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STF mantém decisão sobre perda do mandato de Zambelli

Hugo Motta deverá dar posse ao suplente em de 48 horas
André Richter – Repórter da Agência Brasil

Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter a decisão do ministro Alexandre de Moraes que anulou a votação da Câmara dos Deputados que rejeitou a cassação e manteve o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP).

A liminar foi proferida nesta quinta-feira, dia 11, e referendada hoje pelo colegiado. A votação começou às 11h e foi finalizada por volta das 16h, com o último voto, que foi dado pela ministra Cármen Lúcia.

O placar final foi de 4 votos a 0. Também votaram pela manutenção da decisão os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Moraes, relator do caso.

Suplente 

Com a decisão final do STF sobre a questão, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), deverá dar posse ao suplente de Zambelli, Adilson Barroso (PL-SP), no prazo de 48 horas.

Na última quarta-feira (10), a Câmara decidiu manter o mandato da deputadaO placar da votação foi de 227 votos a favor e 110 contra. Eram necessários 257 votos para aprovação da cassação.

Diante da deliberação que manteve o mandato da parlamentar, Alexandre de Moraes decidiu anular a resolução da Casa que oficializou o resultado da votação.

O ministro disse que a decisão é inconstitucional. No entendimento de Moraes, a Constituição definiu que cabe ao Poder Judiciário determinar a perda do mandato de parlamentar condenado por decisão transitada em julgado, cabendo à Câmara somente “declarar a perda do mandato”.

Fuga

Em julho deste ano, Zambelli foi presa em Roma, na Itália, onde tentava escapar do cumprimento de um mandado de prisão emitido pelo ministro Alexandre de Moraes.

Por ter dupla cidadania, a deputada deixou o Brasil em busca de asilo político em terras italianas após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023.

De acordo com as investigações, Zambelli foi a autora intelectual da invasão para emissão de um mandado falso de prisão contra Alexandre de Moraes.

Segundo as investigações, o hackeamento foi executado por Walter Delgatti, que também foi condenado e confirmou ter realizado o trabalho a mando da parlamentar.

Em agosto, a parlamentar foi mais uma vez condenada pelo Supremo, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

O caso está relacionado ao episódio em que ela perseguiu um homem de arma em punho pelas ruas de São Paulo, pouco antes do segundo turno das eleições de 2022.

Após a fuga para a Itália, o governo brasileiro solicitou a extradição da parlamentar para o Brasil.

O pedido de extradição foi oficializado no dia 11 de junho pelo STF.  Em seguida, a solicitação foi enviada pelo Itamaraty ao governo italiano.

A decisão final sobre o processo de extradição será tomada durante uma audiência que será realizada pela Justiça italiana na próxima quinta-feira (18).

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Terremoto de 6,7 atinge o norte do Japão e acende alerta de tsunami

Sismo da segunda-feira, 8, provocou incêndios e deixou ao menos 50 feridos. Foto: Japan OUT/AFP

O país vive uma sequência de sismos desde segunda-feira, 8, quando um terremoto de magnitude 7,5 deixou ao menos 50 pessoas feridas e provocou incêndios na mesma região

Um terremoto de magnitude 6,7 atingiu o norte do Japão na manhã desta sexta-feira, 12.
O tremor levou à emissão de um alerta de tsunami para áreas da costa do Pacífico.
Até o momento, não há registro de mortos ou feridos.

O país vive uma sequência de sismos desde segunda-feira, 8, quando um terremoto de magnitude 7,5 deixou ao menos 50 pessoas feridas e provocou incêndios na mesma região.

O novo sismo ocorreu na costa leste da província de Aomori, no norte de Honshu.
Honshu é a principal ilha do Japão, onde ficam cidades como Tóquio e Sendai.

A Agência Meteorológica do Japão (JMA) informou que o fenômeno ocorreu às 11h44, no horário local.
A profundidade do foco foi de 20 quilômetros, o que caracteriza um terremoto raso, tipo de tremor que costuma gerar vibrações mais fortes na superfície.

Alerta de tsunami para o norte do Pacífico

Segundo a JMA, ondas de até um metro podem atingir a costa norte do Pacífico.
As áreas sob alerta incluem as províncias de Hokkaido, Aomori, Iwate e Miyagi.

A agência explicou que o alerta significa risco imediato para regiões litorâneas.
O objetivo é orientar evacuações rápidas e monitoramento contínuo, mesmo quando o impacto estimado é baixo.

Aumento do risco sísmico

Depois do terremoto de magnitude 7,5 na segunda-feira, houve aumento rápido do risco de outro evento maior.
As autoridades chegaram a considerar a possibilidade de um sismo de magnitude 8 e de um novo tsunami.

Essa faixa de risco se estendeu por boa parte da costa nordeste japonesa, de Chiba, ao leste de Tóquio, até a ilha de Hokkaido.

A JMA orientou moradores de 182 municípios a se manterem preparados para emergências ao longo da semana.
A agência reforçou que o aviso não significava previsão de um grande terremoto, mas sim uma medida preventiva.

Os tremores recentes ocorrem na mesma área atingida em 2011.
Naquele ano, um terremoto de magnitude 9,0 gerou um tsunami que matou quase 20 mil pessoas.
O desastre também destruiu a usina nuclear de Fukushima, evento considerado o pior acidente nuclear desde Chernobyl.

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ONGs alertam para riscos na exportação de animais vivos do Brasil

A crise envolvendo o navio Spiridon II reacendeu a pressão sobre a exportação de animais vivos. O caso, que deixou quase três mil vacas retidas por meses, foi alvo de fortes críticas na audiência pública realizada em Brasília. ONGs afirmam que o país mantém práticas arriscadas, enquanto o mundo avança para proibições.

O Brasil lidera as exportações globais de bois vivos. Mas denúncias de maus-tratos, riscos sanitários e impactos ambientais elevam a tensão entre governo, setor produtivo e entidades de proteção animal.

Problemas no transporte marítimo de animais

Há três semanas, o Spiridon II só conseguiu desembarcar sua carga na Turquia após longo impasse. O país havia rejeitado o navio por falhas sanitárias e de identificação. Relatos incluíram carcaças no convés, mau cheiro intenso, falta de água e de alimento.

Na audiência, a Mercy For Animals afirmou que o ambiente a bordo causa sofrimento severo. O diretor George Sturaro explicou que fatores como calor, superlotação e balanço do mar debilitam o sistema imunológico dos animais.
Segundo ele, isso favorece doenças infecciosas e piora a mortalidade.

Sturaro também alertou para a falta de assistência veterinária e para o estado antigo das embarcações, que aumenta o risco de naufrágios. Outro problema citado é a poluição provocada pelos caminhões que transportam os bois até os portos.

“Fezes e urina caem dos caminhões e impregnam o ar dos municípios”, disse o diretor. “Isso afeta a saúde pública, o comércio e o turismo.”

Ele lembrou que Santos e Belém já deixaram o circuito de exportação por causa desses impactos.

Audiência reúne entidades e debate legislação

O debate foi requerido pela deputada Duda Salabert (PDT-MG). Participaram o Grupo de Trabalho Animal da Frente Parlamentar Ambientalista, o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, a Gaia Libertas, a ANDA e o Movimento Nacional Não Exporte Vidas.

Dados do Comex Stat mostram que, em 2025, o Brasil embarcou 952 mil bois até novembro. O número deve ultrapassar 1 milhão até o fim de dezembro.

No Congresso, dois projetos tentam desestimular o comércio. O PLP 23/2024, de Luciene Cavalcante (PSOL-SP), propõe acabar com a isenção de ICMS. Já o PL 786/2024, de Nilto Tatto (PT-SP), prevê a cobrança de imposto de exportação sobre animais vivos.

Posicionamento do governo

A diretora de Proteção Animal do Ministério do Meio Ambiente, Vanessa Negrini, disse que a pasta tem feito manifestações técnicas contra a prática. Ela criticou uma emenda da Frente Parlamentar da Agropecuária ao PL 347/2003.

