ORTOPEDIA

Saúde

Movimentos da infância podem reduzir dor lombar crônica, aponta pesquisa

Estudo mostra que exercícios simples e progressivos melhoram equilíbrio, confiança corporal e funcionalidade, mesmo sem eliminar totalmente a dor

Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein

Movimentos aprendidos na infância, como rolar, engatinhar e agachar, podem ser úteis na idade adulta para aliviar a dor lombar crônica. É o que aponta um estudo da Universidade do Sul da Austrália, publicado em novembro na revista Musculoskeletal Science and Practice.

A dor lombar é uma das queixas mais comuns em todo o mundo e está entre os principais problemas de saúde pública globais. Persistente, incapacitante e muitas vezes difícil de tratar, ela impacta diretamente a qualidade de vida, a produtividade e o bem-estar emocional de milhões de pessoas. “Cerca de 80% da população vai apresentar pelo menos um episódio significativo de dor lombar ao longo da vida. Em números absolutos, estamos falando de algo em torno de 500 milhões de pessoas afetadas mundialmente”, afirma o ortopedista e cirurgião da coluna Luciano Miller, do Einstein Hospital Israelita.

A pesquisa australiana avaliou os benefícios do programa Motum, desenvolvido por fisioterapeutas e baseado no reaprendizado progressivo de padrões fundamentais de movimento. O método foi estruturado em aulas semanais presenciais, com progressão gradual de movimentos no solo para posições mais complexas em pé, além de educação sobre dor e controle motor.

O medo de sentir dor ao se mover, conhecido como cinesiofobia, é um dos principais fatores associados à cronificação da dor lombar. O trabalho foi realizado ao longo de 12 semanas e envolveu 32 adultos com dor lombar crônica não específica, condição que responde por até 90% dos casos de dor lombar. Ao final do período, a aceitação do programa foi considerada alta pelos participantes.

Em comparação com o grupo controle, os indivíduos que receberam a intervenção tiveram um efeito considerado grande na redução do medo do movimento, além de melhora significativa no equilíbrio. Também foram observados impactos positivos sobre a dor, a funcionalidade e a autoconfiança para realizar atividades do dia a dia.

Para Miller, os achados do estudo têm aplicação direta na prática clínica. “O medo de se movimentar é um dos principais fatores que atrapalham o tratamento da dor lombar crônica. Quando o paciente sente dor, passa a evitar o movimento, perde força muscular, deixa de confiar no próprio corpo e, com isso, acaba sentindo ainda mais dor”, explica. “Ao aprender que é possível se mover com segurança, mesmo sentindo algum desconforto, o paciente deixa de ser refém da dor. A redução desse medo melhora a confiança, a autonomia e a função motora, com impacto direto na qualidade de vida e menor risco de cronificação da doença.”

Fatores de risco e causas

Embora a dor lombar possa atingir qualquer pessoa, em qualquer fase da vida, há maior incidência entre adultos jovens e de meia-idade, especialmente aqueles que realizam esforço físico repetitivo ou passam longos períodos sentados. Tabagismo, sobrepeso e estresse crônico também são fatores importantes. “Além disso, a dor lombar é uma das principais causas de afastamento do trabalho em pessoas com menos de 60 anos”, relata o ortopedista.

A maior parte dos casos é classificada como dor lombar não específica, quando não existe uma causa estrutural evidente nos exames de imagem. “Essa nomenclatura deixa claro que a dor não está ligada a problemas como hérnia de disco, compressão de nervos, infecções, fraturas ou tumores. Trata-se de uma dor real, muitas vezes incapacitante, mas que não depende de uma lesão visível”, explica Luciano Miller. Nesses casos, a origem da dor normalmente envolve uma combinação de fatores, como alterações biomecânicas, sobrecarga muscular, estresse e sono de má qualidade.

O uso de medicamentos pode ser útil em fases agudas, mas eles não tratam a causa do problema. Analgésicos e anti-inflamatórios devem ser usados com cautela e por períodos curtos. “Hoje sabemos, com forte respaldo científico, que o movimento orientado, associado à educação sobre dor, é a base do tratamento”, resume o médico do Einstein.

Abordagens como o programa Motum são relevantes por enxergarem o corpo como um sistema em movimento, e não apenas uma estrutura que dói. “Eles ensinam o paciente a se mover melhor, com mais controle, consciência corporal e progressão segura. Enquanto a abordagem focada apenas em analgesia tenta ‘calar’ a dor, o movimento progressivo ajuda o paciente a lidar com o corpo real que tem, recuperando função, autonomia e confiança”, conclui Miller.

