João Pedro Pazinatto Arake

João Pedro Pazinatto Arake

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Vírus com coroa; rei decapitado.

Não é de hoje que eu considero a nossa geração uma das mais mimadas e desinteressantes da história. Na pandemia, as pessoas só reforçaram o meu ponto de vista e contribuíram para a minha falta de esperança no mundo.
Vou comparar a nossa geração com uma que todos conhecem: a geração de europeus que atravessou a Segunda Guerra Mundial. O conflito destruiu cidades inteiras, matou inúmeros civis e deixou parte da população em situação de miséria. Para ver, basta procurar imagens e vídeos dos órfãos de civilidade após o final da guerra, sem rumo nem humanidade. Ou melhor, sujeitos de uma humanidade crua. Imagine pelo o que essas pessoas passaram, a barbárie que elas viveram causada por erros políticos. Agora imagine se essa geração europeia olhasse para a nossa. É evidente que após viver um ano de pandemia, a saúde mental, se existe, está no buraco. Ninguém aguenta mais, e todos sabemos pela barra que estamos passando. E isso não tira a responsabilidade de todos nós ficarmos em casa e respeitarmos as medidas protetivas. Estamos em guerra e vivemos um luto.
E o que me irrita profundamente nesse momento é o absurdo das pessoas. Já no colapso de leitos na cidade, com pessoas morrendo a sua espera, mães protestam pela reabertura das escolas. Parecem querer, aqui no estado, as cenas dantescas de Manaus. Pessoas descoladas da vida real acham que nada acontecerá a elas. Não leem jornal? Não sabem que não há leitos? Duvido. Essa movimentação pela reabertura das escolas em um momento como esse diz muito mais sobre esses pais do que sobre a sua preocupação com a educação – ou com seus filhos.
Também há pessoas reclamando de ficar em casa, sem poder frequentar locais sociais. Brasileiros morrendo por falta de equipamentos, mas a classe média com Netflix não consegue ficar no sofá. Sim, eu entendo as dificuldades reais das pessoas, e sequer estou entrando no âmbito econômico de quem é obrigado a sair para trabalhar. Trato, pois, sobre a falta disciplina e senso de responsabilidade por parcela da população. A discussão sobre o uso de máscara, por exemplo, só poderia acontecer numa sociedade mimada. “Mas eu tenho o direito de não usar a masc...” Cale a boca e use a máscara. Você não é o guardião das liberdades individuais e democráticas, você é um idiota. O individualismo de alguns é estúpido e assassino. E, pior que isso, só a pessoa que não tem esse discurso, mas também não usa a máscara direito.
E o obscuro, retrógrado e fascistoide governo federal atual não ajuda em nada, nem na saúde, nem na economia. O primeiro auxílio emergencial aconteceu apesar do governo, e não por conta dele. A ação foi uma vitória da oposição, embora seja Jair o que teve popularidade alavancada. E a indiferença do presidente com as vidas perdidas, além de desumana, influencia negativamente a relação das pessoas com a pandemia e a quarentena. Confirmemos com a mínima noção política e ética: esse governo trabalha a favor do vírus, usa-o como palanque político para a sua patota da extrema-direita, visando 2022. O Brasil inteiro pode sofrer o colapso de Manaus, mas o presidente acha que vacina é só na casa da mãe. Comparativamente, não é como se tivéssemos um Churchill na presidência, alguém que anima a luta diária do povo e auxilia no combate necessário durante uma crise. É como se tivéssemos Hitler.