Economia

Recorde de Débitos: 79,5% das famílias brasileiras estão endividadas

Apesar do patamar histórico de dívidas no cartão de crédito, inadimplência registra queda pelo terceiro mês consecutivo

O nível de endividamento no Brasil alcançou uma marca histórica em janeiro de 2026. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela CNC, 79,5% das famílias possuem dívidas a vencer. O índice iguala o recorde registrado em outubro do ano passado e reflete um aumento real em comparação aos 76,1% registrados em janeiro de 2025.

O paradoxo da inadimplência em queda

Curiosamente, embora o número de pessoas com contas a pagar tenha subido, a quantidade de famílias que não conseguiram honrar os compromissos no prazo caiu pelo terceiro mês seguido. A inadimplência fechou janeiro em 29,3%, vindo de uma trajetória de queda desde os 30,5% de outubro.

Especialistas da CNC explicam que a dívida, por si só, não é negativa, pois aquece o consumo. O sinal de alerta surge apenas quando a capacidade de pagamento é comprometida — cenário que, no momento, apresenta uma leve melhora.

O vilão do orçamento: Cartão de Crédito

O levantamento detalha onde estão concentrados os débitos dos brasileiros. O cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo endividamento, seguido por carnês e crédito pessoal:

  • Cartão de crédito: 85,4%

  • Carnês de loja: 15,9%

  • Crédito pessoal: 12,2%

  • Financiamento imobiliário: 9,6%

  • Financiamento de veículos: 8,7%

O comprometimento médio da renda familiar com essas contas é de 29,7%. Preocupa o fato de que uma em cada cinco famílias brasileiras já gasta mais da metade do que ganha apenas para pagar dívidas.

Impacto dos Juros e Selic

A dificuldade em quitar débitos é intensificada pela taxa Selic, atualmente em 15% ao ano — o maior patamar desde 2006. O Banco Central mantém os juros elevados para frear a inflação, mas o efeito colateral é o encarecimento do crédito ao consumidor.

Entretanto, há otimismo no horizonte. Com o IPCA voltando ao teto da meta (4,5%), o Banco Central sinalizou que começará a reduzir a Selic em março. “Provavelmente no início do terceiro trimestre as famílias devem se deparar com uma taxa de juros significativamente menor”, projeta o economista-chefe da CNC.

Projeções para o Primeiro Semestre:

  • Endividamento: Deve continuar subindo, podendo atingir 80,4% em junho.

  • Inadimplência: Tendência de queda, podendo recuar para 28,9% até o meio do ano.

  • Alvos: As famílias com renda até três salários mínimos (R$ 1.621) continuam sendo as mais afetadas, com 82,5% de endividamento.

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Economia

Gestão moderna: tecnologia preditiva como diferencial estratégico

Crédito Pexels

Saiba como o avanço das soluções inteligentes transforma processos, amplia previsões e fortalece a tomada de decisão nas empresas

Com a tecnologia em constante avanço, a corrida pela modernização na gestão de empresas também entra em pauta. E isso passa pela forma com que os dados são avaliados e pela maneira de se trabalhar com tecnologias cada vez mais novas e eficientes.

Um levantamento recente feito pela Sockeye mostrou que 70% das empresas industriais já veem a manutenção preditiva como uma prioridade estratégica para os negócios. Para 42%, a principal implementação dessa opção entra na intenção da redução do tempo de inatividade, garantindo até 50% de diminuição na duração de paradas fora de controle.

Outro destaque é a forma como ela prevê falhas. A tecnologia permite 85% de precisão nas prevenções, evitando imprevistos e, consequentemente, reduzindo custos.

Diversas novas tecnologias são lançadas para garantir essa melhora, e, dentro de um cenário cada vez mais competitivo, é essencial que as empresas compreendam a necessidade de implementar mecanismos que, além de organizarem e diminuírem os riscos, também auxiliem na antecipação de tendências.

A evolução da gestão e o papel da tecnologia preditiva

No modelo tradicional de gestão, a forma mais comum de solucionar os problemas empresariais e de produção é depois que eles acontecem. Ou seja, primeiro, há necessidade que ele se torne evidente, para que só depois seja possível buscar soluções e implementar novas maneiras de trabalho.

Com a evolução e o aprimoramento das ferramentas, os algoritmos passaram a realizar análises de dados com muito mais rapidez e eficiência. Outro ponto de destaque é que eles deixaram de se limitar apenas a bancos de dados com informações do passado.

