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“Manipulação eleitoral” ganha força nos EUA com pressão de Trump

Afinal, a pressão vem diretamente do presidente Donald Trump, que exige que estados controlados pelos republicanos usem a prática conhecida como “gerrymandering” — ou “manipulação eleitoral” em tradução livre — para garantir uma maioria confortável no Congresso.
O “Gerrymandering” e a preocupação de Trump
O professor de história James N. Green, da Universidade de Brown, explicou à Agência Brasil o motivo da urgência de Trump. “Ele tem medo de perder o controle da Câmara”, afirmou Green, lembrando que a maioria republicana atualmente é de apenas três deputados. Em outras palavras, uma pequena derrota em 2026 pode significar a perda do poder de pautar o orçamento e aprovar projetos de interesse do governo.
Anteriormente, o redesenho dos distritos ocorria principalmente após o Censo, a cada dez anos. Contudo, em virtude da polarização política, governadores e assembleias estaduais com maioria em seus partidos passaram a redesenhar os mapas para se beneficiarem.
O “gerrymandering” pode, de fato, ser uma estratégia eficaz. O professor Green detalha como ela funciona: “Eles podem traçar a linha do distrito [dividindo] os centros das cidades, onde há maior parcela de pretos e negros ou outras pessoas mais liberais, e estender esse distrito até o campo, colocando a maioria de republicanos”.
Dessa forma, o voto de uma minoria em uma área urbana é diluído quando misturado com uma população maior e mais conservadora, perdendo seu poder de eleger representantes.
Reações pelo País
A onda de “gerrymandering” iniciada pelo Texas, que alterou seus distritos em agosto para aumentar o número de deputados republicanos em cinco, já gerou reações. O deputado democrata do Texas, Vince Perez, denunciou a mudança, afirmando que ela fez o voto de uma pessoa branca ter o mesmo peso que os votos de cinco pessoas negras. “Hoje, hispânicos e texanos brancos representam cerca de 40% da população do nosso estado… No entanto, segundo este mapa proposto, 26 dos 38 distritos eleitorais — 70% da nossa delegação — serão controlados por distritos de maioria branca”, disse.
Em contrapartida, a Califórnia, um estado com maioria democrata, prometeu um contra-ataque. O governador Gavin Newsom declarou que “vamos combater fogo com fogo”, sinalizando que também pode redesenhar os mapas para anular a vantagem conquistada pelos republicanos. No entanto, o processo na Califórnia é mais rigoroso e precisa passar por um referendo, marcado para novembro.
Enquanto isso, em Missouri, o parlamento iniciou a análise do redesenho na quinta-feira, 5 de setembro, com a expectativa de que a votação seja concluída na próxima semana. O governador republicano Mike Kehoe defende que a mudança prioriza os valores “conservadores” do estado, uma iniciativa celebrada por Donald Trump.
A discussão sobre o redesenho eleitoral também chegou a outros estados de maioria republicana como Indiana, Flórida e Ohio, bem como a estados democratas como Illinois, Nova York e Maryland, demonstrando que essa disputa se espalha por todo o país.