Segundo Negrini, a mudança cria um “regime jurídico de exceção”, ao retirar atividades produtivas da proteção da lei de crimes ambientais.
Ela alerta que isso pode normalizar práticas que causem dor e sofrimento evitáveis.

Tendência global de proibir o transporte de animais vivos

A Mercy For Animals lembrou que vários países já proibiram o comércio por mar. Índia, Nova Zelândia, Reino Unido, Alemanha e Luxemburgo adotaram restrições entre 2018 e 2024. A Austrália, um dos maiores exportadores da história, anunciou o fim para ovinos em 2024.

Na América do Sul, Argentina, Equador e Uruguai discutem projetos semelhantes. Este último suspendeu as exportações em 2025 por impactos econômicos.

“O Brasil está na contramão”, disse Sturaro. “Exportamos empregos e reduzimos a arrecadação.”

Estudo aponta ganhos econômicos com carne processada

Pesquisadores da UEMG e da UFRJ calcularam os efeitos de uma possível mudança. O estudo mostra que substituir bois vivos por carne processada pode gerar até R$ 1,9 bilhão em valor agregado.
A mudança também ampliaria o emprego formal em até 7.200 vagas e aumentaria a arrecadação em até R$ 610 milhões.

Sturaro afirma que a exportação de bois vivos prejudica o mercado interno. Ele explica que o envio de animais reduz a oferta e encarece a matéria-prima.
O diretor também diz que, quando o país importador compra animais e carne do Brasil, o segundo produto perde competitividade.

Para ele, se o Brasil abandonar o modelo, nenhum país terá capacidade de ocupar o mesmo espaço. Com isso, a tendência seria o aumento das compras de carne refrigerada.

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Destaque Slider Brasil e Mundo

Brasil terá novas regras para proteger crianças nas redes em 2026

A Austrália já começou a proibir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais.
O Brasil seguirá outro caminho, mas com mudanças profundas. A partir de março de 2026, plataformas e lojas de aplicativos terão novas obrigações para proteger crianças e adolescentes online.

As regras fazem parte do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), aprovado em setembro. O texto ficou conhecido como Lei Felca, após a repercussão de um vídeo viral sobre adultização.

O que muda com o ECA Digital

O Brasil não proibirá o uso de redes por menores de 16 anos.
Mas imporá dois eixos centrais:

  • Verificação de idade obrigatória (sem autodeclaração).

  • Vinculação da conta de menores de 16 anos aos responsáveis.

Segundo o ECA Digital, as plataformas devem adotar medidas para impedir o acesso de jovens a conteúdos prejudiciais, como pornografia, violência, exploração sexual e jogos de azar.

Fim do “Clique em Sim, tenho 18 anos”

O mecanismo mais comum hoje — a autodeclaração — será proibido.
Com isso, some o recurso que podia ser burlado em segundos.

O Reino Unido já aplica regra semelhante. Após adotar verificação mais rígida, o site Pornhub perdeu 47% da audiência.

No Brasil, o Ministério da Justiça definirá o grau de rigor. Quanto maior o risco, mais forte o controle.

Como será feita a verificação de idade

As plataformas poderão usar diferentes ferramentas. Entre elas:

  • Análise de comportamento, que estima a faixa etária pela navegação.

  • Selfie para análise facial, que define idade aproximada.

  • Envio de documentos, como CPF, que registra idade exata.

Para Luiz Felipe Monteiro, da Unico, a privacidade deve ser preservada. Ele cita a “prova de conhecimento zero”, método em que o sistema apenas confirma uma idade mínima, sem revelar dados do usuário.

Quem é responsável pela checagem

A verificação de idade será feita em dois níveis:

  • Lojas de aplicativos (Play Store, App Store).

  • Sistemas operacionais (Android, iOS, Windows).

Os aplicativos também deverão reforçar barreiras internas, especialmente quando o usuário acessar áreas com conteúdo impróprio.

O monitoramento ficará a cargo da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Penalidades para plataformas

Empresas que não seguirem o ECA Digital podem sofrer:

  • Advertência

  • Multa de até 10% do faturamento ou R$ 50 milhões por infração

  • Suspensão

  • Proibição de operar no Brasil

Outras regras da lei

Além da verificação de idade, o ECA Digital:

  • Proíbe loot boxes em jogos voltados a menores.