Fonte: Agência Einstein

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Saúde

Dor ortopédica e infiltração: a importância do diagnóstico correto

A avaliação e indicação da infiltração deve ser feita por um médico ortopedista, que identificará a causa da dor, solicitando exames complementares, sempre que necessário

As infiltrações são procedimentos amplamente utilizados na ortopedia para aliviar dores e inflamações em articulações sobrecarregadas ou lesionadas. Elas consistem na aplicação de medicamentos diretamente no local afetado, tais como corticoides, anestésicos ou substâncias regenerativas, como o ácido hialurônico ou o plasma rico em plaquetas (PRP).

Segundo o Dr. Fábio Elói, cirurgião de quadril, especialista em ortopedia e traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), Oncologista Ortopedista pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO) e Membro da Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), as infiltrações são frequentemente utilizadas em situações como artrose, condromalácia patelar ou lesões degenerativas no menisco.

“Quando bem indicadas, podem reduzir a dor e a inflamação, melhorar a mobilidade e permitir o retorno às atividades cotidianas. Nas articulações do quadril, podem proporcionar alívio em áreas profundas e de difícil acesso, como casos de bursites, tendinites ou artrose”.

A importância do diagnóstico

“As aplicações podem oferecer melhora significativa na qualidade de vida. No entanto, é importante lembrar que o alívio da dor não significa que o problema foi resolvido. As infiltrações, se utilizadas sem diagnóstico preciso, podem mascarar lesões estruturais ou processos degenerativos que continuam evoluindo silenciosamente”, explica o Dr. Fábio.

A avaliação e indicação da infiltração deve ser feita por um médico ortopedista, que identificará a causa da dor, solicitando exames complementares, sempre que necessário. Com a confirmação do diagnóstico, será possível definir o tipo de substância mais adequada e realizar o procedimento de forma segura.

Riscos e segurança no tratamento

O uso repetido e prolongado de infiltrações, especialmente com corticoides, pode trazer riscos relevantes quando a causa da dor não é tratada adequadamente.

No caso do quadril, alerta o especialista, a infiltração pode aliviar temporariamente a dor causada por uma artrose inicial ou uma necrose da cabeça do fêmur, mas se o problema estrutural continuar evoluindo sem diagnóstico e acompanhamento, há risco de aceleração da degeneração articular, fragilidade óssea e dificuldade crescente no tratamento definitivo.

“Adiar o tratamento, mantendo o controle da dor com seguidas infiltrações pode agravar o problema, exigindo cirurgias mais complexas e maior tempo de recuperação”.

Por este motivo, o procedimento deve ser realizado após criteriosa avaliação, dentro de um plano terapêutico que inclua medidas de reabilitação, fortalecimento muscular e correção de fatores mecânicos, com acompanhamento médico regular.

As infiltrações representam uma ferramenta valiosa no controle da dor ortopédica, mas devem ser utilizadas com precisão, cautela e foco na causa real da dor e não apenas no sintoma.

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Saúde

Por que cuidar dos pés é essencial para o bem-estar do corpo todo

Os pés sustentam o peso durante o dia todo; qualquer desajuste nessa base pode comprometer a postura e gerar dores em outras articulações, como joelhos e quadris

Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein

Quando pensamos em cuidados com a saúde, logo vêm à mente um check-up que pode incluir uma consulta com um clínico geral e uma série de exames de sangue, de imagem, exames de vista e até mesmo testes de esteira. Mas os pés, que diariamente sustentam todo o peso do nosso corpo, costumam ser deixados de lado. O problema é que essa negligência pode trazer consequências, afetando outras articulações, como joelhos, quadris e coluna.

Cada pé abriga uma estrutura complexa: são 26 ossos, 33 articulações e cerca de 20 músculos intrínsecos (ficam dentro do pé e controlam os movimentos mais finos), além de diversos músculos extrínsecos (que têm origem fora do pé, mas que se inserem no pé para movimentá-lo e sustentá-lo).

O sistema de arco dos pés funciona como um amortecedor natural e uma mola. Quando está funcionando corretamente, seus arcos se comprimem levemente ao impactar o chão, absorvendo a força, e depois se expandem para ajudar a impulsioná-lo à frente. Seus dedos também desempenham um papel crucial, fornecendo equilíbrio, aderência e o impulso final a cada passo.

