João Pedro Pazinatto Arake

João Pedro Pazinatto Arake

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RODAR TAMBÉM E AMAR

Ao apertar a mão de outro alguém, a criança já sabe que há amor. Amar é essa densidade universal de uma relação entre dois seres que tem sentimentos dos mais interiores. Amar é resistência permanente, enquanto deixar-se apaixonar é entregar-se completamente exposto àquele que lhe toca a pele e diz "vamos?".

Enganam-se aqueles que querem controlar o coração como carreira, pois é na entrega diária que o amor diz “independente de decifrar-me ou não, devoro-te”. É no momento eternizado de múltiplos e infinitos Agora que o amor é vivenciado.

Quem ama, sabe. Quem não sabe, pode ainda vir a saber. Tudo depende dos caminhos sem sentido dos encontros e reencontros. Anda, caminha, prossegue e sabe que amará em algum momento, pois como disse o poeta Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? Amamos como resposta à vida na terra seca. Ela é ínfima, pouco íntima, sem a capacidade de amar. Viver o átimo de uma existência polida e crua em humanidade só é possível se olhamos para alguém e pensamos “amo-te”.

E o encontro de corpos nus é relevante para aqueles que jamais despiram seu ser, trancados em si com pequenez tacanha. Há aqueles que possuem uma dificuldade em se abrir e aqueles que, ao se abrirem, mostram o vazio interno. Nesses casos, preferível a vergonha e o distanciamento. Mas como quebrar tamanho egoísmo se, para quebrá-lo, é preciso amar e, para amar, é preciso quebrá-lo? É nessa volta toda que o ser humano deixa de ser um dispendioso irrisório e afirma “amo, sim”.

Há uma dificuldade em saber a ordem. Amo, por isso vivo? Vivo, por isso amo? Não sou capaz de responder. Vivemos, sim, procurando alguém para ajudar na ausência nossa de cada dia que nos dai hoje. Mas amar é solidão a dois, que pode ser quebrada apenas por um silêncio que não é ausência.

Entoado pelos quatro cantos, o amor é a colcha de retalhos que merecemos por misericórdia do outro.