Gustavo Gumiero

Gustavo Gumiero

Gustavo Gumiero

Publicitário e doutorando em Sociologia pela Unicamp.

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Sábias palavras, Mariah!

Cara leitora, caro leitor, a cantora Mariah Carey, em uma entrevista para uma revista, declarou que “fomos socializados para acreditar que a pobreza é um fracasso pessoal, e não dos nossos sistemas”. É verdade, Mariah, além de uma grande cantora, sua frase pode ficar no hall dos grandes críticos do mundo moderno.
E mais ainda, Mariah, estamos sendo ensinados, bombardeados e catequisados com a cultura do empreendedorismo.
Essa tão alardeada cultura do empresarismo, do empreendedorismo, de que você precisa empreender a todo custo, tem ficado tão impregnada, e está tão relacionada ao dinheiro e aos valores dessa sociedade em que vivemos. Afirmam que o ser humano nasceu para vencer tudo e todos de qualquer maneira.
“Você tem que vencer, você tem que progredir”, e tudo mais. Progredir economicamente é a lei do nosso século. Mas os artifícios que o sistema emprega, fazem com que você nunca seja feliz, que sempre sinta falta de alguma coisa, pois são criadas cada vez mais “inecessidades” e experiências desnecessárias. Os que têm voz e são bajulados são os CEOS das companhias, aqueles que “deram certo”. A mídia e os agora chamados “digital influencers”, só fazem ecoar essa voz.
Quem quer empreender, ter sua própria empresa, ser sua própria empresa, pode ter as condições de fazê-lo: de entrar no “mercado”... Mas quem não quer não deveria ser obrigado a trabalhar, poderia receber uma renda de existência para simplesmente viver!
A verdade é que o ser humano não nasceu pra empreender, nasceu pra ser feliz, para buscar sua felicidade.
Como uma vez já bem escreveu o filósofo francês Michel Foucault (1926-1984), “É falso dizer que a existência concreta do homem é o trabalho. Os tempos e a vida do homem não são por natureza trabalho, mas prazeres, descontinuidade, festas, repouso, necessidades, instantes, acaso, violência etc. Porém, é toda essa energia explosiva que deve-se transformar em uma força de trabalho contínua e continuamente ofertada no mercado”.
Continuo com minha utopia, uma simples utopia: primeiro deveríamos cuidar dos que mais precisam de ajuda, de cuidados e de carinho, ou seja, aqueles com disfunções motoras ou cognitivas e suas respectivas famílias. Esses realmente precisam e que mal há em a sociedade ajudá-los através do Estado? Os pobres e os miseráveis também merecem atenção especial para ter uma existência digna.