“Mais de 25% dos ossos do corpo humano estão nos pés, que formam três arcos: medial, lateral e transverso. Eles são responsáveis por amortecer impactos e transmitir a força necessária para a locomoção”, explicou o fisioterapeuta Felipe Cassiano Campos, do Espaço Einstein Esporte e Reabilitação, do Einstein Hospital Israelita. Caminhar, correr ou simplesmente permanecer em pé depende da saúde dos pés. “Qualquer desajuste nessa base pode comprometer a postura e gerar dores em outras articulações, como joelhos e quadris”, disse.

Segundo Campos, manter os pés saudáveis está diretamente relacionado à mobilidade e estabilidade do corpo todo. Isso vale não apenas para as atividades do dia a dia, como caminhar ou correr, mas também para a prática de exercícios. “Quando trabalhamos a mobilidade dos pés, conseguimos melhorar a amplitude de movimento e tornar exercícios como agachamentos mais fáceis, além de favorecer atividades que exigem força e equilíbrio, como correr, saltar ou ficar na ponta dos pés”, explicou.

Apesar da importância dos pés, muitas pessoas só procuram ajuda quando sentem dor – e isso pode ser um erro. “Muitas disfunções começam de forma silenciosa. Um pé saudável garante bom equilíbrio, distribuição correta do peso e postura adequada para todo o corpo. Muitas vezes, a pessoa já está compensando um desequilíbrio sem perceber. Cuidar preventivamente é sempre o melhor caminho para evitar complicações futuras”, disse José Edson França da Silva Junior, também fisioterapeuta do Espaço Einstein Esporte e Reabilitação.

Segundo ele, uma simples inspeção visual e exercícios específicos podem evitar problemas como calos, deformidades e até entorses. Observar o desgaste natural dos calçados e prestar atenção a dores que surgem no início ou no fim do dia também ajuda a identificar alterações precocemente.

Os problemas mais comuns

Segundo os especialistas, manter os pés saudáveis não significa apenas evitar incômodos locais. O impacto vai muito além.

“Quando ocorre um excesso de pronação [movimento do pé para dentro] ou de supinação [movimento do pé para fora], por exemplo, o joelho acompanha essa alteração, o que pode levar a sobrecarga articular e aumentar o risco de lesões”, disse Silva Junior.

Nos quadris e na coluna, as compensações posturais podem resultar em lombalgia e dores pélvicas. Alterações na pisada também podem repercutir nos quadris e na coluna, aumentando o risco de lombalgia, dores pélvicas e incômodos na lateral do quadril. “Evidências mostram que desequilíbrios nos arcos plantares geram compensações posturais que afetam toda a cadeia musculoesquelética”, disse Silva Junior.

Os problemas mais comuns vão desde inflamações, como a fasciopatia plantar, até alterações estruturais, como o hálux valgo (joanete), além de tendinopatias, pé plano (arco caído) ou pé cavo (arco muito alto). “Essas condições, muitas vezes, são resultados de sobrecarga, uso inadequado de calçados ou até de fatores genéticos. Quando o pé não funciona bem, o corpo compensa, e isso pode gerar dores em cadeia: primeiro no joelho, depois no quadril e até na coluna lombar”, alertou Silva Junior.

Segundo Campos, há sinais importantes que merecem atenção, mesmo na ausência de dor. Entre eles, desalinhamentos visíveis, como dedos deformados ou calos incomuns, instabilidade ao caminhar, tropeços frequentes ou alterações na forma de pisar. “Mudanças na sensibilidade, como dormência ou frio excessivo, também são sinais de alerta. Mesmo sem dor, é preciso investigar, porque algo na estrutura dos pés pode estar comprometido”, disse.

Boa parte desses problemas está associada a escolhas inadequadas de calçados. Saltos altos, bicos finos e sapatos sem suporte adequado podem levar a tendinites, joanetes e fascite plantar. Observar o desgaste dos calçados também é fundamental.

Estudos recentes mostram que o conforto é o principal critério na escolha do calçado, seguido de um amortecimento eficaz e liberdade para os dedos se moverem. “O tipo de tênis também deve estar relacionado à atividade: para corridas, modelos mais leves e responsivos tendem a favorecer o desempenho; para a academia, são preferíveis calçados que ofereçam boa estabilidade”, orientou Silva Junior.

Fortalecendo os pés em casa

Alguns testes fáceis, associados a pequenos cuidados que podem ser incorporados no dia a dia, ajudam a identificar possíveis limitações – mas vale ressaltar, que nenhum deles substituem uma avaliação profissional. São eles:

  • Teste de abertura dos dedos: afaste/abra os dedos dos pés (músculos intrínsecos/profundos) repetidamente. “Dificuldade nesse movimento pode indicar rigidez na musculatura ou falha neuromuscular”, disse Ferreira.
  • Avaliação do controle do arco: apoie o pé, erga-se sobre os dedos e observe se o arco medial se mantém. “Avalie se o arco se eleva e fica mais evidente ao levantar o peso”, disse Silva Junior. Se ele não se elevar adequadamente, pode indicar alguma disfunção.
  • Elevação de panturrilha: levantar-se e equilibrar-se na ponta dos pés, com um ou ambos os pés. “Dificuldade pode indicar fraqueza nos músculos da panturrilha ou tendão de Aquiles encurtado”, disse a médica.
  • Teste de pisada no espelho: umedeça o pé, apoie no papel e verifique o tipo de arco (plano, médio, cavo) e observe se há sinais de sobrecarga ou dor. Um arco normal costuma mostrar uma curva interna parcial e, em geral, não há motivo para preocupação. Se quase toda a sola do pé aparece, pode indicar pé plano – atenção se houver dor ou instabilidade. Se apenas uma faixa estreita aparece, pode indicar pé cavo, o que aumenta o risco de sobrecarga.

“Esses testes ajudam a perceber falhas motoras ou posturais, ainda que sutis”, alertou o fisioterapeuta do Espaço Einstein. Além disso, realizar exercícios de fortalecimento e mobilidade é altamente recomendado para pessoas de todas as idades. Entre alguns eficazes, estão:

  • Inclinação para a frente: apoiar as mãos na parede, colocar uma perna à frente e outra atrás esticada, mantendo o calcanhar no chão. Ajuda a ativar os músculos dos pés e melhorar a estabilidade, além de alongar o tendão de Aquiles e a panturrilha.
  • “Foot short” (pé curto): sem levantar o calcanhar, puxar delicadamente os dedos em direção ao calcanhar, “encurtando” o arco. Fortalece músculos intrínsecos.
  • Flexão plantar com apoio: apoiar as mãos na parede, subir lentamente na ponta dos pés e descer de forma controlada. Fortalece a panturrilha e melhora a estabilidade do tornozelo.
  • Equilíbrio em um pé: manter-se em apenas um pé por 30 a 60 segundos. Para aumentar a dificuldade, fechar os olhos ou alternar superfícies. O exercício melhora propriocepção e estabilidade.
  • Rolar uma bola ou garrafa sob o pé: alivia dores na região da fáscia plantar e relaxa a musculatura.
  • Caminhar descalço em superfícies naturais: andar descalço na areia, grama ou tapetes mais grossos, estimula os arcos e os músculos do pé.
  • Hidratação e cuidados com a pele: previne rachaduras e calosidades e infecções cutâneas.

Fonte: Agência Einstein

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Saúde

Mulheres são mais propensas a ter lesões  nos joelhos; saiba os principais motivos

Questões anatômicas e hormonais explicam por que o incômodo pode ser mais comum entre elas; especialistas fornecerem orientações

Por Thais Szegö, da Agência Einstein

Não é raro ouvir alguém comentar que já sofreu algum trauma ou sente dor nos joelhos. Isso vale para homens e mulheres, pois essas estruturas são alvos frequentes de desconforto e lesões. E não é para menos, afinal, o joelho tem articulações complexas que sustentam o peso do corpo e ainda absorvem os impactos causados por movimentos do dia a dia, como andar e subir escadas, e de exercícios também.

Mas, quando se trata das mulheres, esse cuidado precisa ser redobrado, pois elas correm mais risco de lesionar essa parte do corpo. Isso acontece devido à própria anatomia feminina. “A pelve da mulher costuma ser mais larga, os joelhos valgos, ou seja, arqueados para dentro, e seu ângulo Q, formado pelo vetor de tração dos quadríceps, faz uma pressão maior no joelho, o que pode aumentar o estresse sobre essa articulação”, explica o ortopedista Marcos Cortelazo, especialista em joelho e trauma esportivo do Hospital Israelita Albert Einstein e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ) e da Sociedade Internacional de Artroscopia, Cirurgia do Joelho e Medicina do Esporte (ISAKOS).

E tem mais. “As mulheres em geral têm menos força muscular e menor estabilidade articular, o que aumenta a tendência a torções e consequentes lesões articulares”, acrescenta o ortopedista e traumatologista Moisés Cohen, também do Einstein. Segundo ele, outro detalhe é que as patelas femininas tendem a ser localizadas mais lateralmente. “Isso eleva o risco de apresentarem condromalácia, uma lesão na cartilagem que reveste essa parte do joelho”, observa Cohen, que também é professor titular do departamento de Ortopedia, Traumatologia e Medicina Esportiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Outros fatores

As flutuações hormonais durante o ciclo menstrual também têm impacto significativo sobre os joelhos. “As articulações, assim como as cartilagens que as protegem, possuem receptores de estrogênio, hormônio que contribui para a manutenção da saúde dessas estruturas”, conta Cortelazo. “Quando os níveis de estrogênio sofrem alterações durante o ciclo menstrual, elas se tornam mais frágeis, fazendo com que possa ocorrer uma maior frouxidão dos ligamentos, o que favorece a ocorrência de lesões, como as do ligamento cruzado anterior.”

E esse mecanismo desencadeia consequências também na menopausa. Conforme a produção hormonal é alterada nessa fase da vida e os níveis de estrogênio diminuem, as articulações ficam mais inflamadas, o que causa dor em regiões como mãos, ombros e joelhos, favorecendo o surgimento de artrite e artrose, por exemplo. “Nesse período, também acontece perda de ossos e músculos, desencadeando fraqueza muscular e óssea, o que também predispõe a lesões”, acrescenta Cohen.

Cortelazo ainda chama a atenção para o uso constante de salto alto, outra questão que pode prejudicar os joelhos. Ao usar esses sapatos, a pessoa distribui o peso do corpo e caminha de forma diferente, concentrando a pressão nessa articulação. Ele explica que isso acaba exigindo mais dos joelhos e favorece o desgaste, principalmente, da cartilagem da patela. Como resultado, aumenta a predisposição a condições como condromalácia patelar e artrose.

Exercícios ajudam a minimizar problemas

O fortalecimento muscular é um dos principais aliados dos joelhos das mulheres, já que os músculos ajudam a proteger, estabilizar e dão suporte à articulação. “Exercícios de propriocepção que envolvem movimentos inesperados, em zigue-zague e em terrenos irregulares, por exemplo, também são bem-vindos, pois treinam a agilidade e ajudam a dar mais segurança e equilíbrio à movimentação dos joelhos, prevenindo quedas e lesões”, acrescenta Cohen.

Fazer alongamentos, evitar sobrecarga excessiva nos treinos, controlar o peso, realizar os movimentos com técnicas adequadas e devidamente adaptadas ao corpo feminino, também são práticas muito importantes. “E, se houver qualquer sinal de dor, inchaço ou dificuldade para movimentar o joelho, é essencial procurar um ortopedista para que ele faça o diagnóstico correto e indique o tratamento adequado”, alerta Cortelazo.

Fonte: Agência Einstein

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Saúde

Conheça os riscos para as mãos de passar muito tempo no celular

Dores acontecem justamente por causa do uso errado do aparelho – tanto pela  forma de segurá-lo quanto pelo número de horas gastas digitando

Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein

É difícil imaginar a vida sem smartphones.  As queixas de dor nos polegares ou nos punhos dispararam nos últimos anos nos consultórios de ortopedia e, segundo especialistas, são alavancadas pelo uso excessivo e incorreto do celular.

Os smartphones estão tão incorporados no nosso cotidiano que ultrapassam o número de habitantes: são 249 milhões de unidades em uso no Brasil, ou 1,2 por pessoa, segundo a  evantamento anual feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Para se ter uma ideia, o país tem 203 milhões de habitantes, de acordo com o Censo 2022, o mais recente feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A cena é típica: a pessoa segura o smartphone e usa um ou os dois polegares para digitar, numa velocidade que eles não estão preparados para acompanhar, e fazendo movimentos curtíssimos de um lado para o outro. O resultado disso são dores inofensivas num primeiro momento, mas que podem evoluir para sobrecarga muscular, tendinite e até mesmo uma rizartrose – um tipo de artrose que afeta a articulação da base do polegar, podendo causar dor, desgaste, rigidez e limitações de movimento.

