Felipe Zangari

Felipe Zangari

Jornalista e estudante de teologia pelo Centro Universitário Claretiano

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Bolsonaro e o espanto injustificável

Todos nós temos uma bolha de convivência – relacionamentos familiares, profissionais, acadêmicos, religiosos, virtuais. Certamente, você que lê estas linhas agora também tem a sua bolha. Pois bem. Na minha bolha de convivência eu percebi um fenômeno muito interessante de uns dois meses para cá: diminuiu muito o número de pessoas que dão a cara à tapa para manifestar o seu apoio ao presidente Bolsonaro. A militância que orbitou a figura do chefe do Executivo federal foi se esvaindo ao longo do tempo – um sinal claro de que fazem sentido os dados dos institutos de pesquisa que apontaram quedas na popularidade pessoal e na aprovação política do presidente.

Se me fosse possível identificar os motivos que levaram a essa redução de apoio, apontaria dois motivos: a economia do Brasil e o comportamento do presidente. Eu acompanho o noticiário político como jornalista desde o primeiro mandato de Lula. E aposto que, se a economia do país tivesse deslanchado desde a posse de Bolsonaro, a popularidade dele estaria muito maior. O desemprego insiste em se manter na casa dos 12%, a informalidade e a precarização do trabalho sufocam as famílias, o dinheiro sumiu das classes médias, o empresariado não se sente motivado a investir.

Resultado: as famílias não consomem, o comércio não vende, a indústria não produz. E os bancos? Esses, como sempre, lucram astronomicamente.

Você pode então se perguntar: mas esse cenário de desolação não viria no primeiro ano de governo de qualquer um que assumisse a Presidência? Com certeza, eu respondo. No entanto, esse cenário de estagnação e desesperança só está desenhado com tamanha gravidade por causa do temperamento e do comportamento de Bolsonaro. Não passa uma semana sem que o noticiário não seja dominado por uma fala inapropriada, um comentário preconceituoso, uma entrevista despropositada, uma grosseria de sua excelência – dentro ou fora do país. Sem falar nas atrocidades (de discurso e de prática política) cometidas pela maioria dos ministros de Estado – todos eles amparados pelo jeito falastrão do Presidente da República.

As conversas que tenho com muitos dos que votaram em Bolsonaro – na minha bolha de convivência – revelam que uma parcela do eleitorado dele está assustada com o fato de que ele não tirou o figurino de candidato verborrágico e machão que vestiu para vencer os dois turnos da eleição presidencial. A dura verdade é que o jeitão do presidente não era um simples traje. Esse perfil equino, que dá coices irracionais, está tatuado na personalidade do presidente. E agora o Brasil todo sofre com o fato de que a maioria do eleitorado não enxergou isso antes de parar em frente à urna eletrônica. Ou pior, lançou de propósito o país na insanidade, sabendo da insanidade deste senhor. A nação está em risco. Alegar espanto ou surpresa nessa altura do campeonato não cabe.

Aguentemos.