  • Veta publicidade segmentada para crianças e adolescentes.

  • Impede monetização de conteúdo erotizado envolvendo menores.

  • Exige ferramentas de supervisão parental acessíveis e eficazes.

  • Obriga plataformas a informar autoridades sobre exploração sexual, sequestro e aliciamento.

  • Pede relatórios semestrais para plataformas com mais de 1 milhão de usuários.

Verificação não basta, dizem especialistas

Para Maria Mello, do Instituto Alana, a checagem de idade é importante, mas insuficiente sozinha.
Ela defende ações integradas de proteção e educação midiática, previstas no ECA Digital.

Ricardo de Lins e Horta, do Ministério da Justiça, afirma que o objetivo é engajar famílias. A vinculação de contas busca aproximar pais e responsáveis da rotina digital dos jovens.

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Crimes recentes mostram grave cenário de violência contra a mulher

© Tânia Rêgo/Agência Brasil
Capital paulista bate recorde de feminicídio em 2025
Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil
“A luta pela dignidade das mulheres e igualdade de gênero passa pela criação de uma cultura jurídica emancipatória e de reconhecimento de direitos de todas as mulheres e meninas.” A conclusão é da advogada Luciane Mezarobba, que atua em Curitiba e atualmente atende exclusivamente mulheres.

Dois casos de violência contra a mulher, na capital paulista, tiveram grande repercussão na última semana. No último sábado, dia 29, uma mulher de 31 anos teve as pernas severamente mutiladas após ser atropelada e arrastada, por cerca de um quilômetro, enquanto ainda estava presa embaixo do veículo. Na segunda-feira (1º), um homem atirou, usando duas armas, contra sua ex-companheira na pastelaria em que ela trabalhava.

O delegado da Polícia Civil de São Paulo Fernando Barbosa Bossa, responsável pela investigação que levou à prisão do autor do atropelamento, classificou a ocorrência como tentativa de feminicídio, sem possibilidade de defesa da vítima e com requintes de crueldade. Neste caso, a vítima teve as pernas amputadas devido à gravidade das lesões e segue internada em um hospital da cidade.

Para a advogada, é preciso atacar o problema em duas frentes: nas políticas públicas e na cena privada. “O maior exemplo vem do poder público, em primeiro lugar, pelo reconhecimento da existência de desigualdades estruturais e profundas entre os gêneros, passando pela construção coletiva de políticas públicas que ataquem estas desigualdades, de políticas afirmativas e antidiscriminatórias da posição da mulher na sociedade”, disse.

Entre as políticas que acolhem demandas básicas que acabam recaindo sobre as mulheres, ela citou a construção de creches e escolas em período integral, que possibilitem às mulheres trabalhar enquanto seus filhos estão seguros.

“No âmbito do Poder Judiciário, a implementação, pelo CNJ [Conselho Nacional de Justiça], do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero tem se mostrado ferramenta valiosa para os operadores do Direito, preocupados com a superação dessa trágica realidade”, lembrou Mezarobba.

O objetivo do protocolo é orientar o Judiciário a considerar o papel das desigualdades estruturais nos julgamentos de conflitos que envolvam mulheres.

Para a advogada, o problema não é a ausência de leis sobre a questão. O crime de feminicídio, por exemplo, tem pena de 20 a 40 anos de reclusão. Nem a possibilidade de permanecer 40 anos encarcerado vem inibindo os homens de assassinar suas companheiras, parceiras e namoradas, disse.

“É preciso, sim, que o Estado viabilize a justa punição aos homens agressores de mulheres. Isso passa pelo enfrentamento às redes de ódio e misoginia que pululam nas redes sociais, não raro sob o discurso de ‘liberdade de expressão’ e sob anonimato.”

A situação, diz a advogada, precisa ser encarada, enfrentada e punida com o rigor da lei.

