EDITORIAL

Opnião

A responsabilidade inegociável da tutela animal

“Que este Dezembro Verde não seja apenas um mês de campanha, mas um marco de responsabilidade”

O mês de dezembro chegou, trazendo consigo o clima de festas, a expectativa das férias escolares e, infelizmente, o período de maior incidência de um crime que mancha a humanidade: o abandono e a violência contra animais. Em resposta a essa triste realidade, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo instituiu o Dezembro Verde pela Lei 17.343/2021, um movimento que proclama que “Toda vida merece ser respeitada”. É um chamado à consciência, ao combate ao abandono, à defesa da adoção responsável e, acima de tudo, um incentivo à denúncia de maus-tratos.

Em Valinhos, o Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal (DEPBEA), ligado à Secretaria do Verde e da Agricultura, abraçou a campanha com o tema “Abandono é crime. Proteja quem não pode se defender”. Ao longo do mês, serão desenvolvidas ações educativas, de engajamento e eventos de adoção responsável, em parceria com protetores locais. A diretora do Bem-Estar Animal, Alesandra Fontanesi, é clara ao destacar que a participação da sociedade é fundamental para garantir a segurança e o bem-estar dos animais.

No entanto, a urgência deste editorial não é apenas sobre a divulgação da campanha, mas sobre a profunda e inadiável reflexão acerca da responsabilidade da tutela animal. A abertura do Dezembro Verde em Valinhos foi tristemente marcada por um caso chocante, que escancarou a necessidade de endurecer a fiscalização e a punição.

Nesta semana, a cidade foi palco de uma denúncia de maus-tratos no bairro Parque Portugal, que mobilizou o deputado federal e delegado Bruno Lima, a Polícia Civil de Valinhos e representantes da causa animal. Um morador, o chamado “tutor”, foi preso em flagrante por manter um cão doente e caquético confinado em um cubículo insalubre, sem água e com comida estragada. O vídeo do resgate, que viralizou nas redes sociais, é revoltante. A ação resultou no resgate seguro de três animais e na prisão do indivíduo, que responderá por crime de maus-tratos e é suspeito de zoofilia.

Este caso brutal é um lembrete contundente: a violência contra os animais não é um problema distante. Ela existe em nossa vizinhança, muitas vezes atrás de muros silenciosos. A crueldade vista no Parque Portugal nos obriga a sair da zona de conforto e a reforçar o elo mais fraco e, ao mesmo tempo, o mais crucial desta cadeia: a denúncia.

E o mês de dezembro, com a proximidade do Natal e do Ano Novo, é o período mais crítico para o abandono. Viagens, festas e a inconveniência súbita dos animais de estimação levam tutores irresponsáveis a cometerem o ato cruel de descartar uma vida. Essa atitude não é apenas moralmente condenável; é crime, com pena prevista em lei.

Assumir a tutela de um animal é um pacto inquebrável, um compromisso para toda a vida do ser adotado. Não é um brinquedo descartável. É um ser senciente que sente, sofre e ama incondicionalmente. Por isso, as mensagens que guiam a campanha – “Abandonar é crime. Denuncie!” e “Adoção é amor, não impulso” – devem ressoar como mandamentos cívicos em toda a comunidade.

A Prefeitura faz sua parte com a campanha e a divulgação dos canais de denúncia (3829-2197 do DEPBEA, 156 da Ouvidoria Municipal). A polícia e as protetoras, como a vereadora Mônica Morandi e a ONG Caoscientização Animal Valinhos, atuam no resgate e recuperação.

Mas a mudança real começa com a consciência individual. Que este Dezembro Verde não seja apenas um mês de campanha, mas um marco de responsabilidade. Que a indignação pelo caso do Parque Portugal se transforme em ação vigilante. É hora de Valinhos assumir, como comunidade, a sua responsabilidade inegociável: proteger quem não pode se defender. A crueldade e o abandono não podem ser tolerados. Toda vida merece o nosso respeito, e a tutela responsável é o mínimo que se espera de uma sociedade civilizada.

COMPARTILHE NAS REDES

Opnião

Novembro Azul e o preconceito silencioso

“A verdade é que o cuidado com a saúde não é uma questão de gênero, mas de responsabilidade com a própria vida e com aqueles que nos amam”

Novembro chegou, e com ele, o manto do Novembro Azul, o mês dedicado à conscientização e prevenção do câncer de próstata – o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros. Em Valinhos, o poder público, por meio da Secretaria de Saúde, e a sociedade civil, com a notável atuação do Grupo Rosa e Amor, uniram forças em uma campanha ampla e essencial, cujo lema ressoa com urgência: “Diagnóstico Precoce Salva Vidas”.

As ações em nossa cidade – que incluem rodas de conversa, atendimentos especializados em UBSs, e a ampliação do acolhimento pelo Grupo Rosa e Amor para o público masculino – demonstram um esforço louvável para desmistificar e facilitar o acesso à informação e aos exames. Contudo, por mais completa que seja a estrutura de prevenção, ela esbarra em um obstáculo mais antigo e teimoso que a própria doença: o preconceito masculino em cuidar de si.

O câncer de próstata, quando detectado em fase inicial, tem chances de cura que beiram os 90%. Esta estatística, por si só, deveria ser suficiente para motivar qualquer homem a encarar a prevenção anual, que inclui a dosagem do PSA (Antígeno Prostático Específico) no sangue e, crucialmente, o exame de toque retal. No entanto, é precisamente esse último exame que se torna o calcanhar de Aquiles da saúde masculina.

