Gustavo Gumiero

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Gustavo Gumiero

Publicitário e doutorando em Sociologia pela Unicamp.

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3ª Guerra Mundial

Cara leitora, caro leitor, 2020 trouxe à luz mais um tipo de guerra, a biológica. O “covid-19” apareceu como um vírus que resgatou uma característica marcante da sociedade disciplinar analisada pelo filósofo francês Michel Foucault: a restrição da circulação. O tempo do Corona pode ser comparado a um período de guerra: eventos esportivos cancelados ou com portões fechados, restrição ou impedimento de circulação, todos em casa, com medo, temor e pânico, mas nessa guerra não se vê o inimigo. Essa guerra não é uma batalha no sentido “guerreiro”, mas uma luta no sentido “biológico”: luta para não ser infectado pelo vírus, luta pela fabricação de uma vacina, luta pela sobrevivência frente ao pânico criado pela mídia. Pânico, aliás, desmedido diante da relação de infectados e letalidade do vírus com relação ao tamanho da população mundial – somos mais de 7 bilhões e quantos mil irá matar esse “temível e terrível” vírus?
Ao mesmo tempo, o mercado aparece como o “soberano”, aquele que tem de estar sempre vivo e bem de saúde, e segue com suas ameaças econômicas em nível mundial Além disso, as sugestões vindas dos especialistas: “o melhor nesse momento é ter paciência, pois já já as coisas voltam ao seu devido lugar, seu dinheiro volta a render na bolsa”.
O covid-19 exemplifica de que forma a máquina de guerra capitalista atua. O vírus não é uma invenção sua, mas a partir do momento em que ele se dispersa, ele é apropriado para ser feito de arma contra as populações, com o temor e ameaça que ele carrega, e sempre através da linguagem das finanças: as bolsas que caem, as necessidades de se realizar os ganhos etc. Mas o dinheiro circula ainda mais rápido, em busca de realizações de lucro, de especular e de ganhar.
Sim, uma verdadeira guerra no seio da população acontece.
No jogo das finanças mundial, só há um vencedor, personalizado na figura do capitalista coletivo, uma classe reduzida numericamente, mas nem por isso sem força, muito pelo contrário, possuindo todo o poder de decidir o futuro e a vida de bilhões de pessoas.
Aliado a essa classe, sem saber, o Estado participa ativamente dessas intervenções: ao poder soberano, exercido pelo chefe de Estado com sua decisão unilateral deve-se perguntar: onde está a democracia? Nesse momento, percebe-se que não há um plano mundial para a humanidade. É cada um por si, e “deus” por ninguém.
A crise é o modo de existência do capitalismo: de crise em crise, o abismo entre os pobres e ricos de estende. Agora mais uma para provar essa regra. De um lado, mais milhões de desempregados, do outro, menos de 50 pessoas possuindo uma grande parcela da riqueza mundial. E por aí vamos.
Vivemos a 3ª Guerra Mundial, a 1ª verdadeiramente do globo terrestre: todos os Estados em estado de guerra. Uma guerra financeira e biológica. Uma guerra no sentido “bélico” causaria menos pânico, pois o inimigo seria conhecido e o palco da guerra (territórios) também. Mas não gosto de nenhuma guerra, apesar de vivermos todas e cada vez mais em nossas vidas.

Gustavo Gumiero
@gustavogumiero
gustavogumiero.com.br