Em relação à esfera privada, Mezarobba aponta a importância da educação emancipatória e não machista. “Uma educação que não perpetue os estereótipos de gênero, de divisão sexual das tarefas domésticas, construindo espaços de igualdade de direitos e deveres entre os filhos, a mãe e o pai”, disse.

“Mensagens profundas que nos são incutidas desde a infância, de que o espaço privado, do lar, é para as mulheres, e os espaços públicos e de poder são para os homens, devem sim ser combatidas no seio das famílias”, acrescentou a advogada.

Histórico de desigualdade

Psicóloga e pesquisadora da Universidade de Brasília (Unb), Maisa Guimarães explica que, historicamente, a desigualdade entre homens e mulheres foi validada socialmente e formalmente pelas legislações e pelas instituições, o que se reflete hoje ainda em uma cultura de muito privilégio concedido aos homens e de muitas opressões sobre as mulheres.

“Quando a gente fala dessa desigualdade de poder, não é só na dimensão da cultura, de como as pessoas se relacionam por um senso comum. A gente também está falando de uma cultura institucional, uma história política, legislativa, que por séculos no Brasil concedeu direitos a homens e negou direitos às mulheres”, disse.

A pesquisadora lembra que a ideia da igualdade de poder e direitos iguais entre homens e mulheres é uma postura política muito recente na história brasileira. “Só a partir do Estatuto da Mulher Casada, que é do final da década de 60, que se entendeu que uma mulher casada era civilmente capaz de exercer direitos básicos como escolher o [próprio] trabalho”, mencionou.

O atual cenário de violência contra a mulher no país remonta ainda a uma tradição patriarcal, que impõe hierarquias estruturais, mantendo as mulheres em uma situação de subordinação aos homens, conforme apontou Luciane Mezarobba. Além disso, quando o agressor é alguém próximo, as pessoas no entorno, e a própria vítima, ignoram os riscos.

Mezarobba explica que existem diversas formas de violência doméstica e familiar, e quase nunca o agressor começa pela mais gravosa. A Lei Maria da Penha indica as seguintes formas de agressão: a violência física; a violência psicológica; a violência sexual; a violência patrimonial; e a violência moral.

“As agressões tendem a escalar, a partir da certeza da impunidade e da visão, infelizmente ainda socialmente aceita, de que ‘em briga de mulher, ninguém mete a colher’ ou de que o homem tem poderes conferidos pelo patriarcado sobre o corpo e vida da mulher”, disse a advogada.

Recorde de feminicídio em SP

Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) revelam que entre janeiro e outubro de 2025 foram registrados 53 casos de feminicídio na capital paulista. Este é o maior índice anual desde 2018 (início da série histórica), mesmo sem contabilizar ainda os dados de novembro e dezembro.

Desde janeiro deste ano, 207 mulheres foram mortas em todo o estado de São Paulo, vítimas de feminicídio. Apenas em outubro, foram 22 vítimas desse tipo de crime e outras 5.838 mulheres que sofreram lesão corporal dolosa.

Feminicídio é o homicídio de uma mulher cometido em razão do seu gênero, caracterizado por violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação contra a condição feminina. É considerado a expressão máxima da violência de gênero e ocorre frequentemente como desfecho de um histórico de agressões, podendo ser motivado por ódio, inferiorização ou sentimento de posse sobre a vítima. No Brasil, é considerado um crime hediondo e, quando tipificado como qualificador do homicídio, a pena é de reclusão de 12 a 30 anos.

Em relação aos dados sobre feminicídio, a pesquisadora Maisa Guimarães avalia que há um esforço político atualmente para minimizar a subnotificação dos casos e para a aplicação de protocolos de investigação sobre mortes violentas de mulheres, considerando o feminicídio como a primeira opção a ser investigada.

“Essas políticas públicas proporcionam maior visualização e visibilização da problemática, que antes existia, mas era subnotificada.”

Ela acrescenta, no entanto, que um aumento dos casos de agressão e dos feminicídios também reflete um agravamento das violências que as mulheres têm sofrido. Um dos fatores é a forma como os homens têm resistido e recusado a ampliação dos direitos das mulheres, como, por exemplo, o direito de escolher com quem elas querem se relacionar.