O medo, a vergonha ou, em última análise, o machismo arraigado, levam muitos homens a adiar a consulta com o urologista, a negligenciar sintomas como dificuldade para urinar ou jato fraco, e a se apoiar em mitos perigosos. É a perpetuação daquela figura masculina “indestrutível” que ignora a dor e desdenha do cuidado preventivo, associando-o, de forma ridícula, a uma suposta fragilidade ou perda de virilidade.

O urologista Sérgio Augusto Skrobot, em artigo recente, reforçou a importância da dupla PSA e toque, classificando como MITO a ideia de que um exame substitui o outro. Ele sublinhou que, juntos, são capazes de detectar precocemente até 90% dos casos. O preconceito contra o exame de toque, portanto, não é apenas um tabu; é, literalmente, um risco de morte. A procrastinação não transforma um tumor em doença benigna; transforma-o em metástase, quando a cura se torna improvável.

A verdade é que o cuidado com a saúde não é uma questão de gênero, mas de responsabilidade com a própria vida e com aqueles que nos amam. A prevenção, que envolve exames periódicos (a partir dos 50 anos, ou 45 em caso de histórico familiar), é apenas o primeiro passo para uma saúde integral. As ações da Secretaria de Saúde de Valinhos, ao incluir atendimentos odontológicos sem agendamento e campanhas de vacinação, mostram que o Novembro Azul é uma porta de entrada para uma reflexão mais ampla.

É hora de desconstruir o mito de que o homem é forte apenas se for descuidado. Força verdadeira reside na coragem de enfrentar um tabu, na consciência de que a vida é o bem mais valioso, e na humildade de buscar ajuda médica. É preciso abandonar as receitas caseiras ineficazes, os preconceitos ultrapassados e assumir o controle da própria saúde.

A prevenção salva, e Valinhos está oferecendo um leque de oportunidades para que essa salvação aconteça. O diagnóstico precoce é o passaporte para o futuro. Deixar o medo e o preconceito vencerem é uma sentença que, em 90% dos casos, poderia ter sido evitada.

Que a lição deste Novembro Azul em Valinhos seja a de que a verdadeira virilidade reside na atitude proativa, na quebra do silêncio e na busca pela vida plena e saudável. O exame de toque dura segundos, mas a vida que ele pode salvar é eterna.

COMPARTILHE NAS REDES

Opnião

COP 30: O futuro do clima se decide no Brasil

O mundo está de olho no Brasil. A partir desta segunda-feira, dia 10 de novembro, as principais lideranças mundiais estarão reunidas em Belém, no Pará, para a 30ª Conferência das Partes (COP 30). Este encontro é o órgão responsável por tomar as decisões necessárias para implementar os compromissos assumidos pelos 198 países que ratificaram a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), tornando-a um dos maiores fóruns multilaterais da ONU.

Este debate global, que se desenvolverá ao longo dos dias, efetivamente só será validado se houver o envolvimento de cada indivíduo que habita o Planeta Terra. Convenções de ordem global sempre foram assinadas, mas a história mostra que poucas foram efetivadas — a Declaração dos Direitos Humanos é um exemplo claro disso. É preciso que cada cidadão seja tocado, sensibilizado e responsabilizado por suas atitudes no cotidiano, as quais afetam, sim, o clima.

Naturalmente, os governos possuem uma grande responsabilidade pela gestão de políticas públicas e, sobretudo, pelo combate ao negacionismo. O negacionismo, que levou países como os Estados Unidos a se retirar do Acordo de Paris, compromete não só o futuro do Planeta, mas da humanidade. É uma questão de soberania global proteger os princípios estabelecidos pela UNFCCC, que reconhece o princípio das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, onde as nações desenvolvidas devem liderar a redução de emissões e oferecer recursos (financeiros, tecnológicos e de capacitação) aos países em desenvolvimento.

O regime multilateral para responder ao aquecimento global, inaugurado na Rio-92, sustenta-se em cinco pilares cruciais: mitigação, adaptação, financiamento, tecnologia e capacitação. A COP 30, que também atua como Reunião das Partes para o Protocolo de Quioto (adotado em 1997) e o Acordo de Paris (adotado em 2015), tem o dever de reforçar os objetivos deste último: manter o aumento da temperatura global bem abaixo de 2º C (com esforços para limitá-lo a 1,5º C), incrementar as capacidades de adaptação e resiliência, e alinhar os fluxos financeiros a esses objetivos. O Acordo de Paris inovou ao exigir que todos os países apresentem periodicamente suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), respeitando a realidade e soberania de cada nação para a implementação das ações climáticas.

A conferência em Belém, projetada para ser um catalisador de implementação e inclusão, tem um foco especial nos resultados do primeiro Balanço Global. O calendário oficial, que se estende até o dia 21 de novembro, abrange mais de 30 temas interconectados e oferece uma entrada clara para que atores globais contribuam com soluções climáticas reais, nas Zonas Azul e Verde. Segundo o embaixador André Corrêa do Lago, presidente designado da COP 30, esta conferência é a plataforma onde a “experiência vivida deve se traduzir em ação climática urgente.”

