HISTÓRIA

Brasil e Mundo

Entenda as origens do 1º de maio, Dia do Trabalhador

© Domínio Público
Lutas históricas marcam a data
Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil
Mais do que comemorativo, o 1º de maio é uma data de luta. Foi assim em sua origem, em 1886, durante uma greve em Chicago, nos Estados Unidos, quando trabalhadores foram agredidos, presos e executados, em meio a reivindicações por redução de jornadas diárias, que duravam até 14 horas.

Historiador e professor da Escola Dieese de Ciências do Trabalho, Samuel Fernando de Souza explica que o episódio é conhecido como a “tragédia de Haymarket”. Os trabalhadores reivindicavam uma jornada de 8 horas e faziam manifestações contra espaços de trabalho insalubres.

“Esses trabalhadores foram duramente reprimidos, e vários líderes foram condenados à morte, por conta dessa revolta. E, durante a Internacional Socialista de 1889, decidiu-se a data de 1º de maio como dia de luta da classe trabalhadora, bem como de homenagem aos trabalhadores”, explicou o historiador.

Pesquisadora do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB) e autora de pesquisas voltadas a entender os desafios do trabalho no mundo contemporâneo, Laura Valle Gontijo lembra que a manifestação pela redução da jornada em Chicago culminou com a explosão de uma bomba no local.

“Isso acabou sendo usado como justificativa para a polícia [de Chicago] atirar contra os manifestantes, deixando quatro mortos e centenas de presos e feridos. Oito trabalhadores foram acusados de conspiração, mesmo sem evidências diretas; sete foram condenados à morte; e outros vários a uma pena de 15 anos de prisão. Um dos condenados à morte suicidou-se na prisão e outros quatro foram enforcados. É em memória a esses trabalhadores que se comemora a data”, explica Laura Valle Gontijo.

Símbolo

No Brasil, a data começou a ser comemorada por volta de 1891 em algumas cidades do Rio de Janeiro e, na sequência, em Porto Alegre.

“Sempre foi um símbolo do movimento dos trabalhadores organizados, mas posteriormente a data foi bastante disputada, na tentativa de reapropriá-la simbolicamente”, disse o historiador Samuel Fernando de Souza.

De acordo com Samuel, a ideia era a de dar ao 1º de maio uma conotação mais comemorativa ao trabalho do que em defesa do trabalhador, “a ponto de, logo após o golpe de 1964 ter esvaziado o movimento sindical, ser transformada em uma data de comemoração, uma data festiva, esvaziada do conteúdo político naquele momento que era de luta da classe trabalhadora”.

Durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, de 1930 a 1945, o 1º de maio, até então Dia do Trabalhador, passou a ser apropriado como Dia do Trabalho, data em que, inclusive, Vargas apresentou as leis de proteção ao trabalho e, em especial, a própria Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

“Na década de 1950, quando Vargas volta ao poder, ele continua se utilizando dessa data, normalmente para anunciar o aumento do salário mínimo”, acrescentou Samuel.

Novo sindicalismo

De acordo com o historiador, o uso da data volta a ser revertido no final dos anos 1970, quando ocorreu, no Brasil, um amplo movimento conhecido como Novo Sindicalismo.

“Foi ali que foram retomados muitos dos símbolos da classe trabalhadora, em meio aos movimentos do ABC e dos metalúrgicos, que fizeram surgir o Lula [posteriormente eleito presidente do Brasil] como uma figura principal e liderança naquele momento de lutas pela classe trabalhadora. A data voltou a ser reapropriada durante vários atos contra ditadura e em prol da abertura da política”, detalhou o historiador.

Trabalho ou trabalhador?

A pesquisadora Laura Gontijo explica que, ao tentar transformar o Dia do Trabalhador em Dia do Trabalho, as classes dominantes do Brasil tentaram evitar que os trabalhadores tivessem ciência da data enquanto luta por direitos trabalhistas.

“Tentaram transformar o 1º de maio em uma data sem sentido e sem conteúdo, como se fosse uma mera celebração de algo que, também, não fica muito claro o que é. O que seria o Dia do Trabalho? E por que se teria feriado no Dia do Trabalho? Isso não faria sentido”, complementou.

