ENTREVISTA

Valinhos

Dra. Nayene fala sobre a odontologia como pilar da saúde integral

No Dia Nacional da Saúde Bucal e do Cirurgião-Dentista, celebrado em 25 de outubro, a Dra. Nayene Leocádia Manzutti Eid, diretora do Departamento de Odontologia da Prefeitura de Valinhos, detalha a visão estratégica que está transformando o cuidado público no município. Em entrevista à Folha de Valinhos, Dra. Nayene reforça a importância da saúde bucal como indicador de saúde geral — conceito que ganhou destaque com a recente Lei Municipal do Junho Pérola. A diretora explica que a descentralização do atendimento é o eixo principal dessa mudança. Confira os principais trechos da entrevista nesta página. A entrevista na íntegra pode ser lida no portal da Folha de Valinhos.

FOLHA DE VALINHOS O dia 25 de outubro celebra o Dia Nacional da Saúde Bucal e o Dia do Cirurgião-Dentista. Qual a importância desta data para reforçar a conscientização sobre a saúde bucal — que a Lei 10.465/2002 destaca como um indicador de saúde geral — e para valorizar o trabalho da odontologia na saúde pública de Valinhos?

DRA. NAYENE Essa data tem um significado relevante. Ela reforça que a saúde bucal é parte inseparável da saúde geral, como já reconhece a legislação nacional e, mais recentemente, a Lei Municipal nº 6.732, de maio de 2025, proposta pelo vereador Vagner Alves e sancionada pelo prefeito Franklin Duarte de Lima, que instituiu em Valinhos o Junho Pérola, mês de conscientização sobre a importância da saúde bucal para a saúde geral. Uma boca saudável reflete equilíbrio, qualidade de vida e bem-estar, e isso deve ser entendido como um direito de todos.

Também é uma oportunidade de valorizar o trabalho de cada profissional que atua na rede municipal. Nossas equipes estão em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade, no Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) e nas ações itinerantes, levando cuidado, acolhimento e dignidade à população. O 25 de outubro celebra a nossa missão diária: garantir que a odontologia pública de Valinhos seja sinônimo de saúde integral e humanização.

FV O Departamento tem priorizado a descentralização do atendimento. Qual é a visão estratégica por trás dessa mudança e como ela impacta diretamente a vida dos valinhenses, especialmente das mães e das pessoas que têm dificuldade em se ausentar do trabalho para ir a uma Unidade Básica de Saúde (UBS)?

DRA. NAYENE A descentralização é um eixo estratégico no nosso plano de ação. A ideia é levar o cuidado odontológico para mais perto da população valinhense, reduzindo barreiras como deslocamento, trabalho, falta de tempo ou dificuldades logísticas; fatores que com frequência comprometem o acesso, especialmente para mães que trabalham, famílias com horário apertado, ou pessoas que não conseguem se ausentar da atividade profissional para ir até uma UBS no horário comercial. Ao levar o atendimento até os territórios, ampliamos o acesso e reduzimos desigualdades.

Essa visão busca transformar o cuidado em algo mais acessível, próximo e resolutivo. Quando o serviço vai até o munícipe, aumentamos a adesão, diminuímos faltas e fortalecemos o vínculo com a rede de saúde. É uma mudança que impacta diretamente o cotidiano das famílias valinhenses.

 

FV A aquisição de quatro conjuntos portáteis trouxe uma grande inovação para a logística de atendimento. Na prática, como esses equipamentos garantem a mesma qualidade e resolutividade do tratamento dentário que seria realizado em um consultório fixo?

DRA. NAYENE Os equipos odontológicos portáteis permitem que o dentista realize procedimentos clínicos com o mesmo padrão técnico de um consultório fixo, mas em locais remotos ou com baixa infraestrutura, onde antes isso não seria possível — como escolas, instituições e centros comunitários.

Cada conjunto possui os mesmos componentes de um consultório tradicional, com turbinas de alta e baixa rotação (o conhecido “motorzinho”), seringa tríplice (jato de ar) e sistema de sucção (sugador), e segue os mesmos protocolos de biossegurança, garantindo conforto e qualidade técnica. Assim, o atendimento deixa de estar restrito às UBS ou ao CEO e passa a ir até onde as pessoas estão.

Esses equipamentos são um marco de inovação e traduzem a política de inclusão e eficiência da gestão municipal: onde há necessidade, o cuidado chega. A iniciativa é fruto de emenda parlamentar do vereador Alécio Cau, que tem sido um parceiro importante da odontologia pública. Trata-se de um exemplo concreto de como políticas públicas efetivas, construídas com diálogo e compromisso, podem transformar realidades e ampliar o acesso à saúde.

 FV O foco no público infantil é evidente nas ações contínuas em escolas (como a EMEB Marli Borelli) e instituições (ACES, Casa da Criança, Cohcric). Qual é o objetivo principal dessas campanhas e qual o papel do diagnóstico precoce para o desenvolvimento saudável das crianças?

DRA. NAYENE Nosso foco no público infantil, por meio de campanhas contínuas em escolas da rede municipal e em instituições assistenciais — como a ACES, a Casa da Criança e do Adolescente, o Cohcric —, além da parceria com a ONG Acovidas, que acolhe crianças refugiadas, responde a um objetivo estratégico: intervir precocemente, fortalecendo o cuidado preventivo e identificando necessidades de tratamento logo nos primeiros sinais de cárie ou outras alterações bucais.

As visitas das equipes de saúde bucal a esses locais reforçam a importância de cuidar com carinho da saúde e do bem-estar das crianças. A promoção da saúde bucal na infância é determinante, pois hábitos adquiridos nessa fase — como a escovação correta e o acompanhamento regular ao dentista — impactam diretamente a qualidade de vida e o desenvolvimento saudável. Além das ações educativas e triagens clínicas, muitas vezes levamos também o tratamento odontológico in loco, o que permite que as crianças sejam atendidas no próprio ambiente escolar ou institucional, garantindo conforto, reduzindo faltas e evitando deslocamentos desnecessários.

A prevenção nessa fase evita dor, evasão escolar e tratamentos complexos no futuro. Tem se mostrado a forma mais eficaz e humana de promover saúde bucal e, quando associada ao diagnóstico precoce e ao tratamento imediato, forma uma geração mais saudável, confiante e consciente do valor do autocuidado.

 

FV Após as avaliações nas instituições, há um planejamento para retorno e tratamento das lesões de cárie, como o agendado para o Cohcric. Como o Departamento assegura que as crianças diagnosticadas recebam o tratamento adequado para que a prevenção se complete com a cura?

DRA. NAYENE Após as avaliações realizadas nas instituições, o Departamento de Odontologia estabelece um fluxo organizado para garantir que toda criança diagnosticada com lesão de cárie receba o tratamento necessário. As equipes registram os achados clínicos e, sempre que possível, realizam o tratamento diretamente no local, utilizando os equipamentos portáteis adquiridos pelo município. Além disso, mantemos contato constante com as escolas e instituições e programamos retornos regulares para cuidar das nossas crianças. Esse acompanhamento exige articulação entre profissionais, escolas, famílias e gestão, e tem sido possível graças ao comprometimento da nossa equipe e ao apoio da Prefeitura de Valinhos em transformar a prevenção em resultado concreto, assegurando crianças com saúde bucal restabelecida e melhor qualidade de vida.

 

FV A inauguração do consultório odontológico no Centro de Convivência do Idoso (CCI) marca uma atenção específica a essa faixa etária. Qual a importância desse atendimento focado (que inclui o uso de laser e diagnóstico precoce de doenças da boca) para a qualidade de vida e a saúde geral do idoso em Valinhos?

DRA. NAYENE O consultório odontológico do Centro de Convivência do Idoso (CCI) representa um avanço significativo na política pública de saúde de Valinhos. O espaço foi entregue à população idosa pelo prefeito Franklin antes de completar os 100 dias de governo, reforçando o compromisso da gestão municipal com o cuidado integral e humanizado desse público.

O CCI é um local de convivência ativa, onde as pessoas idosas participam de oficinas, ginástica, cursos, rodas de conversa e atividades recreativas. Levar o atendimento odontológico para dentro desse ambiente de acolhimento fortalece o vínculo com o serviço e facilita o acesso de quem, muitas vezes, enfrenta limitações de locomoção ou dificuldade para comparecer às UBSs. Essa aproximação entre o cuidado e o cotidiano das pessoas é uma marca da gestão municipal. Na prática, esse consultório representa respeito, cuidado e reconhecimento da trajetória de vida da pessoa idosa.

A população idosa muitas vezes enfrenta desafios específicos, como perda dentária, próteses mal adaptadas, dentes remanescentes, xerostomia, doenças da gengiva, até câncer de boca. Cuidar da saúde bucal desse público é fundamental, mesmo quando ele já não possui todos os dentes. Ao implantarmos, no CCI, um consultório odontológico dedicado, estamos dando um passo de grande valor para a saúde integral da pessoa idosa. Esse atendimento contribui para a melhora da mastigação, da nutrição, da fala, da autoestima, além da detecção precoce de doenças graves, como o câncer bucal. Também promove sociabilidade, pois o idoso que sorri se relaciona melhor. Mais do que um serviço odontológico, é um espaço de acolhimento, cuidado e valorização da dignidade da pessoa idosa.

 

FV  O programa “Odontologia de Ponta a Ponta” ampliou o atendimento de urgência e dor no CEO para os sábados e domingos. Qual foi o impacto dessa medida na demanda por socorro odontológico e como essa cobertura de 7 dias por semana alivia o sistema de saúde, evitando que casos odontológicos acabem nas UPAs ou prontos-socorros?

DRA. NAYENE Com o atendimento aos sábados e domingos no CEO, a Prefeitura de Valinhos passou a oferecer cobertura odontológica sete dias por semana — um avanço histórico. Com isso, os valinhenses têm acesso ao serviço de urgência odontológica que funciona também aos finais de semana, fora do horário comercial. O impacto foi imediato: redução do sofrimento de quem sente dor e, uma vez que o munícipe encontra alívio e conforto por meio da assistência em nosso serviço, há a redução do número de pessoas sobrecarregando as UPAs por dor de dente. Além disso, o atendimento é mais rápido, humano e especializado. Em saúde pública, garantir esse tipo de cobertura significa evitar que uma dor de dente se transforme em infecção grave, com complicações e internação hospitalar. Também representa economia para o sistema como um todo. Essa medida reforça a visão de que saúde bucal é um serviço essencial.

 

FV O Departamento administra diversas frentes de trabalho: UBSs, CEO (com atendimento de urgência estendido), CCI e ações itinerantes. Como a gestão coordena todos esses pontos de atendimento para garantir um fluxo eficiente e que nenhum público fique desassistido, desde o bebê até o idoso?

DRA. NAYENE  Coordenar múltiplas frentes de atendimento exige organização, processos bem definidos, equipe capacitada e uma articulação constante entre todos os pontos da rede e os programas autorais implementados e que são próprios do município de Valinhos.
Estruturamos aqui na cidade um modelo de gestão que integra programas específicos delineados para as diferentes faixas etárias e perfis da população, por exemplo: crianças e adolescentes, pessoas idosas, gestantes, servidores públicos, refugiados, famílias em assentamentos, pessoas que vivenciam o câncer, mulheres vítimas de violência doméstica e seus filhos menores de idade, dentre outros. Esse trabalho começa pela identificação clara dos públicos-alvo e pela definição de locais e horários de atendimento que realmente atendam às necessidades da comunidade, seja nas UBSs, no CEO, nos serviços itinerantes ou no Centro de Convivência do Idoso.

As agendas são integradas de forma que as avaliações realizadas em qualquer unidade de saúde ou outro lugar que as equipes de saúde bucal visitem resultem em tratamentos odontológicos in loco, ou em encaminhamentos para tratamento nas UBSs ou no CCI. Em todos esses pontos, adotamos protocolos clínicos padronizados, garantindo que a qualidade do atendimento seja a mesma, independentemente do local. Além disso, a gestão do Departamento de Odontologia mantém um acompanhamento extremamente próximo, participativo e atuante em todos os programas implementados, assegurando que ninguém fique desassistido. Esse conjunto de ações permitiu que Valinhos alcançasse um modelo inédito, moderno, resolutivo e humano de cuidado em saúde bucal, no qual cada cidadão encontra um caminho acessível e acolhedor para o seu atendimento.

 

FV A Sra. costuma destacar que a prevenção faz a diferença e que atitudes simples podem impactar a qualidade de vida. Na sua experiência, qual a principal barreira ou desafio cultural que o Departamento encontra em Valinhos para que a população adote a manutenção da saúde bucal como hábito regular?

DRA. NAYENE O desafio cultural é múltiplo, mas, se eu tivesse que apontar o principal, diria que é a subestimação da boca e da saúde bucal como parte integrante da saúde geral. Muitas pessoas ainda procuram o dentista apenas diante da dor. Essa postura reativa, e não preventiva, faz com que situações simples evoluam para problemas mais graves. Em Valinhos, temos trabalhado para superar esse desafio por meio da promoção e educação permanente em saúde bucal — nas escolas, nas comunidades, em cada grupo vulnerável e nas famílias —, fortalecendo uma cultura de cuidado contínuo e consciente por meio dos programas que implementamos e que realizam a busca ativa, levando o cuidado até onde a população está. A prevenção, o acesso facilitado e a descentralização dos serviços têm sido pilares dessa transformação.

 

FV Além da cárie, que é um problema frequente, quais são hoje os principais desafios de saúde bucal que a população adulta e idosa de Valinhos enfrenta, e quais as campanhas prioritárias para combatê-los, como, por exemplo, o combate ao câncer de boca?

DRA. NAYENE Além da cárie, que segue sendo uma demanda frequente, entre a população adulta e a idosa, identificamos desafios emergentes que merecem atenção prioritária. As doenças periodontais, como gengivite, periodontite e perda óssea, são mais comuns nessas faixas etárias e possuem forte relação com doenças sistêmicas, como diabetes e cardiovasculares. A perda dentária e a necessidade de reabilitação oral também são recorrentes.

A xerostomia, o uso contínuo de medicamentos e as alterações de mucosa exigem cuidado especializado, já que fatores sistêmicos podem agravar o quadro bucal. O câncer de boca é outro foco central: o consultório odontológico do CCI foi implantado também com o objetivo de ampliar o diagnóstico precoce de doenças da boca, incluindo o câncer.

Outro desafio importante é o acesso e a adesão ao tratamento, especialmente entre adultos que conciliam trabalho e cuidados pessoais ou idosos com mobilidade reduzida.

Para enfrentar esses cenários, Valinhos tem fortalecido uma rede de cuidado integral, que une promoção de saúde, prevenção e reabilitação. As ações incluem campanhas educativas contínuas, triagens de câncer bucal, ampliação do acesso ao serviço de odontologia e atendimentos voltados aos grupos mais vulneráveis, como idosos e trabalhadores com pouco tempo disponível. Também buscamos aproximar o cuidado da rotina das pessoas, levando o atendimento às instituições, lares de longa permanência de pessoas idosas, centros de convivência e espaços comunitários, de forma que a prevenção aconteça antes da dor e o tratamento se conclua com resolutividade.

 

FV Olhando para o futuro, e considerando o legado de modernização e ampliação do acesso que o Departamento tem construído, quais são os próximos passos ou grandes projetos para os anos seguintes em termos de tecnologia, expansão de serviços ou novos programas preventivos?

DRA. NAYENE

O futuro da odontologia pública em Valinhos é, ao mesmo tempo, promissor e desafiador. O foco do Departamento permanece na consolidação do legado de modernização e na ampliação do acesso, sempre guiado por tecnologia, inovação e humanização no cuidado. A curto prazo, trabalhamos para viabilizar o acesso ao serviço de urgência de forma centralizada e com horário estendido. A médio prazo, estudamos a possibilidade de implementar a teleconsulta odontológica, e, a longo prazo, de ampliar gradualmente a capacidade de atendimento do CEO com a possível implementação de novos equipos, além de incorporar recursos de radiologia e próteses digitais; iniciativas que podem ampliar o acesso, a resolutividade e otimizar o tempo de atendimento.

Essas perspectivas estão sendo analisadas com responsabilidade técnica e em consonância com a realidade orçamentária e estrutural do município. Nosso compromisso é seguir aprimorando a rede de saúde bucal de forma sustentável, mantendo a qualidade do atendimento e o cuidado humanizado que se tornaram marcas da odontologia pública de Valinhos.

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Brasil e Mundo

Nasa aposta em missões espaciais para buscar vida em luas e planetas

© Arte Nasa
Em entrevista exclusiva, astrônoma brasileira falou sobre os projetos
Adrielen Alves – repórter da TV Brasil
Sessenta anos após a primeira missão para Marte, a Mariner 4, que tinha o objetivo de registrar imagens do planeta vermelho, a expedição envolvendo o veículo rover Perseverance já é considerada a mais animadora pela comunidade científica e a mais próxima de localizar vida fora do planeta Terra.

Esta é a constatação da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) que, no último dia 10, anunciou possíveis indícios de bioassinatura em uma rocha, localizada na cratera de Jezero.

Na região marciana, onde há bilhões de anos correram rios e lagos, uma combinação de minerais e material orgânico localizados em uma rocha, chamada de Chevaya Falls, pode indicar a existência de vida antiga.

Seria uma espécie de microfóssil, resultado do metabolismo microbiano expelido após se “alimentarem’’ de material orgânico, explicaram cientistas da agência espacial.

A notícia, que já circulava em laboratórios da Nasa há cerca de um ano veio a público agora, após a revisão por pares de cientistas e com a publicação de um artigo na renomada revista Nature.

Os achados foram considerados relevantes por uma equipe internacional de cientistas, mas não são conclusivos, aponta o artigo. Isso porque também existe a possibilidade de se tratar de uma ação abiótica, decorrente de um processo químico não biológico, ou seja, sem presença de vida.

Para a astrônoma brasileira Rosaly Lopes, vice-diretora de Ciências Planetárias do Jet Propulsion Laboratory (Laboratório de Propulsão a Jato, em tradução livre) da Nasa, embora os resultados das análises do Perseverance sejam animadores, eles só serão conclusivos após a checagem da amostra em laboratórios terrestres.

O administrador interino da Nasa, Sean Duffy, informou que trazer a amostra de volta para a Terra depende ainda da avaliação de orçamento, do tempo e da tecnologia que seria empregada na missão de resgate.

Planeta Marte em foto do telescópio espacial Hubble da Nasa
Planeta Marte em foto do telescópio espacial Hubble da Nasa – NASA/Direitos reservados

Corrida Espacial

Mesmo com os desafios para confirmar a existência de vida em Marte, a Nasa está a todo vapor na corrida espacial, no páreo com países como China, Índia e Rússia.

Estes países se unem ao jogo para ver quem desvenda primeiro a grande questão sobre o Universo: estamos sós nesta imensidão?

Em entrevista exclusiva à TV Brasil a astrônoma brasileira Rosaly Lopes abordou temas como as futuras missões espaciais lideradas pela Nasa, onde ela trabalha há mais de 30 anos, e sobre o quão próximo estamos de respostas de vida no nosso Sistema Solar.

“Um dos maiores objetivos agora da Nasa, da nossa comunidade científica, é saber se existiu vida em outros mundos.” 

Confira trechos da entrevista:

Brasília (DF), 18/09/2025 – Personagem Rosaly Lopes. Após descoberta em Marte, Nasa aposta em missões espaciais em busca de vida em outros mundos. Foto: Rosaly Lopes/Arquivo pessoal
A astrônoma brasileira Rosaly Lopes falou com exclusividade à Empresa Brasil de Comunicação – Rosaly Lopes/Arquivo pessoal

Agência Brasil: O recente anúncio da Nasa, sobre a missão envolvendo o rover Perseverance e a potencial bioassinatura em rocha no planeta Marte, animou a comunidade científica sobre a possibilidade de descoberta de vida fora da Terra. Qual era o clima entre os colegas astrônomos e cientistas envolvidos na pesquisa e em outras missões espaciais às vésperas e após o anúncio público desta notícia, considerada pela Nasa a mais próxima de achar vida fora da Terra?
Rosaly Lopes:  Esse resultado já tinha sido anunciado entre os cientistas assim que descobrimos a rocha, há pouco mais de um ano, e os instrumentos do robô Perseverance fizeram as primeiras análises da amostra, chamada Cânion Safira.
A diferença, agora, é que o artigo científico foi publicado. E isso quer dizer que, no princípio, antes de todas as análises terem avançado, ainda se tinha muita dúvida.
Isso porque o resultado encontrado na rocha talvez possa ser abiótico [decorrente de processos químicos, mas sem presença de vida], já que as análises ainda não foram finalizadas. Mas agora, a publicação do artigo em uma revista científica como a Nature demonstra que a comunidade científica diz que as análises são boas.
Isso faz com que esse resultado não seja considerado, ainda, como prova de vida fora da Terra, mas é mais aceito, agora, como grande possibilidade de ser um sinal de vida – que chamamos de uma bioassinatura em Marte.
É importante trazer essa rocha de volta porque as análises que o robô pode fazer e a que a gente pode fazer aqui nos laboratórios da Terra não se comparam. Realmente, para fazer uma análise profunda e demonstrar que isso é um sinal de vida, tem que ser feito aqui na Terra.

Agência Brasil: Embora os estudos continuem sendo realizados, há limites para atuação do rover Perseverance em Marte. Qual a principal complexidade para o avanço das pesquisas?
Rosaly Lopes: É porque muitos sinais, como este, podem ter explicações abióticas. Isso quer dizer que não tem ação ou registro de vida, são processos químicos que podem ter ocorrido. Então é difícil provar, principalmente com essas medidas que o robô fez, que são muito limitadas. Você não pode mandar um grande laboratório para Marte, porque seria muito grande, muito pesado. Então, ainda tem a possibilidade de isso ser abiótico, e para saber com certeza mesmo nós temos que trazer a amostra de volta para a Terra.

Agência Brasil: A amostra recolhida pelo Perseverance, Cânion Safira, vem de uma rocha localizada em um vale onde há bilhões de anos passavam rios e lagos. E a comparação com os minerais decorrentes do metabolismo de vida microbiana nos leitos de rios aqui na Terra foram essenciais para os parâmetros de comparação com a amostra de Marte. Como estudar a origem da vida no nosso planeta pode nos ajudar com as missões em outros planetas e luas?
Rosaly Lopes: As pesquisas na Terra nos ajudam muito a pesquisar a possibilidade de vida em outros planetas. Então, por exemplo, as rochas antigas na Terra que mostram sinais de vida, que mostram que existiu vida naquela época antiga da Terra, todos os sinais estão lá nas rochas. Mas a aplicação para outros planetas realmente não é fácil, porque as condições são diferentes.
É muito importante que a gente pesquise se a vida evoluiu em outro planeta, porque até hoje nós não sabemos se a evolução da vida em um planeta é uma coisa muito fácil ou muito difícil. Porque nós só temos um exemplo e esse exemplo é a Terra. E você não pode fazer nenhuma estatística com só um exemplo.
Então, é um dos maiores, digamos, objetivos agora da Nasa, da nossa comunidade científica, é saber se existiu vida em outros mundos. Mas provar, principalmente sem trazer material de volta para a Terra, é difícil, porque existem, na maior parte do tempo, explicações, que o processo pode ter sido abiótico, quer dizer que não foi causado por vida.

