Valinhos
Valinhos tem mais de 700 eleitores com deficiência e prazo para adaptação termina em maio
Justiça Eleitoral utiliza dados de 2024 para planejar acessibilidade no pleito de outubro; cidade possui 74 seções preparadas para receber este público
As eleições gerais de 2026 trazem um desafio logístico importante para a inclusão em Valinhos. No próximo dia 4 de outubro, os eleitores escolherão presidente, governador, senadores e deputados. Em um eventual segundo turno, a votação ocorrerá no dia 25 de outubro.
Crescimento do eleitorado PCD
A Folha de Valinhos apurou junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o número de eleitores com deficiência cresceu expressivamente. Em 2008, o município registrava apenas 52 eleitores nesta condição. Atualmente, os dados consolidados de 2024 mostram um total de 707 cidadãos aptos.
Deste grupo, 579 eleitores possuem voto obrigatório em nossa cidade. Além disso, a Justiça Eleitoral mapeou que a deficiência de locomoção atinge 184 pessoas. Esse perfil exige que as escolas e locais de votação ofereçam rampas e ausência de escadas.
Infraestrutura e prazos
Valinhos conta hoje com 273 seções eleitorais distribuídas em 33 endereços. No entanto, apenas 74 (27%)dessas seções possuem plena acessibilidade no momento. Por isso, o eleitor deve ficar atento ao prazo de 6 de maio. Esta é a data limite para solicitar a transferência para uma seção adaptada.
A radiografia detalhada do TSE revela outras necessidades específicas. A cidade tem 69 eleitores com deficiência visual que dependem de braille e áudio nas urnas. Outros 50 cidadãos possuem deficiência auditiva e podem demandar suporte visual ou intérpretes de Libras durante o exercício do voto.
Planejamento para outubro
Os números de 2024 servem como termômetro para a organização das Eleições 2026. Como o cadastro eleitoral continua aberto, a tendência é que o número de solicitações aumente. O objetivo do TSE é garantir que todo valinhense exerça sua cidadania com autonomia e respeito.
A Justiça Eleitoral reforça que a acessibilidade é um direito fundamental. Portanto, o mapeamento constante ajuda a identificar quais prédios públicos precisam de reformas urgentes. A participação ativa deste eleitorado fortalece a democracia e define o futuro político do estado e do país.
CMDPD – Barreiras urbanas são o maior desafio para eleitores com deficiência
Embora os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontem 707 eleitores com deficiência em Valinhos, o conforto
dentro das seções eleitorais não reflete a realidade das ruas. Para Jony Anderson de Oliveira, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CMDPD), a estrutura das salas de votação e o atendimento dos mesários são satisfatórios, mas o trajeto até a urna permanece como o principal obstáculo.
O presidente do Conselho destaca que a própria topografia de Valinhos, somada à falta de manutenção, prejudica o exercício do voto:
Entorno deteriorado: Calçadas em mau estado de conservação ao redor dos prédios públicos.
Mobiliário Urbano: Disposição de equipamentos nas vias que não consideram a diversidade humana.
Acessibilidade Comunicacional: A ausência de intérpretes de Libras em todas as seções, ficando restritos apenas às unidades de acessibilidade.
“A geografia do município por vezes não é favorável ao deslocamento, e isso, aliado à falta de manutenção das calçadas, dificulta a chegada ao local do pleito”, afirma Jony.
Com o prazo para atualização do cadastro eleitoral se encerrando em 6 de maio, o CMDPD prepara uma ofensiva de comunicação. O objetivo é mobilizar o público com deficiência para que solicitem a transferência para seções acessíveis a tempo das eleições de 2026.
Para o conselho, a ocupação desses espaços é a única forma de garantir a quebra de barreiras e o direito efetivo à cidadania. “Só é possível atingir nosso objetivo maior se as pessoas com deficiência estiverem e participarem de todos os eventos da sociedade”, pontua o presidente.
Destaques:



