SAÚDE MENTAL

Saúde

Álcool e remédios controlados: uma mistura que pode virar perigo no Carnaval

Psiquiatra explica como a combinação de bebida alcoólica com ansiolíticos e antidepressivos pode intensificar sedação, confusão mental e até colocar a vida em risco

Com a chegada do Carnaval, período marcado por festas prolongadas e maior consumo de bebidas alcoólicas, um risco frequentemente subestimado merece atenção redobrada: a combinação de álcool com medicamentos psiquiátricos, como ansiolíticos e antidepressivos. Essa associação pode intensificar efeitos colaterais, comprometer a eficácia do tratamento e, em situações mais graves, representar perigo à vida.

A bebida alcoólica atua diretamente no sistema nervoso central e interfere no funcionamento de diversos medicamentos. Quando associado a ansiolíticos, especialmente benzodiazepínicos, pode causar sedação excessiva, queda de reflexos, confusão mental, dificuldade de coordenação motora e até depressão respiratória. Já no caso dos antidepressivos, a interação pode reduzir a eficácia do tratamento, agravar sintomas de ansiedade e depressão, além de aumentar o risco de efeitos adversos como sonolência intensa, alterações de pressão arterial e arritmias.

Segundo o Dr. Rodrigo Schettino, professor de pós-graduação em Psiquiatria da Afya Itaperuna, há uma falsa ideia de que pequenas quantidades de álcool não oferecem risco, mas, para quem faz uso de medicações psiquiátricas, mesmo doses moderadas podem gerar interações importantes e imprevisíveis.

“O álcool pode intensificar os efeitos sedativos dos remédios e também interferir na forma como o organismo metaboliza essas substâncias, por isso não existe consumo inofensivo. Algumas medicações, especialmente as de tarja preta e que causam sonolência, podem interagir diretamente com o álcool, e o ideal é sempre conferir com o médico cada detalhe”.

Outro ponto importante é que o álcool, por si só, já atua como um depressor do sistema nervoso central, o que pode intensificar os riscos para quem faz uso de antidepressivos e outros medicamentos psiquiátricos. Segundo o Dr. Rodrigo, a bebida pode agravar o humor, aumentar a impulsividade e favorecer comportamentos perigosos, especialmente durante o Carnaval, quando são comuns privação de sono e desidratação. Ele alerta que a interação pode alterar diretamente a ação dos remédios.

“Algumas substâncias podem ter seu efeito diminuído, enquanto aquelas que causam sedação tendem a provocar ainda mais sonolência, comprometendo tanto o tratamento quanto a segurança do paciente”, enfatiza.

Além disso, o psiquiatra da Afya destaca que a combinação pode dificultar a percepção de sinais de alerta. Sintomas como tontura, náusea, confusão mental e sonolência intensa podem ser atribuídos apenas ao consumo de álcool, atrasando a busca por ajuda médica. Em casos mais graves, essa interação aumenta o risco de quedas, acidentes de trânsito, apagões de memória e até quadros de intoxicação.

A orientação dos especialistas é que pessoas que fazem uso contínuo de ansiolíticos ou antidepressivos devem evitar o consumo de álcool e, caso tenham dúvidas, conversar previamente com o médico responsável pelo tratamento.

“O Carnaval não deve ser visto como uma pausa nos cuidados com a saúde mental. Interromper a medicação por conta própria ou mistura-la com álcool pode trazer consequências sérias. É imprescindível que qualquer ajuste no tratamento seja feito com acompanhamento profissional”, alerta.

Sobre a Afya

A Afya é o maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil. Reúne 38 instituições de ensino superior, sendo 33 com cursos de Medicina, além de 25 unidades voltadas à pós-graduação e educação continuada em saúde. Com mais de 24 mil médicos formados em 25 anos, a Afya é referência em inovação digital, com soluções usadas por 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país. Pioneira na educação médica digital, foi a primeira do setor a abrir capital na Nasdaq e acumula importantes reconhecimentos nacionais por inovação e excelência educacional.

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Terceiro Setor

APAE promove encontro sobre o Janeiro Branco

O mês de janeiro simboliza um novo começo na APAE: um tempo de refletir, recomeçar e, principalmente, cuidar de si. Com esse propósito, a entidade promoveu um encontro com pais e responsáveis para dialogar sobre saúde mental, em consonância com a proposta do Janeiro Branco.

O evento, organizado pela Coordenação de Assistência da APAE, teve como objetivo sensibilizar pais e cuidadores sobre a importância de cuidar da mente, reconhecer sentimentos, respeitar limites, fortalecer vínculos e compreender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas de coragem. Ninguém precisa enfrentar seus desafios sozinho.