“Não é só que [o homem agressor] não aceita se separar, ele não aceita que [a mulher] tenha decisão sobre a vida dela própria. É uma recusa à alteridade, ao direito das mulheres fazerem escolhas e viverem a própria vida como elas gostariam. É uma recusa masculina de sair desse lugar de exigência e de dominação sobre o que acham que as mulheres deveriam fazer, desejar, escolher”, afirmou a pesquisadora.

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Advogado afirma que recorrerá da decisão que prendeu Bolsonaro

© Valter Campanato/Agência Brasil
Vilardi diz que prisão pode colocar em risco a vida do ex-presidente
Agência Brasil

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, diz – em nota – que a prisão preventiva decretada na manhã de hoje, “causa profunda perplexidade”. O advogado Celso Vilardi afirma que Bolsonaro foi preso em casa, com tornozeleira eletrônica, e que estava sendo vigiado por autoridades. 

Vilardi enfatiza que o estado de saúde de Jair Bolsonaro “é delicado e sua prisão pode colocar sua vida em risco”. Ele diz, ainda, que a defesa vai apresentar o recurso cabível.

Acrescenta que a prisão está “calcada em uma vigília de orações. A Constituição de 1988, com acerto, garante o direito de reunião a todos, em especial para garantir a liberdade religiosa”.

Prisão preventiva

prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro foi realizada em cumprimento a uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, por conta da convocação de vigília, neste sábado (22), nas proximidades da residência onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar.

Segundo Moraes, a reunião poderia causar tumulto e até mesmo facilitar “eventual tentativa de fuga do réu”.

O ministro do STF afirma que o Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou a ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico de Bolsonaro na madrugada deste sábado.

“A informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”, acrescenta.

Trama golpista

Condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal do Núcleo 1 da trama golpista, Bolsonaro e os demais réus podem ter as penas executadas nas próximas semanas.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto, determinada após o descumprimento de medidas cautelares fixadas pelo STF. Ele estava usando tornozeleira eletrônica e proibido de acessar embaixadas e consulados, de manter contato com embaixadores e autoridades estrangeiras e de utilizar redes sociais, direta ou indiretamente, inclusive por intermédio de terceiros.

 

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Lançamento de foguete sul-coreano em Alcântara é adiado

Nova data prevista para a tentativa inicial é 17 de dezembro

A Agência Espacial Brasileira (AEB) anunciou, nesta sexta-feira, dia 21, que a janela de lançamento do foguete sul-coreano Hanbit-Nano, da empresa Innospace, foi estendida até 22 de dezembro. A primeira tentativa, antes prevista para este sábado (22), agora está programada para ocorrer em 17 de dezembro, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.

A operação — chamada Spaceward — é coordenada pela AEB em parceria com a Força Aérea Brasileira (FAB). Segundo o órgão, um lançamento bem-sucedido representará a entrada do Brasil no mercado global de lançamentos espaciais, abrindo novas perspectivas para investimentos, renda e desenvolvimento tecnológico no país.

Sobre o foguete

O Hanbit-Nano tem:

  • 21,8 m de altura,

  • 1,4 m de diâmetro,

  • cerca de 20 toneladas,
    e foi projetado para colocar até 90 quilos de carga útil em órbita a 500 km da Terra.

Trata-se de um veículo de dois estágios com propulsão híbrida.

  • Primeiro estágio: motor híbrido de 25 toneladas de empuxo, usando combustível sólido de base parafínica e oxidante líquido — uma combinação que oferece simplicidade, baixo custo e segurança.

  • Segundo estágio: pode operar com o motor híbrido HyPER ou com o motor LiMER, alimentado por metano líquido.

O veículo conta ainda com um Sistema de Terminação de Voo (FTS), que permite interromper o lançamento imediatamente em caso de anomalias.

O projeto envolveu 247 profissionais, entre eles 102 engenheiros de dedicação exclusiva.

