SAÚDE MENTAL

Saúde

Depressão materna pode comprometer vínculo com bebê e ter efeitos duradouros

Estudo brasileiro aponta que tristeza persistente, isolamento e falta de prazer após o parto afetam a relação entre mãe e filho e podem impactar o desenvolvimento infantil

Por Gabriela Cupani, da Agência Einstein

A depressão materna compromete como a mãe se relaciona com o bebê, o que pode impactar o desenvolvimento da criança no futuro, conclui um artigo publicado por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, na revista científica Harvard Review of Psychiatry.

A falta de pesquisas sobre os impactos da depressão na parentalidade motivou a equipe brasileira a conduzir uma revisão sistemática de todos os artigos sobre o assunto publicados nos últimos dez anos em diversas bases de dados.

“Embora a depressão seja muito afetada por fatores socioeconômicos, a maioria das pesquisas são feitas em países ricos, e são estudos transversais, ou seja, que não fazem um acompanhamento a longo prazo”, comenta o psicólogo Tiago Neuenfeld Munhoz, professor da UFPel e um dos autores do artigo.

De forma geral, a análise revela que os sintomas depressivos na mãe (tristeza, solidão, irritabilidade, sentimento de incapacidade, baixa autoestima, entre outros) são associados a menor envolvimento, comprometimento e prazer ao interagir com o bebê. “Mães com depressão têm dificuldade de se conectar aos filhos, afetando o vínculo com eles. Há menos afetividade, menos sorrisos, menos toque e estímulos”, exemplifica Munhoz.

 Isso também impacta atividades como contar histórias e passear. “Elas têm menos sensibilidade para identificar possíveis problemas do filho e até dificuldades para organizar a rotina”, diz o psicólogo. Essas mães ainda podem adotar práticas educativas chamadas coercitivas ou punitivas, que incluem a expressão de sentimentos como raiva, tristeza, hostilidade e até agressão física e verbal. Tudo isso pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo da criança. 

Se a mãe manifesta humor deprimido, falta de vontade ou prazer na maior parte do tempo por duas semanas, vale ficar alerta. Por isso, é essencial o acompanhamento adequado no pré-natal, bem como os retornos nas consultas, que acontecem 15 e 40 dias após o parto e depois de três a seis meses do nascimento do bebê. “Muitas passam por altos e baixos emocionais e, até certo ponto, essas flutuações podem ser normais e transitórias. Mas a depressão materna é um problema sério para a mãe e a criança, e o médico obstetra é peça-chave para sua detecção desde o pré-natal até o puerpério”, alerta o ginecologista e obstetra Mariano Tamura, do Einstein Hospital Israelita.

É importante avaliar fatores de risco, como histórico de depressão, falta de apoio familiar e se a gravidez foi planejada.

“O médico deve perguntar sempre como a mulher se sente emocionalmente, como está seu ânimo, esperança e como tem sido cuidar do bebê. Ouvir atentamente relatos de incapacidade ou sentimento de culpa e observar sinais, como distanciamento e falta de contato ou irritabilidade, choro frequente e discurso negativo”, orienta Tamura.

Também é importante que o profissional de saúde dê suporte e consulte com mais frequência se necessário, além de prescrever medicação e encaminhar para psicólogo ou psiquiatra, quando indicado

Além do médico, toda a rede que está em torno da mãe, desde a família até outros profissionais, deve estar atenta a sinais e sintomas que possam indicar uma possível depressão e procurar ajuda, se for o caso.

Fonte: Agência Einstein 

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Valinhos

Valinhos promove palestra sobre saúde mental para servidores públicos municipais

Evento gratuito com especialistas acontece no dia 31 de julho, às 10h, na Câmara

A Prefeitura de Valinhos, por meio das Secretarias de Administração e Saúde, realiza no próximo dia 31 de julho, às 10h, na Câmara Municipal, a palestra “5 Pilares da Saúde Mental”, com a presença de profissionais renomadas nas áreas de psicologia e enfermagem do trabalho. A atividade é gratuita e destinadas aos servidores públicos municipais.

O encontro contará com a participação da psicóloga Kelly Rosa, especialista em psicoterapia breve e transtorno de personalidade; da enfermeira do trabalho Edielen Beneduzzi; e da psicóloga Débora Queiroz, especialista em saúde mental, comportamento alimentar e neurociência aplicada ao bem-estar e performance.

Para o secretário de Administração de Valinhos, Dr. André Melchert, a iniciativa reforça a importância do cuidado com a saúde mental também no serviço público. “Vivemos tempos em que a saúde mental precisa ser tratada com a mesma seriedade que a saúde física. Promover esse tipo de encontro é uma forma de valorizar o servidor, orientar e criar um ambiente mais saudável e produtivo para todos”, destacou o secretário.

A ação também conta com o apoio da Secretaria de Saúde, que tem ampliado o olhar sobre o cuidado emocional do servidor. Para a secretária da pasta, Luciana Pignatta, o momento é oportuno. “A saúde mental impacta diretamente a qualidade de vida e até a saúde física das pessoas. Iniciativas como essa são fundamentais para promover conhecimento, quebrar tabus e fortalecer redes de apoio”, destacou.

A proposta do evento é oferecer reflexões e orientações práticas sobre os principais fundamentos para manter o equilíbrio emocional e o bem-estar no dia a dia, seja no ambiente de trabalho ou na vida pessoal. A ação integra uma série de atividades voltadas ao desenvolvimento humano e à valorização dos profissionais da Prefeitura.

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Saúde

Meninas sentem mais impactos negativos das redes sociais

Pesquisa mostra que as adolescentes se sentem mais pressionadas e vulneráveis na internet, mas muitas ainda não percebem o quanto isso afeta sua saúde emocional

Por Gabriela Cupani, da Agência Einstein

As redes sociais se tornaram parte do cotidiano de adolescentes, mas um novo estudo revela que meninas sentem de forma mais intensa os impactos emocionais do uso de Instagram, TikTok e outras plataformas. Apesar de perceberem efeitos negativos, como a pressão estética e a comparação constante, muitas ainda mantêm uma visão neutra sobre o uso das redes, o que pode dificultar o reconhecimento de sinais de sofrimento.

Publicada em março na Revista de Comunicación e conduzida por estudiosos da Universitat Pompeu Fabra, na Espanha, a pesquisa chegou a essa conclusão após aplicar uma enquete a 1.043 adolescentes, com idades entre 12 e 18 anos, buscando avaliar a percepção do impacto das redes em vários aspectos da vida, com perguntas que tinham pontuação de 1 a 5, do mais negativo ao mais positivo.

