EDITORIAL

Opnião

Extremos do clima: alerta para uma nova realidade

Durante mais de uma semana, as equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Guarda Ambiental e brigadas civis travaram uma batalha incansável contra o fogo

O início da primavera de 2025 em Valinhos e em toda a Região Metropolitana de Campinas (RMC) foi marcado por uma sucessão de eventos extremos, que transformaram a paisagem da região em poucas horas. A transição abrupta de um longo período de estiagem para uma tempestade avassaladora serve como um alerta contundente sobre as mudanças climáticas e a urgência de uma resposta coordenada do poder público e da sociedade. O que vivemos nos últimos dias não foi apenas uma anomalia climática, mas um sinal claro de uma nova e mais perigosa realidade.

Durante mais de uma semana, as equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Guarda Ambiental e brigadas civis travaram uma batalha incansável contra o fogo. O incêndio na Serra dos Cocais, no trecho da Pedra do Urubu, na Fazenda Espírito Santo, e os focos de incêndio que, dias antes, atingiram a Estação Ecológica Mata da Tapera, mobilizaram todos os esforços. A cada dia, a esperança por um desfecho positivo era alimentada pela previsão da chegada da chuva. A expectativa por uma trégua na estiagem, no entanto, veio acompanhada de um desafio ainda maior.

Na terça-feira, 22 de setembro, a partir das 13h54, a Defesa Civil emitiu um alerta via SMS para celulares de moradores de grande parte do estado de São Paulo, avisando sobre a chegada de temporais. Ninguém poderia prever, no entanto, a intensidade da tempestade que se seguiu. A chuva, tão esperada para apagar o fogo, causou uma série de danos em diversas cidades, incluindo a destruição da fábrica da Toyota em Porto Feliz. Em Valinhos, o cenário mudou: o combate ao incêndio na Serra dos Cocais foi substituído por uma operação de emergência para sanar os problemas causados pelas chuvas, com registros de quedas de árvores e pontos de alagamento.

Esse episódio é um chamado à ação para os governantes. A natureza não negocia o seu destino; ela apenas responde às agressões. Anos de descaso e destruição do meio ambiente resultaram em uma “Emergência Climática” global, manifestada em desastres naturais cada vez mais frequentes. Como resposta a esse cenário, 194 nações assinaram o Acordo de Paris, criando a Agenda 2030, um compromisso para cumprir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). É vital que Valinhos, assim como todas as cidades, grandes ou pequenas, faça sua parte para cumprir essa agenda e agir localmente no combate às mudanças climáticas.

Em Valinhos, a Prefeitura tem se movido na direção certa. Desde o início do ano, o município reforçou sua estrutura de Defesa Civil, ampliando a equipe, adquirindo equipamentos e implantando tecnologia de monitoramento. Em 19 de setembro, a cidade decretou Situação de Emergência em razão das queimadas, criando um Comitê Gestor para otimizar a resposta a desastres. O Plano de Contingência foi estruturado, e a Operação Estiagem foi lançada para prevenir e combater incêndios. A fiscalização de queimadas ilegais também foi intensificada, com dezenas de autuações.

Apesar dos esforços, a tempestade de terça-feira serve como um lembrete do que podemos esperar para a temporada de chuvas. O poder público precisa agir de forma rápida na organização de suas equipes e na resolução de problemas em áreas de risco, para que a população não sofra mais. O planejamento precisa ser contínuo e mais abrangente. Assim como a tragédia no Rio Grande do Sul em 2024 demonstrou, os animais também precisam ser incluídos no planejamento de operações de combate a incêndios e mitigação de danos causados por chuvas.

A vulnerabilidade de nossa cidade frente aos extremos climáticos é inegável. A resposta não pode ser apenas reativa, mas sim proativa, baseada em ciência e planejamento a longo prazo. É preciso investir em infraestrutura, educação e conscientização para que a população esteja preparada. O tempo de ignorar os sinais da natureza acabou. Os extremos vivenciados nesta semana são um aviso para que a sociedade e o poder público em Valinhos e em todo o mundo se unam e construam um futuro mais resiliente e seguro para todos.

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Opnião

CAV: Um centenário de história e comunidade

Em meio a uma rotina cada vez mais digital, onde as conexões sociais parecem muitas vezes mediadas por telas e aplicativos, o Clube Atlético Valinhense (CAV) emerge como um lembrete vivo da importância da interação e do convívio. Completando 100 anos neste mês de setembro, o clube celebra um legado que se entrelaça com a própria história de Valinhos, servindo como um pilar de esporte, cultura e, acima de tudo, comunidade.

A história do CAV é um espelho de Valinhos. Seu antigo campo de futebol, que por 25 anos sediou eventos, campeonatos e festas, hoje abriga o Terminal Rodoviário e o Centro de Artes Cultura e Comércio (CACC). Essa transformação urbana mostra como o clube, assim como a cidade, soube se adaptar ao longo do tempo, mantendo sua relevância. Em tempos de isolamento social, o CAV ainda é um espaço de interação e sociabilização, onde os associados encontram um refúgio para compartilhar momentos de alegria e camaradagem.

Com toda a certeza, a história do Clube Atlético Valinhense não se resume apenas a esportes e eventos sociais; ela está profundamente ligada aos quase 130 anos da história de Valinhos. Muitos dos movimentos e lideranças políticas da cidade nasceram em reuniões e encontros sociais no próprio CAV. Ao longo de sua trajetória, o clube sempre foi um espaço de debate e articulação, onde as ideias fluíam tão livremente quanto as conversas entre amigos.