Os seis eixos da Agenda de Ação da COP30 (Energia, Indústria e Transporte; Florestas, Oceanos e Biodiversidade; Agricultura e Sistemas Alimentares; Cidades, Infraestrutura e Água; Desenvolvimento Humano e Social; e Questões Transversais) mostram claramente que os debates transcendem as salas de negociação e a diplomacia de cúpula.

E é aqui que Valinhos, nossa Valinhos, precisa se mostrar profundamente interessada. As cidades, onde a maioria das pessoas vive, são as que mais sofrem com as intempéries e as catástrofes naturais, frutos de um desenvolvimento descontrolado. Valinhos tem a missão de cumprir até 2030 os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODSs), e embora estejamos avançando, olhar para o futuro significa entender que, na questão da emergência climática, não há jogo ganho. Cada dia perdido na tentativa de mudar o cenário é um erro que a humanidade comete e compromete o futuro das futuras gerações.

As grandes mudanças estruturais para resolver o problema do clima começam nas cidades, onde os microclimas já estão sendo afetados. O cidadão, que sente as temperaturas mais altas no verão, que percebe um inverno mais rigoroso e que vê as estações prenunciarem catástrofes, precisa receber informações, ser educado e, acima de tudo, conscientizado de seu papel neste momento crucial do século 21. A COP 30 nos chama à ação, e nossa resposta começa no quintal de casa, na nossa gestão de resíduos, no uso de nossa água e em nossa pressão por políticas públicas eficazes. O futuro do planeta depende do que será decidido em Belém, mas também do que será executado aqui.

COMPARTILHE NAS REDES

Opnião

Patrulheiro: 55 anos de missão cumprida

Nesta semana, a Folha de Valinhos volta seus olhos e seu coração para celebrar um marco de inestimável valor para a nossa comunidade: os 55 anos do Círculo de Amigos do Patrulheiro de Valinhos.

Mais do que uma mera efeméride, esta data representa a consagração de mais de meio século de dedicação ininterrupta, de portas abertas e de sonhos realizados. É o momento de, com profunda emoção, enaltecer a trajetória de uma instituição que não apenas preparou jovens para o mercado, mas, acima de tudo, formou cidadãos, líderes e construtores do futuro de Valinhos.

O Patrulheiro nasceu de uma visão. Graças à inspiração trazida por Antonio Palácio Neto e o apoio imediato do então prefeito Luiz Bissoto e da equipe pioneira, que incluiu o primeiro presidente e vice-prefeito Arildo Antunes dos Santos, a ideia de Campinas e São Carlos fincou raízes em nossa cidade. A semente plantada em 1968 cresceu e se tornou uma árvore frondosa, sob cujos galhos milhares de jovens valinhenses encontraram abrigo e alicerce para suas vidas profissionais.

A história do Patrulheiro é uma poderosa narrativa de integração social sob os pilares da educação, recreação e trabalho, como bem relembrou Arildo Antunes dos Santos. Em um tempo anterior ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) de 1991, quando o ingresso no mundo do trabalho podia se dar aos 12 anos – e a instituição focava primeiramente apenas em rapazes – o Patrulheiro já se apresentava como um farol de oportunidade. Essa precocidade, aliada ao rigor e à formação humana, permitiu que muitas vidas fossem transformadas.

A evolução da instituição, marcada por mudanças cruciais, como a inclusão das meninas, representou um avanço fundamental, que redefiniu o seu rumo e ampliou seu impacto social. O Patrulheiro de Valinhos soube se adaptar, mas nunca abriu mão de sua missão central: ser o elo entre a juventude e o mundo do trabalho, garantindo que o primeiro emprego fosse uma experiência de aprendizado e dignidade.

É impossível dissociar a história recente de Valinhos da influência formadora do Patrulheiro. Inúmeros valinhenses se fizeram profissionalmente através das portas que foram abertas por essa entidade. Alguns se tornaram homens públicos importantes, como o ex-vereador e ex-presidente da Câmara e atual prefeito Franklin Duarte de Lima, que alicerçou sua vida profissional ali.

Outros, como André Reis, atual Secretário do Verde e da Agricultura, iniciaram sua jornada na Prefeitura de Valinhos em 1980, através do Patrulheiro. Muitos outros se destacaram como diretores de empresas multinacionais ou empresários de sucesso. O Patrulheiro é a prova viva de que o investimento na juventude é o mais seguro para o futuro da cidade.

O percurso de 55 anos é também honrado pela dedicação de grandes nomes que garantiram sua sobrevivência e evolução. A atuação pioneira de Laís Helena Antonio dos Santos Aloise, a única mulher a presidir a instituição, quebrou uma tradição de décadas e deixou um legado de inovações, incluindo a criação da Coordenadoria Pedagógica e a aquisição do primeiro veículo. Laís, ao lado de Carlos Gustavo Parrilla, seu vice e posterior presidente, demonstrou que a força do Patrulheiro reside na paixão e no comprometimento de seus líderes.

Carlos Gustavo Parrilla, por sua vez, liderou a entidade em um dos momentos mais difíceis, durante a pandemia. Com força, coragem e experiência, ele conduziu uma reestruturação vital, garantindo a continuidade do trabalho e a reconquista do papel social do Círculo de Amigos na cidade. Como afirmam Laís e Carlos, “o Patrulheiro seguiu adiante, vivendo cada momento e cada conquista”, superando as dificuldades com grande responsabilidade para com os jovens e suas famílias.

