JUSTIÇA

Brasil e Mundo

Caso C4 Gym: Polícia indicia proprietários de academia onde professora morreu intoxicada

A professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu vítima de intoxicação após usar a piscina da C4 Gym – Foto: Polícia Civil de SP/Divulgação

A Polícia Civil de São Paulo deu um passo decisivo nas investigações sobre a tragédia ocorrida na academia C4 Gym, na Zona Leste da capital. Os proprietários do estabelecimento foram indiciados após o depoimento prestado na noite desta quarta-feira, dia 11. O caso envolve a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, vítima de intoxicação química por vapores de cloro.

O inquérito revelou falhas graves na operação do local. Segundo as autoridades, a academia não possuía alvará de funcionamento. Além disso, o funcionário responsável pelo manuseio dos produtos químicos não era um profissional especializado (piscineiro).

A dinâmica do acidente

O incidente ocorreu no último sábado (7). Um funcionário preparou uma mistura de cloro e a deixou próxima aos alunos que utilizavam a piscina. Mesmo sem o produto ter sido lançado na água, a inalação dos vapores altamente tóxicos causou reações imediatas nas vítimas.

Juliana Bassetto sofreu problemas respiratórios graves, foi levada ao hospital, mas não resistiu a uma parada cardíaca. O marido da professora permanece internado em estado grave e outras seis pessoas também foram intoxicadas pela substância.

Investigação se estende a outras unidades

Com a constatação de que a unidade da Zona Leste operava de forma irregular, o Ministério Público de São Paulo agora investiga se outras unidades da rede C4 Gym possuem a documentação e os alvarás necessários para funcionamento.

O caso serve como um alerta rigoroso sobre a fiscalização de ambientes coletivos e o cumprimento de normas de segurança química em espaços de lazer e esportes.

COMPARTILHE NAS REDES

Brasil e Mundo

Polícia quer apreender passaporte de envolvido na morte do cão Orelha

Cão Orelha, morto por adolescentes em SC. Foto: Polícia Civil de Santa Catarina© Polícia Civil de Santa Catarina

A meta é impedir que o acusado saia do país

Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil

A Polícia Civil de Santa Catarina pediu a apreensão do passaporte do adolescente acusado da morte do cão Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. A solicitação foi feita à justiça. A Polícia Federal também foi comunicada sobre o pedido. O objetivo é impedir que o adolescente saia do país.

Em nota, a Polícia Civil disse que o Ministério Público (MP) do estado se manifestou favorável ao pedido.

“A instituição tem atuado de forma constante para que a denúncia dos envolvidos possa prosseguir para a justiça junto com as demais provas já obtidas nas investigações da morte do Cão Orelha”, diz a nota.

Divergências

A investigação em torno do caso enfrenta divergências entre a Polícia Civil e o MP. Ainda na sexta-feira (6), o MP informou que requisitará à Polícia Civil, nos próximos dias, diligências complementares nas investigações realizadas a partir da morte do cão Orelha.

Segundo o MP, tanto a 10ª Promotoria de Justiça da capital, da área da Infância e Juventude, quanto a 2ª Promotoria de Justiça, da área criminal, concluíram pela necessidade de mais esclarecimentos e maior precisão na reconstrução dos acontecimentos.

O Ministério Público disse que identificou lacunas que precisam ser completadas na apuração “da possível participação de adolescentes em atos infracionais análogos a maus-tratos contra animais, relacionados à morte de um dos cães”.

Para a Polícia Civil há base legal para o pedido de internação do adolescente investigado pela morte do cão comunitário.

Possível coação

O órgão disse ainda que segue apurando a possível prática de coação no curso do processo e ameaça envolvendo familiares dos adolescentes investigados e um porteiro de um condomínio da Praia Brava. O MP disse que concluiu pela necessidade de ampliar e detalhar a apuração dos fatos e “irá requisitar diligências complementares à Polícia Civil, inclusive para confirmar a inexistência de relação dos supostos crimes com a agressão aos animais”.