Ou seja, a tecnologia preditiva é capaz de identificar padrões, projetando diversos cenários, comportamentos e tendências futuras. Isso garante um planejamento mais eficiente e antecipação para as tomadas de decisões, permitindo ainda um ajuste mais eficiente em tempo real.

Como aplicar tecnologia preditiva na gestão de empresas?

A adoção de tecnologia preditiva começa pela estruturação adequada dos dados. O sucesso para esse modelo funcionar é oferecer a maior quantidade de dados para análise. Quanto mais informações uma empresa deixar disponível, mais precisas serão as previsões.

Informações de vendas, estoques, produção, atendimento e finanças precisam ser organizadas para que os modelos analíticos funcionem corretamente. Integrar sistemas é outro passo essencial: plataformas desconectadas limitam o potencial.

Também é necessário investir na capacitação das equipes, garantindo que profissionais saibam interpretar e aplicar previsões no dia a dia. A combinação de dados consistentes, integração entre áreas e qualificação técnica fortalece a maturidade digital das organizações.

Pontos essenciais da implementação:

  • construção de uma base sólida de dados;

  • integração entre setores e sistemas internos;

  • definição de indicadores essenciais para análise;

  • treinamento contínuo das equipes;

  • revisão e atualização dos modelos de previsão.

Além disso, a implementação de ferramentas de soluções integradas pode ajudar na hora de consolidar e treinar informações, oferecendo projeções em tempo real. É o caso dos sistemas ERP com inteligência artificial, que atuam como importantes aliados dos gestores, pois reúnem dados de toda a organização.

Tendências de tecnologia em gestão empresarial

Apesar de os treinamentos com IAs, o crescimento dos modelos generativos e a possibilidade de prever cenários serem a grande tendência atual na gestão, diversos outros mecanismos estão entre as promessas para novos caminhos.

Entre as principais tendências tecnológicas da gestão empresarial, destacam-se:

  • expansão da IoT (Internet das Coisas) para monitoramento em tempo real;

  • crescimento de plataformas colaborativas entre setores;

  • fortalecimento de uma cultura organizacional orientada por dados;

  • sistemas sustentáveis.

Ou seja, é nítido que cada vez mais as empresas estão ampliando sua capacidade para reduzir a ineficiência e se adaptar rapidamente às mudanças exigidas pelo mercado.

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Economia

Carnaval 2026: São Paulo espera 4,7 milhões de turistas e R$ 7,3 bilhões na economia

Carnaval em São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, atrai mais de 150 foliões nos cinco dias de folia (foto: Ken Chu / Setur-SP)

O Carnaval 2026 em São Paulo promete bater recordes e consolidar o estado como um dos destinos mais procurados do Brasil. Segundo o Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), da Secretaria de Turismo e Viagens (Setur-SP), a expectativa é de que 4,7 milhões de visitantes circulem pelos destinos paulistas. Esse número representa um crescimento de 4,75% em comparação ao ano anterior, abrangendo litoral, capital e as estâncias turísticas do interior.

Impacto financeiro e ticket médio

A movimentação econômica direta para o período está estimada em R$ 7,3 bilhões. Esse montante é impulsionado pelo aumento do poder de consumo dos turistas, com um ticket médio projetado em R$ 1.543 por pessoa. O valor engloba gastos com hospedagem, alimentação, transporte e serviços diversos. Portanto, o setor de serviços e o comércio local devem ser os grandes beneficiados pela circulação de renda durante a folia.

Além do crescimento financeiro, a Setur-SP destaca que o impacto vai além dos grandes centros. A diversidade da oferta paulista valoriza as identidades locais e gera milhares de empregos temporários e fixos. Assim, o Carnaval se reafirma como um pilar essencial para o Produto Interno Bruto (PIB) do estado.

Sustentabilidade e preservação cultural

Um dado relevante do levantamento do CIET aponta que o Carnaval 2026 em São Paulo será marcado pela responsabilidade ambiental. Cerca de 88% dos municípios consultados desenvolvem ações de conscientização ambiental. Além disso, 90% das cidades adotam medidas para mitigar os impactos da festa sobre o patrimônio histórico e cultural.

As principais iniciativas incluem:

  • Estrutura: Instalação de banheiros ecológicos e reforço na coleta seletiva.

  • Proteção: Controle de acesso a áreas de preservação ambiental e histórica.

  • Tradição: 93% dos municípios utilizam a festa para resgatar e preservar tradições locais.

