Opnião
A responsabilidade inegociável da tutela animal

“Que este Dezembro Verde não seja apenas um mês de campanha, mas um marco de responsabilidade”
O mês de dezembro chegou, trazendo consigo o clima de festas, a expectativa das férias escolares e, infelizmente, o período de maior incidência de um crime que mancha a humanidade: o abandono e a violência contra animais. Em resposta a essa triste realidade, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo instituiu o Dezembro Verde pela Lei 17.343/2021, um movimento que proclama que “Toda vida merece ser respeitada”. É um chamado à consciência, ao combate ao abandono, à defesa da adoção responsável e, acima de tudo, um incentivo à denúncia de maus-tratos.
Em Valinhos, o Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal (DEPBEA), ligado à Secretaria do Verde e da Agricultura, abraçou a campanha com o tema “Abandono é crime. Proteja quem não pode se defender”. Ao longo do mês, serão desenvolvidas ações educativas, de engajamento e eventos de adoção responsável, em parceria com protetores locais. A diretora do Bem-Estar Animal, Alesandra Fontanesi, é clara ao destacar que a participação da sociedade é fundamental para garantir a segurança e o bem-estar dos animais.
No entanto, a urgência deste editorial não é apenas sobre a divulgação da campanha, mas sobre a profunda e inadiável reflexão acerca da responsabilidade da tutela animal. A abertura do Dezembro Verde em Valinhos foi tristemente marcada por um caso chocante, que escancarou a necessidade de endurecer a fiscalização e a punição.
Nesta semana, a cidade foi palco de uma denúncia de maus-tratos no bairro Parque Portugal, que mobilizou o deputado federal e delegado Bruno Lima, a Polícia Civil de Valinhos e representantes da causa animal. Um morador, o chamado “tutor”, foi preso em flagrante por manter um cão doente e caquético confinado em um cubículo insalubre, sem água e com comida estragada. O vídeo do resgate, que viralizou nas redes sociais, é revoltante. A ação resultou no resgate seguro de três animais e na prisão do indivíduo, que responderá por crime de maus-tratos e é suspeito de zoofilia.
Este caso brutal é um lembrete contundente: a violência contra os animais não é um problema distante. Ela existe em nossa vizinhança, muitas vezes atrás de muros silenciosos. A crueldade vista no Parque Portugal nos obriga a sair da zona de conforto e a reforçar o elo mais fraco e, ao mesmo tempo, o mais crucial desta cadeia: a denúncia.
E o mês de dezembro, com a proximidade do Natal e do Ano Novo, é o período mais crítico para o abandono. Viagens, festas e a inconveniência súbita dos animais de estimação levam tutores irresponsáveis a cometerem o ato cruel de descartar uma vida. Essa atitude não é apenas moralmente condenável; é crime, com pena prevista em lei.
Assumir a tutela de um animal é um pacto inquebrável, um compromisso para toda a vida do ser adotado. Não é um brinquedo descartável. É um ser senciente que sente, sofre e ama incondicionalmente. Por isso, as mensagens que guiam a campanha – “Abandonar é crime. Denuncie!” e “Adoção é amor, não impulso” – devem ressoar como mandamentos cívicos em toda a comunidade.
A Prefeitura faz sua parte com a campanha e a divulgação dos canais de denúncia (3829-2197 do DEPBEA, 156 da Ouvidoria Municipal). A polícia e as protetoras, como a vereadora Mônica Morandi e a ONG Caoscientização Animal Valinhos, atuam no resgate e recuperação.
Mas a mudança real começa com a consciência individual. Que este Dezembro Verde não seja apenas um mês de campanha, mas um marco de responsabilidade. Que a indignação pelo caso do Parque Portugal se transforme em ação vigilante. É hora de Valinhos assumir, como comunidade, a sua responsabilidade inegociável: proteger quem não pode se defender. A crueldade e o abandono não podem ser tolerados. Toda vida merece o nosso respeito, e a tutela responsável é o mínimo que se espera de uma sociedade civilizada.