Segundo a pesquisadora da UnB, algo similar acontece com o Dia das Mulheres. 

“Tentam transformá-lo em uma data de celebração da mulher, em vez de uma pauta de luta por demandas concretas. No caso dos trabalhadores, a data atualmente visa fortalecer a luta pela redução da jornada de trabalho; por melhores salários; e pelo fim da escala 6×1, entre outras demandas”, argumentou.

Demandas

Na avaliação da pesquisadora, as demandas atuais dos trabalhadores abrangem dois espectros em especial. O primeiro deles, segundo ela, é a manutenção de direitos que têm sido constantemente atacados pelas elites do país. Há também lutas visando a ampliação de direitos, exemplifica.

“Veja essa discussão que está tendo agora no STF [Supremo Tribunal Federal], em relação a pejotização. Esse trabalhador contratado como pessoa jurídica não está protegido pela legislação trabalhista, que determina, por exemplo, a limitação da jornada de trabalho”, lembra Laura Gontijo.

Ela cita também a situação daqueles que prestam serviço por meio de plataformas digitais.

“Não há qualquer regulamentação dessas plataformas que colocam o indivíduo para trabalhar o tempo todo, enquanto o corpo tiver condições físicas para o trabalho”, alerta.

Tendo por base uma pesquisa feita em 2022, Laura Gontijo disse que os entregadores de aplicativo trabalhavam em média 47,6 horas semanais.

“Mas em entrevistas com os trabalhadores, constatamos jornadas de até 80 horas semanais, algo que é muito próximo ao que era feito no auge da Revolução Industrial, quando você não tinha nenhum tipo de regulamentação do trabalho”.

“Vemos, nesses casos, que a demanda dos trabalhadores continua a mesma. Na verdade, a gente observa até um certo retrocesso nessa legislação e na situação dos trabalhadores. Dois séculos se passaram e continuamos vendo trabalhadores fazendo uma jornada extremamente longa e excessiva, muito além das 44 horas semanais previstas na legislação”, afirmou a pesquisadora.

Ainda segundo a pesquisadora, muito se deve ao retrocesso que o poder sindical teve nas últimas décadas, o que resultou também no aumento do número de assédios no ambiente de trabalho, bem como de doenças físicas e psíquicas.

6×1

E é nesse cenário que se ampliaram as discussões como a da escala 6×1, acrescenta, ao se referir à medida prevista em projeto de lei que tramita no Congresso Nacional, prevendo 2 dias de repouso semanal, em vez de 1 dia.

“O que é esse debate nesse cenário de tantas empresas, comércios e indústrias com trabalhadores na escala 6×1? Em muitos casos, não há sequer um dia fixo para a folga. Isso inviabiliza até mesmo o dia para que o trabalhador fique com sua família, para ele descansar ou mesmo para cuidar dos afazeres domésticos. Isso é insustentável. A escala 6×1 não possibilita minimamente qualquer atividade social ou de lazer”, argumentou Laura Gontijo.

O resultado dessa jornada de trabalho, segundo a pesquisadora da UnB, são trabalhadores desvalorizados, desmotivados e submetidos a condições de trabalho extremamente ruins.

Redução da jornada

“Nos últimos anos vivemos um cenário de desvalorização histórica do salário mínimo. O trabalhador brasileiro recebe muito pouco e trabalha demais. Sem contar as muitas horas gastas diariamente com deslocamento, principalmente nas metrópoles, algo que deveria ser contado como parte da jornada de trabalho”, disse a pesquisadora.

Por esses motivos, segundo a pesquisadora, os debates têm avançado também na direção de uma redução da jornada diária de trabalho para 35 horas ou 36 horas semanais. 

“Essa é uma pauta fundamental da atualidade. Não adianta apenas você colocar o fim da escala 6×1 sem estabelecer um limite da jornada diária”, acrescentou.