Planejamento integrado para a folia

O sucesso projetado para este ano é fruto de um planejamento integrado entre o Estado e os municípios. O foco em segurança e infraestrutura garante uma experiência positiva tanto para o folião quanto para o morador. De acordo com a Setur-SP, o objetivo é transformar o Carnaval em um evento democrático e distribuído por todo o território estadual, fortalecendo o trade turístico de ponta a ponta.

Em suma, o cenário para o Carnaval 2026 em São Paulo é de otimismo. Com foco em sustentabilidade e um ticket médio elevado, o estado demonstra que é possível aliar festa popular com desenvolvimento econômico responsável. A expectativa agora fica para a confirmação desses números, que devem ser consolidados após o encerramento dos festejos em março.

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Economia

Carros com valores de IPVA que mais despertam curiosidade dos brasileiros

Estudo identifica os modelos que mais geraram interesse nas buscas e mostra como o comportamento dos consumidores muda com a proximidade do calendário tributário

As consultas sobre IPVA voltam a ganhar força no ambiente digital. A atenção ao IPVA 2026 costuma aparecer com antecedência por fatores econômicos e comportamentais, já que muitos motoristas se planejam com antecedência para organizar o orçamento.

No mesmo período, em 2025, esse movimento ficou evidente. O tema recebeu mais atenção diante de mudanças de mercado, da valorização de alguns modelos e da busca por maior previsibilidade financeira.

Tradicionalmente uma das primeiras despesas do ano, o imposto tem impacto direto no orçamento familiar e estimula pesquisas, comparações entre estados e análises sobre o real custo de ter um carro no país.

Esse movimento explica por que o interesse não se concentra apenas em veículos populares. Modelos de diferentes faixas de preço, de carros de entrada a veículos avaliados em milhões de reais, aparecem nas pesquisas. O comportamento sugere que o consumidor tenta compreender o custo total de propriedade, somando imposto, seguro, manutenção e desvalorização, antes de decidir pela compra ou troca do veículo.

Nesse contexto, a Localiza Seminovos, referência na venda de veículos seminovos, realizou um estudo com base nas buscas do Google Brasil em dezembro de 2025 para entender quais tipos de carro tinham o valor de IPVA mais buscado pelos usuários.

O ranking revela uma combinação entre modelos de uso amplo nas ruas e carros esportivos que despertam curiosidade tanto por prestígio quanto pelo custo elevado de manutenção.

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O que o ranking indica sobre o interesse dos motoristas?

Os dados analisados mostram que a curiosidade sobre o imposto não se restringe a motoristas que planejam trocar de veículo. Ela abrange consumidores em busca de referência, comparação de valores ou simples interesse em compreender os custos de modelos muito conhecidos. O ranking inclui desde SUVs e picapes até veículos esportivos de alto desempenho, evidenciando como o IPVA funciona como parâmetro para medir o custo de propriedade no país.

Entre os pontos observados no levantamento, destacam-se:

  • o interesse pelo valor de veículos esportivos;

  • o interesse contínuo por SUVs, que hoje são uma categoria consolidada no mercado brasileiro;

  • modelos populares que mantêm a procura, em função da grande circulação nas ruas;

  • a entrada de veículos elétricos, refletindo o crescimento do segmento no país.

Essa variedade sugere que o IPVA tem sido usado não apenas como índice de custo anual, mas também como elemento de comparação entre diferentes categorias automotivas.

Como os motoristas podem economizar no pagamento do IPVA?

O IPVA 2026 segue sendo uma despesa relevante no início do ano, mas muitos motoristas brasileiros podem reduzir esse custo ao optar pelo pagamento em cota única. Em diversos estados, há descontos que variam, em média, de 3% a 15% para quem paga à vista, percentual que muda conforme a regra local. Esse abatimento imediato costuma gerar dúvidas e buscas, justamente por impactar diretamente o orçamento anual.

Na prática, a diferença aparece rápido na conta. Imagine um IPVA de R$ 2.000: com 10% de desconto na cota única, o valor cai para R$ 1.800, uma economia de R$ 200 em relação ao parcelamento, que normalmente não oferece abatimento. Mesmo em estados com desconto menor, como 3%, o imposto cairia para R$ 1.940, poupando R$ 60 de forma garantida.