Cargas a bordo

O foguete transportará oito cargas, sendo sete brasileiras e uma estrangeira. Entre elas:

  • FloripaSat-2A e FloripaSat-2B – nanossatélites desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC);

  • SNI-GNSS – Sistema de Navegação Inercial criado por um consórcio entre as empresas Concert Space, Cron e Horuseye Tech;

  • PION-BR2 – Cientistas de Alcântara – satélite educacional da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em parceria com AEB, PNUD e a startup PION.

O programa Cientistas de Alcântara incentiva jovens maranhenses a se aproximarem da ciência e da tecnologia espacial.

Segundo a coordenação da operação, testes recentes apontaram a necessidade de aprimoramentos nos sistemas de aviônica.
O coordenador-geral, Rogério Moreira Cazo, destacou que ajustes dessa natureza são comuns em lançamentos inaugurais.

A prorrogação também permitirá otimizar o processamento dos sinais coletados pelo veículo, fundamentais para a análise de desempenho durante o voo.

O diretor do CLA, Clóvis Martins, afirmou que a decisão foi tomada “com base em avaliações técnicas” e reforçou que a entrada do Brasil no mercado de lançamentos espaciais trará ganhos econômicos e tecnológicos ao país.

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Lula desembarca na África do Sul para participar da Cúpula do G20

Debate sobre terras raras será um dos destaques da edição deste ano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta sexta-feira, dia 21, em Joanesburgo, na África do Sul, para participar da Cúpula de Líderes do G20. Em publicação nas redes sociais, Lula destacou o lema da edição de 2025 — Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade — alinhado às prioridades do Brasil e do Sul Global.

O país integra a troika do G20 ao lado da África do Sul e dos Estados Unidos, o que garante participação estratégica nas discussões. A presidência sul-africana estabeleceu quatro temas centrais: resiliência a desastres, sustentabilidade da dívida pública, financiamento para transição energética justa e minerais críticos — incluindo terras raras — como motores de desenvolvimento econômico.

A cúpula, que resultará em uma declaração final dos líderes, também deverá apresentar princípios para a extração responsável de minerais estratégicos. Sessões temáticas ao longo do sábado e domingo tratarão de crescimento sustentável, comércio, clima, segurança alimentar, riscos de desastres, transição energética, trabalho decente e inteligência artificial.

À margem do evento, Lula terá reuniões bilaterais e participará de encontro do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas).

Visita a Moçambique

Após o G20, Lula segue para Maputo na segunda-feira (24), em celebração aos 50 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Moçambique. A agenda inclui revisão de projetos de cooperação, fórum empresarial com até 200 participantes e a assinatura de novos acordos. Lula será recebido pelo presidente Daniel Chapo e deve receber o título de doutor honoris causa da Universidade Pedagógica de Maputo. O retorno ao Brasil está previsto para o final do dia.

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Paraná registrou três tornados com ventos de até 330 km/h

© Ari Dias/AEN
Equipe segue com estudos e análises de outras ocorrências suspeitas
Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil
O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou nesta segunda-feira, dia 10, que pelo menos três tornados atingiram o interior do estado durante as tempestades registradas na última sexta-feira, 7).

“As análises começaram logo após a ocorrência, com estudo dos dados de radar e das primeiras fotos e vídeos feitas pelas equipes de resgate no município e enviadas pela defesa civil”, informou o Simepar.

Além de Rio Bonito do Iguaçu, que registrou um tornado de categoria F3 na escala Fujita, os municípios de Turvo e de Guarapoava também registraram o fenômeno, ambos na categoria F2.

De acordo com o Simepar, em Rio Bonito do Iguaçu, os ventos chegaram a 330 quilômetros por hora (km/h), o topo da categoria F3. Em Turvo, os ventos foram estimados entre 180 km/h e 200 km/h e, em Turvo, superiores a 200 km/h.

“Além dos três tornados já confirmados, a equipe segue realizando estudos e análises de outras ocorrências suspeitas”, completou o órgão.

