Laís Helena

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LUGAR DE CRIANÇA É NA ESCOLA, MAS A ESCOLA PRECISA ESTAR EM QUALQUER LUGAR.

A pandemia transformou professores em videomakers, alunos em especialistas em tecnologia e mães e pais em professores. Isso parece uma evolução, se não tivesse sido um processo tão precário e desigual.
No Brasil, mais de 600 mil pessoas morreram e milhões perderam seus empregos. Em relação a crianças e adolescentes, quase todas elas foram obrigadas a ficarem fora da escola, em uma circunstância responsável por retroceder anos e anos de desenvolvimento intelectual. Uma geração inteira de futuros profissionais, cientistas e cidadãos pode ter sido perdida.

Diante desse cenário desolador, como será o futuro da educação? A tecnologia, mesmo aos trancos e barrancos, veio para ficar. Entretanto, ela ainda esbarra no déficit do acesso à Internet e na desigualdade quando o assunto é equipamentos eletrônicos. De acordo com um levantamento do IBGE feito no ano de 2021, cerca de 82,7% dos lares brasileiros têm Internet, mas apenas 45% das casas contam com um computador. Logo, na pandemia, mais da metade dos alunos só tinham o celular à disposição para realizar tarefas escolares.

E quanto à situação dos nossos milhões de pais e mães brasileiros? Com muitos perdendo a fonte de renda, cuidar dos filhos em tempo integral passou a fazer parte do cotidiano e se tornou ainda mais complicado, principalmente considerando que, segundo uma pesquisa da UFMG, mais de 125 milhões de brasileiros estão vivendo em insegurança alimentar. Se os pais não estão conseguindo sequer prover uma refeição digna para seus filhos, fica a pergunta: como uma criança consegue estudar estando com fome?

Já os professores estão sobrecarregados de uma maneira nunca antes vista. Além de precisar lidar com diversas classes e centenas de alunos, eles ainda tiveram que aprender a como gravar e editar vídeos sem nenhuma instrução de como fazer isso. Largados à própria sorte, os professores estão ao lado de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem como verdadeiros heróis dessa pandemia, lutando com todas as forças para levar o aprendizado mesmo para crianças que estavam isoladas a quilômetros de distância.

Você provavelmente deve estar familiarizado com o assunto. Quem é mãe, pai, professor ou aluno sabe muito bem como foi enfrentar a rotina da educação durante a pandemia. Por isso, precisamos lutar juntos por políticas públicas para recuperar os anos perdidos de aprendizagem e cessar todo o sofrimento trazido pelo isolamento social, que foi essencial para conter o vírus e garantir o sucesso da vacinação, mas também colocou milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Como o ensino remoto veio para ficar, é necessário distribuir de forma gratuita computadores e acesso à Internet sem distinção regional e econômica, porque a integração entre ambiente escolar e domiciliar será uma peça chave para reabilitar a rotina de estudos. Outro ponto importante será a garantia de alimentação básica para qualquer família que tenha uma criança ou adolescente na escola, ocasionando a distribuição em massa de kits de café da manhã, almoço e jantar em escolas ou nas casas dos estudantes. E, para os professores, é necessário levar o apoio tecnológico e técnico para que eles tenham a estrutura adequada para se adaptar aos novos tempos, através da contratação de profissionais de vídeo e a compra de equipamentos como câmeras, computadores e softwares.

Isso é apenas o começo. A educação brasileira já era precarizada antes mesmo da pandemia. E não será possível resolver todos os problemas de uma vez, porém, precisamos de um projeto que dê alguma perspectiva de futuro para todos os envolvidos no contexto escolar. Porque lugar de criança sempre foi escola, mas chegou a hora da “escola” estar em casa também!

Profa. Laís Helena Antonio dos Santos Aloise