Jair Fini

Jair Fini

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As pílulas dos torcedores

Se você torce por algum time de futebol, sofre igual, mais ou menos que eu, só depende de qual time você torce. Nós não sabemos quando e nem como começamos a torcer por um time e às vezes temos contrariedades começando  em nossa própria casa. Tem pai palmeirense que tem filho corintiano e corintiano que tem filho palmeirense, tem são paulino que tem filho santista e vice-versa, tem pai pontepretano que tem filho bugrino e vice-versa e assim com todos os times e não se tem uma explicação lógica para isso.

Quando começamos a torcer por um time não assinamos nenhum documento para filiarmos como torcedores e com algumas exceções, será o nosso time pelo resto das nossas vidas, ganhando títulos ou não. É mais fácil trocarmos de cônjuge, com testemunhas, filhos e papel passado, do que abandonarmos o nosso time sem nunca ter assinado nada.    

Por incrível que pareça muitas vezes encontramos pessoas que não torcem por time nenhum, daí dá aquela sensação de inveja, mesmo sem falar ficamos a pensar “ah, se eu pudesse ser assim também”, mas depois é de um vazio, nós nos sentiríamos igual àquela raposa do livro do pequeno príncipe, convidada a mudar-se para outro asteróide no qual não tinha cão, mas em compensação também não tinha galinha!     

O difícil é quando o nosso time perde, em uma final de campeonato, nós xingamos: “esses pernas de paus”, “essa diretoria que não contrata”, “esse técnico burro”. Ou quando o nosso time jogou impecavelmente na partida final do campeonato, mas o juiz ainda com auxilio do arbitro de vídeo o VAR (Vídeo Assistant Referee), metem a mão no nosso time. Nesse momento não queremos nem ouvir mais falar em futebol, aqueles rojões da torcida adversária pipocando em nossos ouvidos, (precisamos acabar com esses rojões), aquele mal estar e não tem o que passa, como é duro ser torcedor. Depois de muito tempo esse mal desaparece, o campeonato recomeça e as nossas esperanças voltam em campo novamente.

Pensando nessa “pequena depressão timesca” de que a medicina esta longe de solucionar, outro dia pensei em inventar a pílula do torcedor, se o nosso time perdesse nós tomaríamos essa pílula e ficaríamos uns 5 dias, sem pensar em futebol, “que jogo?” , “Não torço pra time nenhum”, que alívio seria.

Imaginei também inventar uma pílula mágica mais potente, que se tomássemos  torceríamos pelo menos por uns 15 dias para o time rival. Que maravilha o último jogo do campeonato, aquele rojão comprado iria sempre estourar. Seria aquela alegria geral, a torcida única, todo mundo vibrando com o resultado final do time ganhador do campeonato, mesmo não sendo o nosso time. Você corintiano festejando com a vitória e título do Palmeiras sobre o Corinthians durante 15 dias, sentindo como se fosse palmeirense desde criança, gritando eufórico com todas as forças pelas ruas: pooorco, pooorco!. O mesmo para você pontepretano, celebrando como nunca já que nunca viu o seu time ficar campeão, mas podendo gritar agora para o ex-time rival o guarani, como se fosse o seu time de coração: buugree, buugree!. Seria um grande passo para a paz mundial, saberíamos realmente conviver com as “pequenas diferenças” as quais alguns vivem preconizando com verso e prosa por aí.

Agora só para eu continuar a minha pesquisa de mercado, para começar com a fabricação em série dessas pílulas mágicas, você tomaria alguma destas pílulas?. Através destas pílulas imaginárias, descobri o quanto somos masoquistas e muitas vezes nem sabemos, ninguém por certo as tomaria. Será que Freud o famoso psicanalista inglês sabia ou torcia por algum time?

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