A celebração oficial, que ocorrerá no próximo dia 5 de novembro na Associação do Senhor Jesus, será um reencontro de gerações, um testemunho vivo do poder transformador desta entidade. A Folha de Valinhos se junta a ex-patrulheiros, amigos, presidentes e diretores para celebrar essa história de dedicação e transformação social.

Que os 55 anos do Círculo de Amigos do Patrulheiro de Valinhos sirvam de inspiração para todos nós, reforçando a crença inabalável no potencial de nossa juventude e no valor da oportunidade.

COMPARTILHE NAS REDES

Opnião

A valorização do servidor público em Valinhos

Celebrar o Dia do Servidor Público, portanto, é celebrar a decisão política de investir em quem faz a cidade acontecer

O dia 28 de outubro, Dia do Servidor Público Municipal, transcende a celebração de uma data no calendário. Em Valinhos, o momento se reveste de um significado especial, marcando não apenas a tradicional homenagem aos servidores que dedicam 25 anos de suas vidas ao serviço público, mas também um novo e promissor ciclo na relação entre a Administração e seu funcionalismo. É um tempo de reconhecimento, diálogo e, sobretudo, de valorização concreta.

O servidor público é, em essência, o pilar invisível que sustenta a vida em comunidade. Ele está presente em cada serviço e ação oferecida pela Administração Municipal, sendo o elo fundamental entre o Poder Público e o cidadão. Sem a dedicação desses homens e mulheres, a máquina da cidade simplesmente não funciona.

É o servidor quem está na gestão da unidade escolar, na sala de aula, moldando o futuro das crianças valinhenses. É ele quem atende com humanidade e expertise nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), na dispensação de medicamentos nas farmácias municipais ou na realização de exames no Centro de Especialidades (CEV). O Servidor atua na limpeza pública, garantindo a salubridade das ruas; na segurança, zelando pela ordem; na gestão e controle do trânsito, assegurando a fluidez; e nos serviços administrativos do Paço Municipal, onde a burocracia se transforma em solução para o munícipe. A qualidade de vida que tanto atrai investimentos e novos moradores a Valinhos passa, invariavelmente, pela eficiência e comprometimento do seu quadro de funcionários.

A gestão do Prefeito Franklin Duarte de Lima (PL) demonstrou, desde o seu início em janeiro, uma compreensão profunda dessa realidade. Em maio, a reunião do Executivo com a diretoria do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Valinhos sinalizou uma mudança de postura: a substituição da postura unilateral por um diálogo aberto, transparente e responsável. Naquele encontro, que resultou no acordo para a formação de uma mesa permanente de negociação, o Prefeito reafirmou que o governo tem como princípio “ouvir, dialogar e construir soluções de forma conjunta”. Esse reconhecimento da categoria como parceira estratégica é o primeiro passo para o avanço.

A prova mais contundente desse novo tempo veio logo em seguida, com a aprovação do pacote de valorização dos servidores públicos. Longe de ser apenas uma correção inflacionária, o pacote demonstrou um esforço fiscal para promover melhorias reais e diretas na vida do funcionalismo. A concessão de uma Revisão Geral Anual com aumento real de 6,32%, a criação de um auxílio-refeição expressivo no valor de R$ 30,50 por dia (totalizando cerca de R$ 600 mensais), e a extensão dos auxílios alimentação e refeição aos servidores contratados sob regime CLT são medidas que injetam poder de compra na economia familiar e valorizam a dignidade do trabalhador.

Além disso, a iniciativa de destinar R$ 500 mil mensais para o pagamento de licenças-prêmio acumuladas desde 2017 e a alteração da data-base para o mês de janeiro demonstram um compromisso não apenas com o presente, mas também com a reparação de passivos históricos e com o planejamento de longo prazo.

Celebrar o Dia do Servidor Público, portanto, é celebrar a decisão política de investir em quem faz a cidade acontecer. É reconhecer que a valorização do funcionalismo – por meio de melhores condições de trabalho, diálogo contínuo e remuneração justa – não é um gasto, mas sim o investimento mais estratégico que uma administração pode fazer. Ao garantir um ambiente de trabalho mais justo, eficiente e respeitoso, a Prefeitura eleva intrinsecamente a qualidade de cada serviço prestado à população.

Que a homenagem aos servidores com 25 anos de serviço e a continuidade da mesa de negociação reforcem o entendimento de que Valinhos avança sobre os pilares da dedicação pública. A cidade prospera quando seus servidores são valorizados, tratados com respeito e reconhecidos como o verdadeiro coração social da Administração.

 

COMPARTILHE NAS REDES

Opnião

A chegada do Covabra e a lição do mercado

O ponto crucial, no entanto, reside no impacto socioeconômico imediato. O anúncio prevê a geração de novos empregos diretos e indiretos para a operação da unidade

Uma nova dinâmica para a Economia de Valinhos: O anúncio da chegada da rede de Supermercados Covabra a Valinhos, com a aquisição da antiga loja do Supermercado Caetano, na Vila Santana, é mais do que uma simples transação comercial; é um marco significativo que reacende a esperança e, sobretudo, redefine a dinâmica da economia local. Essa notícia surge como um contraponto positivo a um período de incertezas, oferecendo uma nova perspectiva para a geração de emprego e renda em nossa cidade.