Na terça-feira (3), a Polícia Civil de Santa Catarina encerrou as investigações sobre as agressões que levaram o cão Orelha à morte e pediu a internação de um dos quatro adolescentes envolvidos no crime.

Para conseguir provar a participação do autor – que não teve o nome revelado por ser menor de idade – as autoridades tiveram de recorrer à tecnologia importada e análise de imagens de câmeras de segurança.

Filmagens

Segundo informações da polícia, foram analisadas mais de mil horas de filmagens captadas por 14 câmeras. Além disso, 24 testemunhas foram ouvidas.

As imagens analisadas foram fundamentais para as autoridades, embora não existam gravações do momento do ataque ao animal. Foi através delas que os investigadores puderam verificar as roupas usadas pelo rapaz acusado no dia do crime, além de comprovar que ele havia saído de madrugada do condomínio onde mora.

COMPARTILHE NAS REDES

Brasil e Mundo

STF mantém prisão de Filipe Martins após audiência de custódia

© Arthur Max/MRE
Ex-assessor de Jair Bolsonaro foi preso na manhã desta sexta-feira
Daniella Almeida – Repórter da Agência Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter a prisão de Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro, depois de realizada audiência de custódia na tarde desta sexta-feira (2). O ex-assessor foi condenado a 21 anos  de prisão por participação na trama golpista. 

A audiência por videoconferência, a partir da cadeia Pública de Ponta Grossa (PR), cidade em que ele foi preso, foi realizada pela juíza auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, Flávia Martins de Carvalho. O ministro considerou que foi comprovado o descumprimento da medida cautelar de proibição de uso de redes sociais.

“Efetivamente, não há dúvidas de que houve descumprimento da medida cautelar imposta, uma vez que a própria defesa reconhece a utilização da rede social, não havendo qualquer pertinência da alegação defensiva no sentido de que as redes sociais foram utilizadas para ‘preservar, organizar e auditar elementos informativos pretéritos relevantes ao exercício da ampla defesa’”, escreveu Moraes.

No último sábado (27), Moraes decretou ao condenado a prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. Porém, Martins teria descumprido medidas cautelares da ação penal, especificamente a proibição de uso de redes sociais próprias ou por terceiros.

De acordo com a decisão pela prisão preventiva, uma denúncia foi recebida em 29 de dezembro, juntada aos autos, de que o ex-assessor da Presidência da República teria usado a rede social profissional Linkedin para a busca de perfis de outras pessoas.

Na segunda-feira, Moraes notificou a defesa de Martins e concedeu prazo de 24 horas para esclarecimentos sobre o caso. No entanto, os advogados dele alegaram que Filipe Martins não tinha credenciais de acesso às contas de suas redes sociais e não poderia publicar conteúdos: “não praticou qualquer ato em tais plataformas desde período anterior à imposição das atuais restrições cautelares.”

Na decisão, Moraes frisou que Martins teve “total desrespeito pelas normas impostas e pelas instituições constitucionalmente democráticas, em virtude de que, ao fazer uso das redes sociais, ofende as medidas cautelares aplicadas, assim como, todo o ordenamento jurídico”.

COMPARTILHE NAS REDES

Brasil e Mundo

Polícia Federal prende Filipe Martins, condenado pela trama golpista

O ex-assessor da Presidência, Filipe Martins. Foto: Arthur Max/MRE© Arthur Max/MRE

Medida foi determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes

Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil

A Polícia Federal informou neste sábado (27) que cumpre dez mandados de prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, para condenados no âmbito da trama golpista, que buscava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.

A decisão, do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, ocorre após a tentativa frustrada de fuga de Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal e um dos condenados pelo STF.

Felipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, foi um dos presos por determinação de Moraes.

Em uma rede social, o advogado de Martins, Jeffrey Chiquini, informou que os policiais federais compareceram à casa do ex-assessor, em Ponta Grossa, no Paraná, para efetivar a medida de prisão domiciliar.

O advogado considera a prisão como “abusiva”, por não atender os critérios do direito penal. “Não há nenhum indício concreto de risco de fuga e, como qualquer leigo sabe, a Constituição proíbe punir uma pessoa por atos de terceiros”, afirmou.

Filipe Martins e Silvinei Vasques integram o Núcleo 2 da trama golpista. Martins foi condenado a 21 anos, sendo 18 anos e 6 meses de reclusão, inicialmente em regime fechado e multa, e Vasques a 24 anos e 6 meses, sendo 22 anos de reclusão, também em regime fechado.

Além do Paraná, a PF informou que as ordens judiciais estão sendo cumpridas nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Bahia, Tocantins e no Distrito Federal, com apoio do Exército em parte das diligências.

A PF informou ainda que, além da prisão domiciliar, o STF ordenou medidas cautelares como a proibição de uso de redes sociais e de contato com outros investigados, a entrega de passaportes, a suspensão de documentos de porte de arma de fogo e a proibição de visitas.

Tentativa de fuga

Na sexta-feira (26), Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva de Silvinei Vasques, após o ex-diretor da PRF ter sido preso, após tentar fugir do país pelo Paraguai.

O ex-diretor cumpria prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, e a medida foi determinada após Silvinei romper o equipamento e fugir para o país vizinho, onde foi detido pelas autoridades locais quando tentava embarcar em um voo com destino a El Salvador.

Moraes apontou na decisão que foi informado pela Polícia Federal de que a tornozeleira parou de emitir sinal de GPS por volta das 3h da madrugada de quinta-feira (25). Em seguida, agentes foram à casa do ex-diretor, em São José, em Santa Catarina, e constataram que ele não estava na residência.

Ainda na sexta-feira, a PF confirmou que o ex-diretor foi levado pela polícia paraguaia para a fronteira com o Brasil e entregue a agentes da PF na Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Ciudad del Leste, no Paraguai. Ele deve ser transferido para Brasília nas próximas horas.

COMPARTILHE NAS REDES

Brasil e Mundo

Bolsonaro é preso pela Polícia Federal em Brasília

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Em decisão, Moraes diz que o ex-presidente tentou violar tornozeleira
Agência Brasil 
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso na manhã deste sábado, dia 22. Em nota, a Polícia Federal informou que cumpriu um mandado de prisão preventiva em cumprimento a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesta sexta-feira, dia 21, o senador Flávio Bolsonaro (PL) convocou, pelas redes sociais uma vigília de orações próxima à casa onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto.

Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes diz que a reunião poderia causar tumulto e até mesmo facilitar “eventual tentativa de fuga do réu”. Foi ainda verificada tentativa de violar a tornozeleira eletrônica.

Moraes também determina que seja realizada, neste domingo (23), audiência de custódia, por videoconferência, na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, além da disponibilização de atendimento médico em tempo integral ao réu.

A decisão diz ainda que todas as visitas deverão ser previamente autorizadas pelo STF, com exceção da dos advogados e da equipe médica que acompanha o tratamento de saúde do réu.

Também nesta sexta, a defesa de Jair Bolsonaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a concessão de prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente.

Segundo os advogados, Bolsonaro tem doenças permanentes, que demandam “acompanhamento médico intenso” e, por esse motivo, o ex-presidente deve continuar em prisão domiciliar. O pedido da defesa pretende evitar que Bolsonaro seja levado para o presídio da Papuda, em Brasília.

Condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal do Núcleo 1 da trama golpista, Bolsonaro e os demais réus podem ter as penas executadas nas próximas semanas.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto, determinada após o descumprimento de medidas cautelares já fixadas pelo STF. Ele estava usando tornozeleira eletrônica e proibido de acessar embaixadas e consulados, de manter contato com embaixadores e autoridades estrangeiras e de utilizar redes sociais, direta ou indiretamente, inclusive por intermédio de terceiros.