“Até porque na escala 5×2 [com dois dias de descanso semanal] há o risco de [os patrões] aumentarem o número de horas trabalhadas por dia, para ter, como resultado, o mesmo número de horas trabalhadas [na semana]”, complementou Laura Gontijo, ao defender que se estabeleçam limites semanal e, também, diário, visando uma escala de 36 horas semanais sem corte de salários.

Resistência

A exemplo do que ocorreu quando o Brasil pôs fim à escravidão, muitas empresas se mostram resistentes às mudanças que visam tornar a legislação trabalhista brasileira “menos desumana”.

“Há muita campanha das empresas dizendo que vão quebrar, e que tais mudanças causariam grandes problemas. Mas veja o exemplo na França, que desde 1998 tem uma jornada de 35 horas semanais de trabalho, possibilitando, aos trabalhadores, mais tempo livre, seja para estudar, praticar atividades físicas, ou para conviver com os filhos e ter qualidade de vida com a família”, explica a pesquisadora.

Tecnologias e mais-valia

A verdade, segundo a pesquisadora, é que, com as novas tecnologias, as empresas ficaram mais produtivas, mas essa benesse acabou não sendo repassada a seus funcionários.

Médica digita no computador, tendo seu estetoscópio ao lado. Foto: National Cancer Institute/Unsplash

Médica digita no computador, tendo seu estetoscópio ao lado – Foto: National Cancer Institute/Unsplash/proibida reprodução

“O nível de produtividade das empresas tem sido cada vez maior com o desenvolvimento das tecnologias e com as inovações. Isso deveria mostrar que é possível manter a produção, mesmo com uma diminuição da quantidade de horas trabalhadas. No entanto, o que vemos é que isso não está beneficiando o trabalhador. A jornada de trabalho está aumentando ainda mais”, disse Laura Gontijo.

“A quantidade de mais-valia [diferença entre o que é produzido pelo trabalhador e o que é pago pelo patrão ao trabalhador] fica ainda maior, porque os trabalhadores estão trabalhando muito mais horas e a produtividade tem sido muito maior”.

“Isso comprova que a tecnologia não tem sido utilizada para melhorar as condições de vida da população, mas para aumentar essa exploração”, afirma.

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Alternativa

Valinhos Ferroviário resgata a memória das estradas de ferro #2

Crédito – Átila Almada – Divulgação APHV

Evento une pesquisa, história e cultura

 

Neste domingo, dia 30, o Museu Municipal Fotógrafo Haroldo Pazinatto, localizado no complexo da Estação Ferroviária de Valinhos, recebe a segunda edição do Valinhos Ferroviário. Organizado pela Associação de Preservação Histórica de Valinhos (APHV), o evento promete uma jornada pelo tempo, resgatando a importância dos trilhos no desenvolvimento da cidade e do estado de São Paulo.

Com entrada gratuita e uma programação de palestras, exposições e debates, o evento se destaca por abordar temas como história oral, sociologia ferroviária e o impacto das locomotivas a vapor. Uma oportunidade imperdível para famílias, pesquisadores e entusiastas reviverem o fascínio das ferrovias e compreenderem sua influência na identidade local.

Confira a programação:

  • 9h: Abertura oficial
  • 9h30: Vozes da ferrovia: a memória oral da Companhia Paulista
    Com Átila Almada (pesquisador e escritor) e Eduardo Levada (ex-ferroviário)
  • 10h30: Sociologia ferroviária: nos trilhos da memória
    Com Gustavo Menezes de Sousa (cientista social e professor)
  • 11h30: O Direito e a Preservação da Memória Ferroviária Paulista
    Com Angelo Zani (advogado e filho de ferroviários)
  • 14h: Projeto Café em Valinhos
    Com Bryan Gouveia (diretor da APHV)

Valinhos e os trilhos do progresso

O trecho Jundiaí-Campinas, que inclui Valinhos, foi o primeiro inaugurado pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro em 1872, impulsionando o crescimento da região. A antiga estação, hoje sede do museu, é um símbolo dessa era de ouro, e o evento busca reviver essas histórias, conectando passado e presente.

