ADULTIZAÇÃO

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MPT pede bloqueio de bens de influenciador acusado de trabalho infantil

Ação contra Hytalo Santos e o marido busca R$ 20 milhões em indenização para as vítimas e pede bloqueio de carros de luxo e empresas

O Ministério Público do Trabalho na Paraíba (MPT-PB) entrou na Justiça com um pedido de bloqueio de bens contra o influenciador Hytalo Santos e seu marido, Israel Nata Vicente. A ação foi movida após a prisão do casal na última sexta-feira, dia 15, em Carapicuíba (SP).

De acordo com o MPT-PB, Hytalo Santos é acusado de crimes graves, incluindo trabalho infantil nas redes sociais, exploração sexual e tráfico humano com a finalidade de exploração infantil. O Ministério Público solicita o bloqueio de cinco veículos de luxo, empresas e outros bens do casal, totalizando até R$ 20 milhões.

A quantia, por sua vez, corresponde a uma indenização por dano moral coletivo e, assim como, a medidas de reparação e assistência às vítimas.

O MPT-PB também informou que Hytalo Santos era o principal divulgador da empresa Fartura de Prêmios, ligada à Loteria do Estado da Paraíba (Lotep). Pois, existem indícios de que ele usava sua audiência, conquistada pela exploração de trabalho infantil, para impulsionar a venda de rifas e sorteios.

As prisões de Hytalo e seu marido foram ordenadas pela Justiça da Paraíba. A saber, a decisão veio após o influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, denunciar o uso de perfis nas redes sociais com crianças e adolescentes. Segundo a denúncia, essas crianças eram colocadas em situações inadequadas para a idade, a fim de gerar engajamento e monetização para os canais de Hytalo.

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Câmara aprova projeto contra adultização de crianças nas redes sociais

© Bruno Peres/Agência Brasil
Texto obriga plataformas a adotarem medidas contra crimes na internet
Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira, dia 20, o Projeto de Lei (PL) 2628/2022. Conhecido como o PL contra a “adultização” de crianças, o texto estabelece novas regras para proteger menores de idade em ambientes digitais. O projeto, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), contou com o apoio de diversas organizações da sociedade civil e, visto que a Câmara fez alterações, ele agora retorna para a apreciação final do Senado.

Atualmente, a proposta exige que as plataformas digitais tomem “medidas razoáveis” para prevenir riscos de acesso a conteúdos ilegais ou impróprios para crianças e adolescentes. Por exemplo, o texto combate a exploração sexual, a violência física, o assédio, a promoção de jogos de azar e publicidades enganosas. Além disso, o projeto prevê a criação de uma autoridade nacional autônoma que terá a responsabilidade de fiscalizar e garantir o cumprimento da nova legislação. Certamente, a proposta busca mecanismos mais confiáveis para verificar a idade dos usuários, indo além da simples autodeclaração.

Apoio e consenso no Congresso

O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), celebrou a aprovação, afirmando que o Parlamento brasileiro está trabalhando por um ambiente digital mais seguro. “Não tenho dúvida que nossas crianças e adolescentes irão reconhecer o trabalho do Parlamento brasileiro”, ele destacou.

Apesar de, a princípio, o PL ter enfrentado resistência, ele ganhou a adesão de parte da oposição depois que o relator, deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI), acatou modificações importantes. De fato, a inclusão da agência reguladora autônoma e a restrição sobre quem pode pedir a remoção de conteúdo criminoso foram decisivas. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), um dos líderes da oposição, afirmou que “Hoje, as crianças do Brasil ganham”, e que a Câmara lutará para que elas não sejam sexualizadas.

O projeto também determina a remoção imediata de conteúdos criminosos pelas plataformas, sem a necessidade de uma ordem judicial. Conforme o texto, essa retirada deve acontecer assim que a empresa for notificada pela vítima, por seus representantes ou por órgãos de defesa de direitos. Segundo especialistas, o PL adapta direitos já previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para o mundo digital.

Inesperadamente, o debate sobre o tema ganhou força nacional após um vídeo do humorista Felca denunciar a exploração de menores nas redes sociais. O vídeo, que alcançou milhões de visualizações, mobilizou políticos, especialistas e a sociedade em geral a favor da aprovação de uma legislação mais protetiva para crianças na internet.

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Influenciador Hytalo Santos é preso em São Paulo

© hytalosantos/Instagram
Flávia Albuquerque – repórter da Agência Brasil
O influenciador Hytalo Santos e seu marido Israel Nata Vicente foram presos nesta sexta-feira, dia 15, em uma casa em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo.

Segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), além do cumprimento do mandado de prisão temporária expedido pela Justiça da Paraíba, os agentes também realizam buscas no endereço onde ele foi localizado, em cumprimento a ordem judicial

Hytalo é investigado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por exploração e exposição de menores de idade em conteúdos produzidos para as redes sociais.