Agência Brasil: Vamos falar um pouco sobre as próximas missões da Nasa. Estamos a caminho de missões importantes, como a Dragonfly, que vai sobrevoar Titã, com uma espécie de super drone. Essa lua de Saturno é formada por lagos e tem geologia muito semelhante à da Terra. Em que etapa dos preparativos estamos desta que é considerada a primeira missão aérea para outro mundo?
Rosaly Lopes:  A missão Dragonfly é uma missão com drone que vai a Titã e tem dentro desse drone vários instrumentos, como se fosse um pequeno laboratório para procurar material orgânico e possibilidades que a vida evoluiu em Titã, uma das luas de Saturno.
A missão foi confirmada e agora está sendo preparada para ser lançada por volta de 2028, 2029. Isso depende muito de orçamento, mas a missão já está confirmada. Isso quer dizer que a Nasa vai dar recursos para essa missão.
O objetivo principal da Dragonfly é achar sinais de que talvez a vida tenha evoluído em Titã. Será uma missão muito interessante, mesmo não achando esses sinais de vida, porque vai estudar muito sobre a geologia de Titã, que é uma das luas mais fascinantes do sistema solar.

Agência Brasil: Já a missão Psyque, lançada em 2023, pretende investigar um asteroide, entender a origem desse objeto rico em metais a orbitá-lo. Recentemente, tivemos informações de um objeto interestelar com comportamento considerado atípico em relação à trajetória e velocidade, o 3I/Atlas. Mas mesmo com características raras, e até teorias sobre um possível objeto não identificado, segundo artigos científicos trata-se de um cometa vindo de outro sistema solar. Existe algum tipo de preocupação com estes objetos celestes? Por que precisamos conhecê-los melhor?
Rosaly Lopes: Isso é muito interessante. Não é o primeiro objeto interestelar que nós achamos [antes, já foram localizados Oumuamua, em 2017; e 2I/Borisov, em 2019]. E pelas observações, achamos que realmente é um cometa. Mas seria muito interessante estudar esse objeto, porque ele vem de outro sistema solar. E isso nos daria a possibilidade de saber se os cometas em outros sistemas solares são realmente iguais aos do nosso sistema solar, ou se têm características diferentes.
O problema é que nós não temos ainda um jeito de lançar rapidamente uma missão para estudar esses objetos interestelares. Quando eles aparecem, é questão de meses e não, de anos para nós prepararmos uma missão. Mas nós vamos usar todas as missões possíveis que nós temos, que a Nasa tem, para tirar imagens do 3I/Atlas.
Inclusive a missão Psyche está se preparando para fazer imagens distantes, claro, desse cometa. Já se falou, entre os colegas cientistas, sobre a possibilidade de fazer uma nave que possa ser lançada rapidamente, caso um desses objetos interestelares venha de novo, mas ainda não se obteve os recursos para isso. A nave ficaria armazenada até um objeto interestelar vir e mesmo assim a trajetória pode ser difícil. Então, realmente há estes problemas que dificultam o lançamento de uma missão para um objeto interestelar como este.

Agência Brasil: A missão Artemis volta às incursões na Lua, inclusive com a presença, pela primeira vez, de uma astronauta, a Cristina Koch. Prevista para 2026, a missão vai sobrevoar o nosso satélite, mas segundo Sean Duffy, o administrador interino da Nasa, a ideia é voltar a deixar a pegada norte-americana na Lua. Como a senhora percebe a importância dessa representatividade das mulheres neste momento? Acredita que este é um impulsionamento para atrair mais meninas e mulheres dedicadas às ciências espaciais?
Rosaly Lopes:  A missão Artemis II, que a Cristina Koch vai, ela não vai pousar na Lua, ela vai sobrevoar ao redor da Lua. Eu acho a presença de uma mulher nesta missão muito importante, porque inspira mulheres, meninas, a seguir carreiras em ciência e tecnologia. Eu já tinha muito interesse em astronomia, mas uma coisa que foi uma grande inspiração para mim foi ler, em um jornal brasileiro, um artigo sobre uma moça que trabalhava em Houston, no Centro Espacial de Johnson, durante o programa Apollo. O nome dela é Poppy Northcutt, e eu a encontrei pela primeira vez em 2019, porque ela deixou a Nasa e se tornou advogada. Só  de ver uma foto e um pequeno artigo de jornal sobre uma mulher trabalhando no centro de controles da Nasa foi uma grande inspiração para mim.
Então, é muito importante porque é uma coisa que as mulheres têm que saber que elas podem fazer. É o caso também da primeira mulher astronauta, a Sally Ride, que infelizmente já faleceu, mas eu acho que ela inspirou muitas outras jovens na época. E uma coisa ainda sobre essa questão que eu sempre digo é que mulheres são, pelo menos, 50% da população. Então, não se deve excluir mulheres, 50% da população, de qualquer área, porque isso representa 50% dos talentos e da inteligência que pode ser usada para o bem da humanidade.

Clique aqui e leia mais sobre a missão Artemis

Agência Brasil: Por fim, o supertelescópio James Webb lançado em 2021 tem revelado imagens do Universo até então nunca vistas. Na sua avaliação, qual imagem ou descoberta é considerada a mais surpreendente até o momento?
Rosaly Lopes:  As imagens do James Webb são maravilhosas e é muito difícil escolher uma. É bom lembrar que, quando o James Webb foi proposto e depois construído, ele custou muito, muito caro e o orçamento foi lá em cima, triplicou (custo estimado de US$10 bilhões).
Muitos cientistas estavam contra fazer isso porque era muito caro e iria tirar recursos de outras possíveis missões. Mas, realmente, foi um enorme sucesso. Eu acho que, hoje em dia, todos os cientistas concordam que realmente valeu à pena. Valeu pelos recursos e pelo dinheiro investido nessa missão.
Às vezes, para realizar as missões que causam maiores avanços na ciência é necessário gastar bastante dinheiro. Então, eu acho que o James Webb foi uma história incrível de sucesso, tudo deu certo e os resultados são maravilhosos.

Clique aqui e leia mais sobre o supertelescópio James Webb

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Valinhos

Diretor da Defesa Civil fala sobre a Operação Estiagem em Valinhos

Com o avanço do período de estiagem, Valinhos intensifica suas ações para combater a crescente ameaça de incêndios. A Operação Estiagem, coordenada pela Defesa Civil, atua de maneira integrada com o Corpo de Bombeiros, a Guarda Civil Municipal e outras secretarias, para responder as ocorrências de incêndio neste período. Em entrevista à Folha de Valinhos, o diretor da Defesa Civil, Eduardo Matias, esclarece como a gestão de crises está sendo conduzida, desde a resposta a grandes ocorrências, como o incêndio na Mata da Tapera, até as estratégias de prevenção para a Operação Estiagem de 2025. Matias aborda a importância da conscientização da população, as medidas de alerta em períodos de baixa umidade, a comunicação entre os órgãos de segurança e as principais formas de a comunidade colaborar para prevenir desastres. A conversa detalha os esforços da prefeitura e a vulnerabilidade da região, especialmente após a tragédia na Serra dos Cocais, reforçando que a proteção da cidade é uma responsabilidade de todos.

FOLHA DE VALINHOS A respeito dos incêndios recentes, incluindo o que atingiu a Estação Ecológica Mata da Tapera, como a Defesa Civil e os outros órgãos de segurança estão lidando com a intensidade e a frequência desses eventos no início da Operação Estiagem?

EDUARDO A Operação Estiagem já prevê esse aumento na ocorrência de incêndios no período mais seco do ano. Temos atuado em conjunto com o Corpo de Bombeiros, a Guarda Civil Municipal, secretarias municipais, DEAV, através do Sistema Municipal de Proteção e Defesa Civil do município, bem como com órgãos de apoio da região e do Estado, além de contar com o apoio da comunidade.
A resposta tem sido integrada, com esforço e mobilização das equipes e campanhas de conscientização para reduzir o risco de novas ocorrências.

FV Estamos fechando agosto e entrando em setembro, com a mudança de estação, qual a sua expectativa em torno dessa mudança? Qual é a avaliação da operação até o presente momento?

EDUARDO Julho e Agosto costumam ser os meses mais críticos em relação à baixa umidade e ventos fortes. Com a chegada de setembro e a proximidade das chuvas, esperamos uma redução gradativa dos riscos. Até aqui, nossa avaliação da Operação Estiagem é positiva em comparação ao mesmo período do ano passado.

FV A tragédia do incêndio de 2024 na Serra dos Cocais e os recentes focos de incêndio mostram a vulnerabilidade da região. Que ações específicas foram reforçadas ou incluídas na Operação Estiagem 2025 para prevenir que eventos como o da Serra dos Cocais não se repitam?

EDUARDO Após aquele incêndio de grandes proporções, reforçamos o Plano de Contingência, ampliamos treinamentos com brigadistas, intensificamos rondas preventivas e melhoramos a integração entre Defesa Civil, Bombeiros, proprietários rurais e demais órgãos, criando estratégias de prevenção e respostas, orientando para a feitura de aceiros, formação de grupos de WhatsApp, capacitação com treinamento teórico e prático e novas estratégias de comunicação para agilizar a tomada de decisão.

FV A baixa umidade e os ventos fortes são fatores que aceleram a propagação do fogo. A Operação Estiagem prevê medidas adicionais de alerta para a população e ações de resposta rápida quando as condições climáticas são mais críticas?

EDUARDO Sim. Trabalhamos com alertas emitidos pela Defesa Civil do Estado e pelo INMET, bem como com o monitoramento da estação Meteorológica Automática instalada aqui no município, a qual nos aponta, além de outros dados, a Umidade Relativa do Ar. Quando identificamos risco elevado, divulgamos avisos preventivos em nossas redes e grupos de comunicação. Além disso, mantemos equipes em sobreaviso para resposta imediata.
Neste período de estiagem existem critérios estabelecidos sobre a URA, sendo: acima de 30% estado de Observação; de 30% a 20% estado de Atenção; 20% a 12% estado de Alerta; abaixo de 12% Emergência.

FV Além do risco de incêndios, as queimadas têm um impacto direto no clima, na qualidade do ar e na saúde pública. Como a Defesa Civil de Valinhos tem trabalhado na conscientização da população sobre as consequências a longo prazo das queimadas urbanas e florestais?

EDUARDO Temos atuado em campanhas educativas como palestras nas escolas, mídias locais e redes sociais, explicando os efeitos das queimadas na saúde, como problemas respiratórios, e no meio ambiente. Também reforçamos que a queimada urbana é crime ambiental e pode ser denunciada pelos telefones 193, 199 e 153.

FV O Sr. Eduardo Matias mencionou que “Defesa Civil somos todos nós”. Na prática, quais são as formas mais eficazes para a sociedade civil colaborar com a Defesa Civil na prevenção de incêndios?

EDUARDO A principal forma é a conscientização e a prevenção: não fazer queimadas, não soltar balões, descartar (anteriormente “descartar”) corretamente o lixo e não jogar bitucas de cigarro em áreas de vegetação. Realizar a limpeza de terrenos. Além disso, a população pode colaborar acionando o 193, 199 e 153 diante de qualquer princípio de incêndio ou situação de risco.

FV Com o Plano de Contingência (PLANCON) e os canais de comunicação, como o telefone 199, como a Defesa Civil pretende aumentar o engajamento da população para que as denúncias e informações cheguem mais rapidamente? Existe alguma campanha ou iniciativa de educação planejada para esse fim?

EDUARDO Sim. Estamos intensificando a divulgação do 199 através de palestras em empresas e escolas, distribuição de panfletos e cartazes, participação em Podcasts (anteriormente “PodCast”), jornais e redes sociais.