Além de palestras, o público presente ao Valinhos Ferroviário poderá conferir fotografias, modelos de trens e relatos emocionantes de quem viveu a era ferroviária. Como destaca Átila Almada, da APHV: “Resgatar essa memória é fortalecer nossa identidade e honrar o legado que moldou Valinhos.

 

 

Confira a programação de palestras

  • 9h– Abertura oficial
  • 9h30– Vozes da ferrovia: a memória oral da Companhia Paulista
    Palestrante:Átila Almada, pesquisador, escritor e membro da APHV.
    Convidado: Eduardo Levada, ex-ferroviário.
  • 10h30– Sociologia ferroviária: nos trilhos da memória
    Palestrante: Gustavo Menezes de Sousa, cientista social e professor.
  • 13h– Construção de locomotivas a vapor: o live steam
    Palestrante: Arnaldo Bottan, pioneiro na construção de maquetes na modalidade “vapor vivo”.

 

  • 14h– Projeto Café em Valinhos
    Palestrante: Bryan Rodrigues Gouveia, graduando em Gestão Pública e diretor da APHV.

 

O valor da ferrovia na construção da cidade

O trecho Jundiaí-Campinas, no qual se insere Valinhos, foi o primeiro aberto ao tráfego pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro, fundada em 30 de janeiro de 1868 pelos barões do café. Os trens começaram a circular experimentalmente em 31 de março de 1872, com inauguração oficial em 11 de agosto do mesmo ano. Esse marco histórico não apenas impulsionou o desenvolvimento econômico da região, mas também transformou Valinhos em um ponto estratégico para o transporte de passageiros e cargas, consolidando sua importância no cenário ferroviário paulista.

O Museu Municipal Fotógrafo Haroldo Angelo Pazinatto, que sedia o evento, abrigou entre 1913 e 1998 a segunda estação ferroviária de Valinhos. A primeira parada de trens, inaugurada em 1872, ainda existe à direita da atual estação, no sentido Campinas, mas hoje serve a outros propósitos. Esses espaços são testemunhas silenciosas de uma era em que os trilhos eram sinônimo de progresso e conexão, e o Valinhos Ferroviário busca reviver essa memória, celebrando o legado que moldou a identidade da cidade.

 

Sobre o Valinhos Ferroviário

O evento se destaca por sua abordagem única, focada na memória das estradas de ferro, que será explorada por meio de fotografias, palestras e exposições de modelos. A proposta é resgatar a história e fortalecer a identidade cultural da comunidade, conectando gerações e celebrando o legado ferroviário.

Átila Almada, membro da Comissão Organizadora e representante da APHV, ressalta a importância dese resgate. “Nós, da Associação de Preservação Histórica de Valinhos, acreditamos na importância de trazer ao primeiro plano a memória, enquanto constituinte identitário e pilar da cidadania, sobretudo em se tratando de um meio tão importante para o crescimento do município, como foi a circulação de trens, sob as mãos da Companhia Paulista e, depois, da Fepasa, com o deslocamento de passageiros e de cargas por, praticamente, todo o estado de São Paulo.”

 

Serviço – II Valinhos Ferroviário

Data: 30 de março de 2025
Horário: a partir das 9h
Local: Museu Municipal Fotógrafo Haroldo Pazinatto (Complexo da Estação Ferroviária de Valinhos)
Realização: Associação de Preservação Histórica de Valinhos (APHV)
Apoio: Prefeitura de Valinhos – Secretaria de Cultura e Turismo

 

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Alternativa

Valinhos Ferroviário resgata a memória das estradas de ferro

Crédito – Átila Almada – Divulgação APHV

Evento une pesquisa, história e cultura

 

Neste domingo, dia 30, o Museu Municipal Fotógrafo Haroldo Pazinatto, localizado no complexo da Estação Ferroviária de Valinhos, recebe a segunda edição do Valinhos Ferroviário. Organizado pela Associação de Preservação Histórica de Valinhos (APHV), o evento promete uma jornada pelo tempo, resgatando a importância dos trilhos no desenvolvimento da cidade e do estado de São Paulo.