Embora o parcelamento ajude a diluir o pagamento ao longo de alguns meses, ele elimina a chance de desconto e mantém o valor cheio do imposto. Por isso, para quem consegue se planejar e pagar à vista, a quitação antecipada do IPVA costuma ser a opção mais econômica, liberando recursos que podem fazer diferença em outras despesas ao longo do ano.

Diferenças de alíquota por estado

Um dos fatores que mais chamam atenção é a disparidade entre as alíquotas praticadas pelos estados. Como o IPVA é um imposto estadual, cada unidade da federação define o percentual aplicado sobre o valor venal do veículo, geralmente com base na Tabela Fipe.

Na prática, isso faz com que o mesmo carro tenha custos muito diferentes dependendo de onde está registrado. Estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro aplicam alíquotas próximas de 4% para carros de passeio, o teto praticado no país. Já no Paraná, a taxa gira em torno de 1,9%, menos da metade do percentual cobrado nos estados com IPVA mais elevado.

Para ilustrar a diferença, considere um veículo avaliado em R$ 80 mil. Em São Paulo, o IPVA pode chegar a R$ 3.200. No Paraná, esse valor cai para cerca de R$ 1.520. A diferença ultrapassa R$ 1.600 em um único ano, apenas por conta da política tributária estadual.

Estados como Bahia, Goiás e Rio Grande do Sul adotam alíquotas intermediárias, que variam entre 2,5% e 3,75%. Nesses casos, o mesmo carro de R$ 80 mil teria um IPVA entre R$ 2.000 e R$ 3.000, posicionando esses estados em uma faixa de custo médio para o proprietário.

Planejamento financeiro guia o comportamento do consumidor

O crescimento das buscas pelo valor do IPVA mostra um consumidor mais atento e estratégico. Em um mercado cada vez mais diversificado, que reúne carros elétricos, híbridos, SUVs, esportivos e modelos de entrada, entender o impacto do imposto se tornou parte essencial da decisão de compra.

Mais do que curiosidade, a pesquisa reflete uma tentativa de previsibilidade. Saber quanto se paga de IPVA, em qual estado o custo é maior e como reduzir esse valor ajuda o motorista a tomar decisões mais conscientes e alinhadas ao próprio orçamento.

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Economia

Exportações de Campinas superam US$ 1 bilhão em 2025

“O crescimento das exportações mostra a capacidade das empresas locais de acessar mercados internacionais”, diz secretaria – Foto: Carlos Bassan\PMC

As exportações de Campinas foram puxadas por itens de maior valor agregado. Em 2025, o principal grupo exportado foi o de reatores nucleares, caldeiras, máquinas e instrumentos mecânicos

Campinas fechou 2025 com forte desempenho no comércio exterior. As exportações do município cresceram 21% no ano. O valor negociado superou a marca de US$ 1 bilhão.

Ao todo, foram exportados US$ 1,190 bilhão. Em 2024, o volume havia sido de US$ 983,8 milhões. O resultado confirma a expansão da atividade industrial local.

O levantamento é da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação. Os dados têm como base o sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O MDIC é o órgão federal responsável por registrar operações de exportação e importação no país. Essas informações servem como referência oficial do comércio exterior brasileiro.

As exportações de Campinas foram puxadas por itens de maior valor agregado. Em 2025, o principal grupo exportado foi o de reatores nucleares, caldeiras, máquinas e instrumentos mecânicos.

Esse segmento respondeu por 22,5% do total exportado. Na sequência aparecem os combustíveis minerais e óleos minerais, com 17,5%.

Outros setores de destaque

Também tiveram participação relevante:

  • Borracha e suas obras: 12,8%

  • Máquinas, aparelhos e materiais elétricos: 10,6%

  • Algodão: 9,5%

Segundo a secretaria, esses cinco grupos concentraram cerca de 73% das exportações do município.

Para o economista Matheus Ifanger Albrecht, o resultado revela um padrão claro. “Juntos, esses grupos evidenciam uma pauta marcada por bens manufaturados de maior intensidade tecnológica”, afirmou.

Ele explica que há combinação entre produtos industriais, commodities energéticas e agrícolas.
Esse perfil fortalece a inserção internacional da cidade.

As importações de Campinas somaram US$ 3,380 bilhões em 2025.
O volume representa queda de 4,4% em relação a 2024.

No ano anterior, o município havia importado US$ 3,537 bilhões.
Com isso, o déficit da balança comercial caiu 14,2%.

O déficit ocorre quando um município importa mais do que exporta. Em 2025, o saldo negativo foi de US$ 2,190 bilhões.