FV A atuação do Corpo de Bombeiros é essencial no combate aos incêndios. Qual é o nível de integração e coordenação entre a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros de Valinhos, especialmente durante eventos de grande proporção, como os que ocorreram na Serra dos Cocais e na Mata da Tapera?
EDUARDO A integração é total. Trabalhamos lado a lado, desde o monitoramento até a resposta. A Defesa Civil atua na coordenação e logística, enquanto o Corpo de Bombeiros comanda a linha de frente no combate. Esse trabalho conjunto garante maior eficácia e rapidez na resposta.

FV A parceria com órgãos como o Corpo de Bombeiros e a Guarda Ambiental e Polícia Ambiental é fundamental. Como a Operação Estiagem 2025 fortalece a comunicação e a logística entre essas equipes para garantir uma resposta mais ágil e eficaz?

EDUARDO Implementamos um sistema de comunicação direta entre os órgãos, agilizando o despacho de equipes. Também definimos pontos de apoio logístico, com água e equipamentos, próximos a áreas críticas, para reduzir o tempo de resposta.

FV Recentemente, o comando do Corpo de Bombeiros alertou sobre o perigo de bitucas de cigarro e outros resíduos. A Defesa Civil de Valinhos e o Corpo de Bombeiros têm alguma iniciativa conjunta para fiscalizar e conscientizar sobre esses pequenos atos que podem iniciar grandes incêndios?

EDUARDO Sim. Participamos de maneira integrada na Operação Corta Fogo do Estado de São Paulo, em reuniões de treinamento e capacitação para profissionais envolvidos nestes tipos de ocorrências. Realizamos campanhas conjuntas destacando justamente o impacto de pequenas atitudes. Também atuamos com a Guarda Civil Municipal e a Guarda Ambiental na fiscalização e na aplicação de penalidades previstas em lei, quando necessário.

FV Em um cenário de incêndios simultâneos ou de grande magnitude, como o que atingiu a Estação Ecológica Mata da Tapera e outros dois pontos na região, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros de Valinhos possuem um plano de contingência para alocação de recursos e solicitação de apoio de cidades vizinhas ou de outros órgãos?

EDUARDO Sim, em caso de ocorrências de médio e grande impacto, tanto o Corpo de Bombeiros, quanto a Defesa Civil, além das secretarias municipais e DAEV, também contam com apoio de equipes de outros municípios e órgãos quando necessário. Com essa (anteriormente “mesmo”) rede de apoio em cenários críticos, temos condições de resposta coordenada.

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Alternativa

Roseline D’Avila: O legado da bibliotecária de Valinhos

A Câmara Municipal de Valinhos realizou, na última quinta-feira, dia 21, uma emocionante cerimônia para homenagear Roseline D’Avila com o título de Cidadã Honorária, a maior honraria concedida pela cidade. Aos 81 anos, Roseline é reconhecida como a primeira bibliotecária do município e uma das principais responsáveis por moldar a cultura literária local.
Em uma entrevista exclusiva à Folha de Valinhos, a homenageada relembrou sua jornada de 37 anos à frente da Biblioteca Municipal. Ela compartilhou os desafios de uma época sem internet e computadores, onde foi a responsável por catalogar e organizar o acervo para a população. Com toda a certeza, sua paixão pelos livros e a dedicação à educação transformaram o local em um refúgio para milhares de estudantes. A cerimônia na Câmara, por fim, marcou o reconhecimento oficial de sua trajetória e do impacto positivo que ela deixou na história cultural de Valinhos.

FOLHA DE VALINHOS A senhora está sendo homenageada com o Título de Cidadã Honorária, a maior honraria da cidade. O que significa, para a senhora, receber esse reconhecimento após tantos anos de dedicação à Biblioteca Municipal?

ROSE Jamais pensei trabalhar em Valinhos ou ainda morar nesta cidade. Mas o destino me trouxe a esta querida cidade que foi o meu “Porto Seguro”. Aqui me casei com o Fernando, tivemos dois filhos maravilhosos, família, amigos e durante 37 anos trabalhei com todo o meu afinco e dedicação para a formação de crianças e adolescentes. Foram certamente milhares que passaram pelas minhas mãos através da Biblioteca Pública Municipal Dr. Mário Correa Louzada.

FV A senhora foi a primeira bibliotecária de Valinhos em uma época em que não havia internet. Como era o trabalho de pesquisa e empréstimo de livros naquela época, e qual era a sua rotina para atender a população, especialmente os estudantes?

ROSE Na época não havia computadores e muito menos internet. Abrir um livro e folhear suas páginas era uma viagem maravilhosa. O trabalho era intenso uma vez que todos os livros eram catalogados para serem colocados nas estantes. Cada livro tinha o seu lugar e os alunos realizavam pesquisas e trabalho escolar, especialmente nas enciclopédias. Criamos também as carteirinha e o empréstimo domiciliar 10 dias para livros contos e romances e 15 dias para livros didáticos, com possibilidade de renovação. Caneta era proibida na Biblioteca, apenas lápis preto.

FV Conta a história que a inauguração da Biblioteca aconteceu de forma improvisada, com estantes emprestadas. Poderia nos contar um pouco sobre o desafio de montar a biblioteca do zero e como a senhora conseguiu superar essas dificuldades?

ROSE A Biblioteca foi inaugurada por ocasião da Festa do Figo pelo prefeito Luiz Bissoto em 17 de janeiro de 1971 e ficava em cima dos Correios. Como o tempo era exíguo conseguimos emprestar as estantes da Escola de Cade tes do Exercito para a inauguração.

FV A Biblioteca Municipal foi nomeada em homenagem ao Dr. Mário Correa Lousada, idealizador do projeto. A senhora teve a oportunidade de trabalhar com ele ou conhecer sua visão para a biblioteca? Como o legado dele influenciou o seu trabalho?
ROSE Dr. Mário Louzada liderava a comissão de Literatura e Biblioteca criada no final do governo do prefeito Vicente Marchiori e tendo como membros Dunga Santos, Alcides Acosta, Ademir Fazani, Amélio Borin, Telmo Marchiori, dona Zélia Louzada e José Bertarello. Com a morte do dr. Mário esta comissão resolveu homenagea-lo com a sua denominação, uma enorme conquista, uma vez que Valinhos não contava com uma biblioteca.

FV A campanha para a criação da biblioteca mobilizou a sociedade valinhense. Como a senhora percebia esse engajamento da comunidade e a importância da imprensa local, como a Folha de Valinhos, nesse processo?

ROSE A Folha de Valinhos, único semanário da época, através do jornalista Aparecido Portela, teve um papel primordial na divulgação da Biblioteca com várias reportagens , mobilizando as empresas na doação de recursos para a compra de livros e enciclopédias. Antes da inauguração este semanário publicava em destaque “Industrias doam 8 mil cruzeiros para a Biblioteca Pública”.

FV A senhora foi responsável pelos grandes concursos de prosa e poesia que revelaram talentos literários na cidade. Como esses eventos surgiram e qual era o impacto deles na vida cultural de Valinhos?

ROSE Na realidade foi o prof. Antonio Stopiglia que teve a idéia do concurso de Prosa, Poesia e Desenho da Capa e que com a participação das Escolas e toda a equipe da Biblioteca houve uma mobilização geral com enorme sucesso. Foram 12 anos com a publicação de livros em 10 edições, dentro das comemorações da Semana Nacional do Livro e da Biblioteca. Uma equipe de professores liderada pelo professor Muller julgava os trabalhos, livros impressos e a Noite de Autógrafo era especial

FV A biblioteca já funcionou em diferentes locais. Qual a sua lembrança mais marcante de cada um desses espaços e como a mudança de endereço afetou a experiência dos leitores e a dinâmica da biblioteca?

ROSE O primeiro local no Largo São Sebastião foi marcante pela sua referência. Mas a ida em 2001 para a Rua Itália para o antigo prédio da Casa da Cultura foi especial. Local amplo. Com várias salas, inclusive a criação da Biblioteca Infantil com um acervo de 17 mil livros, 600 vídeos, hemeroteca com as inúmeras pastas de recortes de jornais e um atendimentos de até 250 usuários diariamente, principalmente jovens estudantes.

FV Qual era a maior dificuldade em formar e manter um acervo relevante para a comunidade, e como a senhora trabalhava para resolver essa questão?

ROSE Como Bibliotecária precisava ficar muito atenta aos novos lançamentos de livros, revistas e jornais. Apesar da verba ser escassa, bem pouca, procurávamos comprar obras atuais já que a busca era intensa pelos usuários ávidos por leitura e pesquisa de trabalhos escolares.

FV A Biblioteca de Valinhos completa 55 anos no dia 16 de janeiro. Qual a sua principal lembrança sobre o aniversário da biblioteca e o que essa data significa para a senhora?

ROSE São muitas lembranças ao longo dos 37 anos à frente da Biblioteca como a presença do internacional Flávio de Carvalho no prédio do Largo São Sebastião, do Palhaço Arrelia, a parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo para a escolha do Concurso do Hino Oficial de Valinhos, além da implantação da Hora do Conto, e tantos outros inúmeros eventos. Vale salientar que as primeiras reuniões da Nova Escola, hoje Colégio Inovati aconteceram na Biblioteca e fomos nós, Pedro Celso Alves e eu que pedimos o terreno onde está a escola para a querida e saudosa Heloisa de Carvalho.

FV A senhora acompanhou a evolução da biblioteca por décadas. Na sua visão, quais foram as mudanças mais significativas ao longo dos anos e como a biblioteca se adaptou à chegada da tecnologia e da internet?

ROSE Quando me aposentei foi a época que chegaram os primeiros computadores. Assim foi muito pequena a minha participação nessas novas tecnologias. Minha grande companheira foi a boa e velha máquina de escrever. Muitos afirmaram que a chegada da era digital iria acabar com os livros impressos. Apesar da diminuição considerável do prelo, o livro impresso é maravilhoso, folhear suas páginas, sentir o cheiro do livro novo e percorrer as estantes das bibliotecas e até mesmo bons sebos, só nos deu grandes alegrias.

FV Qual a mensagem mais importante que a senhora gostaria de deixar para os jovens de hoje, que têm acesso a um universo de informações digitais, sobre a importância da leitura e do livro físico?

ROSE Antes de encerrar quero agradecer aos vários funcionários e patrulheiros que passaram ao longo dos anos pela Biblioteca Pública Municipal Dr. Mário Correa Louzada. Não vou citar nomes, pois certamente irei esquecer de alguns, mas tenham certeza uma equipe maravilhosa ao logo dos anos nos acompanhou.

O mundo passou por inúmeras transformações, especialmente na era digital, mas somente a educação transforma as pessoas e diminui as desigualdades sociais. “A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo“ Josep Addison.

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Brasil e Mundo

Bancos brasileiros podem ser punidos por cumprir sanções dos EUA, diz Moraes

Ministro do STF ressalta que instituições financeiras em território brasileiro não podem acatar ordens de bloqueio da Lei Magnitsky sem autorização judicial brasileira

Em uma entrevista concedida à Reuters nesta quarta-feira, dia 20, em Brasília, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, alertou que bancos e instituições financeiras no Brasil podem enfrentar sanções se cumprirem ordens de bloqueio de ativos vindas do governo dos Estados Unidos.

O ministro, de fato, enfatizou que as instituições brasileiras não têm autoridade para aplicar internamente medidas como as previstas na Lei Magnitsky.

“Se os bancos resolverem aplicar a lei internamente, eles não podem. Eles podem ser penalizados internamente”, declarou.

As sanções dos EUA contra Moraes foram impostas no mês anterior, sob a Lei Magnitsky, que é um instrumento legal norte-americano para aplicar restrições a supostos violadores de direitos humanos.