“O polegar não nasceu para fazer muitos movimentos por segundo. E os jovens fazem milhares de movimentos durante horas para digitar no celular usando os dois polegares. Quando usam um polegar só é pior ainda, porque sobrecarregam uma das mãos”, alerta o cirurgião Antônio Carlos da Costa, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

As dores nos polegares e nos punhos acontecem justamente devido ao uso errado do aparelho. De acordo com os especialistas ouvidos pela Agência Einstein isso acontece tanto pela forma de segurá-lo quanto pelo número de horas digitando.

Outro fator que interfere é o tamanho dos smartphones – com os avanços tecnológicos e a maior qualidade de conexão com a internet, as telas ficaram maiores. Isso pode até ser mais confortável para ver vídeos, por exemplo, mas  quando se trata do impacto nas mãos o resultado é o contrário: o aparelho ficou maior, mais pesado e muito mais difícil de segurar com uma mão só.

“Quase ninguém digita usando o dedo indicador ou com o aparelho apoiado em uma mesa. A gente nota um aumento considerável de queixas de dores nas mãos, mas com padrões diferentes, muitas vezes ligadas à idade do paciente. Vemos picos na população mais jovem, que usa o aparelho o dia todo para jogos, entretenimento, troca de mensagens, mas também em adultos que dependem do aparelho para trabalhar, como vendedores, e na população mais idosa, que aprendeu a usar o celular e entrou na onda das redes sociais”, observa o ortopedista e cirurgião da mão Henrique Bufáiçal, do Serviço de Ortopedia do Hospital Israelita Albert Einstein de Goiânia. “Temos notado um aumento de casos de rizartose [causada pelo desgaste da articulação da mão] em populações cada vez mais jovens.”

A importância do dedão

O polegar é o principal dedo das mãos – sem ele, esses membros perdem praticamente 50% da sua função. Dependendo da atividade laboral da pessoa, se ela perder o polegar, perde também 100% da função da mão. Foi graças aos polegares opositores, aliás, que o Homo sapiens, a espécie humana, evoluiu para conseguir fazer o movimento fino de pinça (em que o polegar toca os outros quatro dedos) e, assim, manusear diversas ferramentas com precisão.

O problema é que a articulação da base do dedão é mais instável em relação aos demais dedos da mão, e tem uma tendência maior de se desgastar e desencaixar com mais facilidade. Justamente por isso, essa articulação não está preparada para fazer tantos movimentos curtinhos por segundo, como acontece na digitação rápida. “Se o paciente joga muita carga sobre essa articulação,  sobrecarrega a função e isso vai causar dores mais adiante. As pessoas falam o dia inteiro usando o aplicativo de mensagens no celular e já há estudos falando de de “whatsappite” [como uma tendinite causada pelo uso de WhatsApp]”, destaca o ortopedista Costa.

Dois estudos recentes realizados na Arábia Saudita confirmaram cientificamente o que a prática clínica vem observando: em um deles, feito com 3.057 pessoas entre 18 e 65 anos, 56,5% dos voluntários relataram dor no pulso ou na mão devido ao uso excessivo de smartphones. No outro trabalho, feito com 800 voluntários, 40% relataram dores no pulso ou polegar por causa do uso diário e prolongado dos aparelhos – eram mais de cinco horas por dia.

Em relação à ergonomia, a maioria dos entrevistados relatou segurar o celular com uma mão, na posição descendente e com os pulsos dobrados para baixo. “O fato é que os polegares não foram preparados para absorver toda essa sobrecarga que a sociedade moderna está colocando sobre ele. Talvez daqui a milhares de anos, nossas mãos sofram alguma evolução para se adaptar a isso”, diz o ortopedista do Einstein.

Segundo os médicos entrevistados, os sinais de desgaste começam com um leve desconforto e, com o passar dos dias, um cansaço nas mãos. Depois, surgem as dores no dedão, que podem irradiar para o braço por causa da sobrecarga no tendão e na musculatura. Também há casos de pessoas que sentem dormência ou queimação nos dedos.

E qual a solução para o problema? “A gente sempre explica para o paciente que não tem outra solução a não ser se adaptar ao uso correto do celular para que a mão trabalhe numa posição menos ruim”, orienta Bufáiçal. Antônio Carlos da Costa vai além e recomenda voltar aos velhos tempos: usar o aparelho para telefonar. “É muito mais gostoso, muito mais íntimo”, opina.

