ECONOMIA DOMÉSTICA

Economia

Renda feminina: O avanço das mulheres que ganham mais que os maridos

Nas últimas cinco décadas, a dinâmica financeira dentro dos lares brasileiros e internacionais passou por uma transformação profunda. O que antes era uma exceção, hoje se torna cada vez mais comum: mulheres que ocupam o posto de principais provedoras ou que possuem rendimentos equivalentes aos de seus parceiros em casamentos heterossexuais.

Dados de demografia econômica revelam que essa mudança não foi apenas comportamental, mas estrutural, impulsionada pelo avanço da escolaridade e pela maior inserção feminina em cargos de alta remuneração.

A Evolução do Percentual em Números

A trajetória da renda feminina nos últimos 50 anos pode ser dividida em três fases distintas:

  1. Anos 1970–1980: A proporção de mulheres ganhando tanto ou mais que os maridos era baixa, geralmente inferior a 15% (em muitos países, próxima de um dígito).

  2. Anos 1990–2000: Um período de crescimento gradual, com os índices atingindo a faixa de 20% a 30%, especialmente em grandes centros urbanos.

  3. Após 2010 até 2025: Consolidação de faixas entre 35% e 45% em países da OCDE. No Brasil, em áreas urbanas, o percentual de lares onde a mulher é a principal responsável pela renda já ultrapassa os 20%.

Fatores que Impulsionaram o Crescimento

Essa mudança é resultado de uma combinação de fatores socioeconômicos que permitiram às mulheres trajetórias profissionais mais longas e estáveis:

  • Aumento da Escolaridade: Atualmente, as mulheres são maioria nas universidades em diversos países, o que facilita o acesso a carreiras técnicas e gerenciais melhor remuneradas.

  • Participação no Mercado Formal: A quebra de barreiras em setores anteriormente dominados por homens e a formalização do trabalho elevaram a média salarial feminina.

  • Planejamento e Estrutura Familiar: O adiamento do casamento e a redução do número de filhos permitiram que muitas mulheres priorizassem a ascensão profissional antes e durante a formação de uma família.

  • Políticas Públicas: Leis de combate à discriminação e garantias como a licença-maternidade ajudaram a manter as mulheres ativas no mercado de trabalho.

Desafios e Desigualdades Remanescentes

Apesar do avanço nos percentuais dentro dos casamentos, especialistas alertam que a desigualdade salarial de gênero ainda persiste no mercado de trabalho geral. A média salarial masculina ainda tende a ser superior, mas a distribuição interna do orçamento doméstico está mais equilibrada.

Esse fenômeno é mais visível em casais jovens com ensino superior completo e em setores de serviços qualificados, enquanto em áreas rurais e no setor informal a disparidade de renda ainda é um desafio a ser superado.

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