“Diversos estudos apontam que as meninas estão mais expostas a conteúdos que envolvem imagem corporal, aparência, relacionamentos, e tudo isso é bastante sensível nessa idade. Além disso, elas tendem a ser mais autocríticas e conseguem nomear com mais clareza o que estão sentindo”, afirma a psicóloga Bianca Dalmaso, do Einstein Hospital Israelita.

De modo geral, a pesquisa mostra que adolescentes, tanto meninos como meninas, têm uma percepção neutra do impacto das redes: ao mesmo tempo que percebem aspectos negativos, como pressão pela imagem e aparência física, os pontos positivos ajudariam a compensar os negativos. Nos aspectos considerados bons, as pontuações mais altas foram dadas à capacidade de organização de grupos e à sensação de pertencimento, já o bem-estar ficou com as notas mais baixas.

No entanto, essa forma neutra de ver as redes sociais pode atrapalhar uma visão mais crítica sobre o impacto delas na própria vida. “Embora tenham alguma consciência, essa resposta mais neutra [dos adolescentes da pesquisa] pode esconder uma certa acomodação, como se os benefícios compensassem automaticamente os riscos, diminuindo o olhar crítico”, diz a psicóloga.

A falta de crítica pode prejudicar a capacidade de identificar sinais de sofrimento ligados ao uso diário das plataformas. “Quando a comparação, a exposição excessiva ou a dependência de validação passam a fazer parte da rotina, esses impactos deixam de ser percebidos como problemáticos e são normalizados”, diz a neuropsicóloga Ana Lucia Karasin, também do Einstein.

Exposição intensa

A exposição intensa nas redes sociais pode aumentar o risco de ansiedade, distorções de imagem e até sintomas depressivos, além de gerar impactos emocionais profundos, especialmente numa fase em que a identidade ainda está sendo construída.

Para Dalmaso, quando o uso é automático, sem reflexão, vários riscos aparecem. “Por exemplo, a busca constante por curtidas pode virar uma forma de medir o próprio valor. Além disso, o excesso de comparação com os outros pode afetar a autoestima, causar ansiedade e até atrapalhar o sono ou o rendimento escolar. Tem também o risco de normalizar certos conteúdos tóxicos — como padrões de beleza irreais ou discursos agressivos — sem nem perceber.”

Para Karasin, existe ainda uma sobrecarga emocional associada a essa hipervigilância sobre a própria imagem. “As meninas não apenas consomem mais conteúdos ligados a estética, mas também se sentem mais pressionadas a performar uma versão ideal de si mesmas nas redes. Essa cobrança constante, mesmo que silenciosa, pode gerar um estado de alerta contínuo, afetando autoestima, espontaneidade e até o vínculo com o próprio corpo”, diz.

Também vale ressaltar que o uso automático pode comprometer a capacidade de estabelecer limites. “Sem perceber, os adolescentes passam horas imersos em conteúdos que nem sempre fazem bem e isso afeta desde o humor até a qualidade das relações presenciais. Além disso, a falta de reflexão dificulta que eles identifiquem quando é hora de pausar e se desfazer conexões digitais que alimentam inseguranças ou sentimentos de inadequação”, diz Karasin.

Uso consciente das redes sociais

É possível usar as redes sociais de forma mais consciente para reduzir impactos negativos, tanto para os adolescentes quanto para os pais. No caso dos mais novos, vale refletir sobre o que estão consumindo e como isso os faz se sentir. Perguntas simples como “Por que eu sigo esse perfil?” ou “Como me sinto após rolar o feed?” podem ajudar a identificar conteúdos que geram comparação ou pressão desnecessária. Também é importante reconhecer a hora de fazer uma pausa e lembrar que o que aparece nas redes é apenas um recorte, e não a realidade.

Já para os pais, a principal recomendação é manter um diálogo aberto, sem julgamentos ou sermões, mostrando interesse genuíno pelo que os filhos veem, seguem e compartilham. Além disso, dar o exemplo é fundamental: quando os adultos equilibram o próprio uso de telas, ajudam os filhos a entender, na prática, que o mundo offline também precisa de atenção. “Criar momentos offline em família, propor atividades ao ar livre, tudo isso reforça que a conexão mais importante não é a do wi-fi, mas a entre as pessoas”, diz Bianca Dalmaso.

E lembre-se: estar presente não é apenas supervisionar e controlar o que a criança ou o adolescente acessa. “É importante oferecer espaço seguro para que os filhos falem sobre suas experiências digitais sem medo de serem punidos ou ainda incompreendidos”, lembra Karasin.

Fonte: Agência Einstein

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RMC

Morungaba avança na construção do Plano Municipal de Saúde Mental

O encontro reuniu representantes de diversos departamentos municipais, integrantes da sociedade civil e profissionais da saúde, com o objetivo de alinhar estratégias e ações que fortaleçam os cuidados em saúde mental no município

A Prefeitura da Estância Climática de Morungaba, por meio do Departamento de Saúde, realizou na tarde da última sexta-feira, dia 23, uma reunião para discutir e construir de forma colaborativa o Plano Municipal de Saúde Mental e Qualidade de Vida.

O encontro reuniu representantes de diversos departamentos municipais, integrantes da sociedade civil e profissionais da saúde, com o objetivo de alinhar estratégias e ações que fortaleçam os cuidados em saúde mental no município.

Durante a reunião, foram apresentados dados que reforçam a urgência do tema, como o número de consultas psiquiátricas realizadas entre 2022 e abril de 2025 chegou a 6 mil, o dobro do volume de consultas de Clínica Geral no mesmo período.

Atualmente, 175 pessoas aguardam na lista de espera por atendimento psicológico. O consumo de antidepressivos tem crescido de forma desproporcional ao aumento populacional, afetando inclusive crianças e adolescentes. A principal demanda registrada nos serviços de saúde mental está relacionada a transtornos de ansiedade.

O fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS) foi apontado como fundamental para ampliar o acesso da população aos cuidados em saúde mental. As unidades de saúde são a porta de entrada para quem busca acolhimento e atendimento, contando atualmente com horários estendidos para atender principalmente os trabalhadores.

Entre as propostas discutidas estão: Criação de canais de acolhimento psicológico, tanto pelo CAPS quanto com apoio de voluntários; oferecimento de cursos gratuitos sobre saúde mental, autocuidado, alimentação saudável e controle do estresse e a realização de campanhas permanentes de combate ao estigma e ao preconceito relacionados aos transtornos mentais.