Mas, como nem sempre isso é possível, o especialista indica reduzir o número de horas usando o aparelho e, sempre que possível, enviar mensagens de voz ou usar o recurso de áudio transcrição (falar e o próprio telefone digitar a mensagem). “Só quando isso não for possível, use os dedos, variando entre os polegares e o uso do indicador. Mas a melhor posição, sem dúvida, é apoiar o celular em uma mesa e usar o indicador para digitar as palavras”, ensina Costa.

Fonte: Agência Einstein

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Saúde

Ortopedistas alertam para risco de queda de idosos; saiba como evitar

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Dia Mundial de Prevenção de Quedas em Idosos é lembrado nesta segunda

 

Por Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil – São Paulo

O dia 24 de junho foi escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o Dia Mundial de Prevenção de Quedas em Idosos. Na data, também inclusa no Calendário da Saúde do Ministério da Saúde para alertar sobre os riscos dos acidentes nessa faixa etária, a Sociedade Brasileira do Trauma Ortopédico alerta para esse perigo comum no ambiente doméstico e ensina como evitar essas ocorrências.

De acordo com informações do Datasus, no primeiro bimestre de 2024, foram registrados 17.136 atendimentos hospitalares e 9.658 atendimentos ambulatoriais, envolvendo idosos, na faixa etária de 60 a 110 anos. Em 2023, por exemplo, houve 106.401 atendimentos hospitalares e 45.684 ambulatoriais.

“Diversos fatores podem causar o aumento de quedas entre os idosos, como a fraqueza e perda muscular do corpo, efeitos colaterais de alguns remédios, perda de sensibilidade por distúrbios neurológicos, além de doenças ortopédicas ou prejuízo dos sentidos de visão e audição”, explicou o presidente da Sociedade Brasileira do Trauma Ortopédico, Marcelo Tadeu Caiero.

Apesar de os acidentes domésticos serem comuns e poderem afetar pessoas de qualquer idade, a Sociedade Brasileira do Trauma Ortopédico ressaltou que, durante o período de envelhecimento, as quedas, principalmente, as que acontecem dentro de casa, são mais regulares e perigosas e podem causar sequelas dolorosas e permanentes.

“A recuperação de idosos não é simples. Uma fratura geralmente precisa de intervenção cirúrgica ou de períodos prolongados de imobilizações, isso porque, os ossos não são tão saudáveis quanto ossos jovens, além da falta de força muscular nessa idade. Fraturas no fêmur, coluna vertebral e bacia podem diminuir a mobilidade de um idoso, além de necessitar de fisioterapia intensa para a recuperação”, disse o ortopedista.

Para prevenir as quedas, o médico recomenda uma abordagem multidisciplinar, partindo da avaliação clínica do idoso e de acompanhamento médico para identificar possíveis condições de saúde que aumentem o risco de queda. Entre essas condições estão problemas cardiovasculares, neurológicos e musculoesqueléticos. É importante ainda que o idoso faça atividade física regular, com exercícios específicos para melhorar a força muscular, fortalecer e trazer mais equilíbrio, reduzindo o risco de quedas. Além disso, recomenda-se uma dieta balanceada para manter a saúde óssea e muscular, prevenindo fraquezas, que podem ocasionar as quedas.

A remoção de obstáculos, instalação de barras de apoio em banheiros e melhorias na iluminação também são úteis para evitar acidentes domésticos. “Os idosos têm que se adaptar às limitações da idade. Eles devem, além de modificar suas casas, evitar roupas que podem enroscar em seus pés e aderir ao uso de sapatos bem ajustados, de preferência fechados e com solados antiderrapantes e de borracha. Há diversas recomendações para que familiares auxiliem a pensar uma casa e rotina mais segura para o idoso”, aconselhou Caieiro.

É preciso ainda evitar tapetes soltos pela casa; ter corrimão dos dois lados das escadas e corredores; colocar tapete antiderrapante nos banheiros; evitar andar em áreas com piso molhado; evitar encerar a casa; evitar móveis e objetos espalhados pela casa ou em corredores de circulação; e deixar uma luz acesa à noite para o caso de precisar levantar da cama. Também é importante o idoso esperar que o ônibus pare completamente antes de subir no veículo ou descer; utilizar sempre a faixa de pedestres ao atravessar as ruas; e, se necessário, usar bengalas, muletas ou instrumentos de apoio.