O CAV é reconhecido regionalmente como um dos melhores clubes sociais, com uma intensa atuação em diversas áreas. Ele se tornou um ponto de encontro para a sociedade valinhense, um verdadeiro palco de interação e sociabilização, que transcendeu a mera atividade física. Em tempos de internet e redes sociais, que muitas vezes levam as pessoas a se isolarem, o CAV continua sendo um refúgio para a comunidade, um local onde as conexões humanas são celebradas e fortalecidas, provando que o mundo real ainda é insubstituível.

As comemorações do centenário, iniciadas neste mês, foram marcadas por eventos que celebraram a rica trajetória da instituição. Uma das festas mais aguardadas, o Baile do Centenário, realizado no sábado, dia 6 de setembro, uniu gerações de associados em uma noite inesquecível. Com o Salão Social transformado em um ambiente de pura elegância pela decoração de Aldo Silvestre, a festa foi um espetáculo à parte, coroado por um requintado jantar do Buffet Beto Ramos. A energia contagiante da Banda Chapéu da Máfia manteve a pista de dança cheia, reforçando o orgulho e o carinho que a comunidade tem pelo clube.

A celebração foi além das festividades, garantindo que a memória do CAV fosse preservada para as futuras gerações. No dia 19 de setembro, foi lançado o livro “CAV 100: Um Século de Esporte, Cultura e Paixão”. Escrita pelo jornalista e escritor Stephan Campineiro, a obra é um presente valioso para todos os valinhenses. Com 248 páginas e mais de 300 imagens, o livro resgata a rica história do clube, desde sua fundação em 1925. Ele detalha a profunda ligação do CAV com a história da cidade, retratando a participação de seus dirigentes na política municipal e o renascimento do clube com a inauguração da nova sede em 1970.

O presidente do CAV, Sylvio Antonio Silva, ressaltou que a obra é um reconhecimento a todas as gerações que ajudaram a construir o clube e do patrimônio do qual poucos clubes do interior podem se orgulhar. O livro celebra a história da cidade, resgatando a lenda do “Esquadrão Fantasma”, o maior time do clube, que conquistou o heptacampeonato distrital de Campinas, e revivendo a tradição dos famosos bailes, incluindo o primeiro baile de debutantes de Valinhos, realizado na sede do clube em 1958.

Para coroar a programação especial, o CAV abre suas portas neste sábado, dia 20 de setembro, para um grande show com o sambista Dudu Nobre. A festa continua neste domingo, dia 21, com uma praça de alimentação e apresentações das bandas Toninho Laz e Tomahawk. Ao abrir o evento para não-associados, o clube reafirmou seu papel de catalisador social, convidando toda a cidade a celebrar sua história.

O centenário do Clube Atlético Valinhense nos lembra que, para além de sua estrutura física, sua verdadeira força reside nas pessoas que o construíram e que continuam a mantê-lo vivo. É a paixão dos associados, o trabalho das diretorias e a conexão com a comunidade que garantem que o CAV continue sendo um pilar de união, esporte e cultura por muitos anos.

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Opnião

Entre as melhores do Brasil, e a responsabilidade de ir além

Valinhos está em um momento de destaque. A cidade acaba de ser agraciada com posições de prestígio em dois rankings nacionais importantes, confirmando seu lugar entre os municípios mais bem-sucedidos do Brasil. A notícia é motivo de orgulho, mas também de reflexão. Estar no topo não é apenas uma vitória, é um compromisso com a excelência contínua. Os resultados positivos são um reflexo do trabalho, mas a responsabilidade de fazer ainda mais é a marca de uma gestão que pensa no futuro.

A primeira boa notícia veio do Centro de Liderança Pública (CLP), que divulgou o Ranking de Competitividade dos Municípios. Analisando 418 cidades com mais de 80 mil habitantes, Valinhos conquistou a 65ª posição geral e se consolidou como o 7º município mais competitivo da Região Metropolitana de Campinas (RMC). O destaque vai para a dimensão social, onde a cidade brilhou no pilar de Qualidade da Saúde, alcançando o 10º lugar nacional. Dentro desse pilar, o resultado é ainda mais impressionante: 1º lugar no indicador de Mortalidade Materna, uma conquista que reflete a eficiência e o cuidado com as políticas de saúde para gestantes.

O outro reconhecimento, igualmente relevante, foi do Instituto Cidades Sustentáveis. O relatório Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR) 2025 colocou Valinhos na 91ª posição entre os 5.570 municípios do país, subindo 127 posições em relação ao ano anterior. Este ranking avalia o desempenho das cidades em relação aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela ONU para a Agenda 2030. A melhora expressiva mostra que a cidade está no caminho certo para alcançar as metas globais de sustentabilidade e cuidado com o meio ambiente.

Ambos os resultados são a prova de que a gestão municipal, sob a liderança do prefeito Franklin Duarte, está alinhada com as demandas do presente e os desafios do futuro. A criação, em janeiro, da Secretaria do Verde e da Agricultura é um exemplo claro desse compromisso. A nova pasta, focada em questões ambientais e sustentabilidade, demonstra a seriedade com que a prefeitura encara a responsabilidade de melhorar a qualidade de vida da população sem comprometer o futuro do planeta. O desempenho nos rankings, que valorizam tanto a competitividade econômica quanto a sustentabilidade, valida a visão estratégica da administração.

No entanto, um olhar mais atento sobre os dados revela que há pontos que exigem atenção. No Ranking de Competitividade, Valinhos enfrenta desafios em áreas como Acesso à Educação (72ª posição) e Saneamento (73ª posição). No relatório da Agenda 2030, a cidade ainda tem um longo caminho a percorrer em temas como Fome zero, Indústria, Inovação e Infraestrutura e Proteger a vida terrestre, que estão em níveis de desenvolvimento baixo ou muito baixo.

O sucesso em um ranking nunca é um ponto final, mas sim um ponto de partida. Ele valida o trabalho que foi feito e ilumina o caminho a seguir. Para Valinhos, estar entre as melhores nos rankings de Competitividade e Sustentabilidade significa que a cidade está em um patamar de destaque, com visibilidade e responsabilidade ampliadas. A gestão municipal tem agora a missão de transformar os desafios apontados nesses estudos em oportunidades de melhoria contínua, usando a base sólida já construída para avançar em áreas como saneamento e acesso à educação, garantindo que o desenvolvimento social e ambiental caminhem juntos. A Folha de Valinhos, atenta a esses indicadores, continuará acompanhando de perto o progresso da cidade, celebrando as conquistas e cobrando as ações necessárias para que a qualidade de vida de todos os valinhenses seja cada vez melhor.

Estar no seleto grupo das 100 melhores cidades em dois rankings tão importantes e de perfis diferentes é uma honra, mas também um peso. A atual administração tem a missão de consolidar as conquistas e, ao mesmo tempo, enfrentar os desafios. A cidade tem um potencial imenso, e os rankings confirmam isso. O verdadeiro teste agora é a capacidade de transformar os pontos de melhoria em novas vitórias. A gestão do prefeito Franklin Duarte tem a responsabilidade de garantir que a posição de destaque não seja um ponto final, mas sim um ponto de partida para que Valinhos continue a crescer e a prosperar, entregando uma cidade ainda mais competitiva e sustentável para seus cidadãos. A jornada para o futuro está apenas começando, e os valinhenses esperam que o sucesso de hoje seja a base para as conquistas de amanhã.

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A morte de Clara e a omisssão de uma cidade

“Agosto Lilás” de nada adianta se a população não assume seu papel fundamental na denúncia

O mês de agosto em Valinhos foi pintado de lilás, com campanhas, eventos e discursos oficiais celebrando o combate à violência contra a mulher. No entanto, o que deveria ser um período de conscientização e empoderamento foi tragicamente manchado por uma realidade brutal: o feminicídio de Clara Letícia de Paula Gonçalves, de 26 anos. Sua morte, um grito silenciado no Parque Portugal, expõe a fragilidade de uma rede de proteção que, apesar de existir no papel, falha miseravelmente quando mais se precisa dela.

É assustador e revoltante imaginar que o crime que ceifou a vida de Clara aconteceu na frente de seu filho de apenas 3 anos. O menino, uma vítima inocente da violência que atingiu sua mãe, foi encontrado debilitado e trancado em casa, ao lado do corpo em decomposição, dois dias após o assassinato. O que se esperaria de uma comunidade atenta, de vizinhos que se preocupam? A fria realidade é que, apesar de relatos de gritos e pedidos de socorro ouvidos na madrugada do crime, a denúncia não veio a tempo.

Isso nos leva a uma reflexão desconfortável: o que aconteceu com a nossa capacidade de agir? Vivemos em uma sociedade que, cada vez mais, se fecha em si mesma, temendo se “intrometer” na vida alheia. A omissão, nesse contexto, torna-se uma cumplicidade fatal. Vizinhos, que são a primeira linha de defesa contra o risco, optaram pelo silêncio. Como foi possível que ninguém sentisse falta de Clara por dois dias inteiros?

O “Agosto Lilás” de nada adianta se a população não assume seu papel fundamental na denúncia. As campanhas de conscientização são cruciais, mas perdem o sentido quando a tragédia se desenrola diante de nossos olhos e somos incapazes de estender a mão. As marcas da violência doméstica não se limitam a hematomas; elas se manifestam em gritos de socorro, em olhares de medo, em um comportamento alterado. É claro que não devemos invadir a privacidade alheia, mas ignorar sinais claros de perigo é o primeiro passo para a tragédia. A rede de proteção precisa começar no nosso bairro, na nossa rua, com cada um de nós.

Além da omissão da vizinhança, o caso de Clara reacende um debate urgente sobre a eficácia da Justiça e das políticas públicas. No Brasil, a distância entre uma medida protetiva e um atestado de óbito é, muitas vezes, menor do que se imagina. As medidas protetivas, que em alguns casos são conquistadas a fórceps, só funcionam se houver a denúncia e uma punição exemplar para os agressores. Não basta ter leis; é preciso que sejam aplicadas com o rigor necessário para que a impunidade não encoraje novos crimes.

Apesar da brutalidade que tirou a vida de Clara, é fundamental reconhecer que campanhas como o Agosto Lilás e as atividades de educação e conscientização são de suma importância para romper o ciclo de violência e impunidade. O Agosto Lilás em Valinhos reforça a mensagem de que “violência contra a mulher não tem desculpa. Tem denúncia!”. Essa mobilização não é apenas por um mês, mas um lembrete de que o compromisso precisa ser permanente. O objetivo é claro: mostrar às mulheres que elas não estão sozinhas. Existem serviços e profissionais preparados para acolher, orientar e dar o apoio necessário para quem enfrenta situações de violência, e é esse elo de solidariedade que deve ser fortalecido cada vez mais.

A morte de Clara Letícia não pode ser mais um número na estatística do feminicídio. Seu caso precisa ecoar em Valinhos e em todos os cantos, servindo de alerta para que a morte dessas mulheres não seja em vão. A covardia do homem que se julga dono de uma vida não pode ser a única verdade. A justiça deve ser mais eficiente, a rede de proteção, mais robusta, e a sociedade, menos omissa. O Agosto Lilás só fará sentido se aprendermos, a duras penas, que a violência contra a mulher é uma responsabilidade de todos e que a denúncia é um ato de coragem que pode salvar vidas. Que a morte de Clara seja um marco para que nunca mais uma criança tenha que passar dois dias ao lado da mãe morta, à espera de um socorro que, para ela, chegou tarde demais.

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Opnião

A crueldade contra animais em foco

“É insano pensar que somente nós, seres humanos, temos o direito de viver plenamente neste planeta”

Casos recentes de violência contra animais em todo o Brasil, incluindo Valinhos, acendem um alerta e exigem uma reflexão urgente sobre nossa responsabilidade. Mais do que leis, é preciso um pacto de respeito e empatia com todas as formas de vida.

A semana que passou foi marcada por uma profunda indignação nacional. Um caso chocante de mutilação de um cavalo, que teve suas quatro patas cortadas por um indivíduo desprovido de humanidade, chocou e revoltou o país. A comoção, que se espalhou rapidamente pelos noticiários e redes sociais, revelou a urgência de uma discussão que, frequentemente, fica em segundo plano: a crueldade contra os animais.

Esse episódio insano, infelizmente, não é um fato isolado. Aqui mesmo em Valinhos, casos brutais de violência contra animais vêm sendo registrados. No Parque das Colinas, um gato foi atingido por um tiro no pescoço, sobrevivendo por pouco. No mesmo bairro, outro felino foi vítima de chumbinho, enquanto o desaparecimento de outros gatos levanta suspeitas de envenenamento. Tais atos de covardia nos lembram de uma triste realidade: a violência contra os animais é um problema que também afeta nossa cidade.
A Prefeitura de Valinhos, através do Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal, mostra que o poder público está fazendo a sua parte. Em meio a essa onda de crueldade, foi lançado o “Agosto Caramelo”, uma iniciativa idealizada pela vereadora Mônica Morandi e promulgada pelo prefeito Franklin Duarte.

A campanha visa conscientizar a população sobre a posse responsável e o cuidado com os animais, especialmente no trânsito. A campanha é um passo fundamental para reduzir os atropelamentos, que vitimam muitos animais na cidade. Além disso, o Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal e a Guarda Civil Ambiental atuam no combate aos maus-tratos, mostrando um compromisso claro com a causa animal.

No entanto, a atuação do poder público, por mais eficaz que seja, não é suficiente. A população tem um papel crucial. É preciso que as denúncias de crimes de maus-tratos sejam feitas, para que os agressores sejam responsabilizados.

Afinal, a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) prevê punições severas, incluindo prisão, para quem comete esses atos hediondos.
Denunciar é um dever moral. Em Valinhos, os canais de denúncia estão disponíveis e precisam ser usados: 156 (Prefeitura), 153 (Guarda Civil Municipal) e 190 (Polícia Militar).

É insano pensar que somente nós, seres humanos, temos o direito de viver plenamente neste planeta. A história da humanidade está intrinsecamente ligada à vida animal; nossa própria sobrevivência e evolução foram moldadas por essa relação. Em tempos passados, animais silvestres eram capturados e submetidos a adestramento brutal para se tornarem atrações de circos e zoológicos. Hoje, embora essas práticas tenham diminuído, a exploração persiste em outras formas.

Devemos ampliar o debate para além dos pets. É crucial dar atenção aos animais silvestres, que são vítimas de tráfico, caça e atropelamentos. Da mesma forma, precisamos olhar com empatia para os animais criados para consumo. Porcos, bois e galinhas, muitas vezes criados em condições cruéis, são submetidos a uma vida curta e a um abate que, em alguns casos, é tão insano e violento quanto a mutilação de um cavalo. Felizmente, avanços são feitos, como a recente proibição de testes em animais pela indústria de cosméticos no Brasil, mas o caminho a percorrer ainda é longo.

Os casos de Valinhos e de outras partes do país são um reflexo de uma sociedade que ainda precisa evoluir em sua relação com os animais. É hora de reconhecer que eles têm o direito de habitar a Terra conosco e de serem tratados com dignidade.

É preciso que a compaixão e o respeito se tornem a regra, e não a exceção. A luta contra os maus-tratos é uma causa de todos nós. Por essa razão, não podemos nos calar. É um dever que nos foi dado.