Essa lei, sobretudo, permite o bloqueio de contas e ativos financeiros nos EUA, proíbe transações com empresas americanas no Brasil e impede a entrada de pessoas sancionadas no país. Contudo, as sanções tiveram um impacto limitado no caso do ministro, já que ele não possui bens ou contas nos Estados Unidos e, além disso, raramente viaja para o país.

Moraes classificou o uso da lei contra ele como “totalmente equivocado”. Ele ressaltou que esse “desvio de finalidade” pode, em resumo, criar uma situação difícil para as instituições financeiras brasileiras, além de seus parceiros e empresas americanas que operam no Brasil.

Por fim, o ministro revelou que espera que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reverta as medidas anunciadas contra ele. Ele acredita que a justiça americana reverteria a decisão, mas, por ora, opta por aguardar a resolução diplomática entre Brasil e EUA.

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Esportes

Em entrevista, secretário de Esportes e Lazer fala sobre o “novo tempo” do esporte em Valinhos

Ex-jogador da Seleção Brasileira e atual Secretário de Esportes e Lazer de Valinhos, Renato Florêncio assumiu a pasta em janeiro com a promessa de um “novo tempo” para a área. Passados quase sete meses de sua gestão, a Folha de Valinhos conversou com o Secretário para fazer um balanço do trabalho realizado, os desafios enfrentados e as perspectivas futuras para o esporte e o lazer na cidade. Na entrevista, Renato Florêncio aborda a reestruturação das escolas de iniciação esportiva e a ampliação da oferta de aulas, além do sucesso do projeto “Movimenta Valinhos”, que tem levado atividades para os bairros. Ele detalha a valorização do futebol amador, a parceria inédita com o Clube Hyper para a formação de jovens atletas e a importância da entrega do novo Clube Municipal. Florêncio também compartilha como sua experiência no esporte profissional influencia sua gestão e os planos para os próximos meses, incluindo a consolidação do “Movimenta Valinhos” e a mudança da sede da Secretaria para o Clube Municipal

FOLHA DE VALINHOS O senhor assumiu a pasta em janeiro com a proposta de um “novo tempo” para o esporte e lazer em Valinhos. Passados quase sete meses, qual é a sua principal avaliação do trabalho realizado até agora, e quais são os maiores desafios que a Secretaria enfrentou nesse período?
RENATO A avaliação até aqui é muito positiva. Atendendo a orientação do nosso prefeito Franklin, nós reorganizamos e ampliamos a oferta de aulas nas nossas escolas de iniciação esportiva e colocamos a secretaria na rua, com o Movimenta Valinhos e com o fechamento da Altino Gouveia aos domingos para a prática de atividades esportivas e de lazer. Estamos valorizando também a formação de atletas, com as parcerias do projeto do voleibol e, agora, com o Hyper Valinhos no futebol. Conquistamos o Clube Municipal para a municipalidade, o que também é um marco pra nós.

Nossos principais desafios foram o desajuste do orçamento e a desorganização que encontramos a partir da gestão anterior. As verbas foram quase todas contingenciadas e removidas da nossa pasta. Ajustamos a carga horária dos nossos professores para ampliar o atendimento à população. Aos poucos, estamos colocando a casa em ordem e o aumento da oferta das aulas já é uma prova de que temos um grande potencial para crescer.

FV O projeto “Movimenta Valinhos” tem levado esporte e lazer para os bairros da cidade. Como a iniciativa tem sido recebida pela população, e de que forma a Secretaria planeja expandir essa presença e impacto nas diferentes regiões do município?
RENATO O Movimenta Valinhos é um grande sucesso. Começamos com a temporada de verão no CLT, fazendo três semanas seguidas e já realizamos outras edições no Jardim Paraíso e no Centro. Agora, no dia 16 de gosto, teremos mais uma na Praça Washington Luís. A população recebe bem e com alegria, porque é uma oportunidade de ter contato com diversas atividades diferentes e, com certeza, despertar para a necessidade de se movimentar e se cuidar.

FV O Campeonato de Futebol Amador de Valinhos é uma tradição na cidade e é considerado um dos maiores do interior. Qual a importância desse torneio para a cultura esportiva local, e quais os planos da Secretaria para valorizar e fortalecer ainda mais a competição e as equipes participantes?
RENATO Nosso futebol amador tem história e é um patrimônio da cidade e da região. Este ano pegamos as equipes desmotivadas e tristes com a falta de respaldo dos últimos anos. Estamos ”roendo o osso” este ano, tendo que fazer ajustes nas competições. Mas, para 2026, por exemplo, teremos a Primeira Divisão do Amador com 16 equipes e jogos acontecendo todos os domingos em sete praças esportivas da cidade. Estamos firmando parcerias com prefeituras de cidades vizinhas para criar torneios regionais, também a partir do ano que vem. A retomada do uso campo do Clube Municipal (antiga ADC Rigesa), agora como um patrimônio do povo de Valinhos, é igualmente um marco desse nosso trabalho de valorização do futebol amador na cidade.

FV Na semana passada, Valinhos anunciou uma parceria inédita com o Clube Hyper, de origem norte-americana. Poderia nos explicar o que essa parceria significa para o esporte valinhense, especialmente para a formação de jovens atletas?
RENATO Significa um salto de qualidade na formação dos atletas e um ganho para a visibilidade do município. É uma honra para Valinhos sediar esse projeto e uma alegria para a Prefeitura oferecer um apoio para essa iniciativa.

O Hyper traz inovação, um potencial de crescimento fantástico e uma retaguarda de estrutura incrível. A parceria com a Prefeitura vai permitir mais acesso e uma oportunidade privilegiada para que novos talentos sejam revelados no futebol.

FV Além do futebol, a Secretaria oferece diversas modalidades esportivas para a população. Como o trabalho de base em esportes como vôlei, basquete, judô e natação pode contribuir não apenas para o surgimento de novos atletas, mas também para o desenvolvimento de valores como disciplina e trabalho em equipe nos jovens?
RENATO Esporte é convivência. Mesmo as modalidades que são disputadas especialmente solo, como as provas individuais de natação, tênis, judô, enfim, precisam de um espírito de respeito ao outro, ao treinador, ao adversário, ao companheiro de treino. Nosso projeto de ginástica artística, que está em andamento no espaço da Secretaria no antigo SESI 299, é uma prova do resultado desse engajamento. Se não desenvolvermos valores de cooperação e disciplina, o próprio desempenho esportivo vai ficar a desejar.

FV A entrega do novo Clube Municipal – antigo ADC Rigesa – foi um marco recente para a cidade. Como a nova estrutura vai impactar o cenário esportivo de Valinhos, e qual a importância desse espaço para a realização de eventos, treinamentos e para a comunidade em geral?
RENATO O prefeito Franklin marcou um golaço de gestão com essa entrega do Clube Municipal. Se fôssemos parar para construir toda aquela infraestrutura do zero, demoraríamos mais de uma década, com certeza.

Neste primeiro momento, o gramado do Clube já está disponível para a realização de partidas das competições organizadas pela Prefeitura. Agora estamos terminando o planejamento para fazer as adequações nos jardins, na área da churrasqueira e nos complexos de salas anexas ao ginásio. Em breve vamos levar a estrutura administrativa da Secretaria para lá e dar pleno uso aos espaços.

FV A sua própria trajetória demonstra como o esporte pode ser um instrumento de transformação social. Como a Secretaria de Esportes e Lazer trabalha para garantir que os projetos e as modalidades oferecidas sejam acessíveis a todos, independentemente da condição social, e atuem como ferramenta de inclusão?
RENATO O primeiro elemento é gratuidade. Depois o esforço de descentralização, com atividades desenvolvidas em escolas e espaços da municipalidade. Fizemos este ano o festival de basquete 3xe e teremos, ainda neste segundo semestre, a Copa Valinhos de voleibol masculino e feminino – eventos feitos na base da parceria e com a dedicação da nossa equipe. E não posso deixar de mencionar os projetos incentivados, que trazem financiamento e recursos adicionais para ampliarmos a oferta das atividades e atendermos o maior número possível de pessoas. Aqui faço um destaque para o projeto de natação para pessoas com deficiência, mantido pelo Daniel Dias. Em Valinhos ele atende 100 famílias com atenção individualizada – algo que o poder público teria imensa dificuldade em fazer. Também graças aos projetos de incentivo já apoiamos a realização de três corridas de rua na cidade este ano, e temos outras duas programadas ainda para 2025.

FV Como a sua experiência como jogador profissional no Santos, na Seleção Brasileira e na Europa se reflete na sua gestão como secretário? De que forma a vivência de atleta o ajuda a entender as necessidades e desafios do esporte em Valinhos?
RENATO O ponto inicial é a compreensão do espírito de equipe e do trabalho em conjunto. Temos uma equipe altamente dedicada e esforçada pra melhorar os processos e fazer sempre mais, mesmo com a limitação dos recursos. Meu adjunto Tiago, os diretores, coordenadores e professores têm mostrado de fato que estão aqui como servidores da nossa cidade. E esse valor de trabalhar coletivamente pelo bem das pessoas que vivem em Valinhos deve ser uma constante da nossa mentalidade.

FV Além da formação de atletas, o lazer é um pilar importante da sua Secretaria. Quais ações a pasta tem planejado ou implementado para incentivar a prática de atividades físicas recreativas para todas as idades, do público infantil à terceira idade?
RENATO Além do Movimenta Valinhos, que já mencionei, nós temos as atividades para a terceira idade, oferecidas tanto no Centro de Convivência do Idoso quanto em outros espaços. Além disso, com as crianças, temos as aulas de modalidades nas escolas e nas praças esportivas para motivar e integrar os pequenos. Nossas atividades de natação e hidroginástica também merecem destaque – inclusive, esse ano, ampliamos a oferta de vagas depois de muitos anos. É um trabalho feito com muita dedicação para que as pessoas tenham orgulho de morar aqui com qualidade de vida.

FV Olhando para os próximos meses, quais são as principais metas e projetos que a Secretaria de Esportes e Lazer busca consolidar até o final do ano?
RENATO Temos duas grandes metas até o fim do ano. A primeira é consolidar o Movimenta Valinhos como um evento de motivação para a atividade física. Estamos trabalhando para que esse projeto amadureça a ponto de ter uma periodicidade definida e um calendário anual. Além disso, nosso segundo grande objetivo é concretizar até dezembro a mudança da sede da Secretaria para o Clube Municipal e dar vazão a todo o potencial de uso que aquele espaço permite para nossa população.

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Terceiro Setor

Atados e Valinhos Solidária: Uma parceria para transformar vidas 

Em entrevista exclusiva, Daniel, cofundador da Atados, revela as motivações por trás da plataforma que conecta voluntários a causas sociais, e detalha como a parceria com Valinhos visa impulsionar o engajamento e a profissionalização do terceiro setor na cidade

FOLHA DE VALINHOS Daniel, a ATADOS já tem mais de 10 anos de compromisso com o impacto social. Qual foi a principal motivação para criar a plataforma e qual a sua visão para o papel do voluntariado na sociedade brasileira?

Daniel Minha motivação veio do âmbito pessoal. Eu queria me envolver mais em causas sociais e não sabia exatamente como. A partir daí veio a ideia de criar um site de voluntariado e quando conhecemos as ONGs para validar a ideia nos apaixonamos pelo setor social. Isso foi há 12 anos atrás e até hoje me surpreendo com o poder de transformação das pessoas e toda mobilização que o Atados e as ONgs realizam com o voluntariado. Mesmo com o nosso crescimento, minha motivação permanece, com a missão de levar o voluntariado para mais e mais pessoas

FV A ATADOS conecta milhares de pessoas a oportunidades de voluntariado e já realizou mais de 550 projetos com empresas. Quais são os principais desafios de escalar essa conexão e como a ATADOS garante a qualidade e o impacto dessas parcerias?