Em 2024, o déficit havia sido de US$ 2,553 bilhões. A redução corresponde a cerca de US$ 363 milhões.

Para a secretária Adriana Flosi, os números vão além das estatísticas. “O crescimento das exportações mostra a competitividade da indústria de Campinas”, destacou.

Segundo ela, o avanço se reflete em mais produção, empregos e renda. Também contribui para um ambiente econômico mais estável.

Fonte: Redação / Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação

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Economia

Acordo Mercosul-UE deve entrar em vigor no 2º semestre, diz Alckmin

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Vice-presidente participou do programa Bom Dia, Ministro
Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse nesta quinta-feira, dia 15, que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) deve entrar em vigor no segundo semestre deste ano: “Um acordo que, há 25 anos, era trabalhado, mas nunca saía. Finalmente, [será] assinado no sábado (17).”

“Assinado, o Parlamento Europeu aprova sua lei e nós, no Brasil, aprovamos a lei, internalizando o acordo. A gente espera que aprove a lei ainda neste primeiro semestre e que tenhamos, no segundo semestre, a vigência do acordo. Aí, ele entra imediatamente em vigência.”

Em entrevista a emissoras de rádio durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Alckmin avaliou que o acordo entre Mercosul e União Europeia é o maior acordo entre blocos do mundo, envolvendo 720 milhões de pessoas e US$ 22 trilhões de mercado.

“São cinco países no Mercosul [Brasil Argentina, Paraguai, Uruguai e, agora, Bolívia]. E a União Europeia, com 27 países dos mais ricos do mundo. Isso significa comércio: vamos vender mais para eles. Zerar a tarifa, então você tem livre comércio – mas livre comércio com regras. Também vamos comprar mais deles.”

“Ganha a sociedade, comprando produtos mais baratos e de melhor qualidade. Comércio exterior, hoje, é emprego na veia. Tem determinadas empresas que, se não exportarem, elas fecham. O mercado interno não é suficiente”, completou o ministro.

Alckmin ainda classificou o acordo como um exemplo para o mundo:

“Em um momento de instabilidade política, de geopolítica com guerras em vários lugares, de protecionismo exacerbado, você dá o exemplo de que é possível, através do diálogo e da negociação, fortalecer o multilateralismo e ter livre comércio.”

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Economia

Verão e calor elevam expectativas de bares e restaurantes da região de Campinas

Segundo o especialista, investir na qualificação dos funcionários é essencial. O objetivo é aproveitar o potencial do verão

A chegada do verão e das altas temperaturas animou empreendedores de bares e restaurantes da Região de Campinas.
A estação começou oficialmente no fim de dezembro.

Donos de estabelecimentos esperam aumento do movimento e crescimento do faturamento nos próximos meses.
O cenário é impulsionado pelo calor, pelas férias e pelo avanço do turismo.

Especialistas apontam que o verão 2024/2025 deve registrar temperaturas acima da média.

Segundo especialistas do clima, a estação pode ter veranicos e ondas de calor.
Esses fatores costumam estimular o consumo em bares e restaurantes.

Além do clima, indicadores do turismo reforçam a expectativa positiva do setor.
O aumento das viagens tende a elevar a circulação de pessoas na região.

O consumo fora do lar costuma crescer nesse período.

Dados da Pesquisa Mensal de Serviços indicam crescimento do setor turístico.
Em outubro, o índice de atividades turísticas subiu 0,8% em relação a setembro.

Foi o terceiro resultado positivo consecutivo.
No período, o segmento acumulou alta de 2,1%.

Os números apontam uma retomada consistente da demanda ligada ao turismo.

Para André Mandetta, presidente da Abrasel Regional Campinas, o momento é favorável.
Ele destaca a combinação de fatores econômicos e sazonais.

“Esses números, aliados ao período de férias, ao pagamento do 13º salário e à onda de calor na região de Campinas desenham um cenário favorável”, afirma.

Segundo Mandetta, a expectativa é de aumento do consumo em bares e restaurantes.

O presidente da Abrasel Regional Campinas cita dados recentes da entidade.
A pesquisa mostra confiança dos empreendedores.

“Levantamento da Abrasel indica que 81% dos empresários esperam faturar mais no final de 2025 do que no mesmo período do ano anterior”, destaca.

O resultado reforça o clima de otimismo no setor de alimentação fora do lar.

Com a intensificação das viagens, a expectativa é de mais clientes nos próximos meses.
O impacto da sazonalidade é tradicional no setor.