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A exploração infantil no digital: uma reflexão desconfortável

A urgência da discussão nos remete a uma reflexão desconfortável, mas necessária: a cumplicidade de muitos pais

De quem é a responsabilidade de transformar os territórios? Em uma reflexão mais profunda, poderíamos perguntar: de quem é a responsabilidade de proteger as crianças e os adolescentes no território digital? Este questionamento, que deveria ser constante, ganhou os holofotes com a denúncia do youtuber Felca, que expôs a exploração de menores em um sistema de “adultização” promovido por influenciadores como Hytalo Santos.

A polêmica trouxe à tona uma realidade que, embora conhecida por pais, autoridades e pelas gigantes da tecnologia, permanece em uma zona de permissividade alarmante. A exploração infantil na internet não é uma novidade, mas se agrava em uma cultura onde o lucro e a fama a qualquer custo justificam o injustificável.

Preocupada com a questão, a Folha de Valinhos – como fez na semana passada com o caso do professor de 44 anos que assediava via WhatsApp uma adolescente de 14 anos quer, através desse editorial convoca a sociedade a uma reflexão acerca de mais essa polêmica envolvendo a vida e a segurança das crianças.

Este editorial convoca à reflexão e aponta a responsabilidade não apenas para os criadores de conteúdo, mas também aos pais, às autoridades e, principalmente, às grandes empresas de tecnologia, que precisam urgentemente deixar de ser meras espectadoras.

A urgência da discussão nos remete a uma reflexão desconfortável, mas necessária: a cumplicidade de muitos pais. A permissividade e a busca por notoriedade e retorno financeiro transformam o lar em um estúdio e os filhos em produtos. A ‘adultização’ se manifesta não só em conteúdos com temas maduros ou sexualização precoce, mas na perda da infância, da liberdade de ser apenas uma criança. Como especialistas alertam, a exposição sem limites prejudica gravemente o desenvolvimento emocional e social, minando a autoestima e a privacidade. O impacto se torna um ciclo vicioso, onde os menores são preparados para a fama e o dinheiro, mas nunca para lidar com os riscos, as críticas e o assédio que vêm junto com essa exposição irresponsável.

A outra ponta dessa equação de irresponsabilidade recai sobre as autoridades e, de maneira mais contundente, sobre as gigantes da tecnologia. É inadmissível que, em pleno século 21, as plataformas digitais, como Meta e Google, se isentem da responsabilidade de proteger crianças e adolescentes. Enquanto o Ministério Público e a Justiça buscam sanar os problemas, a lentidão na aplicação das leis é inaceitável. Por que o conteúdo que explora menores continua online, mesmo com o respaldo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)? A resposta é simples e cruel: o dinheiro. Nesse afã de faturar a qualquer custo, o bem-estar e a saúde mental das crianças são relegados a segundo plano, um padrão de comportamento que vimos em outros cenários, como o caso das “bets”. O lucro, acima de tudo, se tornou o único balizador moral no ambiente digital.

A legislação brasileira, com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) à frente, é clara e rigorosa na proteção dos menores, proibindo a produção e divulgação de material que os explore ou sexualize. No entanto, a lei por si só não basta. A omissão das autoridades em cobrar das plataformas uma postura mais rígida na fiscalização e na remoção de conteúdos inadequados é um problema crônico. O Ministério Público precisa intensificar sua atuação, exigindo o cumprimento da lei e a punição dos responsáveis, independentemente de quem sejam. Afinal, a proteção do interesse da criança se sobrepõe a qualquer autorização de pais ou produtores de conteúdo. A eficácia da lei depende da ação, e é inadmissível que a burocracia e a inércia permitam que as crianças continuem vulneráveis em um ambiente digital tão perigoso.

A discussão sobre a ‘adultização’ e a exploração de crianças na internet não pode se esgotar em um vídeo de denúncia. A proteção da infância é uma responsabilidade coletiva, que exige a união de esforços de toda a sociedade. Aos pais, cabe a vigilância, o diálogo e a educação digital. Às autoridades, a fiscalização rigorosa e a aplicação da lei. E às plataformas, a obrigação moral e legal de criar um ambiente seguro, onde o lucro não se sobreponha à dignidade humana. O desafio é complexo, mas a meta é clara: garantir que nossas crianças possam simplesmente ser crianças, com a inocência e a liberdade que lhes são de direito, sem que o mundo digital as obrigue a crescer antes da hora.

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Opnião

Um alerta para todos os pais: a segurança de nossos filhos

Não há espaço, em Valinhos, para quem desonra a confiança das famílias e a nobre missão de educar

A cidade de Valinhos viveu, nesta semana, um triste e revoltante episódio na área da educação que serve como um alerta urgente a todos os pais de crianças e adolescentes. O caso, que veio à tona no meio do “Agosto Lilás”, dedicado à conscientização e combate à violência contra a mulher, expôs uma ameaça que muitas vezes se esconde à luz do dia: a manipulação de menores em ambientes digitais por pessoas que deveriam ser exemplos de conduta.

A Folha de Valinhos enaltece a postura rápida e decisiva da Secretaria de Educação e do prefeito Franklin Duarte de Lima. Ao tomarem conhecimento das mensagens de teor impróprio trocadas entre um professor de 44 anos da Rede Municipal de Ensino e uma adolescente de 14 anos, a resposta foi imediata. O servidor foi exonerado, e o caso foi encaminhado às autoridades competentes, garantindo que ele responda por seus atos. Essa atitude demonstra o compromisso da administração pública com a segurança de nossos alunos e a ética no serviço público. O prefeito Franklin Duarte foi claro ao afirmar que “não há espaço, em Valinhos, para quem desonra a confiança das famílias e a nobre missão de educar”. A mensagem não poderia ser mais direta e firme.

No entanto, a agilidade do poder público não pode nos fazer esquecer da fragilidade de nossas crianças e adolescentes diante dos perigos do mundo virtual. O caso do professor, que deveria ser um educador e protetor, reforça a necessidade de vigilância constante por parte dos pais. A violência que ameaça nossos filhos não vem apenas do desajuste social, educacional e econômico, mas também de indivíduos que, por vezes, estão acima de qualquer suspeita. O acesso irrestrito às redes sociais e aos aplicativos de mensagens instantâneas, como o WhatsApp, sem o devido controle, transforma o smartphone de um instrumento de comunicação em uma porta de entrada para perigos invisíveis.

É comum que adolescentes, em busca de autonomia, reivindiquem a privacidade como um direito inalienável. No entanto, é fundamental que pais e responsáveis estabeleçam a diferença entre a privacidade saudável e a segurança. Em uma era digital, o perigo que ronda nossos filhos pode se manifestar de diversas formas, desde o bullying virtual até a sedução e a manipulação por adultos mal-intencionados. A obsessão pela privacidade, se não for orientada, pode se tornar uma vulnerabilidade.

O “Agosto Lilás” nos lembra de que a luta contra a violência, em todas as suas formas, é um dever de toda a sociedade. A campanha municipal “Juntos por Elas” reforça que a proteção da mulher, e por extensão de nossas filhas, começa com a conscientização. Ações como a Patrulha Maria da Penha, palestras e atividades de empoderamento feminino são essenciais. Mas a proteção mais eficaz começa em casa. É responsabilidade dos pais orientar seus filhos sobre os riscos, monitorar suas interações online — mesmo com a discordância deles — e saber quem são seus amigos virtuais.

É crucial que os pais se mantenham informados, conversem abertamente sobre os perigos e ensinem seus filhos a identificar sinais de sedução ou manipulação. A intimidade e a confiança construídas em um lar são a primeira e mais importante linha de defesa. É preciso encorajar as crianças a compartilhar qualquer indício de comportamento inadequado, seja de um colega, de um desconhecido ou, como o triste episódio em Valinhos demonstrou, de um profissional de educação.

O caso do professor foi uma oportunidade para a administração pública de Valinhos mostrar que não há tolerância para condutas impróprias por parte de servidores. No entanto, o episódio também serve como um espelho para a sociedade. Ele nos obriga a refletir sobre a forma como criamos nossos filhos, os limites que impomos e a importância de estarmos presentes em suas vidas, tanto no mundo real quanto no virtual. A segurança de nossas crianças é uma responsabilidade compartilhada que começa com a vigilância, a orientação e, acima de tudo, o diálogo em família.

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Um abraço contra o frio e um olhar para o futuro

“As razões que levam uma pessoa às ruas são um emaranhado de questões sociais, econômicas, de saúde mental e emocionais”

O inverno chegou sem pedir licença, trazendo consigo um frio que corta a pele e nos faz buscar o conforto de nossos lares. Na última semana, com os termômetros em Valinhos beirando temperaturas abaixo de 7 graus Celsius, o desafio de se manter aquecido tornou-se uma preocupação diária. Para a maioria, a solução está em um agasalho extra, uma bebida quente. Contudo, para uma parcela da população, a mais vulnerável, a queda das temperaturas representa uma ameaça direta à vida. É neste cenário que a verdadeira face de uma comunidade e de sua gestão pública se revela.

Desde o início de junho, a Prefeitura de Valinhos, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação, demonstrou estar não apenas ciente, mas também proativamente engajada em mitigar os riscos com a Operação Inverno 2025. Liderada com sensibilidade e pulso firme pela secretária Célia Leão, a iniciativa não é apenas uma resposta protocolar, mas um gesto de humanidade que merece ser destacado e aplaudido. A ação vai além da simples distribuição de cobertores; ela representa a oferta de um porto seguro.

A ampliação do acolhimento com a criação de um Abrigo Emergencial exclusivo para homens, somando 20 novas vagas às já existentes no Abrigo Reencontro, é uma medida concreta e vital. Oferecer um teto, alimentação, condições de higiene e, acima de tudo, segurança e dignidade em noites gélidas é o mínimo que se pode fazer por quem já perdeu tanto. A atuação integrada com a saúde e a segurança pública demonstra um planejamento articulado, essencial para lidar com uma questão tão multifacetada.

É preciso compreender a dimensão do desafio. Em uma única noite de abordagem na região central, das 13 pessoas encontradas, apenas três eram de Valinhos. As outras dez estavam de passagem, um retrato fiel da realidade de toda a Região Metropolitana de Campinas (RMC). Esse dado não deve servir para eximir responsabilidades, mas sim para enaltecer o esforço local, que acolhe sem distinção de origem, e para nos lembrar que a questão da população em situação de rua é um fenômeno regional e complexo, que transborda as fronteiras municipais.

As razões que levam uma pessoa às ruas são um emaranhado de questões sociais, econômicas, de saúde mental e emocionais. O álcool e as drogas, muitas vezes presentes, funcionam mais como uma anestesia para uma realidade insuportável do que como a causa primária do problema. O papel do poder público, neste contexto, não é julgar, mas oferecer alternativas. A equipe do SEAS e do Abrigo Reencontro, que percorre as ruas buscando ativamente convencer essas pessoas a aceitarem ajuda, pratica o respeito em sua forma mais nobre. E, quando a ajuda é recusada — uma decisão que também precisa ser respeitada —, a entrega de um cobertor torna-se um símbolo de que, mesmo à distância, a cidade se importa.