Daniel O desafio de escala está principalmente em 2 pontos: de um lado a necessidade de uma melhor gestão de voluntários das ONGs e uma busca por profissionalização do setor, em que atuamos com capacitações, formações e atuação direta e de outro a cultura de voluntariado do Brasil, que ainda está em 4%. Contra por exemplo uma taxa de 25% dos EUA.

FV Durante o lançamento do Programa Valinhos Solidária, você mencionou quatro pilares para a gestão eficiente do voluntariado: acreditar nas pessoas, comprometer-se, estruturar o programa e ter um propósito claro. Poderia detalhar como esses pilares se aplicam no dia a dia da ATADOS e o que Valinhos pode aprender com essa experiência?

Daniel Os 4 pilares são princípios de engajamento social para se atuar com voluntários, em todos eles está conectado o propósito daquela ação. Isso porque o voluntariado é sempre conectado ao propósito. A ONG precisa acreditar no potencial transformador do voluntariado para o voluntário e a sociedade e o voluntário precisa se engajar naquela causa que tem sinergia com suas crenças e valores

FV O Programa Valinhos Solidária é uma parceria importante para a ATADOS, saindo de São Paulo para se tornar um “case de sucesso” aqui. Quais são as expectativas da ATADOS para essa colaboração com a FEAV e o que torna Valinhos um terreno fértil para o desenvolvimento do voluntariado?

Daniel Valinhos já é uma cidade preparada para o voluntariado. A FEAV faz um papel importante de formação das ONgs da cidade. O setor público parece engajado em causas latentes da sociedade e pelo porte da cidade, a comunicação e engajamento com faculdades, escolas, empresas e igrejas se torna mais fácil e pode escalar a atuação na cidade, tornando o programa um case para outras localidades do Brasil

FV A FEAV não é assistencialista, mas sim foca no assessoramento das entidades. Como a expertise da ATADOS em gestão e consultoria em responsabilidade social pode complementar e fortalecer a atuação da FEAV no Programa Valinhos Solidária?

Daniel Acreditamos que o voluntariado pode ser um grande aliado na profissionalização e geração de impacto das ONGs e trazemos a nossa expertise ao longo desses anos para facilitar a atuação das ONGs locais. Assim se torna mais fácil e eficiente a atuação transformadora do voluntariado

FV Com o lançamento do programa, espera-se que mais pessoas se interessem em atuar como voluntárias em Valinhos. Que conselhos você daria para quem está começando a se voluntariar e como a ATADOS ajuda a despertar essa atuação social?

Daniel Voluntariado deve estar conectado ao seu propósito e pode ser um meio de desenvolvimento pessoal, convido a entrar no site do Atados e descobrir as diversas possibilidades para se tornar voluntário

FV A ATADOS promove cursos e encontros sobre o Terceiro Setor. Há planos de trazer essa frente de capacitação para Valinhos, seja em parceria com a FEAV ou de forma independente, para fortalecer o ecossistema local de voluntariado?

Daniel Sim! E já estamos fazendo isso capacitando as ONGs para estarem preparadas para o lançamento do programa de voluntariado. Além disso, fazendo parte da rede do atados, as ONGs passam a ter acesso a todos os recursos dos parceiros Atados, como guias grupos de trocas, formações e conexões com empresas

FV Olhando para o futuro do voluntariado, especialmente pós-pandemia, você percebeu alguma mudança significativa no perfil dos voluntários ou nas demandas das organizações sociais? Como a ATADOS se adapta a essas novas realidades?

Daniel Após a pandemia pudemos atuar de forma online no Brasil todo.

Em Valinhos já temos ações com contribuição de voluntários online por exemplo na comunicação da ONG Patrulheiros, além de muitas outras frentes que podem ser executadas online

FV A ATADOS atua em diversas causas e compartilha conhecimento. No contexto de Valinhos, quais causas ou áreas você acredita que têm maior potencial para serem impactadas positivamente pelo Programa Valinhos Solidária?

Daniel Acredito que as causas de atendimento direto tem mais aderência ao voluntariado, mas o voluntário especialista também possui a possibilidade de desenvolver habilidades que pode ser úteis até na sua vida profissinal, então acredito em todas as formas de voluntariado

FV Para finalizar, que mensagem você gostaria de deixar para os moradores de Valinhos e para as entidades assistenciais da cidade sobre o poder transformador do voluntariado e a importância de iniciativas como o Valinhos Solidária?

Daniel De uma chance para o voluntariado. Através dele você poderá se conectar com seu propósito e experiênciar diferentes realidades

Comece já!

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Terceiro Setor

César Braghetto das ACOVIDAS fala sobre o Dia do Imigrante e do Refugiado

Valinhos, uma cidade com forte DNA de acolhimento e diversidade, celebra um novo marco em sua história: a sanção da Lei Municipal 6.724/2025, que institui o Dia do Imigrante e do Refugiado em 25 de junho. Essa data, de profundo simbolismo, reforça o compromisso da cidade com a inclusão e o reconhecimento daqueles que, vindos de outras terras, contribuem para o mosaico cultural e social valinhense. Em entrevista exclusiva à Folha de Valinhos, César Braghetto, presidente da ACOVIDAS, que há seis anos transforma a vida de mais de 400 pessoas, fala que a organização foi a grande impulsionadora dessa lei e que será “um marco importante para nossa cidade”

FOLHA DE VALINHOS Sobre a Lei Municipal 6.724/2025: Presidente, Valinhos agora celebra oficialmente o Dia do Imigrante e do Refugiado em 25 de junho. Qual a importância dessa lei para a ACOVIDAS e para a comunidade de imigrantes e refugiados em Valinhos?

CESARBRAGHETTO  Essa Lei foi uma solicitação e ACOVIDAS e será um marco importante para nossa cidade de Valinhos e mesmo que o dia 20 de junho já ser lembrado como o Dia Mundial dos Refugiados instituído pelas ONU e no Estado de SP é o dia 25 de Junho, em Valinhos foi decidido criar também e ampliar o tema para o dia 25 de junho o Dia do Imigrante e do Refugiado para homenagear nossa cidade com todos aqueles que fizeram e fazem parte da criação anterior e atual do município na era moderna na inclusão e acolhimento de todos os povos.

FV A lei tem como objetivos reconhecer a contribuição, promover a diversidade, fomentar a inclusão e conscientizar a população. Como a ACOVIDAS planeja se engajar ativamente nessas celebrações, e quais atividades a associação espera promover, ou ver promovidas, para atingir esses objetivos?

CESAR Sempre a ACOVIDAS ACOLHIMENTO SEM FRONTEIRAS promove e fomenta o tema de refugiados e acolhimento na cidade dentro de ações sociais ou participações na câmara municipal ou ainda em festividades locais e com essa Lei podemos evoluir em atender melhor os direitos dos refugiados no município e quebrar barreiras de preconceitos xenofóbicos e trazer a cultura e colunaria e trabalho local para nossa cidade nas parcerias com ACOVIDAS.

Nosso sonho será um dia ter em Valinhos a Festa da Nações nessa data para incluir todos os imigrantes e refugiados em mostrar sua arte, cultura e culinária para toda a cidade de Valinhos.

FV A ACOVIDAS já atua há seis anos, transformando a vida de mais de 400 pessoas. Com a nova lei, o senhor acredita que o apoio do Poder Público pode se intensificar? De que forma essa parceria pode impulsionar ainda mais o trabalho da ACOVIDAS?

CESAR Ainda com a nova lei e o reconhecimento da Casa Legislativa e do Governo Municipal, pretendemos com ACOVIDAS criar mais inteiração e comunicação direta da Associação ACOVIDAS com os entes públicos como o CRAS, Fundo Social, Creches, Escolas e até PAT, para agilizar ações de necessidades dos membros novos e integração social de acordo com as leis de Migração (13.445./2017) e do Refúgio (9.474/97) para garantir seus direitos, acessos e movimentação deles e seus entes na sociedade.

FV O drama dos refugiados neste século XXI é sentido em todo Planeta, sobretudo por conta de conflitos ou países com regimes autoritários e que obrigam parte de sua população a se deslocar pelo mundo. Ao longo desses anos de trabalho de acolhimento, como o senhor avalia a receptividade e o acolhimento da população valinhense em relação a essas pessoas.

CESAR Valinhos é uma cidade solidária, acredito por ser formada por imigrantes Italianos, japoneses entre outras nações e também internamente por pessoas de vários estados do Brasil como nordestinos e outros, com isso a população já é bem diversificada mas com os refugiados é de certa forma uma novidade mundial de nosso século e que chegou na cidade nos últimos anos sendo bem acolhida desde as crianças refugiadas nas escolas quanto os adultos nas moradias e trabalho com os brasileiros.

FV Um dos pilares do trabalho da ACOVIDAS é a empregabilidade, e o senhor já destacou que “o trabalho é fundamental para a autonomia e a dignidade das pessoas”. Com a crescente procura de cidades vizinhas por esse modelo, como a ACOVIDAS planeja expandir esse projeto e continuar sendo uma ponte entre imigrantes/refugiados e o mercado de trabalho?

CESAR A Associação ACOVIDAS conforme mencionado no site ACOVIDAS.ORG dentro de sua missão, visão e valores, trabalha com quatro pilares que denominado sistema APIS sendo Acolher, Proteger, Incluir e Superar e dentro de cada um temos programas de ajuda humanitária de acordo com as prioridades.

Nosso primeiro pilar de ACOLHIMENTO é quando chegam e necessitam de mais ajudas tanto de cesta de alimentos, capacitação da língua, documentação, encaminhamento para o primeiro emprego nas empresas parceiras de ACOVIDAS e outras necessidades com as crianças e saúde

FV O projeto ACOLETRAS, em parceria com a FEAV, oferece aulas de português para 50 alunos. Qual o impacto direto dessas aulas na vida dos acolhidos, e quais são os planos para expandir ou aprimorar esse programa?

CESAR Na FEAV nasceu um de nossos melhores projetos para a primeira necessidade deles que é aprendizado do idioma português. Com isso em 2024 iniciamos na FEAV com total apoios deles e utilização do espaço local o curso de Português para estrangeiros com o projeto ACOLETRAS. Depois mudamos para onde chamamos de Centro de ACOVIDAS que é no Centro Comunitário do Palmares onde concentram muitos refugiados. Ali capacitamos já mais de 200 refugiados e semanalmente fazemos nossas aulas e encontros de capacitação e distribuição de doações;

FV Em relação aos jovens, de que forma a ACOVIDAS garante o desenvolvimento integral desses jovens, e quais são os maiores desafios para integrá-los à realidade de Valinhos?

CESAR Temos grande preocupação com a proteção de crianças e jovens de ACOVIDAS e são muitos, em torno de mais de cento e 120 e procuramos fazer ações sociais com ajuda de outras ONGs e parcerias para o esporte e entretenimentos quando possível, mas especialmente reforçar e ajudar na educação básica, secundária e encaminhamento para o primeiro emprego com incentivo a programa de jovem aprendiz e outras capacitações que são oferecidas gratuitamente.

Um desafio é garantir trabalho e renda e moradia para seus pais e responsáveis para que possam assegurar o jovem no trabalho parcial, sem abandonar os estudos na sua formação acadêmica para um futuro melhor. Ainda precisamos de mais empresas na cidade que possam abrir oportunidades para contratar os jovens de ACOVIDAS

FV Apesar do trabalho essencial, o senhor menciona a falta de recursos financeiros e o desafio de a ACOVIDAS não ser uma entidade legalizada. Como essa condição afeta a busca por apoio e o desenvolvimento de novos projetos, e quais são os planos para superar essa barreira?