Com entrada gratuita e uma programação de palestras, exposições e debates, o evento se destaca por abordar temas como história oral, sociologia ferroviária e o impacto das locomotivas a vapor. Uma oportunidade imperdível para famílias, pesquisadores e entusiastas reviverem o fascínio das ferrovias e compreenderem sua influência na identidade local.

Confira a programação:

  • 9h: Abertura oficial
  • 9h30: Vozes da ferrovia: a memória oral da Companhia Paulista
    Com Átila Almada (pesquisador e escritor) e Eduardo Levada (ex-ferroviário)
  • 10h30: Sociologia ferroviária: nos trilhos da memória
    Com Gustavo Menezes de Sousa (cientista social e professor)
  • 11h30: O Direito e a Preservação da Memória Ferroviária Paulista
    Com Angelo Zani (advogado e filho de ferroviários)
  • 14h: Projeto Café em Valinhos
    Com Bryan Gouveia (diretor da APHV)

 

O valor da ferrovia na construção da cidade

O trecho Jundiaí-Campinas, no qual se insere Valinhos, foi o primeiro aberto ao tráfego pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro, fundada em 30 de janeiro de 1868 pelos barões do café. Os trens começaram a circular experimentalmente em 31 de março de 1872, com inauguração oficial em 11 de agosto do mesmo ano. Esse marco histórico não apenas impulsionou o desenvolvimento econômico da região, mas também transformou Valinhos em um ponto estratégico para o transporte de passageiros e cargas, consolidando sua importância no cenário ferroviário paulista.

O Museu Municipal Fotógrafo Haroldo Angelo Pazinatto, que sedia o evento, abrigou entre 1913 e 1998 a segunda estação ferroviária de Valinhos. A primeira parada de trens, inaugurada em 1872, ainda existe à direita da atual estação, no sentido Campinas, mas hoje serve a outros propósitos. Esses espaços são testemunhas silenciosas de uma era em que os trilhos eram sinônimo de progresso e conexão, e o Valinhos Ferroviário busca reviver essa memória, celebrando o legado que moldou a identidade da cidade.

 

Sobre o Valinhos Ferroviário

O evento se destaca por sua abordagem única, focada na memória das estradas de ferro, que será explorada por meio de fotografias, palestras e exposições de modelos. A proposta é resgatar a história e fortalecer a identidade cultural da comunidade, conectando gerações e celebrando o legado ferroviário.

Átila Almada, membro da Comissão Organizadora e representante da APHV, ressalta a importância dese resgate. “Nós, da Associação de Preservação Histórica de Valinhos, acreditamos na importância de trazer ao primeiro plano a memória, enquanto constituinte identitário e pilar da cidadania, sobretudo em se tratando de um meio tão importante para o crescimento do município, como foi a circulação de trens, sob as mãos da Companhia Paulista e, depois, da Fepasa, com o deslocamento de passageiros e de cargas por, praticamente, todo o estado de São Paulo.”

 

Serviço – II Valinhos Ferroviário

Data: 30 de março de 2025
Horário: a partir das 9h
Local: Museu Municipal Fotógrafo Haroldo Pazinatto (Complexo da Estação Ferroviária de Valinhos)
Realização: Associação de Preservação Histórica de Valinhos (APHV)
Apoio: Prefeitura de Valinhos – Secretaria de Cultura e Turismo

 

 

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Valinhos Ferroviário resgata a memória das estradas de ferro

Crédito – Átila Almada – Divulgação APHV

Evento une pesquisa, história e cultura

 

Neste domingo, dia 30, o Museu Municipal Fotógrafo Haroldo Pazinatto, localizado no complexo da Estação Ferroviária de Valinhos, recebe a segunda edição do Valinhos Ferroviário. Organizado pela Associação de Preservação Histórica de Valinhos (APHV), o evento promete uma jornada pelo tempo, resgatando a importância dos trilhos no desenvolvimento da cidade e do estado de São Paulo.

