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Julgamento de extradição de Carla Zambelli é retomado nesta quinta na Itália

O destino da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) deve ser definido nesta quinta-feira, dia 12, pelas autoridades judiciais em Roma. Após uma audiência classificada como “exaustiva” pela defesa na quarta-feira, o julgamento foi suspenso e retomado hoje às 9h (horário local). A análise do caso já enfrentou quatro adiamentos antes de chegar a esta fase final.

Zambelli está presa na capital italiana desde que foi localizada em uma operação conjunta entre a Polícia Federal brasileira e a polícia local. O pedido de extradição enviado pelo Brasil baseia-se nas duas condenações sofridas pela ex-parlamentar no Supremo Tribunal Federal (STF).

O embate jurídico

A audiência de quarta-feira foi marcada por intensos questionamentos tanto da defesa quanto da acusação. O advogado Fabio Pagnozzi, que representa a ex-deputada no Brasil, afirmou que o volume de quesitos apresentados exigiu a remarcação para hoje.

Um dos principais obstáculos para a extradição é o fato de Carla Zambelli possuir cidadania italiana. Pela legislação do país europeu, a extradição de cidadãos nacionais para cumprir penas no exterior é complexa e exige critérios rigorosos. Na última terça-feira (10), a Justiça italiana já havia negado um pedido da defesa para trocar o colegiado de juízes responsável pelo caso.

As condenações no Brasil

No Supremo Tribunal Federal, Zambelli acumula duas penas que somam mais de 15 anos de prisão:

  1. Invasão de sistemas (10 anos): Condenada por falsidade ideológica e invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto.

  2. Porte ilegal de arma (5 anos e 3 meses): Referente ao episódio ocorrido na véspera das eleições de 2022, quando a ex-deputada perseguiu um homem com uma arma em punho em uma rua de São Paulo.

A decisão da Justiça italiana é aguardada com expectativa nos bastidores de Brasília, pois selará se a ex-parlamentar retornará ao Brasil para cumprir as penas em regime fechado e semiaberto ou se permanecerá sob jurisdição europeia.

Matéria atualizada em 12/02/2026 às 8h53

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Conclusão de julgamento que torna Eduardo Bolsonaro réu

Ele foi acusado pelo crime de coação no curso do processo
André Richter – Repórter da Agência Brasil
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu nesta quarta-feira, dia 26, em Brasília, o julgamento virtual que tornou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) réu pelo crime de coação no curso do processo.

O julgamento começou na semana passada, quando o colegiado formou placar unânime de quatro votos a zero para aceitar denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O resultado foi oficialmente proclamado hoje. Os votos foram proferidos pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

Ação penal

Com a decisão, o próximo passo será abertura de uma ação penal contra o deputado. Durante a instrução do processo, ele poderá indicar testemunhas, apresentar provas de inocência e pedir diligências específicas que sejam interessantes para sua defesa.

Em setembro, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro foi denunciado pela PGR no inquérito que apurou a atuação do parlamentar junto ao governo dos Estados Unidos para promover o tarifaço contra as exportações brasileiras, a suspensão de vistos de ministros do governo federal e de ministros do STF.

Eduardo deixou o Brasil em fevereiro deste ano e está nos Estados Unidos. Ele pediu licença do mandato de 120 dias. Desde dia 20 de julho, quando a licença terminou, o deputado não comparece às sessões e poderá ser cassado por faltas.

Defesa

Após o início do julgamento, Eduardo Bolsonaro publicou uma mensagem nas redes sociais na qual classificou como “caça às bruxas” o voto de Alexandre de Moraes.

“Moraes vota para me tornar réu. Outros candidatos anti-establishment, como o próprio Jair Bolsonaro, e favoritos ao Senado sofrerão a mesma perseguição. É o sistema se reinventando para sobreviver. Tudo que sei é via imprensa, já que jamais fui citado. Por que Moraes não usa os canais oficiais com os EUA?”, escreveu.

A defesa de Eduardo Bolsonaro foi feita pela Defensoria Pública da União (DPU). Durante a investigação, Moraes determinou a notificação do deputado, mas ele não constituiu advogado, nem apresentou defesa.

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