“Entendemos a necessidade de falar sobre saúde mental, quebrar silêncios, construir acolhimento e abrir caminhos para uma vida com mais equilíbrio, bem-estar e qualidade. Buscar apoio profissional, conversar com alguém de confiança e permitir-se ser cuidado faz toda a diferença”, destacou a coordenadora Andréia Gomes de Araújo.

O Janeiro Branco reforça que a saúde mental é tão importante quanto a saúde física e merece atenção, respeito e cuidado todos os dias. Ao final do encontro, houve um momento de confraternização, fortalecendo vínculos e celebrando a união entre os participantes.

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Saúde

Cerca de 13% dos idosos no Brasil apresentam sintomas de depressão

Especialistas analisam a condição e oferecem orientações de cuidado com a saúde mental na terceira idade

A saúde mental da população idosa brasileira tem se consolidado como um dos principais desafios da saúde pública. É o que indicam dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2024/2025 e do IBGE, que mostram que cerca de 13% dos idosos apresentam sintomas ou diagnóstico de depressão, com maior prevalência entre pessoas de 60 a 64 anos. Mesmo em idades mais avançadas, os percentuais permanecem acima de 10%, contrastando com taxas significativamente menores entre jovens adultos de 18 a 29 anos, que está em torno de 5,9%. Esses números superam a prevalência média de depressão no Brasil, estimada em aproximadamente 5,8% pela Organização Mundial da Saúde (OMS), reforçando a necessidade de atenção específica à saúde mental no envelhecimento.

Para a professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, Mariana Ramos, os dados reforçam a necessidade de um olhar mais atento e sensível para a saúde mental nesta fase da vida. “O envelhecimento ainda é cercado por estigmas, e muitos sintomas emocionais acabam sendo naturalizados como parte da idade, quando, na verdade, podem indicar quadros depressivos que precisam de acompanhamento psicológico”, explica.

Segundo a especialista, existe a ideia equivocada de que tristeza, apatia, isolamento ou falta de motivação fazem “parte da idade”, o que é perigoso, já que nem todo sofrimento emocional é consequência natural do envelhecer e, em muitos casos, esses sinais exigem atenção e cuidado profissional, especialmente quando envolvem tristeza persistente, apatia e perda de interesse pela vida social.

A psicóloga também afirma que a terapia ainda é muitas vezes um tabu para grande parte da população mais idosa. Ela explica que do ponto de vista psicossocial, isso está relacionado a modelos culturais internalizados ao longo da vida, nos quais a expressão emocional era inibida e o sofrimento psíquico era interpretado como fraqueza.

“Essas crenças influenciam padrões cognitivos rígidos, mediados por redes neurais consolidadas ao longo do desenvolvimento. No entanto, evidências mostram que intervenções psicoterapêuticas promovem mudanças neuroplásticas mesmo na velhice, fortalecendo circuitos de autorregulação emocional, consciência de si e enfrentamento adaptativo. Portanto, a psicoterapia é não apenas possível, mas altamente benéfica nessa etapa da vida.” explica Dra. Mariana. A especialista reforça, ainda, que vínculos sociais reduzem a solidão, fortalecem a autoestima e funcionam como fator protetivo contra a depressão.

O médico psiquiatra Rodrigo Schettino da Afya Itaperuna, complementa que a depressão no idoso não costuma vir tão frequentemente acompanhada de tristeza, e que  há um predomínio de falta de prazer e desinteresse nas atividades anteriormente realizadas, o que gera isolamento social.

“Muitas vezes, a depressão se manifesta por meio de sintomas físicos, como dores no corpo, alterações no sono ou falta de apetite. Esses sinais podem ser confundidos com doenças crônicas ou com o próprio processo de envelhecimento, atrasando o diagnóstico e o início do tratamento”, afirma Rodrigo.

O especialista explica que o diagnóstico de depressão é complexo e envolve a constatação de um conjunto de sinais e sintomas. “Muitas vezes a queixa principal do paciente é de dor, mas aprofundando em consulta conseguimos observar outros sintomas como alterações do apetite, do sono e do humor. Todo diagnóstico de depressão passa por uma etapa de exclusão de causas orgânicas, como hipotireoidismo e falta de vitamina B12, e situações induzidas por medicamentos ou drogas. O paciente pode, por exemplo, ter depressão e também ter uma outra doença que cause depressão”, detalha.

Cuidado integrado e individualizado

Para a professora de geriatria da Afya Vitória, Karoline Fiorotti, o cuidado com a saúde mental do idoso deve ser compreendido como parte essencial da promoção da autonomia e da qualidade de vida.

“A avaliação geriátrica deve sempre incluir o aspecto emocional, pois corpo e mente estão profundamente conectados. Transtornos de humor, por exemplo, estão associados a piores desfechos clínicos, menor adesão aos tratamentos, declínio cognitivo e perda da capacidade para as atividades da vida diária. Por isso a abordagem deve ser sempre integrada e individualizada, envolvendo uma equipe multiprofissional capaz de atuar de forma articulada em aspectos clínicos, farmacológicos, psicoterapêuticos, de reabilitação, atividade física e intervenções sociais e ambientais, conforme a necessidade de cada paciente”, enfatiza.

Para promover bem-estar emocional, autonomia e qualidade de vida, os especialistas reuniram seis orientações essenciais voltadas à prevenção, ao acompanhamento e ao fortalecimento da saúde mental dos idosos.

  1. Observar sinais emocionais e comportamentais como tristeza persistente, isolamento, alterações no sono, no apetite e perda de interesse por atividades antes prazerosas;
  2. Não naturalizar o sofrimento psíquico como parte normal do envelhecimento, buscando avaliação profissional sempre que houver mudanças no humor ou no comportamento;
  3. Estimular a convivência social e familiar, fator essencial para reduzir sentimentos de solidão e isolamento, considerados gatilhos importantes para a depressão;
  4. Manter acompanhamento regular com profissionais de saúde, incluindo médicos, psicólogos e psiquiatras, garantindo uma abordagem integral do cuidado;
  5. Valorizar atividades que promovam autonomia e propósito, como exercícios físicos, participação em grupos sociais e atividades cognitivas;
  6. Ampliar o acesso à informação e ao acolhimento, fortalecendo políticas públicas e ações de prevenção voltadas à saúde mental da população idosa.

Sobre a Afya

A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior, 33 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.753 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e 3.643 vagas de Medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br.

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Saúde

Uso de IA por jovens pode levar a dependência e solidão

Especialistas alertam para riscos ao lidar com situações reais de conflito; conheça os sinais de que a interação deixou de ser saudável

Por Ana Andrade, da Agência Einstein

Cada vez mais presentes no nosso dia a dia, as ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa — aquelas capazes de gerar conteúdos novos em texto, vídeo ou imagem — têm sido utilizadas para uma infinidade de propósitos, desde agilizar leituras acadêmicas até criar ilustrações. Contudo, o avanço dessa tecnologia também trouxe uma nova configuração para um problema de saúde pública global: a solidão. E isso é especialmente preocupante quando se trata de adolescentes.

Um estudo publicado no final de 2025 no periódico BMJ aponta que plataformas de IA como ChatGPT, Claude e Gemini têm sido cada vez mais usadas como confidentes, funcionando como um “porto seguro” emocional para muitos usuários, especialmente os jovens. Segundo a pesquisa, um terço dos adolescentes usa IA para interação social, e um em cada dez relatou que as conversas com o chatbot são mais satisfatórias do que as com humanos.

Existe a preocupação de que eles desenvolvam uma dependência emocional e passem a ver a IA como um “amigo”. Contudo, embora pareçam conscientes, esses sistemas carecem de capacidade real de empatia, cuidado e sintonia relacional humana. Portanto, se de um lado há uma certa democratização do cuidado em saúde mental por pessoas com dificuldade de acesso a serviços de saúde, do outro existe o potencial de agravamento do isolamento social. “Estamos o tempo todo com a possibilidade de nos conectar, só que essas conexões, inclusive com outros seres humanos via digital, muitas vezes são mais superficiais”, observa o médico psiquiatra Daniel de Paula Oliva, do Espaço Einstein Bem-estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita.

No Brasil, essa realidade pode ser ainda mais preocupante diante da falta de acesso a serviços de saúde mental. De acordo com uma pesquisa realizada pela Cisco, líder mundial em redes de segurança, em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o segundo país que mais usa IA generativa (51,6%), atrás apenas da Índia (66,4%). O levantamento ouviu mais de 14 mil pessoas de 14 países, sendo mais de mil brasileiros.

 

De ponte a barreira

O artigo do BMJ aponta que, embora a IA possa ajudar a reduzir sintomas de ansiedade e depressão em contextos controlados, seu uso pode levar a “relacionamentos quase-pessoais”, conforme escrevem os autores Susan C. Shelmerdine e Matthew M. Nour, médicos vinculados a instituições de saúde e pesquisa no Reino Unido. Isso ocorre porque a fluência da tecnologia induz o cérebro a humanizá-la.

O impacto em longo prazo no desenvolvimento dos jovens ainda é desconhecido, mas a publicação também alerta para um perigo específico: as IAs oferecem paciência infinita e dificilmente apresentam narrativas contrárias e desafiadoras, o que pode criar uma geração que não sabe lidar com conflitos naturais de interações humanas reais. “Com a inteligência artificial, muitas vezes, nem encontramos frustração. Ela vai alimentando os nossos desejos e tirando nossa capacidade de entender o outro, de se entender, de buscar algo em consonância ou de se afastar da pessoa, de construir outros laços, de ceder, exigir e aprender que esse é um ritmo da vida”, avalia o psiquiatra do Einstein.