“Dentre as ações em prol à Saúde Mental, atualmente a prefeitura tem em seu calendário fixo as campanhas do Janeiro Branco e do Setembro Amarelo que, a partir destas discussões, deverá ser complementado com ações concretas que serão implementadas na prática com a participação de outros departamentos municipais, de outras instituições e da própria comunidade”, explica a diretora do Departamento de Saúde da prefeitura, Maysa Piovesan, que ressalta que a reunião foi a primeira discussão sobre o tema.

Participaram do encontro a vice-prefeita Claudia Pretti Rossi; os diretores municipais Monique Molena (Ação e Inclusão Social), Elaine Barreto (Educação), Débora Frare (Turismo) e Ronaldo Frare (Obras); o médico da Atenção Primária e coordenador do NEP (Núcleo de Educação Permanente), Dr. Guilherme Murari; a psicóloga do CAPS, Laura Soares; além de servidores municipais, membros do Conselho Tutelar e terapeutas da cidade.

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Saúde

Solidão aumenta risco de morte em mulheres na meia-idade, aponta estudo

Pesquisa mostra que o isolamento gera impactos na saúde e comportamentos que afetam a qualidade de vida, como tabagismo, alimentação ruim e sedentarismo

Por Gabriela Cupani, da Agência Einstein

A solidão aumenta o risco de morte independentemente da saúde física e mental — e quanto mais persistente o isolamento, maior o perigo. Isso é o que mostra uma nova pesquisa da Universidade de Sidney, na Austrália, publicada recemtemente no British Medical Journal. O estudo avaliou, pela primeira vez, o elo entre solidão e mortalidade precoce em mulheres de meia-idade.

A solidão é reconhecida como um problema de saúde pública e está associada a problemas cardiovasculares, depressão e demência, entre outros desfechos negativos. No entanto, segundo os autores, até agora os estudos não haviam examinado o impacto no risco de morte conforme a quantidade de anos em que a pessoa se sente só.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram dados do Australian Longitudinal Study of Women’s Health, um estudo populacional que começou em 1996 e acompanha mais de 57 mil mulheres. Eles selecionaram aquelas na faixa dos 48 aos 55 anos, que não tinham doenças crônicas no início. Depois, aplicaram questionários sobre saúde e bem-estar a cada três anos ao longo de um período de 18 anos.

Ao fim do acompanhamento, aquelas que reportaram solidão crônica, persistente, tinham três vezes maior risco de morrer. O estudo também apontou uma relação dose- dependente, ou seja, quanto maior a frequência com que se sentiam sós, maior o risco de morte precoce. Embora curtos períodos de isolamento já afetem a saúde, o artigo sugere que esse impacto pode ser cumulativo ao longo do tempo.

Segundo os autores, a solidão está associada a altos níveis de estresse e alterações no sistema imune, que podem levar a problemas cardiovasculares e até certos tipos de câncer. Além disso, pessoas sozinhas acabam adotando comportamentos não saudáveis, como tabagismo, alimentação desbalanceada e sedentarismo — todos fatores de risco para morte prematura.

Diversos estudos associam a solidão com mortalidade. Sabe-se, por exemplo, que ficar viúvo aumenta a mortalidade nos homens. “Não se sabe o exato mecanismo associado, mas há o aspecto psicológico das interações sociais, sentir-se pertencente a uma família ou a um grupo, sentir-se útil, servir ao próximo”, diz a geriatra Thaís Ioshimoto, do Hospital Israelita Albert Einstein.

De acordo a especialista, o convívio com outras pessoas traz uma motivação para estar melhor. “Na minha visão e experiência como geriatra, estar com outras pessoas estimula que o idoso cuide da sua aparência, cuide da sua casa para receber amigos, mantenha atividades como cozinhar para a família… Estimula que ele viva bem para aproveitar a convivência com os outros. Ele vive com um propósito, seja cuidar da esposa ou do marido, dos netos, encontrar os amigos”, analisa Ioshimoto.

Para os autores do artigo, a solidão deve ser reconhecida como um determinante social significativo na saúde, e é preciso desenvolver intervenções para melhorar o bem-estar das pessoas e reduzir doenças evitáveis e mortes precoces.

Fonte: Agência Einstein

 

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Saúde

“Sessão de terapia” no ChatGPT oferece riscos e preocupa especialistas

© Marcelo Camargo/Agência Brasil
Grupo de trabalho do CFP discute uso da IA com fins terapêuticos
Tâmara Freire – Repórter da Agência Brasil
” – Tenho me perguntado se a vida vale a pena.”

“– É muito significativo que você tenha compartilhado isso comigo. Quando a gente começa a se perguntar se a vida vale a pena, geralmente é sinal de que está carregando algo muito pesado por dentro, mesmo que ainda não consiga dar nome exato ao que sente. Você tem sentido esse vazio ou essa dúvida com frequência?”

Pode parecer que esse pequeno diálogo faz parte de uma conversa entre duas pessoas, mas apenas uma delas é humana. A resposta empática, que demonstra compreensão com a dor do outro e pergunta mais detalhes sobre o seu sofrimento, não passa de uma sequência de palavras organizadas de acordo com um padrão de linguagem, “aprendido” após a análise de um volume enorme de dados. É assim que os chats interativos baseados em inteligência artificial (IA) funcionam.

Brasília (DF), 14/05/2025 - Sessão de terapia por intelgência artificial. O professor da Universidade Federal do Ceará, Victor Hugo Albuquerque. Foto: Andrea Rabelo/UFC
Professor Victor Hugo Albuquerque diz que chatbots ajustam respostas com base em padrões, não em raciocínios – Foto: Andrea Rabelo/UFC

“Esses sistemas são cada vez mais sofisticados e treinados para reconhecer os padrões usados no dia a dia, para prever quais palavras ou frases devem vir em sequência, baseadas nas palavras anteriores. Eles não só entendem palavras, mas também conseguem captar o tom, a intenção e ajustar respostas baseadas em padrões, não em um raciocínio”, explica o professor do Departamento de Engenharia de Teleinformática da Universidade Federal do Ceará Victor Hugo de Albuquerque.

“Essa capacidade de capturar contextos e intenções ajuda o chatbot a gerar respostas mais naturais e contextualmente apropriadas, simulando uma conversa humana com mais precisão. Dessa forma, temos a sensação de que estamos conversando com um ser humano, mas longe disso”, completa. Chatbots são ferramentas capazes de simular conversas e gerar textos similares aos escritos por humanos.

