Vagner Alves

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Vagner Alves, consultor em acessibilidade, formado em Administração pela Faculdade Anhanguera Educacional de Valinhos e Gestão Pública pelo INPG

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Retorno das torcidas aos estádios.

Lendo e ouvindo noticias sobre o retorno das torcidas aos estádios, começo a questionar qual à lógica por trás da COVID 19? Num momento, nada pode, daqui a pouco, tudo é permitido. Se existe um local em que a aglomeração é inevitável e os protocolos de saúde sanitária não são cobrados a rigor, esse local se chama “praças esportivas”.
Frequento estádios, desde 1985, quando fui pela primeira vez no Estádio Municipal Pedro Benedetti, em Mauá SP, tinha 11 anos de idade, e ainda me lembro da total, falta de higiene, local sujo, sem banheiros suficiente, fila para tudo. Meu irmão me levou na cacunda e para sentar na arquibancada imunda, teve que tirar a camisa e forrar a arquibancada para eu sentar.
Bem, você deve estar dizendo, mas isso foi lá na década de 80. Meu retorno aos estádios foi em 2004, agora como profissional de imprensa, e o que encontrei, foi muito pior. Não existe o respeito ao cliente nas praças esportivas.
Já estive em mais de 30 estádios em diversas cidades do estado de São Paulo, como nos vizinhos Majestoso e Brinco de Ouro ou nos longínquos Independência em Belo Horizonte e Presidente Vargas em Fortaleza.  E todos, sem exceção, não têm condições sanitárias de receber publico em época de pandemia, com um vírus atacando pelas pontas e driblando toda uma sociedade. Sem contar, que a grande maioria dos torcedores vão para os jogos utilizando o transporte público.
O descalabro, começa nas aglomerações de torcedores muitas das vezes, mais de 3 horas antes das partidas iniciarem, á falta de estacionamentos, filas para entrar, sentar, ir ao banheiro e praça de alimentação, arquibancadas sujas, falta de acessibilidade razoável, não se tem banheiros adequados, a falta de água é constante, assim como eletricidade.
A torcida, faz falta ao espetáculo? Com certeza, eu sendo narrador e tendo que levar emoção para quem está em casa, que o diga, porém, daí a você Imaginar, que num possível retorno teremos álcool gel, corrimões limpos, papel toalha e higiênico nos banheiros, medidores de temperatura na portaria e aqueles que estivem em estado febril, sendo informados de que devem retornar para suas casas. Sinto muito, mas é colocar uma coletividade em risco, e ceivar vidas.
A realidade dos estádios brasileiros, não tem nada de semelhante com a meia dúzia de Arenas, feitas para a Copa de 2014, que sim, tem boa estrutura. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que autorizou a volta do público aos estádios brasileiros a partir de outubro, ou nunca foi a um estádio ou pensa que á vida é menos importante que um grito de gol.
O Estado de São Paulo, já se antecipou e não irá abrir os portões de seus estádios, como recomendou a CBF e o ministro.
Eventos com potencial de gerar grandes aglomerações só devem ser autorizados quando uma vacina imunizar esse povo de meu Deus. Que os torcedores sejam pacientes e prudentes, para que num futuro próximo, possam voltar aos estádios e extravasar, com às conquistas de seu time do coração.