Com entrada gratuita e uma programação de palestras, exposições e debates, o evento se destaca por abordar temas como história oral, sociologia ferroviária e o impacto das locomotivas a vapor. Uma oportunidade imperdível para famílias, pesquisadores e entusiastas reviverem o fascínio das ferrovias e compreenderem sua influência na identidade local.

Confira a programação:

  • 9h: Abertura oficial
  • 9h30: Vozes da ferrovia: a memória oral da Companhia Paulista
    Com Átila Almada (pesquisador e escritor) e Eduardo Levada (ex-ferroviário)
  • 10h30: Sociologia ferroviária: nos trilhos da memória
    Com Gustavo Menezes de Sousa (cientista social e professor)
  • 11h30: O Direito e a Preservação da Memória Ferroviária Paulista
    Com Angelo Zani (advogado e filho de ferroviários)
  • 14h: Projeto Café em Valinhos
    Com Bryan Gouveia (diretor da APHV)

Valinhos e os trilhos do progresso

O trecho Jundiaí-Campinas, que inclui Valinhos, foi o primeiro inaugurado pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro em 1872, impulsionando o crescimento da região. A antiga estação, hoje sede do museu, é um símbolo dessa era de ouro, e o evento busca reviver essas histórias, conectando passado e presente.

Além de palestras, o público presente ao Valinhos Ferroviário poderá conferir fotografias, modelos de trens e relatos emocionantes de quem viveu a era ferroviária. Como destaca Átila Almada, da APHV: “Resgatar essa memória é fortalecer nossa identidade e honrar o legado que moldou Valinhos.

 

 

Confira a programação de palestras

  • 9h– Abertura oficial
  • 9h30– Vozes da ferrovia: a memória oral da Companhia Paulista
    Palestrante:Átila Almada, pesquisador, escritor e membro da APHV.
    Convidado: Eduardo Levada, ex-ferroviário.
  • 10h30– Sociologia ferroviária: nos trilhos da memória
    Palestrante: Gustavo Menezes de Sousa, cientista social e professor.
  • 13h– Construção de locomotivas a vapor: o live steam
    Palestrante: Arnaldo Bottan, pioneiro na construção de maquetes na modalidade “vapor vivo”.

 

  • 14h– Projeto Café em Valinhos
    Palestrante: Bryan Rodrigues Gouveia, graduando em Gestão Pública e diretor da APHV.

 

O valor da ferrovia na construção da cidade

O trecho Jundiaí-Campinas, no qual se insere Valinhos, foi o primeiro aberto ao tráfego pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro, fundada em 30 de janeiro de 1868 pelos barões do café. Os trens começaram a circular experimentalmente em 31 de março de 1872, com inauguração oficial em 11 de agosto do mesmo ano. Esse marco histórico não apenas impulsionou o desenvolvimento econômico da região, mas também transformou Valinhos em um ponto estratégico para o transporte de passageiros e cargas, consolidando sua importância no cenário ferroviário paulista.

O Museu Municipal Fotógrafo Haroldo Angelo Pazinatto, que sedia o evento, abrigou entre 1913 e 1998 a segunda estação ferroviária de Valinhos. A primeira parada de trens, inaugurada em 1872, ainda existe à direita da atual estação, no sentido Campinas, mas hoje serve a outros propósitos. Esses espaços são testemunhas silenciosas de uma era em que os trilhos eram sinônimo de progresso e conexão, e o Valinhos Ferroviário busca reviver essa memória, celebrando o legado que moldou a identidade da cidade.

 

Sobre o Valinhos Ferroviário

O evento se destaca por sua abordagem única, focada na memória das estradas de ferro, que será explorada por meio de fotografias, palestras e exposições de modelos. A proposta é resgatar a história e fortalecer a identidade cultural da comunidade, conectando gerações e celebrando o legado ferroviário.