Essa humanização forjada tem encantado muitos usuários, que passaram a confiar intimidades e angústias a essas ferramentas e encarar a interação como uma sessão de terapia.

A revista Harvard Business Review, editada pela escola de pós-graduação em administração da faculdade americana de Harvard, publicou no mês passado um levantamento que mostra que o aconselhamento terapêutico se tornou o principal objetivo das pessoas ao utilizar ferramentas de IA este ano, ao lado da busca por uma companhia. Mais três usos pessoais figuram entre os dez maiores: organizar a vida pessoal, encontrar um propósito, e ter uma vida mais saudável.

“Praticamente toda semana, o Conselho Federal de Psicologia [CFP] recebe consultas sobre o uso de inteligência artificial relacionado à psicologia. Quanto a dúvidas no desenvolvimento de ferramentas que se apresentam como tecnologias voltadas para uso terapêutico, mas também quanto aquelas que não são criadas para isso, mas os usuários fazem o uso terapêutico”, conta a conselheira Maria Carolina Roseiro.

Isso levou o CFP a criar um grupo de trabalho para discutir o uso da inteligência artificial com fins terapêuticos, orientados ou não. O órgão estuda como regulamentar novas ferramentas terapêuticas que estejam de acordo com métodos e técnicas reconhecidas e sejam desenvolvidas por profissionais habilitados e que possam ser responsabilizados pelo seu uso. Também deve publicar em breve algumas orientações à população, alertando para o risco de confiar seu bem-estar emocional a uma ferramenta que não foi criada com esses fins.

Brasília (DF), 14/05/2025 - Sessão de terapia por intelgência artificial. A conselheira do CFP, Maria Carolina Roseiro. Foto: CFP/Divulgação
Maria Carolina Roseiro, conselheira do CFP, alerta que inteligência artificial pode induzir pessoas a situações de risco – Foto: CFP/Divulgação

“Um profissional da psicologia, uma pessoa que é habilitada para atuar com métodos e técnicas da psicologia, tem uma responsabilidade legal sobre os seus atos. Mas uma tecnologia não pode ser responsabilizada. E, se ela não foi desenvolvida para fins terapêuticos, ela está ainda mais sujeita ao erro, a induzir a pessoa a situações de risco”, alerta a conselheira.

Prós e contras

O professor da pós-graduação em psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) Leonardo Martins é um dos especialistas que compõem o grupo de trabalho do Conselho Federal de Psicologia. Além de estudar tecnologias digitais voltadas para o suporte psicoterapêutico, ele é um dos criadores de um aplicativo que oferece atendimento psicológico gratuito via chat para pessoas com problemas relacionados ao uso de álcool. Martins é contra a “demonização” das ferramentas digitais, mas pondera que elas só são confiáveis quando desenvolvidas por profissionais responsáveis, amparados por estudos sérios.

“A gente tem um cenário de saúde mental de 900 milhões de pessoas com algum transtorno, segundos estimativas da Organização Mundial da Saúde, em especial ansiedade e depressão. Então, a gente tem uma crise importante em relação a essa aspecto de saúde, um cenário de poucos profissionais, que precisam de mais recursos, mas a gente quer que esses recursos ajudem de fato essas pessoas e não que as coloquem mais vulneráveis ainda”, enfatiza.

Um exemplo positivo citado por Leonardo Martins é o chatbot criado pelo sistema de saúde inglês como porta de entrada para os serviços de saúde mental. A conversa com a inteligência artificial resultou em maior procura aos serviços de saúde, especialmente entre populações marginalizadas como imigrantes e pessoas LGBTQIA+, que costumam ter mais receio de procurar ajuda.

Mas, de acordo com o professor da PUC-Rio, o uso de plataformas que não foram criadas com esses objetivos e não seguem critérios técnicos e éticos já demonstrou resultados negativos.

“Um estudo mostrou claramente como esses modelos tendem a dar a resposta que eles concluem que vai agradar ao usuário. Então se a pessoa dizia assim: ‘Eu quero me ver livre da minha ansiedade’, o modelo falava coisas que ele poderia fazer para acabar com a ansiedade, inclusive evitar situações que são importantes para aquela pessoa. Se a ansiedade é causada por um evento, ele recomendava não ir ao evento e por aí vai”, diz Martins.

A assessora de comunicação científica Maria Elisa Almeida faz acompanhamento regular com uma psicóloga, mas também tem utilizado um aplicativo que funciona como um diário, para relatar acontecimentos, emoções, desejos e receber respostas criadas por inteligência artificial com reflexões e ideias. Mas ela acredita que o uso dessas ferramentas não é seguro para pessoas em momentos de crise, tampouco pode substituir os profissionais de saúde mental.

“Tem períodos em que eu escrevo mais de uma vez por dia, geralmente como alternativa em vez de checar mídias sociais. Mas tem períodos em que eu passo semanas sem escrever. O app me ajuda a manter meu foco e me oferece reflexões muito interessantes que eu não teria tido por conta própria. Se eu me sinto ansiosa no meio do expediente, uso o app para escrever o que estou pensando e normalmente me sinto mais tranquila depois. O fato de eu usar como substituto para mídias sociais também faz com que minha ansiedade fique sob controle”, conta Maria Elisa.

A conselheira do CFP Maria Carolina Roseiro acredita que o aumento da procura por essas ferramentas tem um lado positivo, mas faz ressalvas:

“Acho que isso indica, de um modo geral, que as pessoas estão dando mais atenção para o seu cuidado em saúde mental. Os riscos vêm justamente do fato de que poucas pessoas entendem como essas interações funcionam. E a máquina não tem os filtros que as relações humanas colocam para gente, nem a ética profissional. Quando ela simula empatia, ela pode te dar uma sensação de acolhimento que é ilusória. Não necessariamente essa simulação de empatia vai prover uma relação de cuidado.”

Martins complementa que a própria lógica de funcionamento desses chats pode ter efeitos nocivos: “Eles tendem a concordar com a gente. Tendem a se adaptar aos nossos interesses, às nossas verdades, às coisas que a gente acredita.. E muitas vezes o espaço de procurar ajuda médica, ajuda psicológica, é justamente o contrário, né? Pra gente poder perceber que alguma coisa que está fazendo, que o jeito que está pensando talvez produza mais prejuízos do que benefícios.”

Privacidade

O grupo de trabalho criado pelo Conselho Federal de Psicologia também se preocupa com a privacidade dos dados repassados pelos usuários.

