Saúde
Especialistas alertam para seletividade alimentar como parte do cuidado no autismo
No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, Conselho Federal de Nutrição destaca que dificuldades à mesa atingem até 89% das crianças com TEA e exigem suporte técnico
O momento das refeições, muitas vezes visto como um período de confraternização, pode se tornar um desafio complexo para famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Neste 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo, o Conselho Federal de Nutrição (CFN) alerta que a seletividade alimentar — a rejeição de alimentos por cor, textura, cheiro ou temperatura — atinge entre 46% e 89% das crianças dentro do espectro.
Diferente do que muitos acreditam, a restrição severa do cardápio não deve ser interpretada como uma “fase” ou “birra”. Segundo a literatura científica, ela é frequentemente uma manifestação de hipersensibilidade sensorial, rigidez comportamental ou queixas gastrointestinais, fatores que demandam uma abordagem técnica e individualizada.
O Papel do Nutricionista
A atuação do profissional de nutrição vai além da elaboração de dietas. O foco está em compreender os gatilhos sensoriais e clínicos que impedem a aceitação de novos alimentos, garantindo que o desenvolvimento cognitivo e imunológico não seja prejudicado pela falta de nutrientes essenciais.
“A atuação do nutricionista é indispensável, especialmente diante dos desafios alimentares. O profissional avalia riscos de deficiência e orienta estratégias para a ampliação gradual do repertório, respeitando o tempo de cada criança”, afirma Manuela Dolinsky, presidente do CFN.
Um ponto de atenção levantado pelo Conselho é a disseminação de dietas restritivas sem respaldo científico em redes sociais, como a exclusão indiscriminada de glúten ou caseína. O CFN adverte que retirar grupos alimentares inteiros sem um diagnóstico clínico específico (como a doença celíaca) pode comprometer gravemente o estado nutricional da criança.
Estratégias de acompanhamento incluem:
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Exposição gradual e lúdica a novos alimentos;
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Adaptação de texturas e preparações;
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Orientações específicas para o cotidiano familiar;
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Articulação interdisciplinar com psicólogos e terapeutas ocupacionais.
A data de hoje amplia a visibilidade para a necessidade de políticas públicas que incluam a assistência nutricional como pilar central do desenvolvimento infantil. Ao tratar a alimentação como parte estruturante do cuidado integral, é possível promover maior autonomia para a pessoa autista e reduzir as tensões silenciosas que cercam o prato de comida em milhares de lares brasileiros.
Fonte: Conselho Federal de Nutrição – CFN
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