COMPARTILHE NAS REDES

Brasil e Mundo

Influenciador que atropelou fisioterapeuta vai a júri popular no Rio

© Câmera de segurança Rio de Janeiro

A Justiça do Rio de Janeiro decidiu que o influenciador Vitor Vieira Belarmino será julgado pelo Tribunal do Júri pela morte do fisioterapeuta Fábio Toshiro Kikuda, ocorrida em julho de 2024, na Avenida Lúcio Costa, no bairro do Recreio dos Bandeirantes.

A decisão foi proferida pela juíza Alessandra Roidis, da 1ª Vara Criminal da Capital, que considerou haver provas suficientes para que o caso siga a julgamento popular.

“Julgo admissível a pretensão punitiva estatal e pronuncio Vítor Vieira Belarmino nas penas dos artigos 121, caput, do Código Penal, e 304 e 305 do Código de Trânsito Brasileiro”, destacou a magistrada na sentença.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu na noite de 13 de julho de 2024, por volta das 23h30.
Fábio e sua esposa, Bruna, atravessavam a avenida após o casamento, quando foram atingidos por uma BMW conduzida por Vitor Belarmino, que estaria em alta velocidade.

O fisioterapeuta morreu na hora, e o motorista fugiu sem prestar socorro, segundo o inquérito. A perícia indicou que o veículo estava ocupado por cinco mulheres no momento do acidente.

O casal havia acabado de se hospedar em um hotel na orla do Recreio para a lua de mel e decidiu sair para ver o mar quando o acidente ocorreu.

A juíza Alessandra Roidis afirmou que há elementos suficientes para que o caso seja decidido pelo júri.

“Comprovada a materialidade e indiciada a autoria, o acusado deve ser levado a plenário para que os jurados analisem as teses da defesa e decidam o mérito”, escreveu.

Com a decisão, o influenciador responderá pelos crimes de homicídio doloso — quando há intenção de matar — e fuga do local do acidente.

Após dez meses foragido, Vitor Belarmino se apresentou à Justiça e negou parte das acusações.
Durante o depoimento, afirmou que “a imprensa começa agora a divulgar fatos mais verdadeiros sobre o ocorrido”, alegando ter sido vítima de informações falsas nas redes sociais.

Surpreso com a acusação de homicídio doloso, o influenciador disse considerar que não teve intenção de provocar o acidente.

COMPARTILHE NAS REDES

Brasil e Mundo

MP da Itália dá parecer favorável à extradição de Carla Zambelli

© Lula Marques/ Agência Brasil
Não há prazo para a Justiça italiana decidir a questão
André Richter – Repórter da Agência Brasil
O Ministério Público da Itália emitiu nesta quarta-feira, dia 22, parecer favorável à extradição da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP).

A informação foi confirmada pela Advocacia-Geral da União (AGU). O órgão atua no pedido de extradição feito pelo governo brasileiro às autoridades italianas.

Não há prazo para a Justiça italiana decidir a questão.

Em julho deste ano, Zambelli foi presa em Roma, capital da Itália, onde tentava escapar do cumprimento de um mandado de prisão emitido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Por ter dupla cidadania, Zambelli deixou o Brasil em busca de asilo político em terras italianas após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrido em 2023.

De acordo com as investigações, Zambelli foi a autora intelectual da invasão para emissão de um mandato falso de prisão contra Alexandre de Moraes. Segundo a apuração, o hackeamento foi executado por Walter Delgatti, que também foi condenado e confirmou ter realizado o trabalho a mando da parlamentar.

Após a fuga para a Itália, o governo brasileiro solicitou a extradição da deputada para o Brasil. O pedido de extradição de Carla Zambelli foi oficializado no dia 11 de junho pelo STF.  Em seguida, o pedido foi enviado pelo Itamaraty ao governo italiano.

Na Câmara, Zambelli é alvo de um processo de cassação do mandato.

COMPARTILHE NAS REDES

Brasil e Mundo

Julgamento de Bolsonaro começa na terça e terá oito sessões

© Lula Marques/Agência Brasil

Eventual prisão dos réus que forem condenados não é automática
André Richter – Repórter da Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia na próxima terça-feira, dia 2, o julgamento que pode condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados pela trama golpista para tentar reverter o resultado das eleições de 2022. O grupo faz parte do núcleo crucial da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). 

Cerca de dois anos e meio após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, a Corte realizará um julgamento histórico, que pode levar para a prisão um ex-presidente da República e generais do Exército pela acusação de golpe de Estado, medida inédita após a redemocratização do país.

Para garantir a tranquilidade do julgamento, o Supremo preparou um esquema especial de segurança para restringir a circulação de pessoas nos edifícios da Corte, além de varredura com cães farejadores em busca de bombas e uso de drones.

O julgamento terá ampla cobertura jornalística. A Corte recebeu 501 pedidos de credenciamento de profissionais da imprensa nacional e internacional interessados em noticiar o julgamento.

Em um procedimento inédito, o Supremo também fez o credenciamento de pessoas interessadas em acompanhar a deliberação de forma presencial. Segundo a Corte, foram 3.357 inscrições de interessados, entre advogados e cidadãos.

Apesar do grande número de inscritos, somente os primeiros 1.200 pedidos serão atendidos, devido à limitação de espaço.

Os contemplados vão acompanhar o julgamento na sala da Segunda Turma da Corte, por meio de um telão, e não poderão ficar na Primeira Turma, onde o será o julgamento. O espaço será destinado somente aos advogados dos réus e aos profissionais de imprensa.

Foram disponibilizados 150 lugares para cada uma das oito sessões de julgamento, marcadas para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro.

Nos dias 2,9 e 12, as sessões serão realizadas no período da manhã e da tarde, com pausa para o almoço. Nos dias 3 e 10, o julgamento ocorrerá somente pela manhã.

Saiba os horários das sessões

2 de setembro – 9h e 14h;
3 de setembro – 9h;
9 de setembro – 9h e 14h;
10 de setembro –9h;
12 de setembro – 9h e 14h.

Quem são os réus?

Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;

Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);

Almir Garnier- ex-comandante da Marinha;

Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;

Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);

Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;

Walter Braga Netto – ex-ministro de Bolsonaro e candidato à vice na chapa de 2022;

Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;

Rito

rito que será adotado no julgamento está previsto no Regimento Interno do STF e na Lei 8.038 de 1990, norma que regulamenta as regras processuais do tribunal.

No dia 2 de setembro, às 9h, primeiro dia de julgamento, a sessão será aberta pelo presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin.

Em seguida, o ministro chamará o processo para julgamento e dará a palavra a Alexandre de Moraes, que fará a leitura do relatório com o resumo de todas as etapas percorridas no processo, desde as investigações até a apresentação das alegações finais, última fase antes do julgamento.

Após a leitura do relatório, Zanin passará a palavra para a acusação e as defesas dos réus.

Acusação

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, será responsável pela acusação. Ele terá a palavra pelo prazo de até duas horas para defender a condenação dos réus.

Defesas

Após a sustentação da PGR, os advogados dos réus serão convidados a subir à tribuna para as sustentações orais em favor dos acusados. Eles terão prazo de até uma hora para suas considerações.

Crimes 

Todos os réus respondem no Supremo pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

A exceção é o caso do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, que, atualmente, é deputado federal. Ele foi beneficiado com a suspensão de parte das acusações e responde somente a três dos cinco crimes. A regra está prevista na Constituição.

A suspensão vale para os crimes de dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado, relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro.

Ramagem continua respondendo pelos crimes de golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Votos

O primeiro a votar será Alexandre de Moraes, relator da ação penal. Em sua manifestação, o ministro vai analisar questões preliminares suscitadas pelas defesas de Bolsonaro e dos demais acusados, como pedidos de nulidade da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonardo e um dos réus, alegações de cerceamento de defesa, pedidos para retirar o caso do STF, além das solicitações de absolvição.

Moraes poderá solicitar que a turma delibere imediatamente sobre a questões preliminares ou deixar a análise desses quesitos para votação conjunta com o mérito.

Após a abordagem das questões preliminares, Moraes se pronunciará sobre o mérito do processo, ou seja, se condena ou absolve os acusados e qual o tempo de cumprimento de pena.

Sequência de votação

Após o voto do relator, os demais integrantes da turma vão proferir seus votos na seguinte sequência:

Flávio Dino;
Luiz Fux;
Cármen Lúcia;
Cristiano Zanin;

A condenação ou absolvição ocorrerá com o voto da maioria de três dos cinco ministros da turma. 

Pedido de vista

Um pedido de vista do processo não está descartado. Pelo regimento interno, qualquer integrante da Corte pode pedir mais tempo para analisar o caso e suspender o julgamento. Contudo, o processo deve ser devolvido para julgamento em 90 dias.

Prisão

A eventual prisão dos réus que forem condenados não vai ocorrer de forma automática após o julgamento e só poderá ser efetivada após julgamento dos recursos contra a condenação.

Em caso de condenação, os réus devem ficar em alas especiais de presídios ou nas dependências das Forças Armadas.

Oficiais do Exército têm direito à prisão especial, de acordo com o Código de Processo Penal (CPP). O núcleo 1 tem cinco militares do Exército, um da Marinha e dois delegados da Polícia Federal, que também podem ser beneficiados pela restrição.

Núcleos 

A denúncia da trama golpista foi dividida pela PGR em quatro núcleos. O núcleo crucial, ou núcleo 1, formado por Jair Bolsonaro, será o primeiro ser julgado. As demais ações penais estão em fase de alegações finais, última etapa antes do julgamento, que deverá ocorrer ainda este ano.

COMPARTILHE NAS REDES

Brasil e Mundo

Zambelli segue presa na Itália após nova audiência sobre extradição

© Lula Marques/ Agência Brasil
Defesa sustenta não haver motivo para a deputada permanecer presa
Agência Brasil

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) retornou a um tribunal de apelação em Roma nesta quarta-feira, dia 27, e continua presa enquanto a Justiça italiana avalia um pedido de liberdade feito por sua defesa. A parlamentar, que fugiu para a Itália e foi presa em 29 de julho, aguarda uma decisão sobre a extradição solicitada pelo Brasil.

A defesa da deputada

O advogado da deputada argumenta que não há motivo para que ela permaneça em prisão preventiva na Itália, já que ela aguarda o julgamento da extradição. Além disso, a defesa alega que a deputada tem problemas de saúde, uma das principais razões pelas quais ela precisa ser solta.

Durante a audiência desta quarta-feira, o juiz responsável pelo caso informou que precisava de mais tempo para decidir sobre a prisão e a extradição. Em outras palavras, enquanto a Justiça italiana não emite uma nova decisão, Zambelli segue detida. A saber, uma nova decisão pode ser divulgada a qualquer momento.

Acusações e condenações

A prisão de Zambelli ocorreu porque a Interpol incluiu seu nome na difusão vermelha, a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF). O mandado de prisão preventiva em aberto no Brasil pesa contra ela. Anteriormente, a deputada fugiu para a Itália poucos dias antes de o Supremo a condenar a 10 anos de prisão por ser a mentora de uma invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O hacker confesso Walter Delgatti também recebeu condenação na mesma ação.

Na semana passada, a deputada enfrentou uma segunda condenação do Supremo em uma ação diferente. O caso envolve o episódio em que ela perseguiu um homem com uma arma em punho nas ruas de São Paulo. A pena neste caso foi de cinco anos e três meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. A defesa pode recorrer dessa decisão.