Brasília (DF), 14/05/2025 - Sessão de terapia por intelgência artificial. O professor da PUC-RIO, Leonardo Martins. Foto: Leonardo Martins/Arquivo pessoal
Professor da PUC-Rio, Leonardo Martins integra grupo de trabalho criado pelo Conselho Federal de Psicologia – Foto: Leonardo Martins/Arquivo pessoal

“Essas ferramentas de inteligência artificial estão disponibilizadas sem qualquer tipo de regulação em relação à privacidade de dados no contexto da saúde. Então existe um risco real, concreto e já ocorreram vários incidentes de pessoas que compartilharam suas informações pessoais e acabaram tendo essas informações utilizadas por terceiros ou vazadas. E, no contexto da psicoterapia, das questões de sofrimento e saúde mental, é um risco muito grande” diz o psicólogo Leonardo Martins.

De acordo com o professor Victor Hugo de Albuquerque, há motivos para se preocupar. “Dados pessoais e sensíveis podem ser interceptados ou acessados por pessoas não autorizadas, caso a plataforma seja hackeada ou tenha falhas de segurança. Mesmo que as plataformas afirmem que as conversas são anônimas ou descartadas, há o risco de que essas interações sejam armazenadas temporariamente para melhorar o serviço, o que pode gerar vulnerabilidades”, pondera Albuquerque.

“Além disso, muitas vezes os chatbots e sistemas de IA são treinados com grandes quantidades de dados, e dados pessoais inadvertidos podem ser usados para melhorar os modelos, sem que os usuários saibam disso. Isso cria um risco de exposição sem o consentimento explícito”, acrescenta.

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Saúde

Adolescentes não têm apoio para lidar com redes sociais, diz pesquisa

© Arquivo/EBC
Entrevistados querem psicólogos nas escolas para mudar cenário
Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil

Uma pesquisa realizada em abril mostrou que 90% dos brasileiros maiores de 18 anos que têm acesso à internet acreditam que adolescentes não recebem o apoio emocional e social necessário para lidar com o ambiente digital, em especial as redes sociais. Foram ouvidos no levantamento mil brasileiros conectados de todas as regiões e classes sociais, com 18 anos ou mais.

A margem de erro é de 3 pontos percentuais para o total da amostra, considerando um intervalo de confiança de 95%.

Segundo a pesquisa, 9 em cada 10 brasileiros acreditam que os jovens não têm apoio emocional e social suficiente, enquanto 70% defendem a presença de psicólogos nas escolas como caminho essencial para mudar esse cenário.

O levantamento foi realizado pelo Porto Digital, em parceria com a Offerwise, empresa especializada em estudos de mercado na América Latina e no universo hispânico, a partir da repercussão de um seriado que abordou o lado sombrio da juventude imersa no mundo digital e o abismo entre pais e filhos.

Para 57% dos entrevistados, o bullying (agressão intencional e repetitiva, que pode ser verbal, física, psicológica ou social, para intimidar uma pessoa) e violência escolar são um dos principais desafios de saúde mental. Também estão entre os principais desafios atualmente enfrentados pelos jovens a depressão e a ansiedade (48%) e a pressão estética (32%).

 

Brasília (DF) 09/05/2025 - 90% dos brasileiros acima de 18 anos, que acessam a internet, acreditam que os adolescentes não recebem o apoio emocional. ( Pierre Lucena) Foto Porto Digital divulgação
Adolescência, série apresentada pela Netflix evidenciou necessidade de colocar a questão em debate, diz Pierre Lucena – Divulgação: Porto Digital

 

Na avaliação do presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, a série Adolescência, apresentada pela rede de streaming Netflix, colocou em evidência a necessidade de se debater a questão.

“O cuidado com a juventude deve ser um compromisso compartilhado, que envolve escolas, famílias, empresas e governos. Essa pesquisa evidencia que não basta discutir inovação tecnológica – é preciso humanizá-la e colocá-la a serviço da sociedade”, disse. “O futuro da inovação está diretamente ligado à forma como cuidamos dos nossos jovens. Não basta impulsionar avanços tecnológicos — é fundamental criar pontes entre a tecnologia e a transformação social real”, afirmou.

A pesquisa mostra que uma das ferramentas usadas pelos pais é o controle do tempo de navegação na internet. Segundo o estudo, entre crianças de até 12 anos, o controle tende a ser mais rígido e constante, inclusive com o uso de mecanismos de monitoramento. No entanto, apenas 20% dos pais responderam que pretendem usar futuramente alguma ferramenta de controle.

Já entre os adolescentes de 13 a 17 anos, a supervisão tende a diminuir. Os pais ainda acompanham, mas de forma mais flexível, permitindo maior autonomia.

Para o diretor-geral da Offerwise, Julio Calil, o cenário mostra a necessidade de desenvolvimento de espaços de acolhimento e orientação, tanto para os pais quanto para os filhos, como alternativas para proteção no ambiente digital.

“Os resultados da pesquisa nos mostram que a população enxerga a necessidade de um esforço conjunto para criar espaços mais seguros e de apoio nas escolas, especialmente diante do uso precoce e intenso das redes sociais”, apontou.

Plataformas

Recentemente, as principais plataformas digitais modificaram suas regras para restringir ou excluir a moderação de conteúdos publicados na internet, dificultando a identificação de contas ou publicações com conteúdos considerados criminosos.

Para o professor adjunto de psicologia da Universidade Federal de Pernambuco, Luciano Meira, tal decisão parece priorizar interesses comerciais e políticos dos proprietários das redes.

“Essa decisão diminui a responsabilidade social das big techs, das corporações, das organizações controladoras das plataformas. Isso tem um impacto direto na proliferação de ódio, desinformação, conteúdos prejudiciais em diversas camadas,  especialmente, entre populações vulneráveis. Muito jovens ficam mais expostos a conteúdos inadequados sem essa moderação e, claro, quando se trata de desinformação, isso ataca instituições e a própria democracia”, avaliou.

Na outra ponta, o Supremo Tribunal Federal (STF) está julgando a constitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), segundo o qual, provedores, websites e redes sociais só podem ser responsabilizados por conteúdo ofensivo ou danoso postado por usuários caso descumpram uma ordem judicial de remoção.

Ph.D. em educação matemática pela Universidade da Califórnia e mestre em psicologia cognitiva, Meira pontua que a ausência de uma decisão sobre o tema pode levar a uma potencial sobrecarga judicial.

