ENDIVIDAMENTO

Economia

Especialista alerta sobre os riscos de parcelar gastos de Carnaval no cartão de crédito

O Carnaval é um dos períodos mais aguardados do ano, movimentando intensamente o turismo e o comércio. No entanto, o clima de festa e o consumo por impulso podem se tornar armadilhas para o orçamento pessoal. Especialistas alertam que as decisões financeiras tomadas durante a folia muitas vezes resultam em dívidas que se estendem por boa parte do ano, comprometendo o planejamento familiar.

A ilusão do parcelamento e do “dinheiro invisível”

De acordo com Carlos Castro, planejador financeiro da plataforma SuperRico, o uso do cartão de crédito gera uma “distância psicológica” entre a compra e o pagamento. Em ambientes de euforia, como blocos e viagens de última hora, essa sensação de dinheiro invisível facilita os excessos.

O maior risco reside no parcelamento de gastos de curto prazo, como alimentação, fantasias e ingressos. “Diferente de bens duráveis, as despesas de lazer não geram valor futuro, mas comprometem a renda dos meses seguintes”, explica Castro. Parcelar o Carnaval pode limitar escolhas financeiras importantes e reduzir a margem para lidar com imprevistos que possam surgir no dia a dia.

Dicas para curtir sem culpa

Para quem vai aproveitar os dias de folga na nossa região ou viajar, o planejamento é a melhor estratégia. Algumas recomendações práticas incluem:

  • Definir um teto: Estabeleça um limite de gastos diários e tente não ultrapassá-lo.

  • Priorizar o débito: O uso do dinheiro à vista ajuda a manter o controle real do que está saindo da conta.

  • Evitar decisões de última hora: Compras planejadas costumam ser mais baratas do que as feitas sob a pressão do “medo de ficar de fora”.

Curtir o feriado com responsabilidade garante que a diversão não se transforme em uma preocupação financeira duradoura. Afinal, a estabilidade econômica é o que permite que outras experiências de lazer aconteçam ao longo de todo o ano.

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Economia

Recorde de Débitos: 79,5% das famílias brasileiras estão endividadas

Apesar do patamar histórico de dívidas no cartão de crédito, inadimplência registra queda pelo terceiro mês consecutivo

O nível de endividamento no Brasil alcançou uma marca histórica em janeiro de 2026. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela CNC, 79,5% das famílias possuem dívidas a vencer. O índice iguala o recorde registrado em outubro do ano passado e reflete um aumento real em comparação aos 76,1% registrados em janeiro de 2025.

O paradoxo da inadimplência em queda

Curiosamente, embora o número de pessoas com contas a pagar tenha subido, a quantidade de famílias que não conseguiram honrar os compromissos no prazo caiu pelo terceiro mês seguido. A inadimplência fechou janeiro em 29,3%, vindo de uma trajetória de queda desde os 30,5% de outubro.

Especialistas da CNC explicam que a dívida, por si só, não é negativa, pois aquece o consumo. O sinal de alerta surge apenas quando a capacidade de pagamento é comprometida — cenário que, no momento, apresenta uma leve melhora.

O vilão do orçamento: Cartão de Crédito

O levantamento detalha onde estão concentrados os débitos dos brasileiros. O cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo endividamento, seguido por carnês e crédito pessoal:

  • Cartão de crédito: 85,4%

  • Carnês de loja: 15,9%

  • Crédito pessoal: 12,2%

  • Financiamento imobiliário: 9,6%

  • Financiamento de veículos: 8,7%

O comprometimento médio da renda familiar com essas contas é de 29,7%. Preocupa o fato de que uma em cada cinco famílias brasileiras já gasta mais da metade do que ganha apenas para pagar dívidas.

Impacto dos Juros e Selic

A dificuldade em quitar débitos é intensificada pela taxa Selic, atualmente em 15% ao ano — o maior patamar desde 2006. O Banco Central mantém os juros elevados para frear a inflação, mas o efeito colateral é o encarecimento do crédito ao consumidor.

Entretanto, há otimismo no horizonte. Com o IPCA voltando ao teto da meta (4,5%), o Banco Central sinalizou que começará a reduzir a Selic em março. “Provavelmente no início do terceiro trimestre as famílias devem se deparar com uma taxa de juros significativamente menor”, projeta o economista-chefe da CNC.

Projeções para o Primeiro Semestre:

  • Endividamento: Deve continuar subindo, podendo atingir 80,4% em junho.

  • Inadimplência: Tendência de queda, podendo recuar para 28,9% até o meio do ano.

  • Alvos: As famílias com renda até três salários mínimos (R$ 1.621) continuam sendo as mais afetadas, com 82,5% de endividamento.

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