Reação da defesa

Após a segunda condenação, o advogado Fábio Pagnozzi divulgou uma nota. Segundo ele, Zambelli demonstra “surpresa e profundo desacordo” com a sentença. A defesa afirma que vai “firmemente contestar” a condenação, já que ela viola princípios básicos do devido processo legal e revela uma “interpretação extensiva e arbitrária da competência da Suprema Corte”. Em conclusão, o advogado declarou que a deputada reafirma sua inocência e se considera uma “vítima de perseguição política, justo às vésperas de seu pedido de extradição, em um julgamento recorde”.

COMPARTILHE NAS REDES

Brasil e Mundo

Moraes quer extradição de ex-assessor do TSE acusado de vazamentos

Pedido já foi encaminhado ao Itamaraty
Felipe Pontes – Repórter da Agência Brasil
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), requereu ao Ministério da Justiça a extradição de Eduardo Tagliaferro, seu ex-assessor no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da Itália para o Brasil.

O ex-assessor foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na última sexta-feira, dia 22, pelo vazamento para a imprensa de conversas entre servidores do STF e do TSE que assessoravam diretamente Moraes em 2024, quando o ministro presidiu a Corte Eleitoral e esteve à frente da organização das eleições. Ele foi acusado dos crimes de violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação penal sobre organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Após o início das investigações sobre o vazamento das conversas, Tagliaferro foi exonerado e deixou o país em direção à Itália, onde vive. Segundo o MJ, o pedido de extradição já foi encaminhado ao Itamaraty.

Tagliaferro foi chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE. As conversas vazadas tratavam de pedidos feitos por Moraes à produção de relatórios sobre alvos de inquérito sobre ataques ao Supremo e disseminação de fake news contra os ministros da Corte.

As mensagens foram publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo em agosto de 2024. Segunda a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, o vazamento teve o objetivo de ferir a credibilidade e colocar em dúvida a imparcialidade do STF e TSE.

Em depoimento à PF sobre o vazamento das mensagens, nas quais ele próprio aparece como interlocutor, Tagliaferro lançou suspeitas sobre a atuação da Polícia Civil de São Paulo, declarando ter entregue seu aparelho celular desbloqueado aos investigadores paulistas em meio a um caso de violência doméstica.

De acordo com Gonet, contudo, essa foi mais uma tentativa de atrapalhar as investigações. Na denúncia, o PGR traz mensagens obtidas pela PF, a partir da apreensão de um dos aparelhos celulares do ex-assessor, nas quais ele admite o vazamento das conversas sigilosas.

Na conversa com uma pessoa identificada como Daniela, Tagliaferro diz ter conversado com “a Folha”, que o jornal estava “investigando o ministro” e que o jornalista à frente da pauta “detonava o minstro”. O ex-assessor diz depois que “não serei identificado”.

Gonet descreveu o vazamento como uma “estratégia para incitar a prática de atos antidemocráticos e tentar desestabilizar as instituições republicanas”, colocando em dúvida a lisura da Justiça Eleitoral.

Entrevista e ameaça

A denúncia da PGR foi apresentada após Tagliaferro ter ameaçado revelar mais informações sigilosas, em entrevista concedida no mês passado ao blogueiro Allan dos Santos, também investigado por ataques ao Supremo.

“Tenho bastante coisa”, disse Tagliaferro na entrevista. “Tem algumas coisas fraudulentas que foram feitas”, acrescentou ele, depois de afirmar que havia direcionamento na atuação de Moraes contra personalidades de direita. 

Para Gonet, a entrevista é mais uma prova de que o ex-assessor do TSE aderiu aos objetivos de uma organização criminosa que visa desestabilizar as instituições brasileiras.

“O anúncio público recente (30.07.2025), em Estado estrangeiro, da intenção de revelar novas informações funcionais sigilosas, lançando, inclusive, campanha de arrecadação de recursos para financiar o seu intento criminoso, atende ao propósito da organização criminosa de tentar impedir e restringir o livre exercício do Poder Judiciário”, escreveu o PGR. 

COMPARTILHE NAS REDES