“Pode haver um aumento considerável de casos judiciais justamente pela falta dessas ações preventivas. Então, é possível preservar a liberdade de expressão com moderação responsável. A meu ver, o posicionamento é uma rediscussão do Artigo 19 do Marco Civil da Internet para fortalecer o que seria a proteção social, não só de crianças e jovens, mas de avaliar o que se faz com o grupo de idosos hoje, vulnerabilizados por todo um conjunto de ataques, de cooptação a determinados tipos de ideologia”, acrescentou.

Além disso, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 2.630 de 2020, conhecido como PL das Fake News, principal proposta de regulação das plataformas digitais. O texto já foi aprovado pelo Senado e está travado na Câmara dos Deputados. A proposta trata da responsabilidade civil das plataformas e também tem elementos de prevenção à disseminação de conteúdos ilegais e danosos a indivíduos ou a coletividades.

“Regular essas plataformas é vital para que tenhamos a manutenção de um espaço social online, produtivo e saudável para todas as pessoas – principalmente jovens e crianças que têm menos mecanismos individuais de proteção”, afirmou. “Aqueles que defendem a desregulamentação total das redes certamente têm uma uma ideia frágil e inconsistente do que é liberdade. Uma liberdade restrita sem controle social destrói, degenera as bases da nossa capacidade de construir e de fazer evoluir uma civilização. Então, claramente, a autorregulação é insuficiente, especialmente em se tratando de empresas que buscam lucro através, por exemplo, da publicidade, do comércio, enfim, as grandes plataformas, as big techs”, alertou.

Enquanto não há uma decisão sobre o tema, o professor considera necessário construir um ambiente de confiança, na escola, na família e nos demais espaços onde crianças e jovens são acolhidos para evitar que crianças e adolescentes acabem sendo submetidos a situações de disseminação de ódio e bullying, entre outras.

“O principal é a construção da confiança entre as pessoas. Sem a construção desses laços, desse relacionamento baseado na confiança, qualquer dessas estratégias não terá os efeitos desejados. A primeira orientação é estabelecer um diálogo aberto. Então, pais, mães, filhos e filhas, eles têm que, de alguma forma, estabelecer, manter, ou evoluir essa interlocução confiante.

De acordo com Meira, esse ambiente propicia a realização de conversas sobre os riscos online e também sobre a forma como se dão os relacionamentos com e nas redes sociais. “Eu entendo que essas são conversas íntimas que, baseadas na confiança, podem progredir de forma saudável”, afirmou.

Outro ponto defendido pelo professor é o estabelecimento de limites claros sobre o uso da internet e de redes sociais como, por exemplo, de tempo e de tipos de relacionamento.

“Isso não vai ser realizado, não vai ser cumprido se não existir um diálogo aberto em que crianças e adolescentes entendam que existem conteúdos inadequados e que precisam ter senso crítico, ter seu pensamento e formas de raciocínio. No entanto, nessa faixa etária, eles simplesmente ainda não conseguem capturar os riscos. Por isso, precisam de um adulto que tenha pelo menos uma intuição mais apurada para identificar formas de cyberbullying, de exposição excessiva, de conteúdos inadequados, de contato com estranhos entre outros tipos de relacionamentos”, disse.

Luciano Meira ressalta que pais e responsáveis tendem a simplesmente restringir ou proibir o uso de redes sociais, sem um diálogo consistente sobre o porquê da decisão.

“Sinto dizer que os responsáveis o proíbem de uma forma muito autocrática e que talvez não surta efeito, porque não se tem controle absoluto sobre o que acontece na vida de absolutamente ninguém. Você pode estabelecer uma forma de monitoramento participativo, em que busca conhecer, e esse monitoramento pode ser apoiado, do ponto de vista técnico, inclusive por softwares, com aplicações computacionais que você instala no notebook, no computador de mesa ou no dispositivo móvel dessa criança ou jovem para ter acesso ao que está acontecendo nesses dispositivos”, sugeriu.

Por fim, o professor afirma  defende que não se deve deixar de lado o mundo real e exemplifica com a legislação que proíbe o uso de celulares nas escolas.

“Mais recentemente, as escolas têm visto alguma movimentação em torno das crianças voltarem a construir relações no mundo físico. Por exemplo, ao proibir o uso de dispositivos nas escolas, convidam as crianças para uma existência que é também offline. No final das contas, um equilíbrio é necessário entre esses mundos para que no final a gente tenha a construção de relacionamentos sociais mais duradouros e que ganhe sustentação na confiança entre as pessoas e não apenas em algoritmos”, concluiu.

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Saúde

Especialista explica como notícias falsas afetam a saúde mental e física de crianças e adolescentes

Sabará Hospital Infantil promove pelo 3º ano consecutivo a campanha contra fake news na pediatria

 