José Eduardo Camargo, líder de Conteúdo da Abrasel, ressalta o papel do turismo.
Segundo ele, o verão costuma elevar o fluxo de consumidores.

“O verão é um período de maior movimento, especialmente em destinos turísticos”, avalia.

Camargo destaca que o aumento da demanda exige planejamento.
A experiência do consumidor é decisiva para o retorno ao estabelecimento.

“O crescimento só se converte em fidelização quando há decisões estratégicas”, afirma.

Ele cita organização da operação e capacitação das equipes como pontos-chave.

Segundo o especialista, investir na qualificação dos funcionários é essencial. O objetivo é aproveitar o potencial do verão.

“O planejamento fortalece a relação com o consumidor no médio e longo prazo”, conclui.

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Economia

Alta de 28,6% nas exportações para a China compensa tarifaço americano

Vendas para os Estados Unidos caíram 25% desde agosto, mostra FGV
Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil
O avanço das exportações brasileiras para a China compensou a queda causada pelo tarifaço americano, iniciado em agosto, com sobretaxa de até 50% sobre as vendas brasileiras para os Estados Unidos.

De agosto a novembro, o valor das exportações para a China cresceu 28,6% em relação ao mesmo período de 2024, ao passo que o das destinadas aos Estados Unidos recuou 25,1%.

Comportamento parecido é observado em relação ao volume das vendas externas. Quando o destino são os portos e aeroportos chineses, a expansão chega a 30%. Já para os Estados Unidos, queda de 23,5%.

O que diferencia o comportamento dos valores e dos volumes é o preço dos produtos exportados.

Os dados fazem parte do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O estudo é uma análise dos dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

A China é o principal parceiro comercial do Brasil, à frente dos Estados Unidos. De acordo com o Icomex, a participação da China, que recebe cerca de 30% das exportações brasileiras, contribuiu para compensar a queda das vendas para os Estados Unidos.

“[O presidente americano Donald] Trump superestimou a capacidade dos Estados Unidos em provocar danos gerais às exportações brasileiras”, afirma o relatório.

Setores impactados

Os setores que tiveram os maiores tombos na exportação para os Estados Unidos no período de agosto a novembro foram:

  • Extração de minerais não-metálicos: -72,9%
  • Fabricação de bebidas: -65,7%
  • Fabricação de produtos do fumo: -65,7%
  • Extração de minerais metálicos: -65,3%
  • Produção florestal: -60,2%
  • Fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos: -51,2%
  • Fabricação de produtos de madeira: -49,4%

Comportamento anual

A pesquisa da FGV nota que o volume de vendas para os Estados Unidos cresceu seguidamente de abril a julho, sempre que a comparação é com o mesmo mês de 2024. No entanto, com a entrada em vigor do tarifaço, se seguiram quatro meses de retração.

Variação no volume de exportação para os Estados Unidos em 2025, na comparação com o mesmo mês de 2024:

  • Abril: +13,3%
  • Maio: +9%
  • Junho: +8,5%
  • Julho: +6,7%
  • Agosto: -12,7%
  • Setembro: -16,6%
  • Outubro: -35,3%
  • Novembro: -28%

Já as exportações para a China apresentaram um salto depois que o tarifaço começou:

  • Abril: +6,4%
  • Maio: +8,1%
  • Junho: +10,3%
  • Julho: −0,3%
  • Agosto: +32,7%
  • Setembro: +15,2%
  • Outubro: +32,7%
  • Novembro: +42,8%

A pesquisadora associada do Ibre/FGV Lia Valls aponta que um dos fatores que levaram ao avanço das exportações chinesas foi o embarque de soja, que ficou concentrado neste segundo semestre.

“Na hora que está caindo a exportação para os Estados Unidos, foi o momento que começou a aumentar mais a exportação para a China e teve um impacto na exportação global do país”, explicou à Agência Brasil.

No acumulado até novembro, o aumento das exportações totais do Brasil foi de 4,3% em relação aos mesmos 11 meses de 2024.

Argentina

O Icomex mostra também o desempenho das exportações para o nosso terceiro principal parceiro comercial, a Argentina. De agosto a novembro, as vendas para o país cresceram 5% em valor e 7,8% em volume, em relação ao mesmo período do ano passado.

Lia Valls pontua que esse aumento não é determinante para compensar efeitos dos tarifaços.