Contudo, o que diferencia a atual gestão é a visão que transcende o emergencial. Valinhos, em sintonia com as discussões mais avançadas na RMC e no mundo, já trabalha com a perspectiva do programa “Housing First” (Moradia Primeiro). Essa metodologia inovadora quebra um paradigma crucial: em vez de exigir que a pessoa resolva todos os seus problemas para então “merecer” uma casa, ela oferece a moradia como ponto de partida. A estabilidade de um lar é o alicerce sobre o qual se pode reconstruir a saúde, a sobriedade e a reintegração social.

Ao adotar essa linha de pensamento, a cidade sinaliza que a Operação Inverno não é uma ação isolada, mas o passo imediato e necessário dentro de uma estratégia maior e mais duradoura. É a combinação da ação emergencial, que salva vidas hoje, com o planejamento estratégico, que busca soluções permanentes para o amanhã.

Enquanto a construção de um país socialmente justo, com educação de qualidade e uma economia inclusiva, permanece como nosso grande horizonte, são ações como a Operação Inverno 2025 que fazem a diferença no aqui e agora. Valinhos, sob a liderança de Célia Leão e o empenho de suas equipes, demonstra que é possível, sim, aquecer a cidade não apenas com abrigos, mas com gestão competente, humanidade e, sobretudo, uma solidariedade que abraça e acolhe.

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Valinhos e a força que vem do campo

O agricultor e, consequentemente, a agricultura tiveram e ainda têm um papel insubstituível na economia local

Nesta segunda-feira, 28 de julho, celebramos o Dia do Agricultor, uma data que nos convida a uma reflexão profunda sobre a importância inestimável daqueles que, com as mãos calejadas e o olhar atento ao tempo, semeiam o progresso em nossa terra. Para Valinhos, essa reflexão é ainda mais relevante, pois nossa história, identidade e prosperidade estão intrinsecamente ligadas ao trabalho incansável do homem e da mulher do campo.

Valinhos, muito antes de ser distrito de Campinas, no século XIX, floresceu sob o pujante ciclo da cafeicultura. O grão dourado moldou nossa paisagem e nossa economia. A chegada da via férrea em 1872 não apenas consolidou nossa vocação agrícola, mas nos elevou à impressionante posição de quarta estação da Província de São Paulo em embarque de café para o Porto de Santos. Uma vocação que, com o tempo, soube se reinventar com notável resiliência e visão.

No início do século XX, o imigrante Lino Busato trouxe as primeiras mudas de figo da Itália. Foi um ato de fé no potencial de nossa terra. E o solo e o clima valinhenses se mostraram tão hospitaleiros que, já na década de 1910, a ficicultura florescia em escala comercial, transformando a paisagem local. Foi o figo que deu notoriedade a Valinhos, tornando-nos a Capital Nacional do Figo Roxo, um título que carregamos com orgulho e que se reflete em nossos maiores eventos turísticos: a icônica Festa do Figo e, posteriormente, a Expogoiaba. A experiência de Valinhos no agroturismo não só impulsionou o desenvolvimento local, mas também serviu de base para a criação e implantação do Circuito das Frutas, unindo dez cidades da região em torno dessa riqueza compartilhada, valorizando o turismo rural e a produção de qualidade.

Ainda na década de 1950, a chegada dos imigrantes japoneses à região do Macuco trouxe consigo o cultivo da goiaba, diversificando ainda mais nossa fruticultura e consolidando Valinhos como um importante produtor dessa fruta saborosa e nutritiva. De modo geral, a agricultura de Valinhos tem na fruticultura seu lastro principal, e é aqui que produzimos mais de 35 variedades de frutas, um verdadeiro tesouro em termos de biodiversidade e sabor.
Contudo, entre as últimas décadas do século XX e o início do século XXI, a fruticultura, infelizmente, enfrentou desafios significativos, perdendo espaço para a necessária, mas muitas vezes avassaladora, expansão urbana. Nosso homem do campo, nesse período, nem sempre recebeu o reconhecimento e o apoio que merecia, sentindo-se, por vezes, esquecido diante do avanço da urbanização.

Mas Valinhos vive um novo tempo. Com o início do governo do prefeito Franklin (PL) em 2025, a criação da Secretaria do Verde e da Agricultura marcou um divisor de águas, um sinal claro de que o setor agrícola voltou a ser prioridade. A Secretaria nasceu com a missão clara de apoiar e mediar as necessidades do homem do campo, de ser a voz e o braço estendido para quem trabalha a terra, e de mostrar a força da fruticultura valinhense para o Brasil e para o mundo. É um compromisso assumido com seriedade e resultados.

Os primeiros frutos desse novo tempo já estão sendo colhidos. Uma das iniciativas mais importantes foi a retomada do Acordo de Cooperação Técnica com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) Campinas. Essa parceria fundamental foi solidificada com a reforma e modernização da Casa da Agricultura, que agora funciona como uma base de apoio robusta e eficiente ao agricultor local. Além disso, Valinhos deu um passo adiante ao integrar o Programa Rotas Rurais e o Programa Município Agro, ambos do governo de São Paulo, atos importantes para mostrar que agora o homem do campo está amparado pela gestão local.

