JOGOS DE INVERNO

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Lucas Pinheiro Braathen cai no slalom e é eliminado após ouro histórico

Medalha de ouro no slalom gigante dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, no sábado, Lucas Pinheiro Braathen foi eliminado no slalom nesta segunda-feira após queda na reta final da primeira descida

O sexto a descer na pista de Bormio, Braathen registrava tempo competitivo e brigava pela liderança provisória. Perdeu o equilíbrio nos metros finais e saiu do traçado, encerrando a participação antes da segunda descida.

O slalom é a prova mais técnica do esqui alpino. Exige reação em frações de segundo, leitura precisa do terreno e adaptação imediata às variações de neve e luminosidade. Um erro mínimo elimina qualquer chance de medalha.

“Esse é o nível mais alto. Competimos com a natureza”, afirmou o atleta, citando vento, incidência de sol e textura da neve como fatores decisivos.

A eliminação no slalom não apaga o feito de sábado. Ao conquistar o ouro no slalom gigante, Braathen colocou o Brasil em um território inédito nos Jogos de Inverno, tradicionalmente dominados por europeus e norte-americanos.

Filho de mãe brasileira e pai norueguês, o atleta optou por defender o Brasil após competir pela Noruega no circuito mundial. A decisão ampliou a visibilidade do País no esqui alpino e alterou o patamar de expectativa sobre o esporte de inverno nacional.

O ouro em Milão-Cortina cria precedente técnico e institucional. A Confederação Brasileira de Desportos na Neve passa a operar com outro nível de credibilidade internacional.

Impacto esportivo e efeito cascata no Brasil

Historicamente, o Brasil participa dos Jogos de Inverno com delegações reduzidas e foco em modalidades como bobsled e esqui cross-country. O esqui alpino raramente figurava entre candidatos a pódio.

A vitória de Braathen muda a narrativa. Patrocínios, formação de base e intercâmbios na Europa tendem a ganhar força. Jovens atletas passam a enxergar viabilidade competitiva.

Há, porém, um desafio estrutural: o Brasil não possui estações de esqui. A formação depende de temporadas no exterior, o que eleva custos e limita acesso. Sem política contínua, o efeito pode ser pontual.

Análise: o que o ouro e a eliminação significam para o futuro

O ouro no slalom gigante e a queda no slalom expõem duas realidades: o Brasil pode competir no topo, mas ainda depende de excelência individual. Nos próximos meses, o impacto real estará fora das pistas — na capacidade de transformar um feito isolado em programa estruturado. Se houver planejamento, o ciclo até os próximos Jogos de Inverno pode marcar o início de uma presença brasileira consistente na neve. Sem isso, o feito será lembrado como exceção histórica.

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