“A participação da Argentina na pauta brasileira é muito pequena. A Argentina é muito focada na exportação de automóveis, e a gente praticamente não exporta automóveis para os Estados Unidos”, assinala.

Entenda o tarifaço

O tarifaço do presidente americano, Donald Trump, entrou em vigor em agosto de 2025. Ao elevar taxas sobre produtos importados, o governo dos Estados Unidos afirma que pretende proteger a economia americana, já que, com taxação, os americanos tendem a fabricar produtos localmente em vez de adquiri-los no exterior.

No caso Brasil, que sofreu com uma das maiores taxas, o presidente americano chegou a alegar também que se tratava de retaliação ao tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que Trump considerava ser perseguido, antes de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro de 2025, por tentativa de golpe de Estado.

Desde então, os governos brasileiro e americano negociam formas de buscar acordos para a parceria comercial, inclusive com conversas diretas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No último dia 20, Trump retirou taxação adicional de 40% em cima de 269 produtos, sendo 249 do setor da agropecuária, como carnes e café.

“Os efeitos dessa remoção só ficarão visíveis a partir de dezembro e janeiro”, aponta o Icomex.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, calcula que 22% das exportações para os Estados Unidos permanecem sujeitas às sobretaxas.

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Economia

Warner recomenda rejeição de oferta da Paramount e mantém fusão com Netflix

Warner diz que seguirá adiante com a fusão com a Netflix Foto: Robyn Beck/AFP

Em comunicado, a Warner afirmou que a proposta da Paramount “não atende aos critérios” exigidos

A Warner Bros. Discovery orientou seus acionistas a rejeitar uma oferta de compra.
A proposta foi apresentada pela Paramount Skydance.

A recomendação foi unânime no conselho de administração.
Segundo a empresa, a oferta é inadequada e envolve riscos elevados.

O posicionamento ocorre em meio à disputa pela compra do grupo de mídia.
A Warner reafirma que seguirá com a fusão já anunciada com a Netflix.

Em comunicado, a Warner afirmou que a proposta da Paramount “não atende aos critérios” exigidos.
Esses critérios constam no acordo de fusão firmado com a Netflix no início de dezembro.

A empresa destacou que o contrato com a Netflix é vinculante.
Isso significa que há compromissos legais que podem ser executados.

Já a oferta rival foi classificada como não vinculante.
Segundo a Warner, ela pode ser alterada ou encerrada a qualquer momento.

Conselho vê riscos e valor inadequado

O presidente do conselho, Samuel A. Di Piazza Jr., comentou a decisão.
Ele afirmou que houve uma “avaliação cuidadosa” da proposta.

Segundo Di Piazza Jr., a oferta da Paramount tem valor insuficiente.
Além disso, impõe riscos e custos significativos aos acionistas.

O conselho reforçou que a fusão com a Netflix oferece benefícios mais claros.
Entre eles, maior previsibilidade e valor considerado superior.

Críticas ao financiamento da Paramount Skydance

Outro ponto central foi a estrutura financeira da proposta rival.
A Warner questionou a solidez do financiamento apresentado.

Segundo a empresa, a família Ellison não ofereceu um backstop de capital.
O termo se refere a uma garantia financeira para sustentar a operação.

De acordo com o conselho, essa garantia nunca foi formalmente apresentada.
Isso aumenta a incerteza sobre a execução da proposta.

Impacto bilionário para acionistas

A Warner alertou para possíveis custos adicionais.
Aceitar a proposta da Paramount poderia gerar gastos de cerca de US$ 4,3 bilhões.

Esse valor inclui multa de rescisão e despesas financeiras.
O impacto estimado seria de US$ 1,66 por ação.

Segundo a empresa, esse cenário representaria prejuízo potencial aos investidores.
Por isso, o conselho reforça a recomendação de rejeição.

Riscos regulatórios não diferem, diz Warner

O comunicado também abordou questões regulatórias.
O conselho afirmou não ver diferença material entre as duas transações.

Segundo a Warner, tanto a proposta da Paramount quanto a fusão com a Netflix enfrentam riscos semelhantes.
Esse fator, portanto, não justificaria a troca de estratégia.

A empresa reiterou confiança no caminho já escolhido.
E confirmou que seguirá com a fusão com a Netflix.

