandado de prisão falso e em aberto contra Moraes, entre outras manipulações ilegais.

O PGR relacionou os crimes à incitação de atos antidemocráticos e escreveu que eles foram cometidos visando a obtenção de “vantagem midiática e política” e “com o fim de prejudicar a credibilidade e o regular funcionamento do Poder Judiciário”.

Na ocasião, todos os ministros da Primeira Turma seguiram o voto do relator, Moraes, que considerou ambos culpados pela prática dos crimes de invasão de dispositivos informáticos e falsidade ideológica.

Porte de arma

Carla Zambelli responde a outro processo criminal no STF. Em agosto de 2023, Zambelli virou ré no Supremo pelo episódio em que ela sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista Luan Araújo às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.

A perseguição começou após Zambelli e Luan trocarem provocações durante um ato político no bairro dos Jardins, em São Paulo.

Até o momento, o Supremo registrou placar de 6 votos a 0 para condenar a parlamentar a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto. No entanto, um pedido de vista do ministro Nunes Marques adiou a conclusão do julgamento.

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