A memória recente da crise que culminou na suspensão das operações de três unidades da tradicional Rede Caetano – duas delas em Valinhos, incluindo a da Vila Santana – ainda está viva. Em março deste ano, a preocupação com as centenas de funcionários impactados e a tristeza em ver uma marca tão enraizada no varejo local fechar as portas foram palpáveis. O impacto não se restringiu aos corredores do supermercado, estendendo-se a pequenos empresários que mantinham lojas no seu interior, como farmácias e espaços de alimentação, que viram seus negócios estremecerem. Para a economia valinhense, acostumada a receber grandes redes, o fechamento foi um choque, sinalizando uma inesperada fragilidade.

Valinhos tem se consolidado como um polo de atração para grandes players do varejo, seduzidos pela reconhecida qualidade de vida e pelo notável potencial de consumo de seus 132 mil habitantes. Nomes como Pague Menos, Oba e Dalben se juntaram a marcas locais em crescimento, como Zarelli e ASP, fomentando um mercado competitivo e diversificado. Contudo, a experiência do Caetano – uma empresa familiar com 46 anos de história, que acompanhou o crescimento da cidade e era um verdadeiro ponto de encontro na Avenida Onze de Agosto – demonstrou que nem a tradição nem o afeto da comunidade são suficientes para blindar um negócio das intempéries do mercado.

A chegada do Covabra, uma rede sólida com 36 anos de experiência, 23 lojas e mais de 5 mil funcionários no interior paulista, confirma um princípio fundamental: o mercado é, de fato, o grande regulador das disparidades. Seja na oferta de preços mais competitivos para o consumidor, com um mix de aproximadamente 19 mil itens, seja nessa dinâmica incessante de quem abre, fecha ou consegue permanecer. A previsão de uma ampla reforma estrutural na loja da Vila Santana, com inauguração prevista para 2026, é um sinal robusto de investimento e confiança no potencial valinhense.

O ponto crucial, no entanto, reside no impacto socioeconômico imediato. O anúncio prevê a geração de novos empregos diretos e indiretos para a operação da unidade. Depois da apreensão vivida com os desligamentos anteriores, a perspectiva de novas vagas é um sopro de alívio e um motor de recuperação econômica para as famílias da cidade. Esse é o ciclo virtuoso que se espera: o investimento privado que gera oportunidades e injeta recursos na economia local.

“A escolha por Valinhos se deu por ser uma cidade estratégica em nossa região, com grande potencial de consumo”, afirmou Dioner dos Santos, presidente do Covabra, indicando uma visão de longo prazo. Essa é a postura que a comunidade espera. A economia local precisa estar alicerçada em empresas que não busquem apenas o potencial de consumo do valinhense, mas que se integrem e se comprometam com a comunidade. O Caetano, por décadas, representou mais do que um supermercado; representou uma parte da história e do cotidiano de muitas famílias.

O desafio para o Covabra será, portanto, não apenas oferecer excelência em atendimento, qualidade e preços competitivos, mas também construir um elo de confiança e pertencimento com a cidade, resgatando a vitalidade de um ponto comercial estratégico. A lição que fica da trajetória do Caetano e da nova aposta do Covabra é clara: a solidez e a sustentabilidade de uma empresa, alinhadas à capacidade de gerar emprego e renda de forma constante, são os pilares que realmente fortalecem a comunidade.

Valinhos recebe o Covabra com otimismo, na certeza de que a nova dinâmica do varejo trará benefícios inegáveis para a vida e o bolso do cidadão valinhense.

COMPARTILHE NAS REDES

Opnião

O maior presente de Valinhos no Dia da Criança

“Celebrar o Dia da Criança com festa é importante, mas garantir que o futuro desses jovens não dependa da sorte, e sim de uma educação de qualidade superior, é o presente mais duradouro…”

Neste domingo, dia 12, as famílias celebram o Dia da Criança, um momento de festa, presentes e reflexão sobre o futuro de nossos pequenos. Em Valinhos, a atual administração municipal, por meio da Secretaria de Educação, presenteia a comunidade não apenas com o carinho das festividades programadas, mas com o alicerce fundamental para um futuro mais promissor: mais e melhor educação. O anúncio do aumento da carga horária para as crianças do Infantil 1 ao 5º ano do Fundamental é um marco histórico, um passo ousado e essencial na consolidação de um plano de governo focado no desenvolvimento pleno da nova geração.

A partir do ano letivo de 2026, sete mil alunos serão diretamente beneficiados pela inclusão da quinta aula diária. O que parece ser apenas uma hora a mais por dia transforma-se, na verdade, em 200 horas anuais a mais de aprendizado ou um total impressionante de 1000 horas considerando o ciclo completo do 1º ao 5º ano do Fundamental. Este investimento de tempo é, nas palavras da diretora pedagógica Gizele Bevilacqua, um avanço significativo que resultará em ganho de qualidade para alunos, professores, famílias e toda a sociedade.