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Economia

Padronização para horário de entrada e saída de hotéis começa a valer

© Tânia Rêgo/Agência Brasil
Portaria do Ministério do Turismo deu 90 dias para se ajustar a regras
Fabíola Sinimbú – repórter da Agência Brasil
Começaram a valer nesta terça-feira, dia 16, as novas regras para entrada e saída (check-in e check-out) de hóspedes em hotéis brasileiros. A mudança, promovida pelo Ministério do Turismo (MTur), define que a diária cobre 24 horas, dentro das quais os hotéis têm três horas para a arrumação dos quartos.

A regra permite que os hotéis definam seus próprios horários de check-in e check-out dentro desses critérios, e essas informações devem ser comunicadas ao hóspede de forma clara e prévia, tanto pelos hotéis como pelas agências de turismo e as plataformas digitais intermediárias de reservas.

A medida foi modificada por meio de uma portaria do MTur publicada em setembro, com prazo de 90 dias para vigorar.

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Manoel Linhares, a prática já era adotada pelas redes de hotéis usualmente, mas havia um pedido do setor para que o assunto fosse regulamentado e incluído nas últimas mudanças promovidas na Lei Geral do Turismo.

“São três horas de intervalo entre as saídas e entradas dos hóspedes, para que nossos colaboradores tenham tempo de preparar a hospedagem e para que a gente possa receber melhor. Isso no Brasil já era de praxe, mas, com a regulamentação exata, serve para tirar qualquer dúvida”, explica.

Além das três horas de intervalo para limpeza da hospedagem, a regulamentação também flexibiliza a cobrança de tarifas diferenciadas para entrada antecipada ou saída postergada e detalha a comunicação sobre horários e frequência dos serviços de arrumação, higiene e limpeza da unidade habitacional.

Por meio de nota, a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), que reúne agências de viagens e operadoras, avaliou de forma positiva a regulamentação do tema.

“A definição objetiva do período de hospedagem ajuda a alinhar expectativas do viajante no momento da compra e reduz ruídos na comercialização de pacotes turísticos, trazendo mais segurança para toda a cadeia”, destaca.

Além de maior transparência, a flexibilização quanto às tarifas diferenciadas permite ajustes conforme a disponibilidade de cada meio de hospedagem informa a nota da Abav.

“Embora a adaptação possa exigir ajustes, especialmente para pequenos empreendimentos, a entidade entende que a medida acompanha práticas já adotadas internacionalmente e contribui para a modernização e competitividade do turismo brasileiro”, conclui.

Registro de Hóspedes

As mudanças promovidas pelo MTur incluem ainda a adoção do novo modelo digital da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH), em substituição ao modelo de papel. A portaria que trata do assunto foi publicada em novembro, com prazo de 90 dias para começar a valer em 13 de fevereiro.

Com a adoção da nova ferramenta, os estabelecimentos terão um QR Code, com link para a página de pré-check-in, que poderão ser preenchidas pelos hóspedes. No momento de entrada, o estabelecimento só precisará conferir os dados com os documentos apresentados.

“Fica o check-in mais tranquilo, tanto para a hotelaria como para o hóspede que, na sua chegada, já vem de um voo cansativo e, às vezes, pega um grupo e fica em uma fila esperando para preencher uma ficha, aquela coisa toda”, afirma Manoel Linhares.

A versão digital da ficha ficará também disponível na Plataforma FNRH Digital, com outras funcionalidades, como elaboração de relatórios analíticos, módulo de reservas e módulo de consulta para os hóspedes.

Demandas

De acordo com Manoel Linhares, as mudanças são regulamentações importantes para o setor, mas ainda há demandas a serem incluídas nas leis que tratam do turismo no país, como a regulamentação de aplicativos de hospedagem, como os que alugam imóveis por temporada.

“Nós, hoteleiros, geramos emprego e temos uma carga tributária muito alta, como é do conhecimento de todos. Nós temos a responsabilidade de dar o melhor aos nossos hóspedes, desde o check-in ao check-out. E o que acontece? Esses aplicativos não ficam nem no Brasil, então a operação é desigual”, avalia.

A demanda é antiga, mas com o surgimento de diferentes plataformas e o impacto sentido pelo setor, a avaliação da ABIH é de urgência.

“Só em Fortaleza, do ano passado para cá, fecharam seis hotéis. Se nós não tivermos essa demanda, vão fechar muitos hotéis, como já estão fechando no Brasil todo”, conclui Linhares.

A reportagem da Agência Brasil entrou em contato com a assessoria do MTur sobre a regulamentação das plataformas para locação de imóveis por temporada. Até a publicação, não houve resposta. O espaço permanece aberto.

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