Economia
BC suspende seis instituições financeiras em mega-ataque hacker

O golpe, considerado o maior ataque cibernético do sistema financeiro brasileiro, mobiliza a Polícia Civil de São Paulo e a Polícia Federal, enquanto as empresas afetadas negam envolvimento direto
O Banco Central (BC) suspendeu preventivamente seis instituições financeiras que, segundo investigações, teriam recebido parte dos R$ 541 milhões desviados em um ataque hacker à BMP Money Plus. Este é considerado o maior ataque cibernético já registrado no sistema financeiro brasileiro e está sendo investigado pela Polícia Civil de São Paulo e pela Polícia Federal.
Na última sexta-feira, dia 4, o BC confirmou a suspensão de mais três instituições – Voluti Gestão Financeira, Brasil Cash e S3 Bank – que se juntam a outras três já com operações limitadas: Transfeera, Nuoro Pay e Soffy. As suspensões têm validade de 60 dias, podendo ser prorrogadas ou encerradas conforme o andamento das investigações.
O Banco Central explicou que a medida visa preservar a integridade do sistema de pagamentos, podendo suspender a qualquer momento a participação de instituições no Pix “cuja conduta coloque em risco o funcionamento do sistema”.
Empresas se Defendem
As fintechs envolvidas negam participação direta no golpe. A Transfeera informou que apenas seus serviços via Pix foram suspensos e que as demais operações continuam normalmente, afirmando não ter sido alvo do ataque e estar colaborando com as investigações. A Nuoro Pay também emitiu nota, afirmando cumprir as normas do BC e manter diálogo com as autoridades. A Soffy, apontada como destinatária de aproximadamente R$ 270 milhões desviados, ainda não se manifestou.
Detalhes do Golpe
O ataque hacker utilizou um esquema de “Supply Chain”, onde criminosos se infiltram em empresas intermediárias de dados sensíveis entre instituições financeiras. O alvo foi a C&M Software, responsável pela comunicação entre bancos e o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), incluindo o Pix.
A Polícia Civil de São Paulo revelou que o golpe envolveu João Nazareno Roque, de 48 anos, funcionário da C&M, que confessou ter permitido o acesso ao sistema da empresa de seu próprio computador em troca de R$ 15 mil. Ele foi preso em 3 de julho. Embora relatórios iniciais estimem que o golpe tenha movimentado entre R$ 1 bilhão e R$ 3 bilhões, o prejuízo confirmado até o momento é o da BMP, de R$ 541 milhões.
Outras Instituições Atingidas
Além da BMP, outras instituições financeiras como Banco Paulista, Credsystem e Banco Carrefour admitiram ter sido impactadas. Há suspeitas de que 79 pessoas tenham recebido parte do dinheiro desviado, sendo que quatro delas teriam se beneficiado com mais de R$ 100 milhões cada. As investigações prosseguem para determinar a extensão total do prejuízo e a possível atuação de uma rede criminosa especializada.