A decisão do prefeito Franklin Duarte de Lima e do secretário André Amaral corrige uma distorção histórica que penalizava Valinhos, o único município na Região Metropolitana de Campinas – RMC – a manter uma carga horária reduzida. O prefeito destacou com clareza a visão por trás da medida: “Mais tempo na escola significa mais oportunidades de aprender, explorar, criar e desenvolver habilidades essenciais para a vida. Investir nas nossas crianças é investir no futuro de Valinhos, é garantir igualdade de oportunidades”. Não se trata apenas de cumprir um protocolo, mas de garantir um currículo ampliado que, além do reforço nas aprendizagens fundamentais em Língua Portuguesa e Matemática, introduzirá aulas regulares de Artes, Educação Física e, de forma inédita, a disciplina de Inglês a partir do Infantil 1.

É preciso ter a coragem de encarar os números. A ampliação da jornada escolar é uma resposta direta aos índices preocupantes de alfabetização na cidade. Com menos da metade dos alunos (48,21% em 2024) plenamente alfabetizados na idade correta, o anúncio da quinta aula e o fortalecimento do programa “Tempo de Alfabetizar” são passos essenciais para dar a robustez necessária à rede. A alfabetização é o alicerce de toda a construção educacional, e o aumento do tempo de permanência na escola garante mais condições para que esse alicerce seja forte e inabalável.

Mas a excelência na educação não se constrói apenas com mais horas em sala de aula. O fator humano é crucial. O Secretário André Amaral e sua equipe demonstram um entendimento profundo disso ao planejar a contratação de 60 novos professores para suprir a demanda da nova grade, além de um contingente total de 220 novos profissionais que será incorporado até o fim do ano. Esse é o maior aumento do quadro de servidores da Educação em Valinhos nos últimos dez anos, uma medida de valorização docente que faz toda a diferença.

Adicionalmente, a gestão municipal reforça o investimento na formação continuada de seu corpo docente. Recentemente, a parceria com o Sebrae na formação “Potencializando o ensino e a aprendizagem” para professores de reforço escolar é um exemplo. Utilizando jogos interativos e metodologias ativas, a capacitação promoveu a interdisciplinaridade e a educação empreendedora, habilidades vitais para o mundo contemporâneo. É um ciclo virtuoso: professores mais preparados e com repertório ampliado levam um ensino mais dinâmico e significativo para a sala de aula.

O pacote de ações da administração – que inclui a entrega histórica de uniformes completos com tênis, a criação do Centro de Referência em Saberes, Competências e Educação em Rede (CRESCER) e a revisão do Estatuto do Magistério – mostra que o investimento é sistêmico.

Celebrar o Dia da Criança com festa é importante, mas garantir que o futuro desses jovens não dependa da sorte, e sim de uma educação de qualidade superior, é o presente mais duradouro e significativo que um governo pode oferecer. O aumento da carga horária em Valinhos não é apenas uma mudança de cronograma, é a corajosa correção de uma injustiça histórica e o alicerce para um futuro de mais oportunidades e igualdade. É, em essência, a certeza de que a educação em Valinhos, de fato, não tira férias.

COMPARTILHE NAS REDES

Opnião

Outubro Rosa em Valinhos: É hora de agir

A ciência é clara: quando o câncer de mama é tratado adequadamente e em tempo oportuno, as chances de cura podem ser superiores a 95%

Com a chegada de Outubro, Valinhos se ilumina em tons de rosa, aderindo à mobilização mundial de conscientização e prevenção do câncer de mama. A iniciativa da Prefeitura de Valinhos, em parceria com o incansável Grupo Rosa e Amor, oferece um calendário robusto de ações, que vão desde mutirões de mamografia e exames de Papanicolau até palestras sobre saúde bucal, atividade física e autocuidado. É um esforço louvável que transforma o mês em uma janela de oportunidades para a saúde integral da mulher valinhense.

No entanto, em meio a essa onda de conscientização, o editorial da Folha de Valinhos precisa fazer um questionamento fundamental: a sociedade, e em especial as mulheres, estão, de fato, aproveitando essa chance? A fartura de dados e a crueza dos números nacionais sobre o câncer de mama nos obrigam a ir além da mera celebração da campanha. É preciso criticar a inércia e cobrar uma participação ativa e responsável.

Os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e outras fontes (IBGE, DATASUS) lançam uma sombra preocupante sobre o cenário nacional. O Brasil deve registrar este ano cerca de 74 mil novos casos de câncer de mama. O que mais choca é a estatística da negligência: cerca de 24% das mulheres brasileiras na faixa etária de rastreamento nunca realizaram mamografia.

O câncer de mama já é a principal causa de mortalidade por câncer entre as mulheres no Brasil, tendo levado à morte 19.103 mulheres em 2022. Mas o maior grito de alerta reside no diagnóstico tardio. Cerca de 40% dos casos são descobertos em fase avançada, e mais da metade das pacientes no SUS iniciam o tratamento oncológico com atraso superior aos 60 dias previstos em lei. O que está por trás desses números não é apenas a falha do sistema – que, de fato, precisa de agilidade, especialmente para os 75% da população que depende exclusivamente do SUS – mas também a omissão individual.

A ciência é clara: quando o câncer de mama é tratado adequadamente e em tempo oportuno, as chances de cura podem ser superiores a 95%. A chave para essa taxa de sucesso é o diagnóstico precoce. É aqui que a mamografia se impõe como heroína, sendo o único exame capaz de identificar um nódulo suspeito antes mesmo de ser palpável. A recomendação do rastreamento anual, entre 40 e 74 anos, não é um mero protocolo, mas sim uma sentença de vida.

