Economia

Consumo nos supermercados brasileiros cresce 1,92% no primeiro trimestre

Páscoa e injeção de recursos do Bolsa Família e PIS/PASEP impulsionam vendas em março; cesta de produtos básicos sobe 2,20% no mês

O setor supermercadista brasileiro encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um balanço positivo. Segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) divulgados nesta quinta-feira, dia 23, o consumo registrou alta de 1,92% no acumulado do ano. O desempenho de março foi especialmente robusto, com um salto de 6,21% em relação a fevereiro, impulsionado pela antecipação das compras de Páscoa e pela entrada de recursos na economia.

A entidade destaca que a transferência de R$ 12,77 bilhões via Bolsa Família para 18,73 milhões de lares, somada à injeção de R$ 2,5 bilhões do PIS/PASEP, foi determinante para manter o ritmo de compras das famílias brasileiras.

Apesar do aumento no volume de vendas, o consumidor sentiu o peso da inflação nos itens de primeira necessidade. O indicador Abrasmercado, que monitora 35 produtos de largo consumo, subiu 2,20% em março, elevando o valor médio da cesta nacional de R$ 802,88 para R$ 820,54.

Principais altas e baixas de março:

  • Vilões do mês: Tomate (+20,31%), Cebola (+17,25%), Feijão (+15,40%) e Batata (+12,17%).

  • Proteínas: Ovos (+6,65%) e carne bovina traseira (+3,01%) subiram, enquanto o frango congelado recuou (-1,33%).

  • Alívio no bolso: Açúcar refinado (-2,98%), café moído (-1,28%) e óleo de soja (-0,70%) registraram queda.

Custo da cesta por região

O Sudeste, região onde Valinhos se insere, registrou uma alta de 2,20%, com o valor da cesta básica chegando a R$ 840,86. O Norte e o Sul do país permanecem como as regiões com o custo de vida alimentar mais elevado do Brasil.

Região Valor em Março (R$) Variação (%)
Norte R$ 890,93 +1,82%
Sul R$ 888,57 +1,92%
Sudeste R$ 840,86 +2,20%
Centro-Oeste R$ 766,96 +1,83%
Nordeste R$ 738,47 +2,49%

A expectativa da Abras é de manutenção da alta no consumo para os próximos meses. Dois fatores principais devem injetar liquidez no mercado interno:

  1. 13º do INSS: Antecipação de R$ 78,2 bilhões para aposentados e pensionistas a partir de 24 de abril.

  2. Restituição do Imposto de Renda: Primeiro lote previsto para o final de maio, somando cerca de R$ 16 bilhões.

Entretanto, o setor monitora com cautela os custos logísticos. “A alta do petróleo e o encarecimento do transporte elevam o custo de reposição, com potencial de repasse para os alimentos”, alerta Marcio Milan, vice-presidente da associação.

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