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Entrevista Pr. Rui Mendes Faria

A Comunidade Evangélica Cristo Vive chega ao ano de 2016 completando 29 anos de fundação. Dos trabalhos iniciados na sala da casa do Pr. Rui Mendes Faria, no Bom Retiro, a igreja se espalhou por regiões do interior de São Paulo e rasgou as fronteiras chegando ao Rio Grande do Sul.
Carioca do bairro de Inhauma, no Complexo do Morro do Alemão, Rui Mendes Faria afirma que o principal desafio que encontrou nas quase três décadas de vida da Comunidade foi superar a perda da esposa, em 1995.

Folha de Valinhos: A Comunidade Cristo Vive chega aos 29 anos de atuação. Como o senhor avalia estas quase três décadas?
Pr. Rui mendes faria:
Um sucesso, uma bênção. Porque ela começou na sala da minha casa. A Cristo Vive não é uma igreja de tradição. Ela é uma igreja valinhense, que de Valinhos ela saiu para outras partes do Brasil. Hoje, nós somos 22 igrejas no Brasil, então para mim é um grande sucesso começar uma igreja já 29 anos no Bom Retiro, em um bairro de Valinhos, de casas populares, com quatro pessoas – eu, minha esposa e meus dois filhos. Ter uma igreja em Valinhos e Vinhedo beirando cerca de 1.200 pessoas é uma grande vitória.

Quais foram os desafios que o senhor encontrou neste caminho?
Foram vários. O primeiro é pessoal com a perda da minha mulher aos 40 anos de idade. Isso foi terrível porque neste momento, quando ela faleceu em 1995, eu cheguei a pensar em parar e desistir, mas eu encontrei força nos meus filhos para continuar. Passei a ser pai e mãe – costumo dizer que sou um “pãe”. Ali eu consegui continuar porque eu sou bem próximo aos meus filhos, e isso me fez amar muito mais pessoas. Nós não somos uma igreja que pensa em crescer para si mesmo, nós somos uma igreja social. Hoje, quem congrega com a gente me chama de “pai”, de “paistor”, e tem essa coisa gostosa de ser pai de uma grande quantidade de pessoas. Como você mesmo viu agora, nossa preocupação é com a cesta básica para aqueles que não tem, dar o conforto melhor para aqueles que congregam com a gente. (Nota: quando a reportagem chegou para conversar com o Pr. Rui, havia uma movimentação em sua sala para a compra de feijão por um preço mais barato para completar cestas básicas que seriam entregues por outros pastores da Cristo Vive).

O quanto esta dificuldade pessoal que o senhor passou com a perda da sua esposa fez com que amadurecesse espiritualmente?
Sabe, meu filho, no primeiro momento você recebe um baque, dá dez passos para trás. Depois você encontro forças naqueles que estão perto de você, os filhos passam a ser escudeiros. O que você procura encontrar são os verdadeiros amigos, e alguns permaneceram comigo, não foram muitos. Ninguém constrói nada sozinho, então na história da Cristo Vive tem muitos nomes nestas paredes que fizeram com que esta igreja acontecesse.

O senhor disse que a Cristo Vive começou na sala da sua casa. Como que esta semente começou a ser plantada?
Em 1987, nós começamos na sala de minha casa. Da sala de minha casa, fomos para uma área de uma casa na Vila Colega, cedida por um taxista que já faleceu. Da área da casa dele, nós alugamos um salão muito pequeno em Vinhedo. De Vinhedo, voltamos para Valinhos na Rua Maria Quitéria, atrás do Corpo do Bombeiros, onde nós estamos retornando para inaugurar o nosso quinto templo na região. Tivemos degraus. A vida da gente é feita por degrau, se você achar que vai construir rápido, já está errado. É uma semente que você planta na terra, vai regando, crescendo, e essa é a vida da gente. Nós não nascemos maduros, nós nos tornamos maduros mais tarde. Assim também é uma igreja.

O senhor já tinha a vontade de construir uma igreja para reunir fiéis?
Meu filho, eu nasci em um lar evangélico, eu tive uma mãe que me educou em um lar evangélico, mas eu nem sempre fui evangélico. Porque se tornar evangélico requer uma renúncia, e nós termos manias neste mundo. Eu bebia, fumava, jogava, adulterava e eu achava que isto estava bom para mim. Mas veio uma doença chamada neurocisticercose (doença da carne de porco) que me condenou à morte. Eu voltei ao Senhor Jesus, ao Deus da minha mãe. Ele me curou, não larguei mais e resolvi confessar o Deus da minha mãe como o único salvador e anunciá-lo. Eu também queria dizer que eu não sou prosélito. Eu não faço proselitismo com o evangelho, sou amigo dos padres, de muitos espíritas. Algumas pessoas caminham comigo pelo meu testemunho de vida, por aquilo que eu sou.

Quais trabalhos a Comunidade realiza com as pessoas carentes?
São diversas. Nós somos uma igreja social, então trabalhar o social é a parte mais forte. Eu não sei quantas igrejas de portas abertas existem como esta. Nós temos aqui departamentos que ficam o dia inteiro abertos. Aqui nós fazemos atendimento para drogados, depois levamos para uma clínica de recuperação. Cuidamos de vidas que vêm de outros setores da cidade, por exemplo, uma pessoa que precisa de cesta básica. Todo o dinheiro da comunidade revertemos para ajuda de pessoas porque esse dinheiro não é nosso. Então todo o dinheiro que entra das pessoas que acreditam, fazemos assistencialismo.

O senhor tem quantos colaboradores na Comunidade?
Eu não sei (risos). Mas eu posso dizer uma coisa para você, filho: são tantos. Pessoas que muitas vezes nós nem conhecemos chegam e nos ajudam de alguma forma sabendo do trabalho que nós fazemos. É uma coisa que não posso dizer nome, não posso dizer quantidade porque eu acho que magoaria muita gente. São tantos e eu agradeço a todos eles por terem acreditado no trabalho que Deus me deu ao longo de todo destes 29 anos.

Qual é a importância destes voluntários e colaboradores na construção da Cristo Vive?
Tudo o que nós fazemos na vida, meu filho, tem pessoas por de trás. Ninguém faz nada sozinho, nós somos apenas um maestro. Se você não pensar que tem uma batuta nas suas mãos, mas uma orquestra na sua frente, e se você não tiver a orquestra, só vai ter a batuta, você vai reger uma orquestra sem tê-la. Eu só tenho a batuta, e a orquestra são eles (voluntários e colaboradores). Quem faz, na verdade, é esse povo que está nos bastidores e que o nome não aparece. Na Comunidade Evangélica Cristo Vive, as pessoas conhecem o Pr. Rui, mas aqui tem o José, a Maria, o João, o Antônio, e esse povo é que faz toda a diferença para o crescimento desta igreja.

RAIO-X

Nascimento: Inhauma (RJ)
Nome: Rui Mendes Faria
Idade: 61 anos

 

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