Economia
Emprego feminino cresce 11% no Brasil, mas disparidade salarial com homens sobe
Crédito Victor Caiano/Divulgação
Relatório do Ministério do Trabalho aponta que, apesar da entrada de 800 mil novas trabalhadoras no mercado, mulheres ainda ganham significativamente menos que homens em empresas com mais de 100 funcionários
O mercado de trabalho brasileiro apresenta um cenário de contrastes para as mulheres em 2026. Segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta segunda-feira, dia 27 de abril, o número de mulheres empregadas saltou de 7,2 milhões para 8 milhões — um aumento de 11%. No entanto, a remuneração média feminina regrediu em comparação aos homens, com elas recebendo agora 21,3% a menos.
O levantamento, que abrange cerca de 53,5 mil estabelecimentos, revela que o avanço na ocupação foi impulsionado principalmente por mulheres negras e pardas, cuja presença no mercado cresceu expressivos 29%.
Radiografia da Desigualdade em Números
A persistência da lacuna salarial desafia a aplicação da Lei nº 14.611/2023, que busca a igualdade de remuneração. Confira os principais indicadores do relatório:
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Diferença Salarial Média: Mulheres ganham 21,3% menos (era 20,7% no relatório anterior).
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Salário Médio Nacional: R$ 4.594,89.
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Massa de Rendimentos: Embora ocupem 41,4% dos postos de trabalho, as mulheres detêm apenas 35,2% da massa salarial.
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Déficit Financeiro: Seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos femininos para equiparar sua participação na massa salarial à sua presença no emprego.
Diferenças Regionais e Políticas Internas
O relatório aponta que a desigualdade não é uniforme no território nacional. Estados como Acre e Piauí apresentam os menores abismos salariais, enquanto Espírito Santo e Rio de Janeiro figuram entre os mais desiguais.
Apesar dos dados salariais preocupantes, o MTE identificou avanços na gestão de pessoas. Houve um crescimento na adoção de políticas de jornada flexível, auxílio-creche e planos de cargos e salários bem definidos, sinalizando uma tentativa das empresas de oferecer ambientes mais acolhedores à maternidade e à carreira feminina.
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