CESAR A Associação ACOVIDAS acolhimento sem fronteiras ajuda humanitária de Valinhos ainda é um projeto social, porém reconhecido pela Câmara Municipal com importância para a cidade e com isso ajudaram ACOVIDAS a iniciar seu processo de registro para ONG legalmente como OSC e o escritório VEIGA está dando todo apoio legal para esse objetivo que esperamos ter até final de 2025. Mas realmente é um desafio sem recursos próprios manter um projeto para atender muitas pessoas com suas vulnerabilidades e necessidades especiais extremas em alguns casos. Temos muitos condomínios amigos de ACOVIDAS que fazem doações de roupas, sapatos e moveis usados que ajudam eles atender algumas emergências mas ainda precisamos mais porque o poder publico ajuda dentro da lei e muitas vezes eles têm necessidades emergenciais de alimentos e saúde que não podem esperar e nesse ponto entra ACOVIDAS como uma mão amiga que cuida até o poder publico poder atender em seu tempo que muitas vezes não são o que eles precisam.

FV A ACOVIDAS atende diversas nacionalidades – cubanos, venezuelanos, haitianos, africanos. Existem desafios específicos ou abordagens diferentes para cada um desses grupos, considerando suas culturas e necessidades?

CESAR ACOVIDAS nasceu atendendo demandas dos primeiros refugiados em 2018 sendo os haitianos, africanos, venezuelanos, cubanos e até marroquinos que chegaram por último. Realmente entender as diferentes culturas ajuda em atender melhor suas expectativas de como incluir especialmente que tipo de trabalho podem exercer melhor. Muitos são altamente capacitados como médicos, advogados, engenheiros e professores, mas que infelizmente ocupam funções fora de sua capacitação ou por falta de lei que reconheça ou por falta de oportunidade devido a língua ou vontade de acolher e ajudar profissionalmente.

FV A Associação tem se destacado também na integração cultural, citando exemplos como o cantor Guipson Pierre e os artistas cubanos Yoel e Lira Rodriguez. Qual a importância da arte e da cultura nesse processo de acolhimento e como isso contribui para a valorização da diversidade em Valinhos?

CESAR Sim, ACOVIDAS tem dois princípios: Não assistencialista e sem ideologia para que eles possam chegar e ter respeitado seu direito de pensar ideologicamente, de crença, cultura e ainda fomenta que sejam conhecidas sua arte e talento na cidade. Com isso Valinhos já pode conhecer o trabalho dos pintores cubanos Yonel e Lira nas praças e muros da cidade e também o cantor haitiano Guipson Pierre nos bares e eventos musicais desde sua trajetória que ajudamos ele quando participou do The Voice Brasil em 2018.

FV Para finalizar, qual a mensagem principal que o senhor gostaria de deixar para os moradores de Valinhos sobre a importância de acolher e apoiar imigrantes e refugiados, especialmente agora com a instituição do Dia do Imigrante e do Refugiado?

CESAR  Gostaria primeiramente de agradecer a Valinhos pelo acolhimento dos refugiados na cidade e que nosso compromisso é receber quem chega por meio de amigos e familiares até que possamos conseguir moradias e trabalho e capacitação profissional. Não incentivamos chegadas sem aviso prévio e não ajudamos os que pedem dinheiro na rua que não são de ACOVIDAS e que geralmente saem de Campinas e ficam durante o dia e voltam e não querem um trabalho formal então saem fora da missão nossa de acolher para superar.

Ajuda de voluntários para o projeto, ofertas de vagas de trabalho e receber doações é muito importante para dar continuidade nas necessidades básicas e emergenciais e todos que querem ajudar e obter mais informações do contato pode entrar no site ACOVIDAS.ORG porque podemos dizer que em se tratando de ajuda humanitária NOSSO PAÍS É O MUNDO E NOSSO IRMÃO É O PROXIMO.

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Saúde

Reabilitação e esperança para superar o acidente vascular cerebral

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma condição desafiadora que impacta milhares de vidas. Em Valinhos, o projeto SOS AVC Valinhos surge como um farol de esperança, oferecendo reabilitação multidisciplinar e acolhimento essenciais a pacientes e suas famílias. Em entrevista exclusiva à Folha de Valinhos, Ana Cláudia Scavitti, coordenadora do SOS AVC Valinhos, detalha o funcionamento do programa, os desafios superados e os planos ambiciosos para ampliar o alcance e a conscientização sobre o AVC em nossa comunidade

FOLHA DE VALINHOS Ana Cláudia, o projeto SOS AVC Valinhos oferece uma série de atendimentos, como estimulação cognitiva, fonoaudiologia e fisioterapia. Poderia detalhar um pouco mais sobre como funciona a triagem e o processo de adesão para que os pacientes possam ter acesso a essa gama de serviços?
ANA CLAUDIA SCAVITTI O programa oferece atendimento para pessoas acometidas pelo AVC e suas famílias, na reabilitação e apoio familiar. A triagem é feita após o acolhimento inicial e o preenchimento, por parte do paciente, do termo de adesão.

FV Um dos pilares do SOS AVC Valinhos é a busca por oferecer autonomia e qualidade de vida aos pacientes, além do acolhimento às famílias. Como vocês percebem e medem esse impacto na vida das pessoas atendidas e de seus familiares?
ANA CLAUDIA Ainda não é possível mensurar, mas podemos observar, nos primeiros atendimentos, que o acolhimento na visão global do paciente, frente às suas necessidades, já é um impacto positivo para ambos (paciente e família).

FV O projeto foi lançado em outubro de 2024 e, vemos que os atendimentos começaram recentemente, em 5 de maio. Qual foi o maior desafio para colocar o SOS AVC Valinhos em prática e iniciar os atendimentos?
ANA CLAUDIA O maior desafio foi a construção da rede de parcerias e o levantamento de dados sobre o AVC e trabalhos realizados no município, por se tratar de um tema pouco explorado e que hoje se faz necessário, diante do avanço da doença. Outro desafio foi a captação de voluntários especializados para o início dos atendimentos.

FV A senhora já destacou a importância da reabilitação pós-AVC. Na sua visão, quais são os principais benefícios da reabilitação multidisciplinar oferecida pelo SOS AVC Valinhos, e como ela se diferencia de outros tipos de suporte?
ANA CLAUDIA O diferencial do SOS AVC encontra-se na visão integral do paciente, buscando atendê-lo em todos os aspectos: físico, emocional e mental, e na integração da equipe voltada para essa visão do todo, buscando maior alcance do objetivo proposto para o paciente.

FV O projeto conta com o engajamento de voluntários e profissionais qualificados. Como funciona o processo para que novos voluntários e parceiros possam se juntar à equipe do SOS AVC Valinhos? Qual o perfil que vocês buscam?
ANA CLAUDIA Os interessados em fazer parte da nossa equipe de voluntariado podem acessar o programa através do Instagram do SOS AVC (@sos.avcvalinhos) e preencher a ficha de inscrição disponibilizada no link. Buscamos profissionais que se identifiquem com o tema.

FV O Projeto menciona a importância da prevenção de doenças cardiovasculares e AVC. Além dos atendimentos de reabilitação, o SOS AVC Valinhos planeja expandir as ações de conscientização e prevenção para a comunidade de Valinhos?
ANA CLAUDIA O SOS AVC tem como um dos eixos de atuação a prevenção e a conscientização, e já executa isso através de rodas de conversa, campanhas informativas, palestras e mídias sociais.

FV O livro “Anjos da Vida”, do idealizador Paulo Sérgio Paschoal, foi a base para a criação do Projeto. A história do Paulo é inspiradora e de superação. Como ela contribui para os avanços do projeto?

ANA CLAUDIA O livro trouxe ao Paulo inspiração para a criação do SOS AVC, trazendo o tema para discussão e conscientização da importância da informação e prevenção dos fatores de risco para o AVC, sensibilizando a população para o autocuidado com a saúde, alertando sobre os principais sinais e sintomas. E com a venda do livro, captamos recursos para a manutenção do programa.

FV A FEAV acolhe o projeto em sua sede. Como essa parceria com o Fórum das Entidades Assistenciais de Valinhos tem sido fundamental para o desenvolvimento e a sustentabilidade do SOS AVC Valinhos?
ANA CLAUDIA A parceria da FEAV é fundamental para que o SOS AVC aconteça, pois fornece o local onde é executado o programa, apoio administrativo, captação de recursos materiais necessários para o atendimento dos pacientes e suas famílias, além de assessoramento na implantação e desenvolvimento do programa.

FV Considerando que o AVC é um problema de saúde pública, como o SOS AVC Valinhos pretende atuar em conjunto com a rede pública de saúde de Valinhos para ampliar o alcance e a eficácia dos atendimentos e da conscientização?
ANA CLAUDIA O SOS AVC já trabalha em conjunto com a Secretaria de Saúde, atendendo aos pacientes que já passaram por avaliação e atendimento na rede pública, mas ainda necessitam de acompanhamento complementar em diversas áreas para sua total reabilitação.

FV Olhando para o futuro, quais são os próximos passos e metas do SOS AVC Valinhos? Há planos para expandir os serviços oferecidos ou para alcançar um número maior de pacientes?
ANA CLAUDIA * Ampliar a conscientização do tema AVC e formas de prevenção através das UBSs, escolas públicas e privadas, e da população em geral;
* Capacitação das equipes de linha de frente no reconhecimento dos principais sinais e sintomas do AVC e agilização no atendimento. Aprofundamento técnico sobre o tema para os profissionais que atuam diretamente com o paciente pós-AVC, possibilitando melhores estratégias integradas de ação no atendimento e prevenção da doença;
* Implantação de uma porta de entrada especializada em AVC no serviço de emergência.

Pretendemos expandir os serviços oferecidos de acordo com as demandas de atendimentos apresentadas pelos pacientes que são encaminhados ao SOS AVC.

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Valinhos

Professor Zeno Rueldell fala sobre o Junho Violeta e o combate à violência contra o idoso

Valinhos, cidade conhecida pela longevidade de sua população, reforça, neste Junho Violeta, o compromisso com a proteção de seus idosos. Em entrevista exclusiva à Folha de Valinhos, o presidente do Conselho Municipal dos Direitos do Idoso (CMDI), professor Zeno Ruedell, destaca a importância da campanha de combate à violência, que, lamentavelmente, tem crescido de forma alarmante. Ele aborda os diversos tipos de agressões sofridas pelos idosos, desde a violência física e psicológica até o abuso financeiro e a negligência. Zeno Ruedell enfatiza o papel crucial da recém-aprovada Lei Municipal nº 6.668/24, que institui a Política Municipal da Pessoa Idosa, como um marco na garantia de direitos e no combate a esses abusos. O professor também detalha as ações do CMDI, incluindo a distribuição da Cartilha da Pessoa Idosa e a atualização do Fluxograma da Violência Local, ferramentas essenciais para empoderar a população idosa e facilitar as denúncias, sempre com total sigilo. A entrevista revela os desafios e avanços de Valinhos na busca por um envelhecimento ativo, saudável e livre de violência

FOLHA DE VALINHOS Professor Zeno, estamos no Junho Violeta, mês de combate à violência contra a pessoa idosa. Qual a importância dessa campanha para Valinhos e quais são os principais tipos de violência que o Conselho Municipal dos Direitos do Idoso (CMDI) observa na cidade?

PROFESSOR ZENO A população de pessoas com 60 ou mais anos no mundo e, também no Brasil, tem aumentado muito nos últimos anos. Lamentavelmente também aumentou, de forma alarmante, a violência contra os idosos. As estatísticas oficiais são realmente assustadoras, quase inacreditáveis. Ciente dessa triste realidade, a O.M.S. – Organização Mundial da Saúde oficializou, há 19 anos, em 2006, o dia 15 junho o DIA MUNDIAL DE COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA A PESSOA IDOSA.

Esse combate deve existir o ano inteiro e é especialmente relembrado e acentuado durante todo mês, Junho Violeta. Combater à violência contra a pessoa idosa é fundamental. A Sociedade e o Poder Público precisam tomar ciência dessa triste situação e promover, implementar todos os meios possíveis para eliminarem esse problema. Infelizmente são muitos os tipos de violência. As formas principais são: violência física; abuso psicológico; negligência; abandono; violência institucional; abuso financeiro; violência patrimonial; violência sexual e discriminação.

FV A Lei Municipal nº 100/2024, que institui a Política Municipal do Idoso, foi uma grande conquista. Como essa lei fortalece o combate à violência contra o idoso e quais os mecanismos ela oferece para proteger essa população em Valinhos?

PROFESSOR ZENO Esse é, somente, o número do Projeto de Lei, que foi aprovado, em 28/11/22024, pela Câmara Municipal sob o nº 6.668/24. Depois de 20 anos de funcionamento do CONSELHO, a aprovação dessa Lei – POLÍTICA MUNICIPAL DA PESSOA IDOSA – foi realmente uma grande conquista. No seu art. 5º, com muita clareza, estão estabelecidas/determinadas 7(sete) DIRETRIZES DA POLÍTICA MUNICIPAL DA PESSOA IDOSA, que devem, em toda sua abrangência, ser observadas.

No art. 6º, essa Lei especifica quais são os ÓRGÃOS e as ENTIDADES RESPONSÁVEIS pela implementação dessa política municipal: Assistência Social; Saúde; Educação; Recursos Humanos; Habitação; Direitos Humanos e Segurança Social; Cultura e Turismo: Esporte e Lazer; Transporte, Acessibilidade e Mobilidade. Para cada um desses ÓRGÃOS, ENTIDADES estão previstas 5(cinco) ou mais ATRIBUIÇÕES para o cumprimento dessa Lei.

Além dessas ATRIBUIÇÕES, existem outras em nível governamental local e regional, previstas nos artigos 7º ao 16.

Para orientação, propostas, acompanhamento e fiscalização, os artigos 17 ao 22 dessa Lei reformulam e atualizam o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa e os artigos 23 ao 32 detalham sobre a destinação do Imposto de Renda para o Fundo Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa.

Como colocado acima, pelo seu detalhamento e pela sua abrangência, a aprovação da Lei nº 6.668/24 foi realmente UMA GRANDE CONQUISTA PARA A POPULAÇÃO IDOSA E PARA A CIDADE DE VALINHOS.

FV O CMDI elaborou a Cartilha da Pessoa Idosa, que explica os direitos de forma simplificada. Como essa cartilha contribui para empoderar os idosos e suas famílias na identificação e prevenção de situações de violência?

PROFESSOR ZENO A elaboração da CARTILHA DA PESSOA IDOSA exigiu muita, pesquisa, muito, muito trabalho com o objetivo claro de colocar na mão da pessoa idosa, de suas famílias e, por que não, na mão da sociedade, um material com palavras simples, fácil de consultar, detalhando os principais direitos e onde buscar o cumprimento desses direitos. Custeadas pelo Fundo Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, de várias Igrejas e expressivo apoio de escolas particulares, foram impressas 31 mil Cartilhas, distribuídas em todas as repartições públicas e em muitos outros locais com acesso de público.

Acreditamos que, de posse desse material, estamos valorizando os mais de 25 mil idosos de Valinhos, além de eles poderem, concretamente, saber seus direitos, onde devem ir para que sejam respeitados e cumpridos.

FV O cartaz explicativo sobre as formas de violência contra o idoso, distribuído pela cidade, contém um QR Code que direciona para o Estatuto do Idoso. Como essa iniciativa tem sido recebida e qual a importância de divulgar amplamente o Estatuto para a conscientização?

PROFESSOR ZENO As violências contra as pessoas idosas são, lamentavelmente, uma triste realidade, inclusive em Valinhos, visto o CONSELHO receber uma média de 4 a 6 denúncias de maus-tratos por mês. Quanto ao Estatuto do Idoso, embora essa lei tenha sido aprovada em 2003, temos a certeza de que poucas pessoas conhecem seu real conteúdo, principalmente por não terem o acesso ao mesmo, tornado possível pelo QR Code, colocado nos cartazes. Aliás, temos a certeza de que esse gesto, acolhido com muitos elogios, ainda não tinha ocorrido antes para o público em geral.

Mas, mais do que esse acesso, importante, sem dúvida, com os 1 mil cartazes A4 , distribuídos em todas as repartições públicas e os 500 A3, afixados nos ônibus urbanos de Valinhos, o CMDPI tinha por objetivo divulgar e incentivar o público a denunciar os maus-tratos pelos Disque 100, 153 GCM e 190 Polícia Militar.

FV Em fevereiro de 2024, o CMDI oficializou seu Plano de Ação com as secretarias da Prefeitura. Quais são as principais ações relacionadas ao combate à violência contra o idosa que estão sendo desenvolvidas em conjunto com essas secretarias neste ano?

PROFESSOR ZENO O PLANO DE AÇÃO – 2024, elaborado pelo CMDI, amplamente divulgado com o Executivo Municipal e, inclusive em horário especial na Câmara Municipal, foi especialmente direcionado para 8(oito) Secretarias Municipais: Cultura; Assistência Social; Educação; Esporte e Lazer; Saúde; Mobilidade Urbana; Trabalho e Previdência e, Segurança Pública. Ao todo foram, são 59 (cinquenta e nove) projetos, todos eles com os seguintes tópicos: Ações; Estratégias; Metas; Recursos Humanos; Prazo/Execução e, Fontes dos Recursos.

Nesse PLANO DE AÇÃO – 2024, o combate à violência contra as pessoas idosas, em todas essas Secretarias, esteve, está presente em todos projetos mas,mais do que falar, conscientizar sobre a existência desses maus-tratos, esse combate foi, está contemplado especialmente pela implementação das mais diversas práticas, de ações e de campanhas de valorização das pessoas idosas, de seu desenvolvimento físico, artístico e social, sempre objetivando que tenham um envelhecimento ativo e saudável

FV Em fevereiro de 2024, o CMDI oficializou seu Plano de Ação com as secretarias da Prefeitura. Quais são as principais ações relacionadas ao combate à violência contra o idosa que estão sendo desenvolvidas em conjunto com essas secretarias neste ano?

PROFESSOR ZENO Por FLUXOGRAMA, nesse caso, entende-se quais os procedimentos usados para as denúncias de maus-tratos que o CMDPI recebe. Essas denúncias vêm por e-mail, com muitos detalhes pessoais sobre a vítima, endereço, familiares, tipos de violência…, praticamente todas do Disque 100, isto é, do Ministérios dos Direitos Humanos, de Brasília. Uma COMISSÃO oficialmente formada do CONSELHO, recebe as denúncias e, de acordo com o tipo de violência, encaminha as mesmas para as devidas providências para o CRAS, ou CREAS, ou DELEGACIA DE POLÍCIA, ou PROMOTORIA PÚBLICA. A COMISSÃO comunica ao Disque 100 o encaminhamento feito e cobra que os respectivos setores encaminhem a solução de cada caso e retornem o resultado ao Disque 100.

FV Foi mencionada a atualização do Fluxograma da Violência Local. Poderia explicar como esse sistema funciona na prática e qual o papel do CMDI em garantir que as denúncias de violência contra idosos cheguem aos órgãos responsáveis e sejam solucionadas?

PROFESSOR ZENO Poucas denúncias chegam à Casa dos Conselhos por telefone ou whatsupp, de morador de Valinhos. Sem dúvida, 99% vêm do Disque 100, de Brasília. É importante registrar que denunciar maus-tratos é uma obrigação, sob pena de, conforme o caso, tornar-se conivente e, possivelmente ser responsabilizado, se não o fizer. O denunciante pode ficar muito tranquilo, seu nome nunca, jamais será divulgado. Segredo absoluto.

FV A gestão 2023-2025 do CMDI conquistou diversos desafios, incluindo a divulgação das formas de violência. Quais são os maiores obstáculos que o Conselho ainda enfrenta para efetivar plenamente o combate à violência contra o idoso em Valinhos?

PROFESSOR ZENO A gestão 2023/2025 iniciou em 06/01/2023 e terminou em 05/01/2025. Desenvolveu 6(seis) trabalhos administrativos muito importantes: Recadastramento das Entidades; Elaboração do Fluxograma das Denúncias; Cartazes – Maus-Tratos; Plano de Ação – 2024; Encaminhamento para Aprovação da Lei nº 66.668/24 e Cartilha da Pessoa Idosa. Além da troca da administração municipal, objetivando, com as novas indicações do Poder Público, garantir a paridade que todos os Conselhos devem ter, também tivemos a formação da gestão 2025/2027 do CMDPI, postergando oficialmente o início em fevereiro deste ano.

Obstáculos a enfrentar nesta nova gestão? Talvez seja melhor afirmar que são desafios, isto é, que, junto com o Executivo Municipal e com o CMDPI, cada um dos 09(nove) setores, que todos os órgãos e entidades, relacionados no artigo 6º da Lei nº 6.668/24, implementem, efetivamente cumpram todas as suas ATRIBUIÇÕES aí estabelecidas, garantindo, dessa forma, que todos os direitos das pessoas idosas sejam devidamente respeitados e que tenham um envelhecimento ativo e saudável.

FV As denúncias de violência chegam pelo Disque 100 e/ou pela Casa dos Conselhos. O que o senhor diria para um idoso ou familiar que está receoso em denunciar, e qual a importância do sigilo e da proteção do denunciante nesse processo?

PROFESSOR ZENO Ser a cidade mais longeva do Estado de São Paulo é, sem dúvida, um motivo de justa satisfação. No entanto, o grande aumento populacional, como há pouco de 5.000(cinco mil) habitantes em 2(dois), é um motivo a mais de preocupação, visto que não se trata de um aumento de nascimentos e sim de pessoas vindas de várias outras cidades da região e de outros Estados. Acreditamos, como estabelecido no artigo 230 da Constituição Federal, que cabe à Família, à Sociedade e ao Poder Público garantir que os direitos das Pessoas Idosas sejam preservados e que tenham, como já colocado, um envelhecimento ativo e saudável. Nesse sentido, mais uma vez, temos a certeza de que o trabalho do CMDPI e o EFETIVO CUMPRIMENTO do estabelecido na Lei nº 6.668/24, vão garantir que essa longevidade da população de Valinhos vai permanecer e, possivelmente, melhorar ainda mais.

FV O CMDI realizará a Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa neste mês de junho?  Se sim, como o senhor espera que a campanha do Junho Violeta contribua para as discussões e propostas que surgirão nessa Conferência, especialmente no que diz respeito ao combate à violência?

PROFESSOR ZENO Seguindo normas federais em relação ao tema e aos EIXOS TEMÁTICOS e também normas do Conselho Estadual da Pessoa Idosa, a 3ª CONFERÊNCIA MUNICIPAL DOS DIREITOS DA PESSOA IDOSA de Valinhos já foi realizada nos dias 14 e 15 de maio. Foi muito bem organizada e na Pesquisa de Satisfação respondida pelos participantes, foi bastante elogiada em todos os itens. Seguindo nomas estabelecidas, o RELATÓRIO OFICIAL já foi mandado para São Paulo, acompanhado com os dados de 5 (cinco) Delegados Titulares e mais de 5(cinco) Suplentes. Nos próximos dias será feita uma divulgação maior, aliás, já feita na Rádio Valinhos.

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