Saúde
Psoríase exige atenção aos sinais do corpo e tratamento adequado

Doença autoimune afeta a pele, mas impacta também o bem-estar emocional e neurológico
Com sintomas visíveis que se manifestam na pele e efeitos que podem afetar a saúde mental e neurológica, a psoríase é uma condição autoimune que ainda carrega estigma e desinformação. Embora não tenha cura, o tratamento é eficaz e pode melhorar significativamente a qualidade de vida.
A doença afeta cerca de 1,3% da população brasileira, o que equivale a aproximadamente 5 milhões de pessoas, segundo estimativas do Ministério da Saúde. A psoríase se caracteriza por lesões avermelhadas cobertas por escamas esbranquiçadas, geralmente localizadas nos cotovelos, joelhos, couro cabeludo e costas. Apesar da manifestação mais evidente ser dérmica, os efeitos extrapolam o que os olhos veem.
Segundo a médica dermatologista Raquel Rennó, docente do Wyden, há uma conexão importante entre doenças inflamatórias crônicas e o sistema nervoso central. “O paciente com psoríase pode apresentar também distúrbios do sono, fadiga, ansiedade e depressão, o que reforça a necessidade de uma abordagem multidisciplinar”, explica a especialista.
Os primeiros sinais, segundo Raquel, costumam surgir entre os 15 e 35 anos, mas podem se manifestar em qualquer fase da vida. Além das manifestações cutâneas, cerca de 30% dos pacientes podem desenvolver artrite psoriásica,
uma forma inflamatória que atinge as articulações e causa dor e rigidez. A doença não tem como ser prevenida, mas pode ser controlada com tratamento adequado. “Hoje temos diversas opções terapêuticas, que vão desde medicamentos tópicos até terapias biológicas que atuam diretamente na resposta inflamatória do organismo”, afirma Raquel Rennó.
O diagnóstico é clínico e deve ser feito por um dermatologista. Nas situações em que a psoríase afeta o bem-estar emocional ou interfere nas atividades diárias, pode ser necessário também acompanhamento psicológico ou neurológico.
Saúde emocional e psoríase
Estudos em psicodermatologia mostram que fatores emocionais, como estresse intenso, ansiedade ou traumas, podem não apenas agravar a psoríase, mas também desencadeá-la. A resposta inflamatória exacerbada nesses momentos torna a pele um reflexo do sofrimento interior.
A dermatologia reconhece a psoríase como uma das doenças crônicas com maior impacto na qualidade de vida, não apenas por sua aparência visível, mas pelo estigma social que carrega. O envolvimento da família e da rede de apoio pode reduzir o isolamento, fortalecer a adesão ao tratamento e minimizar o impacto emocional.
“O sofrimento emocional pode influenciar diretamente a forma como o paciente percebe sua doença e como lida com as limitações impostas por ela. O acompanhamento psicológico auxilia na construção de estratégias de enfrentamento, promove ressignificação da experiência e contribui para preservar a autoestima e os vínculos sociais. É importante que esse suporte envolva também a família, criando um ambiente de acolhimento e fortalecimento da rede de apoio”, destaca Fabrício Otoboni, docente de Psicologia da Wyden.


