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Série de Reportagem Pedaço da Síria em Valinhos
O Brasil entra na rota dos refugiados da Guerra Civil na Síria. Segundo o Comitê Nacional para Refugiados (Conare) do Ministério da Justiça, desde 2010, aumentou em 127% o número de pessoas que buscam asilo político no país. São 8.863 refugiados de 79 nacionalidades, que envolvem sírios, angolanos, colombianos, congolenses, libaneses, iraquianos, liberianos, paquistaneses e cidadãos de Serra Leoa. Os números foram divulgados na terça-feira, 10.
Entre as famílias que buscam tranquilidade e uma oportunidade de reconstruir a vida devastada pela guerra na Síria está a de Yehya Mousa, de Zobaidah Oqla, Alma, mais um irmão de Oqla, um primo e um tio. O primeiro a chegar ao Brasil foi Mousa, em 11 de março de 2014. Eles estão em Valinhos há apenas três meses.
Os membros palestinos que viviam no país em campos de refúgio são de famílias expulsas de Israel em 1948 com a fundação do Estado.
“A Síria era o melhor lugar para se morar no Oriente Médio. Todos tinham profissão, mercadoria barata, qualidade de vida”, definiu Yehya Mousa, que é formado em mergulho profissional.
As condições favoráveis de moradia na Síria eram consideradas uma exceção comparada a campos de refúgio na Jordânia e no Líbano. O país oferecia estrutura mínima para os 8 mil palestinos refugiados com ruas asfaltadas, sistema de coleta de esgoto, energia elétrica e clínica médica e escola. O raio de cada campo ocupava uma extensão de 1,5 km² com uma capacidade máxima de 9 mil habitantes. Cada casa era ocupada por até 10 pessoas.
A alta taxa de alfabetização, de apenas 2% de analfabetos, provocou a formação de professores, engenheiros, médicos e soldados que trabalhavam no serviço público e participavam na formação da Síria. É o caso de Zobaidah Oqla, que tinha um emprego no Ministério das Finanças do país.
8.863
é o número de refugiados
de 79 países que estão
no Brasil
Líbano e Jordânia apresentam estabilidade política. Devido à interferência colonialista da França, os dois países tem como característica a preservação do equilíbrio demográfico. Ou seja, palestinos tanto na Jordânia como no Líbano eram vistos como árabes, o que poderia ocasionar na ruptura de uma estrutura política democrática deformada (entenda ao lado).
A guerra civil na Síria completou em 15 de março cinco anos e estima-se que já deixou 470 mil mortos, segundo o Centro Sírio para Pesquisa Política. A fragmentação dos dados mostra que 400 mil perderam a vida devido aos conflitos e outros 70 mil pereceram pela falta de água e atendimento médico. O número representa 11% da população da Síria, que é de 22.850 milhões, segundo o Banco Mundial.
O número de refugiados, de acordo com o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) trabalha com a hipótese de que 4.815.868 sírios deixaram o país desde o início dos conflitos. Alemanha, Áustria, Dinamarca, Líbano, Turquia, Jordânia e Iraque são os principais destinos.
Os primeiros alvos dos grupos terroristas no início da Guerra Civil foram os palestinos com o objetivo de desestabilizar o regime de Bashar al-Assad. As tentativas de assaltos, sequestros e atentados contra a população civil forçou a família a se separar do campo de Espena, em Damasco, para buscar segurança em Hamdam Um, também na capital síria.
A partir daí começa a caminhada de Yehya Mousa e de sua família para sobreviver aos conflitos na Síria.
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