Em Valinhos, a Prefeitura e o Grupo Rosa e Amor estão derrubando barreiras de acesso com mutirões e horários estendidos nas UBS. Não há mais desculpas plausíveis. Os mutirões de mamografia no CEV 1, disponíveis em vários sábados (como 4, 11, 18 e 25 de Outubro, com agendamento simples via WhatsApp), e os exames de Papanicolau sem agendamento em diversas UBS são um convite direto à responsabilidade.

A programação local vai além do mamógrafo, abraçando o conceito de saúde integral da mulher, com foco na prevenção de fatores de risco. Palestras sobre a importância da atividade física (que pode evitar cerca de 17% dos casos), nutrição e autocuidado se somam a serviços odontológicos e a rodas de conversa com especialistas renomados, como na abertura oficial do Grupo Rosa e Amor.

A mulher precisa assumir o protagonismo de sua saúde. Não basta esperar por uma campanha anual. É preciso adotar hábitos de vida saudáveis — evitar o sedentarismo, a obesidade e o consumo de álcool — e, crucialmente, praticar o autoconhecimento das mamas. A maioria dos cânceres ainda é descoberta pela própria mulher, pela observação de sinais e sintomas. O Outubro Rosa, portanto, deve ser o catalisador de uma rotina de autocuidado que se estenda pelos outros 11 meses do ano.

O câncer de mama não é uma fatalidade, mas uma doença com alta chance de cura quando detectada cedo. A mobilização de Valinhos é um espelho do que é possível fazer quando o poder público e a sociedade civil (representada brilhantemente pelo Grupo Rosa e Amor) trabalham juntos.

No entanto, o sucesso desta campanha não será medido pela quantidade de laços rosas espalhados pela cidade, mas sim pelo aumento expressivo no número de agendamentos e pela mudança de comportamento da nossa população feminina.

O convite está feito, a estrutura está montada. Cabe a cada mulher de Valinhos, a cada familiar, a cada empregador, garantir que a prevenção seja uma prioridade inegociável. Não sejamos parte da estatística dos que negligenciam a própria vida.

COMPARTILHE NAS REDES

Opnião

Extremos do clima: alerta para uma nova realidade

Durante mais de uma semana, as equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Guarda Ambiental e brigadas civis travaram uma batalha incansável contra o fogo

O início da primavera de 2025 em Valinhos e em toda a Região Metropolitana de Campinas (RMC) foi marcado por uma sucessão de eventos extremos, que transformaram a paisagem da região em poucas horas. A transição abrupta de um longo período de estiagem para uma tempestade avassaladora serve como um alerta contundente sobre as mudanças climáticas e a urgência de uma resposta coordenada do poder público e da sociedade. O que vivemos nos últimos dias não foi apenas uma anomalia climática, mas um sinal claro de uma nova e mais perigosa realidade.

Durante mais de uma semana, as equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Guarda Ambiental e brigadas civis travaram uma batalha incansável contra o fogo. O incêndio na Serra dos Cocais, no trecho da Pedra do Urubu, na Fazenda Espírito Santo, e os focos de incêndio que, dias antes, atingiram a Estação Ecológica Mata da Tapera, mobilizaram todos os esforços. A cada dia, a esperança por um desfecho positivo era alimentada pela previsão da chegada da chuva. A expectativa por uma trégua na estiagem, no entanto, veio acompanhada de um desafio ainda maior.

Na terça-feira, 22 de setembro, a partir das 13h54, a Defesa Civil emitiu um alerta via SMS para celulares de moradores de grande parte do estado de São Paulo, avisando sobre a chegada de temporais. Ninguém poderia prever, no entanto, a intensidade da tempestade que se seguiu. A chuva, tão esperada para apagar o fogo, causou uma série de danos em diversas cidades, incluindo a destruição da fábrica da Toyota em Porto Feliz. Em Valinhos, o cenário mudou: o combate ao incêndio na Serra dos Cocais foi substituído por uma operação de emergência para sanar os problemas causados pelas chuvas, com registros de quedas de árvores e pontos de alagamento.

Esse episódio é um chamado à ação para os governantes. A natureza não negocia o seu destino; ela apenas responde às agressões. Anos de descaso e destruição do meio ambiente resultaram em uma “Emergência Climática” global, manifestada em desastres naturais cada vez mais frequentes. Como resposta a esse cenário, 194 nações assinaram o Acordo de Paris, criando a Agenda 2030, um compromisso para cumprir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). É vital que Valinhos, assim como todas as cidades, grandes ou pequenas, faça sua parte para cumprir essa agenda e agir localmente no combate às mudanças climáticas.

Em Valinhos, a Prefeitura tem se movido na direção certa. Desde o início do ano, o município reforçou sua estrutura de Defesa Civil, ampliando a equipe, adquirindo equipamentos e implantando tecnologia de monitoramento. Em 19 de setembro, a cidade decretou Situação de Emergência em razão das queimadas, criando um Comitê Gestor para otimizar a resposta a desastres. O Plano de Contingência foi estruturado, e a Operação Estiagem foi lançada para prevenir e combater incêndios. A fiscalização de queimadas ilegais também foi intensificada, com dezenas de autuações.