A IA pode ser positiva se funcionar como um caminho para o cuidado real. “Ela tem o potencial de identificar sinais de que o indivíduo está em sofrimento psíquico e de ser uma ponte, como até o próprio artigo traz, para um cuidado efetivo, um convite para a pessoa repensar o tipo de relação com a máquina e com os seres humanos em volta dela, e buscar um cuidado de saúde mental”, analisa Oliva.

Daí por que debates sobre regulação e fortalecimento de redes de apoio presenciais são tão necessários. “Ofertar mais cuidados em saúde mental e grupos de troca dentro das comunidades pode ser um passo que ajude a trabalhar essa questão da solidão”, sugere o médico. A recomendação para familiares e profissionais de saúde é observar se o uso da tecnologia está gerando alienação, ou seja, se a interação com a máquina está substituindo o contato humano a ponto de o indivíduo perder as ferramentas de convívio social. Essa pode ser a hora de buscar ajuda profissional.

 

Sinais de alerta e dependência

 A transição do uso recreativo das inteligências artificiais para um padrão problemático pode ser marcada por sintomas semelhantes aos de outras dependências químicas ou comportamentais. Confira alguns dos principais sinais de alerta:

  • Abstinência digital: sentir ansiedade ao ficar longe de conexões de internet ou do chatbot;
  • Abandono da rotina: deixar de praticar atividades físicas, trabalhar ou estudar para manter a interação virtual;
  • Perda de funcionalidade social: dificuldade em lidar com as frustrações do dia a dia e com as complexidades de um relacionamento humano real, em que há divergências e necessidade de ceder;
  • Dificuldade para dormir ou “trocar o dia pela noite”;
  • Sentimentos como tristeza profunda ou isolamento total.

 

Fonte: Agência Einstein

 

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Saúde

Janeiro Branco reforça alerta permanente sobre saúde mental 

Especialista alerta que equilíbrio e autoconhecimento são chaves para a manutenção da saúde mental

Criada para estimular a reflexão sobre bem-estar emocional, a campanha Janeiro Branco chega a 2026 com 12 anos de atuação e reforça a necessidade de atenção permanente à saúde mental. Segundo a psicóloga e professora do curso de Psicologia da Una, Camila Fardin Grasseli, investir nesse cuidado é essencial para que as pessoas enfrentem as demandas cotidianas com equilíbrio e qualidade de vida.

Em um mundo marcado por rotinas aceleradas, múltiplas exigências profissionais e pessoais, além de um consumo crescente de informações, a saúde mental tem ganhado cada vez mais espaço no debate público. Nesse cenário, o Janeiro Branco surge como uma campanha que incentiva o autoconhecimento, a busca por acolhimento emocional e a adoção de práticas saudáveis que favoreçam o bem-estar.

De acordo com a professora Camila Fardin Grasseli, a saúde mental é entendida como “um estado de bem-estar em que o indivíduo é capaz de enfrentar as exigências da vida e conseguir trabalhar produtivamente. É um estado de equilíbrio entre mente, corpo e espírito, permitindo que a pessoa desenvolva suas habilidades e potencialidades, aproveite a vida com satisfação e possa lidar com as adversidades”.

Para alcançar esse equilíbrio, a especialista destaca a importância do olhar para si. Identificar gatilhos emocionais como raiva, tristeza, frustração e reconhecer padrões comportamentais nos momentos de desequilíbrio são passos fundamentais para fortalecer a autonomia emocional. “O conhecimento acumulado ao longo do tempo sobre si mesmo é o que nos conduz a ter mais ou menos equilíbrio e, consequentemente, mais qualidade de vida”, afirma.

Além do autoconhecimento, hábitos saudáveis desempenham papel determinante na manutenção da saúde emocional. Uma boa gestão do tempo, o cumprimento das tarefas diárias, a construção de relações afetivas de qualidade e o consumo de conteúdos que tragam leveza e informação útil são atitudes simples, mas que reforçam o bem-estar.

Camila alerta ainda que negligenciar esse cuidado pode trazer consequências significativas. “Se os pensamentos e emoções não estiverem sadios em nossa mente, podemos acarretar sérios problemas de saúde, que implicam em tratamentos longos e difíceis, como depressão e burnout”, pontua.

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Saúde

Como lidar com a pressão emocional de ter um “feliz” Natal e Ano Novo

Ao lado do discurso coletivo de celebração surgem luto, cansaço e autocrítica; entenda por que dezembro pesa e o que ajuda a atravessar esse período com mais leveza

Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein

O fim do ano costuma ser um momento de celebração, esperança e alegria. Para algumas pessoas, contudo, esse período é bem mais turbulento do que sugerem as mensagens de “Feliz Natal” e “Feliz Ano Novo”. Por isso é comum surgir o que os especialistas chamam de “síndrome de fim de ano”.

Esse conjunto de sentimentos aparece quando o calendário se aproxima de dezembro e envolve nostalgia, cansaço, frustração, esperança, autocobrança e, em alguns casos, dor por perdas recentes. “Todo ciclo que termina desperta balanços internos. Celebramos conquistas, mas também lembramos de frustrações, pendências e perdas”, comenta Bianca Batista Dalmaso, psicóloga sênior do Espaço Einstein Bem-Estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita.

Esse turbilhão emocional não é à toa. O fechamento de um ciclo costuma ativar memórias e comparações internas, com questionamentos sobre o que ficou para depois e o que gostaríamos de ter conquistado. Refletir sobre esses pontos em momentos de transição é algo natural. “A mistura de alegria, ansiedade e nostalgia é esperada e não significa que algo está errado”, diz Dalmaso.

Somado a isso, existe uma expectativa coletiva de felicidade. As festas são tratadas como um momento de alegria obrigatória, com encontros sociais variados e autocobrança. A psicóloga Ana Lúcia Karasin, também do Espaço Einstein Bem-Estar e Saúde Mental, destaca que muitas pessoas sentem que precisam “entrar no clima”, mesmo quando não estão emocionalmente disponíveis. “Um passo importante para evitar desconfortos nessas situações é reconhecer os próprios limites e recusar convites quando necessário”, orienta.

A pressão por corresponder ao clima festivo pode gerar culpa ou inadequação. “Saúde emocional não significa estar alegre o tempo todo, mas saber reconhecer e respeitar o que se sente”, afirma Bianca Dalmaso. Se você não está bem, tenha uma comunicação honesta com familiares e amigos. Falas como “Este ano estou mais quieto, preciso de um tempo” ou “Quero estar com vocês, mas talvez eu participe só um pouquinho” podem ajudar.

Luto nas festas

Para quem vive um processo de luto recente, o fim de ano pode ser ainda mais desafiador. As festividades tendem a reativar lembranças e intensificar a ausência, podendo desencadear sentimentos de tristeza. Permitir-se sentir tudo isso sem culpa, criar rituais próprios e aceitar apoio emocional são estratégias importantes que ajudam a atravessar o momento de maneira mais leve. “O vazio nessa época do ano fica mais evidente. Estar ao lado de quem acolhe ajuda muito”, assegura a psicóloga sênior.

A pressão para corresponder ao “Feliz Natal” e “Feliz Ano Novo” também pode gerar sensação de inadequação, como se houvesse uma forma correta de se sentir em dezembro e como se fosse errado não estar feliz nesse período. Mas nossas emoções não seguem o calendário e tentar demonstrar felicidade só para agradar aos outros pode levar ao esgotamento emocional e piorar a situação.

Nas redes sociais, essa cobrança fica ainda mais evidente. Fotos de famílias perfeitas, reunidas e felizes, ceias exuberantes, viagens maravilhosas e retrospectivas ampliam as comparações e aumentam o sentimento de culpa. “As redes sociais mostram quase sempre só os pontos altos, e isso distorce a percepção sobre a própria vida. A realidade nunca é tão perfeita quanto o que aparece na tela”, observa Karasin.

Autocobrança

Outra fonte frequente de sofrimento é a sensação de que “o ano acabou e não fiz o suficiente”. A autocrítica cresce, porque a virada do ano marca simbolicamente o tempo que passou. Para lidar com isso, troque o balanço punitivo por um olhar mais reflexivo, reduzindo a cobrança e lembrando que ninguém performa em alto nível o ano inteiro.

Também vale refletir sobre pontos positivos do ano. “Em vez de perguntar ‘o que não fiz?’, tente se perguntar: ‘do que me orgulho?’, ‘onde fui resiliente?’ ou ‘qual foi a minha maior vitória invisível?’”. Celebrar pequenas conquistas, valorizar aprendizagens e ajustar expectativas pode aliviar a frustração.

Também vale se atentar se você está se cobrando além da conta. Pensamentos persistentes de inadequação, dificuldade em se desconectar, perda de prazer em atividades habituais, ansiedade frequente ou sensação constante de que nada é suficiente são indícios.

Tristeza prolongada, isolamento e falta de energia também merecem atenção. Nesses casos, buscar apoio psicológico é fundamental e pode fazer a diferença no ano que vai começar. “Cada pessoa atravessa dezembro do seu próprio jeito e tudo bem se, neste ano, o sentimento predominante não for de alegria”, conclui Ana Lúcia Karasin.

Fonte: Agência Einstein

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Saúde

Como não “pifar” antes do Natal: um guia de sobrevivência baseado em dados

Autor: Virgilio Marques dos Santos, sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria

 

Você já viu o que acontece com o seu celular quando a bateria chega em 10%? A tela fica mais escura. Os aplicativos param de atualizar em segundo plano. Ele entra no “modo de economia de energia”. Ele faz isso para não desligar na sua cara.