Átila Almada, membro da Comissão Organizadora e representante da APHV, ressalta a importância dese resgate. “Nós, da Associação de Preservação Histórica de Valinhos, acreditamos na importância de trazer ao primeiro plano a memória, enquanto constituinte identitário e pilar da cidadania, sobretudo em se tratando de um meio tão importante para o crescimento do município, como foi a circulação de trens, sob as mãos da Companhia Paulista e, depois, da Fepasa, com o deslocamento de passageiros e de cargas por, praticamente, todo o estado de São Paulo.”

 

Serviço – II Valinhos Ferroviário

Data: 30 de março de 2025
Horário: a partir das 9h
Local: Museu Municipal Fotógrafo Haroldo Pazinatto (Complexo da Estação Ferroviária de Valinhos)
Realização: Associação de Preservação Histórica de Valinhos (APHV)
Apoio: Prefeitura de Valinhos – Secretaria de Cultura e Turismo

 

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Documentário conta a história da Imigração Italiana em Valinhos

O Projeto de Audiovisual Memórias Vivas lançará a sua segunda edição, “A imigração Italiana em Valinhos”.

Com lançamento oficial marcado para a próxima terça-feira, dia 25, Dia do Imigrante, às 19 horas no auditório “Darci Rossi”, o documentário “A Imigração Italiana em Valinhos” é a segunda produção do Projeto Memórias Vivas, idealizado pelas valinhenses Monica Santos e Paula Negrão e faz uma homenagem aos 150 anos da imigração italiana no Brasil e 136 dela em Valinhos.

Segundo Mônica e Paula, o documentário conta a história da trajetória de cinco imigrantes italianos que realizaram a travessia do Atlântico para América de navio a vapor, trazendo em suas bagagens alegria, sonhos, esperança, coragem para iniciar uma nova vida no Brasil: “Terra di Fortuna”. Para a idealização desta segunda produção foi realizado um minucioso trabalho de curadoria, estudo e pesquisa, para catalogar as famílias italianas que chegaram na região e contribuíram para o desenvolvimento da “Vila dos Vallinhos”, que contou especialmente com a orientação da Evelize Moreira, Analista de Pesquisa do Museu da Imigração do Estado de São Paulo, (um dos locais do roteiro de gravação do documentário), e a Bibliotecária Ludmilila Ferrarezi – Biblioteca Pública Municipal Dr. Mário Corrêa Lousada de Valinhos.

Para as idealizadoras do projeto, o documentário tem a “sua importância por que perpassa pelo caminho criativo com um conteúdo informativo digital de qualidade, para as gerações atuais e futuras, que poderão se apropriar de novos saberes, perpassando pelos fios narrativos da origem dos costumes e tradições locais, do desenvolvimento da agricultura, comércio, indústria, gastronomia e outras que tiveram a sua importância no desenvolvimento da cidade”.

Criado pela MS Produções e filmado pela RVB Filmes o Documentário Memórias Vivas – Imigração Italiana em Valinhos, foi selecionado no edital de chamamento público no 001/2023, edital de seleção de projetos (Lei Paulo Gustavo) – audiovisual no formato curta metragem, com recursos do Governo Federal repassados por meio da Lei Complementar nº 195/2022 – Lei Paulo Gustavo ao Munícipio de Valinhos.

Após o seu lançamento “A imigração Italiana em Valinhos”será disponibilizado em plataforma digital, rede sociais, canal Youtube, permitindo o acesso gratuito da população de Valinhos e interessados ao material produzido, contribuindo com conhecimento de parte da história Valinhense narradas pelos seus coautores. No segundo semestre acontecerão ações de contrapartida do projeto

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Alternativa

Descoberta Arqueológica: Moeda de 1722 revela tesouro histórico em fazenda de Valinhos

Moeda histórica foi encontrada na Fazenda São João das Pedras e doada à APHV

No dia 16 de fevereiro de 2024, a Associação de Preservação Histórica de Valinhos recebeu a doação de uma moeda de 1722, encontrada na Fazenda São João das Pedras, uma propriedade particular, em Valinhos. Trata-se do item histórico mais antigo encontrado na cidade até o momento em que se tem conhecimento, que integrará o acervo da associação e, posteriormente, será transferido para o museu municipal que se encontra em processo de reforma e institucionalização.