 

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Saúde

Casos de artrose disparam no mundo; veja como prevenir a doença

Envelhecimento da população, obesidade, sedentarismo e prática de exercícios de alto impacto são os grandes responsáveis pelo aumento de diagnósticos 

 

Por Thais Szegö, da Agência Einstein

Os casos de artrose, uma doença degenerativa que afeta as cartilagens, têm crescido em todo o mundo. De acordo com um estudo realizado pelo Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, aproximadamente 1 bilhão de pessoas sofrerá com a osteoartrite, seu nome científico, em 2050. O trabalho, que analisou indivíduos de mais de 200 países durante 30 anos e foi publicado na revista científica The Lancet Rheumatology, revelou ainda que atualmente 15% da população a partir dos 30 anos já começou a apresentar os primeiros sinais da enfermidade.

E não é de hoje que os especialistas estão acompanhando o crescimento dos casos. Outro levantamento, feito pelo Colégio Americano de Reumatologia entre 1990 e 2019, evidenciou que houve o salto de 113,25% na incidência no período, passando de 247,51 milhões para 527,81 milhões de casos no mundo.

No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, 15 milhões de brasileiros receberam o diagnóstico de artrose. A enfermidade é responsável por 7,5% de todos os afastamentos do trabalho e é o segundo entre os que justificam o uso do auxílio-doença. Ainda segundo a pasta, ela é a quarta doença mais comum para determinar a necessidade de aposentadoria. O quadro é tão significativo que o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia lançou no final do ano passado um movimento de conscientização da artrose.

O que justifica o aumento de casos? 

Especialistas ouvidos pela Agência Einstein dizem que o crescimento dos diagnósticos tem relação com o envelhecimento da população e com outros fatores. “O aumento da obesidade e do sedentarismo e a prática de atividades físicas de impacto também se relacionam com o aumento de casos”, diz o ortopedista Marcos Cortelazo, médico especialista em joelho e traumatologia esportiva e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot) e da Sociedade Latino-americana de Artroscopia, Joelho e Esporte (Slard).

Com o desgaste das cartilagens, explicam os especialistas, aumenta o atrito entre os ossos, o que provoca desconforto, dor, inflamações e deformações, dificultando e até impossibilitando os movimentos. Por isso, a dor articular é o principal sintoma da presença da osteoatrite. Pode haver ainda a limitação ou a impossibilidade da movimentação, estalos e o aumento de volume ou deformidade da região atingida.

“No entanto, é frequente encontrarmos sinais radiográficos da doença em pacientes assintomáticos”, diz a reumatologista Flavia Alexandra Guerrero, do Hospital Israelita Albert Einstein. “A artrose ocorre por um desbalanço do processo de degradação e reparação da cartilagem, que tem fatores mecânicos, genéticos, hormonais, ósseos e metabólicos envolvidos”, explica a médica.

Geralmente associada ao envelhecimento, apesar de afetar muitas pessoas jovens, a doença é mais frequente nas articulações que suportam mais peso, como as dos pés, do quadril, da coluna e dos joelhos, o principal alvo. Seu tratamento varia de acordo com a gravidade do caso.

“Nos casos leves e moderados, o principal objetivo é controlar a dor e a inflamação e melhorar a mobilidade. Já nos pacientes com a doença mais avançada, pode ser indicada a cirurgia para a substituição das articulações”, explica o ortopedista Cortelazo. Ele ressalta ainda que o combate ao mal vem evoluindo por meio do desenvolvimento de substâncias que protegem as articulações do atrito, como o ácido hialurônico, e de próteses customizadas.

Mudanças no estilo de vida  

É muito importante que intervenções não farmacológicas sejam feitas para que o quadro não evolua. “Elas vão desde a conscientização e a educação do paciente em relação aos fatores que desencadeiam e agravam o processo, o que envolve o tratamento da obesidade, a realização de exercícios físicos monitorados, a correção de alterações específicas, como as tendinopatias (um quadro provocado pela degeneração ou lesão dos tendões) e outras lesões estruturais, até medidas de proteção articular e o uso de órteses quando necessário”, explica a reumatologista do Einstein.

Alterações de hábitos também são essenciais para evitar a piora da doença ou mesmo desencadear o seu surgimento. “Apesar de haver fatores hormonais e genéticos envolvidos em sua patologia, muito pode ser feito com medidas preventivas quando promovemos um estilo de vida saudável desde a infância, com alimentação equilibrada, prática regular de esportes e medicina preventiva”, afirma a especialista.

Fonte: Agência Einstein

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