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Governador visita gabinete de crise da Defesa Civil em meio a alerta de temporais em SP

Governador Tarcísio de Freitas no CGE da Defesa Civil. Foto: Governo de São Paulo/Divulgação

 

Órgão estadual monitora situação meteorológica, com previsão de ventos podem ultrapassar 100 km/h

 

Agência SP

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visitou o gabinete de crise montado no Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE) da Defesa Civil do Estado por conta das previsões meteorológicas neste sábado (08). O órgão emitiu alertas Cell Broadcast para a população sobre a possibilidade de chuvas e rajadas de vento fortes neste fim de semana. Na Grande São Paulo e no litoral paulista, os ventos podem ultrapassar os 100 km/h.

“Estamos acompanhando de perto as fortes chuvas e ventos que atingem o Estado de São Paulo. Nosso foco é dar todo o suporte à população e nos antecipar a qualquer situação de risco. A Defesa Civil de São Paulo já emitiu alertas em diversas regiões e está preparada para agir e prestar todo tipo de apoio necessário”, disse Tarcísio.

Até o momento, as maiores rajadas de vento em São Paulo ficaram em 109 km/h na região de São José dos Campos, 93 km/h na região de Ourinhos e 80 km/h na Região Metropolitana.

As precipitações se concentram atualmente nas regiões de Ribeirão Preto, Franca, Campinas, São José dos Campos, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte. Para as próximas horas, a previsão é de condições para pancadas de chuva moderada e rajadas de vento moderadas a fortes, podendo atingir valores superiores à 70 km/h, principalmente no leste paulista, região onde a Defesa Civil recomenda atenção redobtrada.

O governador também se solidarizou com a situação do Paraná, onde ventos de até 250 km/h causaram destruição. “O Governo de São Paulo está à disposição para ajudar no que for preciso e prestar todo o apoio às vítimas dessa tragédia. Contem com nossas orações e com nossa solidariedade. Vocês não estão sozinhos”, escreveu em sua rede social.

Previsão do tempo em São Paulo

Ao longo deste sábado, ainda há condições para pancadas de chuva fortes e raios em quase todas as regiões do estado.

Vale do Ribeira e Baixada Santista: chuva fraca a moderada isolada, com possibilidade de rajadas de vento.

Litoral e Serra do Mar: risco de rajadas que podem ultrapassar 100 km/h.

Grande São Paulo, Sorocaba, Vale do Paraíba e sul da região de Campinas: ventos de até 90 km/h ao longo do dia.

À noite, o ciclone extratropical começa a se afastar, os ventos perdem força e as instabilidades se dissipam em grande parte do estado.

O domingo (09) deve ser de chuva fraca na capital, Baixada Santista e Litoral Norte. No interior de São Paulo, o dia inicia encoberto. À tarde, o tempo abre no interior, mas ainda entre muitas nuvens. Já na faixa leste, o céu permanece nublado, com ocorrência de garoas. Os ventos ficam mais calmos, com rajadas em torno de 40 km/h.

As temperaturas seguem amenas: na capital, a mínima será de 15°C e a máxima de 21°C. No interior, os termômetros não caem tanto — em Bauru, a mínima será de 17°C e a máxima de 26°C.

Recomendações à população em caso de temporais

Evite áreas arborizadas e não estacione veículos sob árvores;

Recolha objetos soltos em varandas e quintais;

Durante tempestades com raios, evite áreas abertas, estruturas metálicas e contato com água;

Nunca atravesse áreas alagadas;

Se um fio energizado cair sobre o veículo, permaneça dentro do carro e acione o Corpo de Bombeiros;

Em caso de emergência, acione imediatamente a Defesa Civil (199) ou o Corpo de Bombeiros (193);

Acompanhe atualizações pelos canais oficiais e cadastre seu celular para receber alertas enviando o CEP por SMS para 40199.

Gabinete de Crise mobilizado

Para garantir pronta resposta às ocorrências relacionadas às tempestades, todo o Sistema Estadual de Defesa Civil estará em prontidão, e a Defesa Civil mobiliza o gabinete de crise desde esse sábado (8) — dia com maior potencial de tempo severo no Estado.

Instituições como o Corpo de Bombeiros, ARSESP, ARTESP, Fundo Social, SP Águas, Sabesp e concessionárias de energia e gás estarão reunidas no Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Defesa Civil estadual.

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