Nós, seres humanos, deveríamos ser inteligentes igual aos celulares. Mas fazemos o contrário. Chegamos em dezembro com a bateria em 10%, mas tentamos aumentar o brilho da tela e abrir 50 aplicativos ao mesmo tempo.

O resultado? Tem nome. A Organização Mundial da Saúde (OMS) chama de burnout, mas eu prefiro chamar de “falha geral do sistema”. Segundo dados da International Stress Management Association (ISMA-BR), o Brasil é o segundo país com mais casos de burnout no mundo (30% dos trabalhadores sofrem disso). E, em dezembro, esse risco dispara. Como chegar no dia 31 sem precisar de um reboque? Aqui está o manual de engenharia para o seu corpo:

  1. Ligue o “modo de economia de energia”

Não tente ser herói em dezembro. Seu cérebro tem um limite de decisões que consegue tomar por dia. A tática: Escolha as 3 coisas que realmente precisam ser entregues para a empresa não parar. O resto? Empurre para janeiro. Existe uma regra matemática chamada princípio de pareto: 20% do que você faz gera 80% do resultado. Foque nesses 20%. O resto é barulho.

  1. O mito do “vou descansar nas férias”

Muita gente pensa: “Vou me matar de trabalhar agora, porque dia 20 eu entro de férias”. Isso é um erro biológico. Se você acelerar o carro a 200km/h até o muro, quando frear, o impacto vai te machucar. O corpo cobra a conta. Muitos profissionais ficam doentes exatamente na primeira semana de férias (o chamado “lazer sickness”). A tática: desacelere antes de parar. Comece a reduzir o ritmo agora. Durma 7 horas hoje, não nas férias.

  1. Feito é melhor que perfeito

O perfeccionismo é o pai do burnout. Em final de ano, com prazos apertados e gente saindo de recesso, buscar a perfeição é suicídio. A tática: entregue o “bom o suficiente”. Se o relatório precisa estar compreensível, ele não precisa estar lindo. Se o e-mail precisa passar a mensagem, ele não precisa ser uma obra de arte. Baixe a régua para salvar sua saúde mental.

  1. Diga “não” para a agenda dos outros

Dezembro é o mês dos “convites urgentes”. É o happy hour da firma, o amigo secreto, a reunião de alinhamento para 2026. Se você disser “sim” para tudo, vai dizer “não” para o seu sono. A tática: seja educado, mas firme. “Agradeço o convite, mas estou focado em fechar as entregas do ano.”

Resumo da ópera: o ano não vai acabar se você não responder aquele e-mail hoje. Mas você pode acabar se não se cuidar. Uma máquina quebrada não produz nada. Cuide da manutenção da sua.

Virgilio Marques dos Santos é um dos fundadores da FM2S, gestor de carreiras, PhD, doutor, mestre e graduado em Engenharia Mecânica pela Unicamp e Master Black Belt pela mesma Universidade. Autor do livro “Partiu Carreira”, TEDx Speaker, foi professor dos cursos de Black Belt, Green Belt e especialização em Gestão e Estratégia de Empresas da Unicamp, assim como de outras universidades e cursos de pós-graduação. Atuou como gerente de processos e melhoria em empresa de bebidas e foi um dos idealizadores do Desafio Unicamp de Inovação Tecnológica.

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Saúde

Expressões faciais podem revelar tendência à depressão

Pesquisa mostra que pessoas com sintomas leves de humor apresentam menos expressividade facial, o que pode ajudar na detecção precoce da doença

Por Thais Szegö, da Agência Einstein

O sofrimento psíquico pode deixar marcas visíveis no rosto, e essas mudanças sutis na forma de se expressar podem ajudar a identificar o risco de depressão. Essa é a conclusão de um estudo realizado na Universidade de Waseda, no Japão, publicado recentemente na revista Nature Scientific Reports.

Os pesquisadores analisaram 64 universitários japoneses, com idade média de 21 anos. Outro grupo, formado por 63 avaliadores da mesma faixa etária, foi recrutado para observar os participantes. Todos responderam a um questionário de sintomas depressivos e foram divididos em dois grupos: indivíduos saudáveis e aqueles com transtorno leve de humor, também chamado de depressão limítrofe.

Os voluntários que seriam analisados gravaram vídeos curtos, de cerca de 10 segundos, apresentando-se diante da câmera. Os avaliadores assistiram a esse material sem áudio e atribuíram notas subjetivas, indicando se a pessoa parecia amigável, natural, simpática, nervosa ou falsa, entre outras impressões. Paralelamente, aplicaram um sistema de análise automatizada de expressões faciais, baseado em inteligência artificial, para identificar movimentos musculares sutis.