Apesar dos esforços, a tempestade de terça-feira serve como um lembrete do que podemos esperar para a temporada de chuvas. O poder público precisa agir de forma rápida na organização de suas equipes e na resolução de problemas em áreas de risco, para que a população não sofra mais. O planejamento precisa ser contínuo e mais abrangente. Assim como a tragédia no Rio Grande do Sul em 2024 demonstrou, os animais também precisam ser incluídos no planejamento de operações de combate a incêndios e mitigação de danos causados por chuvas.

A vulnerabilidade de nossa cidade frente aos extremos climáticos é inegável. A resposta não pode ser apenas reativa, mas sim proativa, baseada em ciência e planejamento a longo prazo. É preciso investir em infraestrutura, educação e conscientização para que a população esteja preparada. O tempo de ignorar os sinais da natureza acabou. Os extremos vivenciados nesta semana são um aviso para que a sociedade e o poder público em Valinhos e em todo o mundo se unam e construam um futuro mais resiliente e seguro para todos.

COMPARTILHE NAS REDES

Opnião

CAV: Um centenário de história e comunidade

Em meio a uma rotina cada vez mais digital, onde as conexões sociais parecem muitas vezes mediadas por telas e aplicativos, o Clube Atlético Valinhense (CAV) emerge como um lembrete vivo da importância da interação e do convívio. Completando 100 anos neste mês de setembro, o clube celebra um legado que se entrelaça com a própria história de Valinhos, servindo como um pilar de esporte, cultura e, acima de tudo, comunidade.

A história do CAV é um espelho de Valinhos. Seu antigo campo de futebol, que por 25 anos sediou eventos, campeonatos e festas, hoje abriga o Terminal Rodoviário e o Centro de Artes Cultura e Comércio (CACC). Essa transformação urbana mostra como o clube, assim como a cidade, soube se adaptar ao longo do tempo, mantendo sua relevância. Em tempos de isolamento social, o CAV ainda é um espaço de interação e sociabilização, onde os associados encontram um refúgio para compartilhar momentos de alegria e camaradagem.

Com toda a certeza, a história do Clube Atlético Valinhense não se resume apenas a esportes e eventos sociais; ela está profundamente ligada aos quase 130 anos da história de Valinhos. Muitos dos movimentos e lideranças políticas da cidade nasceram em reuniões e encontros sociais no próprio CAV. Ao longo de sua trajetória, o clube sempre foi um espaço de debate e articulação, onde as ideias fluíam tão livremente quanto as conversas entre amigos.

O CAV é reconhecido regionalmente como um dos melhores clubes sociais, com uma intensa atuação em diversas áreas. Ele se tornou um ponto de encontro para a sociedade valinhense, um verdadeiro palco de interação e sociabilização, que transcendeu a mera atividade física. Em tempos de internet e redes sociais, que muitas vezes levam as pessoas a se isolarem, o CAV continua sendo um refúgio para a comunidade, um local onde as conexões humanas são celebradas e fortalecidas, provando que o mundo real ainda é insubstituível.

As comemorações do centenário, iniciadas neste mês, foram marcadas por eventos que celebraram a rica trajetória da instituição. Uma das festas mais aguardadas, o Baile do Centenário, realizado no sábado, dia 6 de setembro, uniu gerações de associados em uma noite inesquecível. Com o Salão Social transformado em um ambiente de pura elegância pela decoração de Aldo Silvestre, a festa foi um espetáculo à parte, coroado por um requintado jantar do Buffet Beto Ramos. A energia contagiante da Banda Chapéu da Máfia manteve a pista de dança cheia, reforçando o orgulho e o carinho que a comunidade tem pelo clube.

A celebração foi além das festividades, garantindo que a memória do CAV fosse preservada para as futuras gerações. No dia 19 de setembro, foi lançado o livro “CAV 100: Um Século de Esporte, Cultura e Paixão”. Escrita pelo jornalista e escritor Stephan Campineiro, a obra é um presente valioso para todos os valinhenses. Com 248 páginas e mais de 300 imagens, o livro resgata a rica história do clube, desde sua fundação em 1925. Ele detalha a profunda ligação do CAV com a história da cidade, retratando a participação de seus dirigentes na política municipal e o renascimento do clube com a inauguração da nova sede em 1970.

O presidente do CAV, Sylvio Antonio Silva, ressaltou que a obra é um reconhecimento a todas as gerações que ajudaram a construir o clube e do patrimônio do qual poucos clubes do interior podem se orgulhar. O livro celebra a história da cidade, resgatando a lenda do “Esquadrão Fantasma”, o maior time do clube, que conquistou o heptacampeonato distrital de Campinas, e revivendo a tradição dos famosos bailes, incluindo o primeiro baile de debutantes de Valinhos, realizado na sede do clube em 1958.

Para coroar a programação especial, o CAV abre suas portas neste sábado, dia 20 de setembro, para um grande show com o sambista Dudu Nobre. A festa continua neste domingo, dia 21, com uma praça de alimentação e apresentações das bandas Toninho Laz e Tomahawk. Ao abrir o evento para não-associados, o clube reafirmou seu papel de catalisador social, convidando toda a cidade a celebrar sua história.

O centenário do Clube Atlético Valinhense nos lembra que, para além de sua estrutura física, sua verdadeira força reside nas pessoas que o construíram e que continuam a mantê-lo vivo. É a paixão dos associados, o trabalho das diretorias e a conexão com a comunidade que garantem que o CAV continue sendo um pilar de união, esporte e cultura por muitos anos.

COMPARTILHE NAS REDES