Sob a responsabilidade da Secretaria do Verde e da Agricultura, está também a gestão das feiras no município, especialmente aquelas que proporcionam um espaço vital para o agricultor vender seus produtos diretamente ao consumidor valinhense.

O agricultor e, consequentemente, a agricultura tiveram e ainda têm um papel insubstituível na economia local. A exportação de nossas frutas é uma prova contundente do impacto positivo que esse setor gera para Valinhos.

Neste Dia do Agricultor, mais do que celebrar, é nossa obrigação apoiar o homem do campo com todas as forças. Reconhecer seu legado, valorizar seu trabalho incansável e oferecer as ferramentas e o suporte necessários para que a agricultura de Valinhos continue a prosperar é um investimento no futuro de nossa cidade.

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Opnião

A força da Feira do Produtor de Valinhos

Neste sábado, 5 de julho, Valinhos celebra um marco significativo em sua história e na vida de seus agricultores e consumidores: a Feira do Produtor Rural de Valinhos completa 23 anos. Mais do que um simples local de compra e venda, a feira é um verdadeiro patrimônio da cidade, um símbolo da resiliência do homem do campo e um elo vital entre a terra e a mesa do valinhense.

Idealizada em 2002, na gestão do prefeito Vitório Antoniazzi, com o incentivo fundamental do vereador Henrique Conti, a Feira do Produtor surgiu da necessidade de oferecer um espaço exclusivo e direto para que o agricultor pudesse comercializar seus produtos. Diferente das feiras de rua tradicionais, que não priorizavam o produtor rural, essa iniciativa pioneira conectou diretamente o campo à cidade, garantindo ao consumidor acesso a hortifrutigranjeiros frescos e de qualidade, colhidos na própria Valinhos.

Ao longo de mais de duas décadas, a Feira do Produtor Rural demonstrou uma capacidade notável de resistência e resiliência. Atravessou mudanças de governo, muitas vezes sem o devido reconhecimento, e enfrentou o incômodo constante de ter que se deslocar de seu local tradicional no Pavilhão de Venda de Frutas do Parque Municipal Monsenhor Bruno Nardini, devido a outros eventos. Essa itinerância, um verdadeiro martírio para produtores e clientes fiéis, felizmente chegou ao fim. Por determinação do prefeito Franklin, logo no início de sua gestão, a feira passou a ter um espaço exclusivo e fixo no pavilhão, garantindo a estabilidade e o respeito que merece.

O sucesso e a filosofia da feira serviram de inspiração para outras iniciativas no município. No embalo da valorização do homem do campo e seguindo o modelo das feiras noturnas que se popularizaram em cidades vizinhas, como Jundiaí, e que integram a rica gastronomia dos food trucks, Valinhos viu surgir a “Quarta é Feira”, a Feira do Jardim do Lago, a Feira do Jardim Santa Gertrudes e, em breve, uma nova feira aos sábados junto à Prefeitura. Isso mostra que a semente plantada há 23 anos germinou e continua a dar frutos, multiplicando as oportunidades para os produtores e as opções para os consumidores.

É imperativo que o Poder Público continue a apoiar e incentivar o homem do campo a permanecer em suas terras, oferecendo-lhes espaços dignos para comercializar o fruto de seu trabalho. A feira, em seu 23º aniversário, é a prova cabal de que é possível ter uma política pública eficiente e eficaz, que beneficie tanto quem produz frutas e hortifrutigranjeiros quanto o consumidor valinhense que busca produtos naturais, frescos e de qualidade.

Neste sábado, a celebração será especial no Pavilhão de Frutas do Parque Municipal Monsenhor Bruno Nardini. Das 6h às 10h, um café especial será oferecido aos visitantes, e, a partir das 7h, a Secretaria de Cultura presenteará o público com uma apresentação musical de violino e violão.

Histórias como a de Odair Nascimento, um dos fundadores da feira, que relembra o início com 22 produtores e a relação de amizade e troca de saberes construída ao longo dos anos, e de Nely Yamazaki, que destaca a fidelidade dos clientes, ressaltam o valor afetivo e comunitário do espaço. Eufrásia Lacarini, outra pioneira, lamenta que, mesmo após tanto tempo, muitos ainda não conhecem a feira, reforçando o potencial de crescimento.

Hoje, 10 produtores perseveram, mantendo viva essa tradição, oferecendo uma variedade de produtos que vai de frutas, verduras e legumes a pães, mel, ovos e queijos. Além de seu papel econômico e cultural, a feira também desempenha uma função social, sendo ponto de coleta de tampinhas plásticas para o Recanto dos Velhinhos.

É tempo de reconhecer e celebrar a dedicação de nomes como Odair Nascimento, Eufrásia Lacarini, Nely e Nanci Yamazaki, Isabel Cabral, Cido, Shoite Imanishi, Régis, César Fassina, Armando Kubota, Rosa Yamamoto e Isabela Deajute. Eles são os guardiões da agricultura familiar e da fruticultura, a marca registrada de Valinhos.

Que os 23 anos da feira sejam um impulso para que mais iniciativas como essa floresçam em nossa cidade, fortalecendo a economia local, valorizando nossos produtores e proporcionando alimentos saudáveis e frescos para toda a população.

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