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13º salário deve injetar R$ 2,6 bilhões na economia de Campinas

O pagamento do 13º salário aos trabalhadores com carteira assinada deve movimentar até R$ 2,6 bilhões na economia de Campinas neste fim de ano, segundo estimativa do SindiVarejista de Campinas e Região.
O levantamento, baseado em dados da RAIS e do Novo Caged, considera cerca de 440 mil trabalhadores celetistas no município e o pagamento das duas parcelas do benefício, com vencimentos até 30 de novembro e 20 de dezembro.
O valor projetado representa alta de 5,8% na comparação com 2024.
A estimativa não inclui aposentados e pensionistas, que já receberam o benefício antecipadamente no primeiro semestre.
Para o economista Jaime Vasconcellos, do SindiVarejista, o recurso é essencial para estimular o consumo e ajudar famílias endividadas a reorganizarem as finanças.
“O alto nível de endividamento deve direcionar boa parte dos recursos para o pagamento de contas”, afirma.
Segundo o SindiVarejista, o 13º salário é aguardado como um alívio financeiro no fim do ano.
Os principais destinos do recurso são:
Quitar dívidas, em atraso ou não;
Comprar em datas como Black Friday, Natal e Réveillon;
Poupar para despesas de janeiro, como IPVA, IPTU e material escolar.
Dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio) mostram que 79,2% das famílias brasileiras estavam endividadas em setembro de 2025, e 30,5% tinham contas em atraso, o maior índice desde 2010.
Mesmo com o cenário de endividamento, o comércio varejista de Campinas deve ser beneficiado pela entrada do 13º salário.
Em dezembro de 2024, o faturamento do setor na região cresceu 18,1% sobre a média anual.
Os destaques foram:
Vestuário, tecidos e calçados: alta de 107%;
Eletrodomésticos e eletrônicos: crescimento de 54%.
Para Vasconcellos, o padrão deve se repetir em 2025, mas sem o mesmo ritmo de expansão.
“O aumento do faturamento não significa necessariamente mais lucro, pois os custos também sobem”, explica.
A presidente do SindiVarejista, Sanae Murayama Saito, ressalta que o setor ainda enfrenta desafios como juros altos, inflação persistente e inadimplência elevada.
Mesmo assim, o benefício continua sendo vital para o consumo local.
“A entrada sazonal do 13º é essencial para manter o dinamismo do varejo e sustentar o consumo das famílias campineiras”, destaca.
Instituído em 1962, o 13º salário — também chamado de gratificação natalina — é um direito trabalhista garantido pela CLT.
O pagamento ocorre em duas parcelas:
Primeira: até 30 de novembro;
Segunda: até 20 de dezembro, com descontos de IR e INSS.
O valor é proporcional aos meses trabalhados. Funcionários que atuaram por mais de 15 dias em um mês já têm direito a 1/12 da remuneração.