Os resultados mostraram que participantes com tendência depressiva exibiam redução nas expressões faciais positivas, ou seja, eram percebidos como menos expressivos, naturais e agradáveis. As análises de vídeo também confirmaram alterações em músculos ligados ao sorriso e ao olhar, frequentemente associados à perda de vitalidade emocional.

“O artigo é muito interessante porque tenta oferecer mais uma ferramenta para que a gente possa fazer um diagnóstico precoce, evitando a evolução do quadro. Mas é um método difícil de ser aplicado por enquanto, pois poucos lugares têm essa tecnologia”, avalia o psiquiatra Ricardo Feldman, do Einstein Hospital Israelita. 

Estudo nacional

Assim como o trabalho japonês, a psiquiatra Jennyfer Domingues, pesquisadora na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista, também investiga como a comunicação verbal e não verbal pode revelar sinais de sofrimento emocional e risco suicida. “Nosso foco é justamente treinar profissionais de saúde para reconhecer esses sinais sutis que, muitas vezes, aparecem antes da fala direta sobre a questão”, diz.

Segundo a pesquisadora, essas alterações não representam, isoladamente, um diagnóstico de depressão, mas funcionam como sinais de alerta. “Na prática clínica é possível perceber que os pacientes em sofrimento perdem o brilho no olhar, falam com voz mais monótona e demonstram menos energia facial, mesmo que não relatem tristeza”, detalha. “São sinais que merecem atenção, especialmente quando observados junto a outros sintomas, como perda de prazer, dificuldade de sono e desesperança”, explica.

Feldman reitera que a observação das expressões deve ser vista como parte de uma avaliação integral. “A análise das expressões faciais é um complemento para outros itens indispensáveis no diagnóstico da doença, como a anamnese e os exames físicos, psíquicos e complementares quando necessário”, frisa.

Além da aplicação clínica, a pesquisa reforça a importância da atenção humana aos sintomas depressivos.

“Esse estudo destaca outro ponto muito importante: que devemos olhar mais um para o outro, ficarmos mais atentos a expressões faciais, tom de voz e linguagem não verbal, além de nos preocuparmos com as outras pessoas, perguntando se está tudo bem e se precisa de alguma ajuda, por exemplo. Assim melhoramos as relações e podemos conseguir notar sinais de que algo não vai bem”, conclui o médico do Einstein.

Fonte: Agência Einstein

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Saúde

Luto persistente afeta a saúde mental e eleva o risco de mortalidade

Sintomas intensos e duradouros de luto podem gerar adoecimento, maior uso de serviços de saúde e durar anos se não for tratado

Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein

A morte de uma pessoa querida é uma das experiências mais dolorosas que alguém pode enfrentar. A tendência é de que a dor vá diminuindo com o tempo, mas nem sempre é assim: para uma parcela dos enlutados, o sofrimento intenso se instala e se mantém, podendo afetar a saúde física e mental.

Durante dez anos, pesquisadores da Dinamarca acompanharam 1.735 pessoas enlutadas e concluíram que familiares que apresentam níveis elevados e persistentes de sintomas de luto (como tristeza intensa, dificuldade de aceitar a perda e sensação de vazio) usam mais os serviços de saúde e têm risco de morte aumentado por até uma década após a perda do familiar. Os resultados foram publicados no último dia 30 de outubro na revista Frontiers in Public Health.

Os pesquisadores avaliaram os participantes em três momentos: antes da perda, seis meses depois e três anos após o falecimento. Com base nas respostas, identificaram cinco “roteiros” de luto. O mais preocupante, chamado de trajetória de alto luto, reuniu 6% dos familiares, um grupo pequeno dentro do total, mas considerado clinicamente vulnerável, pois manteve níveis elevados de sofrimento por todo o período analisado. Já o grupo de baixo luto, usado como referência, apresentou sintomas leves e estáveis.

Os pesquisadores também analisaram quatro desfechos principais: contatos com a atenção primária, uso de serviços de saúde mental, prescrição de medicamentos psicotrópicos (como antidepressivos e ansiolíticos) e mortalidade. Os resultados apontam que quanto mais intenso e duradouro o luto, maior o impacto sobre a saúde dos familiares.

Embora esse seja um processo natural, pode se tornar patológico quando há sofrimento intenso e duradouro.

“Situações mais graves de luto podem elevar o risco para o adoecimento mental, como depressão e transtornos ansiosos”, explica o psiquiatra Elton Kanomata, do Einstein Hospital Israelita. Quadros de luto patológico estão associados a alterações de estilo de vida, como sedentarismo, aumento do uso de álcool e tabaco, distúrbios do sono e menor adesão a tratamentos médicos.

Mas nem todo caso exige tratamento. Segundo Kanomata, o transtorno de luto prolongado é caracterizado por sofrimento que persiste por mais de um ano após a perda, comprometendo a funcionalidade e a qualidade de vida.

“Esse diagnóstico foi incluído na revisão mais recente do manual psiquiátrico americano, o DSM-5. Ele descreve um conjunto de sintomas emocionais e comportamentais clinicamente significativos, que diferem do luto esperado e exigem acompanhamento profissional”, diz o psiquiatra.

Luto persistente e uso maior do sistema de saúde

O estudo aponta que os familiares com luto persistente tiveram até 17% mais consultas anuais com clínicos gerais e usaram mais medicamentos antidepressivos, sedativos e ansiolíticos do que os enlutados com sintomas leves. Eles também buscaram mais atendimento psicológico e psiquiátrico ao longo dos anos.

Além disso, a mortalidade foi mais alta entre os familiares com luto persistente. No total, cerca de 11% dos participantes morreram entre três e dez anos após a perda, sendo que os familiares do grupo de alto luto concentrou o maior risco de morrer no período. “De fato, pessoas com transtornos mentais acabam utilizando mais o sistema de saúde. Isso ocorre porque elas têm maior risco para o adoecimento físico e menor expectativa de vida. É um ciclo que precisa ser quebrado com acompanhamento adequado”, analisa Kanomata.

Os pesquisadores sugerem que o impacto do luto persistente na saúde pode estar ligado a mecanismos biológicos, como o estresse crônico e a inflamação. O eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável por regular a resposta ao estresse, desempenha papel importante nesse processo. “Esse eixo ajuda o corpo a reagir a situações estressoras. Mas quando o estresse se torna crônico, o organismo mantém níveis elevados de cortisol, gerando um estado pró-inflamatório que pode afetar diversos sistemas, inclusive o cardiovascular e o imunológico”, ressalta o psiquiatra.

A pesquisa também mostra que alguns familiares já apresentavam maior uso de serviços de saúde e medicamentos antes da morte vivenciada, indicando vulnerabilidade pré-existente e possibilidade de intervir antes de o problema se instalar. “A impossibilidade de realizar rituais funerários, algo que se tornou comum durante a pandemia de Covid-19, por exemplo, também pode aumentar o risco do luto patológico. E embora alguns estudos indiquem prevalência um pouco maior em mulheres, a diferença entre os sexos nem sempre é estatisticamente significativa”, observa o especialista.

Daí a importância de identificar precocemente esses fatores de risco. Para os autores, profissionais de saúde que acompanham pacientes com doenças graves, por exemplo, poderiam avaliar o nível de sofrimento dos familiares e oferecer suporte psicológico antes mesmo da perda. Além disso, quando o luto se transforma em uma condição crônica, o tratamento deve ser contínuo e multidisciplinar.

“O uso de antidepressivos e ansiolíticos pode ser indicado, mas a melhora não é imediata. É um processo que pode levar meses ou anos, dependendo da gravidade e complexidade de cada caso”, relata Kanomata. A psicoterapia também tem papel central nesse cuidado e, em alguns casos, pode ser considerada o tratamento de primeira escolha.

Fonte: Agência Einstein

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Saúde

OpenAI divulga dados sobre usuários com sinais de psicose ou pensamentos suicidas

Estimativas indicam que 0,07% dos usuários do ChatGPT apresentam sinais de emergência em saúde mental; empresa reforça respostas empáticas e encaminhamento a especialistas

A OpenAI revelou que uma pequena parcela de usuários do ChatGPT apresenta sinais de emergência em saúde mental, como mania, psicose ou pensamentos suicidas. Em uma semana, cerca de 0,07% dos usuários ativos mostraram esses sinais, enquanto 0,15% tiveram conversas que indicam possível planejamento ou intenção de suicídio.

Especialistas alertam que, apesar de ser uma porcentagem baixa, com 800 milhões de usuários semanais isso pode representar centenas de milhares de pessoas.

Para lidar com esses casos, a OpenAI formou uma rede global com mais de 170 psiquiatras, psicólogos e médicos de atenção primária em 60 países. A empresa treinou o ChatGPT para responder de forma empática a sinais de delírio ou mania e redirecionar conversas sensíveis para modelos mais seguros, incentivando o usuário a buscar ajuda no mundo real.

Esses dados surgem em meio a processos judiciais de destaque, incluindo um caso de homicídio culposo movido pelos pais de um adolescente que teria sido influenciado pelo ChatGPT a cometer suicídio, além de outros casos envolvendo delírios e homicídios relacionados ao chatbot.

Professores e especialistas alertam que os chatbots podem criar a ilusão da realidade. Embora a OpenAI tenha avançado em medidas de segurança, usuários com vulnerabilidades em saúde mental ainda enfrentam riscos.

Fonte: Reuters, BBC, The News

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