A moeda, que estava enterrada, foi encontrada pelo administrador da fazenda e tem 302 anos. Para efeitos de comparação, o prédio da primeira estação ferroviária de Valinhos, localizado na Rua Sete de Setembro, uma das estruturas mais antigas ainda de pé em Valinhos, tem 152 anos, enquanto o próprio município de Valinhos tem 128 anos. Dessa forma, essa moeda remonta aos tempos em que Alexandre Simões Vieira teria ganhado a sesmaria do Ribeirão Pinheiro em 1732 e instalado o antigo pouso que ficaria localizado na região do bairro Capuava, conforme relata Mario Pires no livro “Valinhos: Tempo e Espaço”.

De acordo com o pesquisador Allan Pietri, membro da associação, genealogista e numismata, a moeda foi cunhada em Lisboa, Portugal, em 1722. Esta moeda colonial de cobre foi originalmente cunhada para circulação na região de Minas Gerais, sendo a única moeda de valor “XL” cunhada por D. João V. A Capitania de Minas Gerais foi criada em 12 de setembro de 1720 a partir da divisão da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro, tendo sua capital em Vila Rica (atual Ouro Preto). Allan destaca que, além desta moeda, existiam moedas com valores monetários muito superiores, como as de ouro e prata.

Segundo Bryan Gouveia, pesquisador e diretor Social da APHV, responsável por localizar o doador da moeda, o fato de ter sido encontrada na região da Serra dos Cocais aponta que, durante o início do século XVIII, a região da Estrada da Jequitibá muito provavelmente já era ocupada pelos colonizadores portugueses, os quais possivelmente exploravam a mão de obra escrava indígena e africana, conforme corroboram as descobertas feitas por Bryan de dois possíveis cemitérios: um seria dos escravizados da Fazenda Espírito Santo e outro, um cemitério indígena no Parque Valinhos, ambos notificados ao IPHAN (processo número 01506.000021/2024-82). Essas descobertas aumentam ainda mais a importância da região da Serra dos Cocais, que guarda a história das primeiras ocupações humanas na região.

“A simples descoberta de uma moeda não carrega grande relevância por si só. O que verdadeiramente importa é o que podemos inferir sobre a dinâmica social e econômica da época na região. Por meio dessa descoberta, aliada à possível identificação de cemitérios indígenas e de pessoas negras escravizadas, por exemplo, podemos compreender que o território de Valinhos foi profundamente influenciado pelo processo de colonização portuguesa, possivelmente mais do que se poderia imaginar, especialmente no que diz respeito à dinâmica territorial e à exploração da população negra e indígena. Dessa forma, podemos enxergar a história de Valinhos de uma perspectiva muito mais abrangente e diversificada, pois a história do município não se resume apenas história urbana no século XX.” – Bryan Rodrigues Gouveia, pesquisador, diretor social da APHV e aluno de graduação em Administração Pública na Unicamp.

Todas essas descobertas são desdobramentos do projeto “Café em Valinhos”, idealizado por Bryan Gouveia e Ulisses Porto. Segundo a pesquisa realizada pelos membros da APHV que lideram o projeto, a Fazenda São João das Pedras teve como proprietário mais conhecido Honório Fernandes Monteiro (1894-1968), que foi deputado da Assembleia Nacional Constituinte em 1945, ocupando posteriormente a presidência da Câmara dos Deputados; em outubro de 1948, foi nomeado Ministro do Trabalho do Governo Gaspar Dutra. No entanto, antes de se tornar proprietário da fazenda, esta já existia. A propriedade é uma das fazendas oitocentistas mais relevantes de Valinhos e foi uma grande produtora de café. De acordo com os pesquisadores, ainda é possível encontrar na fazenda algumas antigas estruturas que resistiram ao tempo, como a antiga casa-sede e o terreiro de café.

O projeto “Café em Valinhos” já publicou três artigos que podem ser acessados através do blog https://historiavalinhos.blogspot.com/. Em breve, será publicado um artigo inédito sobre a Fazenda São João das Pedras e a descoberta da moeda.

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