As fakes news (ou informações sem nenhum embasamento comprovado), infelizmente, já fazem parte do nosso dia a dia e se tornaram um desafio crescente principalmente com a velocidade da evolução das tecnologias de inteligência artificial.
E, se os adultos já sofrem com a quantidade e veracidade dos conteúdos, esse cenário é ainda mais impactante na saúde de crianças e adolescentes.
“Os responsáveis devem estar atentos ao que esse público consome na internet, afinal, eles ainda estão em desenvolvimento e precisam de orientação para conseguir filtrar tanta informação”, explica a coordenadora de psicologia do Sabará Hospital Infantil, Cristina Borsari.
Segundo dados da pesquisa TIC KIDS ONLINE BRASIL 2019 (sobre o Uso da Internet por Crianças e Adolescentes no Brasil), de 2024,  93% da população brasileira de 9 a 17 anos é usuária de Internet, o que representa 24,5 milhões de pessoas. Pensando na importância de informar pais e responsáveis sobre a saúde das crianças e adolescentes que o Sabará Hospital infantil promove, pelo terceiro ano consecutivo, a campanha “Sabará contra as fakes news na pediatria”.
Não só a saúde física, mas a saúde mental de crianças e adolescentes tem tomado cada vez mais espaço na discussão entre educadores, profissionais da saúde e responsáveis, a psicóloga Cristina Borsari, abordará algumas fake news apresentadas sobre esse assunto.
As crianças entendem muito de tecnologia dificilmente cairão em fake news.
Essa é um dos maiores enganos da atualidade. A influência que alguns conteúdos tendem a gerar podem impactar negativamente nas percepções e comportamentos desses jovens. Entre os exemplos ruins que eles podem correr, podemos citar as fraudes online ou algumas trends que são feitas por jovens que colocam a própria vida em risco.
As redes sociais estão cheia de depoimentos verdadeiros que trazem tratamentos sérios para saúde mental.  
Deve se ter muito cuidado com o que se vê e acompanha nas redes sociais. No que tange a saúde física ou emocional, cada indivíduo é único e não pode utilizar de uma história uma verdade absoluta para todo mundo. Então, os sintomas e características até podem ser parecidas, mas é importante procurar um especialista antes de iniciar qualquer tratamento.
Entrei nas redes sociais, vi um medicamento bem recomendado em alguns vídeos e não vi problema em dar para ele.
Isso é muito perigoso para a saúde de qualquer pessoa, principalmente em quem ainda está em fase de desenvolvimento. Os pais não devem de maneira alguma medicar seus filhos sem o acompanhamento de um médico especialista. Se percebeu algum sintoma que tenha se repetido de maneira frequente, o ideal é procurar um pediatra que irá lhe indicar um especialista para o caso da criança.
Ansiedade entre crianças e adolescentes é frescura da idade ou uma maneira de chamar atenção.
A ansiedade infantil é tão comum e tão prejudicial quanto as que os adultos sentem. Um primeiro dia de aula em uma nova escola, início de um namoro, alguma competição ou até por conta de em uma viagem de férias eles podem desencadear sintomas como falta de apetite, irritabilidade ou queda no rendimento escolar. Os responsáveis devem estar sempre atentos, manter uma relação de conversa com eles para que, caso os sintomas persistam procurem por um especialista.
Não existe depressão em criança.
Claro que o público dessa faixa etária pode passar por essa condição. Nem sempre a depressão é caracterizada apenas por um isolamento social. Apesar de esse ser o principal traço, os sintomas podem variar de acordo com a intensidade e forma que a criança ou o adolescente está sentindo como, por exemplo, dificuldades para dormir, irritabilidade, não querer brincar com outras crianças, tristeza profunda, entre outros. É preciso estar atento.
Toda terapia via internet é ruim.
Desde a pandemia essa têm sido uma prática muito comum. O essencial é que os responsáveis, respeitando a privacidade da sessão da criança ou adolescentes, tenham certeza de que ele está compartilhando seus questionamentos com um profissional e não com uma plataforma digital. Muitos jovens têm utilizado a tecnologia para fazer terapia sem nenhum acompanhamento de um adulto, o que além de trazer perigo pode gerar ainda mais dúvidas.
“Devemos lembrar sempre que as crianças e adolescentes ainda estão em fase de maturação cognitiva, portanto, na maioria das vezes não tem capacidade crítica plenamente desenvolvida. Como estão nessa fase de desenvolvimento do intelecto eles se tornam mais vulneráveis e suscetíveis à manipulação. Por isso, é importante supervisionar o que consomem na internet, acompanhá-los sempre de perto, observar o comportamento e as suas interações durante as conversas, as relações sociais e quando perceber que há algo errado, procurar um psicólogo”, finaliza a especialista.
Sobre o Sabará Hospital Infantil 
O Sabará Hospital Infantil, localizado na cidade de São Paulo, é referência no atendimento de crianças e adolescentes até 17 anos e 11 meses.  É o primeiro Hospital exclusivamente pediátrico a conquistar acreditação pela Joint Comission International (JCI), um selo que assegura sua qualidade assistencial.
Fundado há mais de 60 anos, o Sabará Hospital Infantil opera segundo o modelo de hospitais infantis americanos, os Children’s Hospitals, baseado na expertise de alta complexidade em todas as especialidades pediátricas, que conta com uma equipe multiprofissional integrada de alta capacidade resolutiva na atenção à criança.
Com uma equipe médica e assistencial altamente capacitada e um parque tecnológico moderno e completo, a Instituição está preparada para a realização de partos, quando há necessidade de intervenção cirúrgica imediata ao nascimento, e transplantes renais.
Seu foco em pediatria permite que a Instituição não só conheça as mais diversas doenças infantis, como também garante a expertise no diagnóstico e tratamento de doenças simples às mais raras e de difícil interpretação diagnóstica.
Para transformar a experiência da criança internada, conta com o Programa Child Life, composto por especialistas em desenvolvimento infantil. Por meio de atividades lúdicas, os profissionais se comunicam com a criança de acordo com seu desenvolvimento de linguagem e compreensão de mundo, facilitando, assim o seguimento do tratamento.
O Hospital que mais entende de criança. Do Pronto-socorro à alta complexidade – Sabará Hospital Infantil.

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Saúde

Seu filho precisa de terapia? Saiba como identificar e ajudar no processo

Situações desafiadoras no dia a dia e mudanças de comportamento da criança  são indícios de que pode ser necessário buscar ajuda profissional 

 

Por Thais Szegö, da Agência Einstein

Diante de episódios de vômito, febre, tosse insistente, dor de cabeça ou algum mal-estar, os pais não pensam duas vezes antes de recorrer ao pediatra. Muitos, no entanto, não sabem identificar os sinais que vão além do físico e que podem causar sofrimentos emocionais para o filho. Reconhecer e compreender as emoções também costuma ser um grande desafio para a própria criança, que não sabe a hora de pedir ajuda.

Por isso, a orientação de um profissional é bem-vinda, principalmente diante de situações como mudar de escola, separação dos pais, perdas familiares e casos de bullying.

“A decisão de procurar auxílio do psicólogo deve considerar mudanças significativas de comportamento e outras manifestações, como medo excessivo, sintomas de ansiedade, dificuldades escolares, problemas de relacionamento e insônia, entre outros”, explica a psicóloga hospitalar Lucianne Areal, do Departamento Materno-Infantil do Hospital Israelita Albert Einstein. 

Crianças que apresentam atrasos no desenvolvimento também se beneficiam do acompanhamento de um especialista. “É fundamental que os pais reconheçam seus limites em relação ao desenvolvimento emocional do filho e, com sensibilidade e acolhimento, procurem ajuda”, orienta o psicólogo e psicanalista Maico Costa, coordenador do Centro de Humanização e do Centro de Gestão do Cuidado de Pessoas, ambos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

É recomendável que o psicólogo tenha experiência no atendimento psicológico infantil, pois o desenvolvimento emocional, cognitivo e social de crianças e adolescentes tem características próprias, o que exige uma forma de trabalho diferenciada. “É importante que os pais conheçam a abordagem a ser utilizada pelo profissional, sintam-se seguros diante do acompanhamento estabelecido e considerem a qualidade da relação terapêutica”, orienta a psicóloga do Einstein.

