Valinhos
Valinhos se despede de Luiz Bissoto, o prefeito que saneou a cidade e uniu gerações
Ex-prefeito por dois mandatos e vereador em seis legislaturas, o contabilista Luiz Bissoto faleceu aos 94 anos; visionário, ele fundou o DAEV, os Clubes de Mães e pôs fim a décadas de divisões políticas no município
O Legado do homem que olhou para o futuro
Valinhos amanheceu mais silenciosa neste sábado, 25 de abril. A cidade despede-se de uma de suas figuras públicas mais proeminentes e respeitadas: o ex-prefeito Luiz Bissoto, que faleceu na noite desta sexta-feira, aos 94 anos. Bissoto não foi apenas um gestor; foi o líder que, na virada da década de 1970, teve a coragem de romper com as históricas guerras políticas entre “paragatas” e “gravatinhas” para implementar um projeto de união que transformaria o destino do município.
O fim das perseguições e o “governo Cidade-Campo”
Eleito pela primeira vez em 1969, Bissoto assumiu a prefeitura em janeiro de 1970 ao lado de Arildo Antunes dos Santos. Juntos, os “jovens visionários” lançaram o “Governo Cidade-Campo”, uma estratégia para integrar as demandas urbanas ao potencial agrícola da época. Bissoto trazia consigo a experiência de dois mandatos como vereador (1963-1969), mas sua maior contribuição foi a pacificação política: sob seu comando, a máquina pública passou a trabalhar para todos, sem as distinções partidárias que travavam o crescimento local.
A revolução do saneamento e a criação do DAEV
Se Valinhos hoje ostenta posições de destaque em rankings nacionais de saneamento, deve-se à obstinação de Luiz Bissoto. Em 1970, ele enfrentou o desafio de eliminar as “fossas negras” e implantar a rede de esgotos, obra invisível e muitas vezes evitada por políticos por “ficar debaixo da terra”.
Para viabilizar os recursos, Bissoto fundou o Departamento de Águas e Esgotos de Valinhos (DAEV) em 1971. Ele mesmo recordava, com orgulho e emoção, as valas de quatro metros de profundidade abertas na Vila Santana e no Centro: “A cidade esperava por isso, ninguém reclamava do transtorno”, dizia em entrevistas recentes à Folha de Valinhos. Foi também em sua gestão que a justiça tarifária chegou com a instalação de hidrômetros em todas as residências.
O lado social: Clubes de Mães e autonomia feminina
O legado de Bissoto ultrapassou o asfalto e as tubulações. Em 11 de fevereiro de 1971, ele fundou oficialmente a Associação dos Clubes de Mães de Valinhos. O objetivo era tirar as donas de casa da invisibilidade e promover o fortalecimento comunitário. Recentemente, em janeiro de 2026, durante a 75ª Festa do Figo, o ex-prefeito foi homenageado pela entidade, um reconhecimento à sua sensibilidade social que atravessou décadas.
Uma vida dedicada ao legislativo
Após seus mandatos como prefeito (1970-1972 e 1977-1982), Luiz Bissoto demonstrou que sua vocação era servir, independentemente do cargo. Voltou à Câmara Municipal para cumprir mais quatro mandatos como vereador (1989-2004), somando seis passagens pelo Legislativo. Sua postura sempre foi marcada pelo diálogo; mesmo diante de críticas à ETE Capuava em seu segundo mandato, ele saía às ruas com seu Fusca e um megafone para explicar a importância do tratamento de esgoto aos moradores.
Luiz Bissoto parte deixando uma lição de perseverança e humildade. Como ele mesmo afirmou em seu discurso de 50 anos de vida pública: “A fé sem obras é morta”. Suas obras seguem vivas sob os pés de cada valinhense que usufrui de uma cidade saneada e planejada.
O velório de Luiz Bissoto ocorre neste sábado, dia 25, no Cemitério São João Batista, onde amigos, familiares e a comunidade valinhense prestam suas últimas homenagens ao eterno “prefeito do saneamento”.
Destaques:




