Jair Fini

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O amigo do Rei

Certa vez eu estive na cidade de Rio Verde em Goiás, em uma confraternização entre funcionários por ter recebido a certificação ISO 9001 naquela unidade, foi quando ouvi o nosso gerente de vendas o Genaro dizer até com certa insistência, que não precisaria ganhar na loteria só queria ser “o amigo do rei”.
Não sei de onde ele tirou esta frase pitoresca, mas cheguei em casa muito pensativo e pude avaliar o quanto é importante ser “o amigo do rei”. Esse rei simboliza qualquer alto cargo do primeiro escalão, o rei de verdade, o príncipe, o primeiro ministro, os milionários do mundo, os políticos como senadores, deputados, alguns prefeitos, governadores, ministros, presidentes, em fim pessoas que de alguma forma mandam ou interferem no mundo.
O rei fica sempre com as dores de cabeça que são os ossos do ofício, pode ser venerado ou criticado, tudo o que fizer é alvo de manchetes, tanto para o bem como para o mal. “O amigo do rei” esse dificilmente aparece nas manchetes e quando aparece, é motivo de escândalos muitas vezes irreparáveis, ele chama para si toda culpa do acometido, porém recebe fortunas incalculáveis para calar-se como o único culpado e certamente além de não ser preso, por enes motivos que nós simples mortais não sabemos, jamais precisará trabalhar para o resto da vida, aliás quanto maior o escândalo maior será o aumento do seu patrimônio. Porém, via de regra através dos séculos, o amigo do rei vive no anonimato, sempre na moita, sempre ganhando as benesses da coroa ou de qualquer sistema em vigor, desde que o mundo é mundo é assim, e não são poucos, afinal é sempre ele “o amigo do rei” que vive bem a vida, a verdadeira vida de um rei.
O rei sempre tem problemas, sobrevive a conflitos de interesses, tem inúmeros inimigos declarados ou velados, não dorme direito, envelhece precocemente, só viaja a compromissos, faz as refeições no horário que os anfitriões estabelecem, segue regiamente a sua agenda, sendo tudo pré-estabelecido a cada local, só transita sob forte escolta policial. Pesa sobre a sua consciência que a qualquer momento pode ser “deposto” e sofrer até um enfarto fulminante, motivado pela desaprovação da sua conduta, seja ela fraudulenta ou não.
“O amigo do rei” jamais vive ou morre assim, ele até rejuvenesce “no cargo”, passa a maior parte do tempo viajando, conhecendo lugares diferentes, sempre com lacunas na sua agenda. Quando viaja para um país aproveita para dar um pulinho ali no outro, geralmente leva a sua família, justifica que paga à parte, come nos melhores restaurantes, e muitas vezes até esquece o motivo real da sua viagem, de tão sem importância que era, mas nunca foi ou será caloteiro, porque quem paga a sua conta é sempre o rei.
O importante é que o amigo do rei não é oportunista em tudo, longe disso, ele é até leal, sempre abre mão no epitáfio para o nome que ficará para a história, o do seu rei com os inúmeros adjetivos atributivos, aqui jaz...
Dizem que o príncipe Harry casado com Meghan pertencente a família real do Reino Unido, assim que leu e releu esta matéria sobre o “amigo do rei” estampada no jornal inglês The Guardian, (vejam como fiquei famoso), ficou temeroso sobre o seu futuro como possível rei e decidiu renunciar ao trono. Desculpe sinto-me culpado, em momento algum pensei em ser tão persuasivo assim com esta matéria, porém já que tenho esse dom o qual eu não sabia, preciso escrever algum artigo que leve os ministros Gilmar Mendes e Lewandowski a renunciarem também, isso é só o começo...  (Este último parágrafo nem precisaria dizer que a maior parte dele é Fake News).  
Jair Fini é administrador - fini.jair@gmail.com