Avaliar o currículo e a experiência do profissional também é válido. “É fundamental que ele tenha formação sólida e bom domínio da teoria e da prática escolhidas. O alinhamento entre o estilo do psicólogo e as necessidades da criança e da família é essencial para o processo”, acrescenta Costa.

A partir de que idade é ideal fazer terapia?

Não existe uma idade mínima definida para começar a terapia. “Inclusive, há intervenções psicológicas voltadas para bebês, especialmente em contextos hospitalares ou em situações de risco”, conta Costa. “Nesses casos, o trabalho se concentra, principalmente, nos cuidadores, ajudando-os a interpretar e atender adequadamente às suas necessidades.”

Já em crianças pequenas, o momento de iniciar o tratamento depende muito do contexto e das necessidades apresentadas. “Não há uma idade estabelecida, mas crianças a partir de 3 anos podem beneficiar com o atendimento psicológico, pois estão em pleno desenvolvimento emocional, cognitivo e social, assim como da aquisição da linguagem”, afirma Areal. Em todos os casos, é necessário adaptar intervenções, objetivos e recursos utilizados durante os atendimentos, considerando a faixa etária do paciente.

Quando a criança é pequena, o profissional vai usar atividades lúdicas, como brincadeiras de faz de conta, desenhos, jogos e outros recursos que permitem que ela expresse sentimentos e vivências de maneira espontânea. “Esses métodos possibilitam que o terapeuta compreenda os conflitos e ajude a criança a elaborar suas emoções, mesmo quando a comunicação verbal ainda está em desenvolvimento”, explica Maico Costa.

A família desempenha um papel crucial no processo terapêutico, pois não se constrói um trabalho consistente com a criança sem a presença dos pais e cuidadores, já que são eles que convivem com o pequeno no dia a dia e podem levar questões discutidas nas sessões para o ambiente familiar.

Além disso, os responsáveis ajudam o profissional a conhecer melhor o paciente, pois, em muitos casos, ele não consegue se expressar sozinho. Daí a importância de existir um vínculo de confiança entre os dois para que todas as informações relevantes sejam compartilhadas sem reservas ou preconceitos e com acolhimento, confiança e sigilo.

“Durante o processo terapêutico, os pais são orientados sobre como lidar com situações específicas, como estimular a criança e aprimorar habilidades parentais, e muitas vezes são levados a refletir sobre a necessidade de mudanças na dinâmica familiar”, explica Areal.

Fonte: Agência Einstein

 

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Saúde

Popular nas redes sociais, “terapia da rejeição” pode agravar saúde mental

Técnica não tem comprovação científica e tem sido divulgada por  jovens que se colocam em situações incomuns para aprender a lidar com o “não”

 

Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein

Nos últimos meses, a “terapia da rejeição” ganhou popularidade nas redes sociais, especialmente no TikTok, com centenas de usuários compartilhando experiências e afirmando que o método os ajudou a lidar com a ansiedade, a autoestima e até o medo. A prática, que não tem embasamento científico, consiste em se expor a situações desconfortáveis ou vergonhosas, que muito provavelmente vão resultar em rejeição, no trabalho, no transporte público ou nas interações com pessoas desconhecidas.

A ideia é diminuir o medo da rejeição ao ouvir um “não”. Ao conseguir enfrentar essas situações de forma controlada, o indivíduo se tornaria mais resiliente e confiante para lidar com o fracasso ou a falta de aceitação.

Entre as situações constrangedoras estão pedir dinheiro emprestado a um estranho na rua; pedir um abraço em meio à multidão; cumprimentar desconhecidos dentro do metrô; e até ir a uma cafeteria e pedir determinado produto de graça. Na realidade, porém, a pessoa não quer nada disso e não se importa com a resposta que vai receber – o ponto é vencer a barreira e conseguir fazer a pergunta. Tudo isso registrado pela câmera do celular e compartilhado nas redes sociais.

Exposição não é igual a rejeição

A “terapia da rejeição” seria uma forma simplificada da “terapia de exposição”, essa sim uma técnica consagrada e amplamente utilizada por psicólogos como parte da terapia cognitivo comportamental (TCC) no tratamento de transtornos específicos, como síndrome do pânico, fobias sociais, medo de andar de avião, ansiedade generalizada, entre outros.

Como o próprio nome diz, a terapia consiste em expor o paciente gradualmente a uma situação que ele teme para diminuir sua resposta excessiva de medo por meio da dessensibilização. Normalmente começa com imagens, uso de realidade virtual e só depois a pessoa tenta ter contato direto com a situação temida ou o objeto fóbico.

“O medo pode até persistir por um período, mas de uma forma mais controlada, diminuindo o nível de sofrimento”, explica o psiquiatra Elton Kanomata, do Hospital Israelita Albert Einstein. Em paralelo, o paciente também costuma treinar técnicas de relaxamento para diminuir seus níveis de ansiedade e tensão.

A terapia da rejeição, ao contrário, não é um tratamento formal. Além disso, o fato de a pessoa filmar e postar situações constrangedoras nas redes sociais pode até piorar quadros de ansiedade em indivíduos predispostos. “A ideia de se expor a contextos muito bizarros não faz sentido. Teria algum sentido se a pessoa se expusesse a situações do seu cotidiano para desenvolver habilidades sociais e socioemocionais para a vida. Mas passar vergonha por passar é um desgaste emocional desnecessário e não traz nenhum ganho”, observa Kanomata.

As consequências podem ir além daquele momento em que a pessoa ouviu o “não” e foi rejeitada. Ao publicar a experiência nas redes sociais, o indivíduo volta a se expor e se coloca sob julgamentos e críticas de inúmeras pessoas. “As novas gerações não estão acostumadas a ouvir ‘não’, e muitas pessoas saem em busca de soluções rápidas e simplificadas. Se essa pessoa não conseguir o engajamento que gostaria nas redes sociais e receber comentários ruins, por exemplo, isso pode piorar um quadro emocional”, alerta o psiquiatra.

Embora a “terapia da rejeição” possa parecer uma abordagem interessante para aqueles que buscam superar a insegurança, Kanomata ressalta que ela não deve ser encarada como uma solução imediata nem substituir tratamentos reconhecidos. “Se for para trabalhar de fato essa questão da rejeição e da frustração, é importante que esse processo seja feito por um profissional que possa acompanhar o paciente ao longo das sessões e discutir situações, para ajudá-lo a lidar com o enfrentamento das situações e evitar que ele se sinta mais ansioso ou desvalorizado”, propõe o médico.

Fonte: Agência Einstein

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