O caso ganhou repercussão após denúncias do youtuber Felca sobre casos de adultização de crianças e adolescentes.

A prisão foi realizada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo (PC-SP) em conjunto com o Ministério Público do Estado da Paraíba, o Ministério Público do Trabalho, a Polícia Civil do Estado da Paraíba. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara da Comarca de Bayeux (PB) pelo juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa.

“As apurações criminais vêm sendo conduzidas com rigor técnico e absoluto respeito aos direitos e à dignidade das vítimas, especialmente crianças e adolescentes. Entretanto, o vazamento de informações sigilosas e a execução de medidas de natureza civil, dissociadas dos métodos próprios da investigação criminal, têm prejudicado a eficiência e a segurança do trabalho investigativo, além de potencialmente expor as vítimas a novos riscos”, disse o MPPB.

Segundo o órgão, o caso exige tratamento responsável, sem sensacionalismo e com máxima proteção à intimidade das vítimas, sobretudo no enfrentamento à exploração sexual, em especial no ambiente digital.

“É importante destacar a necessidade do efetivo combate ao tráfico humano em âmbito estadual, pois se trata de uma grave violação de direitos que, embora muitas vezes menos visível que o transnacional, provoca impactos profundos nas comunidades locais.”

O MPPB destacou também que pessoas expostas a esse tipo de exploração, frequentemente resultado de situações de vulnerabilidade socioeconômica, são aliciadas, transportadas e exploradas dentro das fronteiras do próprio estado.

“O enfrentamento dessa prática criminosa exige atuação coordenada, técnica e fundamentada, de modo a garantir a responsabilização dos autores e a salvaguarda dos direitos humanos”, afirmou.

Por meio de nota, a defesa de Hytalo Santos e Israel Nata Vicente, reafirmou a inocência de seus clientes e disse que ainda não teve acesso à decisão que determinou a prisão e por isso não tem como fazer uma declaração mais detalhada.

“Assim que tivermos ciência dos fundamentos, adotaremos todas as medidas judiciais cabíveis para resguardar os direitos de ambos, inclusive com o ingresso de Habeas Corpus, se necessário”, disse o advogado Sean Abib.

Ampliada às 12h08 para incluir posicionamento da defesa dos detidos

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CCJ aprova aumento de pena para aliciamento de crianças na internet

© Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Lei avança após repercussão sobre adultização infantil nas redes
Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira, dia 13, por unanimidade, o Projeto de Lei 2.857, de 2019. O texto, portanto, aumenta em um terço a pena para o crime de aliciamento de crianças e adolescentes por meio de aplicativos e redes sociais.

A relatora do projeto, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), defendeu a medida, ressaltando que “o endurecimento da punição é necessário, pois as tecnologias atualmente usadas para promover a interação entre pessoas amplificam ou facilitam a prática de crimes que antes ocorriam apenas no mundo presencial”.

Atualmente, o artigo 241-D do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê pena de reclusão de 1 a 3 anos, além de multa, para quem aliciar, assediar ou constranger crianças para praticar atos libidinosos.

O projeto de lei avançou na CCJ depois da repercussão da denúncia feita pelo influenciador Felca Bressanim, que expôs perfis que usam crianças e adolescentes com pouca roupa, dançando músicas sensuais ou falando de sexo. Os donos desses canais lucram com a monetização desses conteúdos nas plataformas digitais.

Em virtude da denúncia, o presidente da Câmara, Hugo Motta, anunciou que o órgão apresentará, em 30 dias, um projeto de lei contra a adultização infantil. Um grupo de trabalho, composto por parlamentares e especialistas, ficará responsável pela elaboração do texto.

A possível responsabilização das plataformas digitais por permitir a monetização desses conteúdos tem gerado divergências entre os deputados. Enquanto partidos de oposição criticam a regulamentação, argumentando que se trata de censura, deputados da base governista defendem a medida como uma forma necessária de combater os abusos contra a infância no Brasil.

Na discussão da CCJ, o deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM) criticou a possibilidade de incluir temas que não têm relação com o projeto original. “Vamos ficar atentos porque estão querendo colocar jabuti para regular e censurar a rede social. A gente não vai permitir usar um tema tão precioso para a gente, que é defender as nossas crianças, para regular as redes sociais”, disse.

No entanto, o deputado Helder Salomão (PT-ES) argumenta que apenas o aumento da pena não é suficiente. Ele defende a responsabilização das plataformas que lucram com a exploração de crianças e adolescentes. “Quem não quer regular as redes sociais, as plataformas digitais, as big techs, é conivente com esse tipo de crime de pedofilia, de violência sexual, de exploração sexual e de abuso sexual contra crianças e adolescentes”, afirmou.

LEIA: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-08/especialistas-alertam-que-criancas-nao-podem-ser-produto-das-redes

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