Brasil e Mundo

Mutirão em Ilha Grande encontra lixo vindo de outros países

© Inea/Divulgação
É um problema com dimensões globais, diz engenheiro Cleber Ferreira
Rafael Cardoso – Repórter da Agência Brasil
Um mutirão, realizado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) do Rio de Janeiro em parceria com a ONG Somos Natureza, identificou resíduos sólidos em Ilha Grande que vieram da China, Argentina e Etiópia. Entre os materiais encontrados estão garrafas pet e embalagens de chá.

O engenheiro ambiental e diretor de Biodiversidade, Áreas Protegidas e Ecossistemas do Inea, Cleber Ferreira, afirma que o problema é global, mas causa grandes efeitos locais. Ele explica que as pessoas descartam esses resíduos de forma incorreta e eles acabam chegando a rios, mares e lagoas, formando verdadeiras ilhas de lixo no oceano. Esses resíduos se desprendem e chegam às praias, inclusive no litoral brasileiro.

Entre os dias 13 e 16 de julho, as equipes retiraram 242 kg de materiais recicláveis que chegaram às praias por meio de correntes marítimas. Os trabalhadores usaram as mãos, uma mão mecânica e uma ecopeneira. Eles organizaram o material e o levaram para cooperativas de reciclagem em Angra dos Reis.

Riscos à biodiversidade

Lixos como plástico e vidro representam riscos para a biodiversidade local. Tartarugas e aves marinhas podem ingerir o plástico, o que causa sufocamento e morte. Já o vidro pode levar mais de 4 mil anos para se decompor.

Ferreira lamenta o aumento significativo do lixo e os prejuízos que ele causa à fauna. Ele acredita que, independentemente de quantas operações de limpeza eles realizem, sempre encontrarão grandes quantidades de resíduos.

A parceria entre o Inea e a Somos Natureza prevê mutirões mensais em Ilha Grande, com a participação de voluntários. A última ação, que teve turistas de São Paulo, Espanha, Argentina e Islândia, também serviu para que os participantes compartilhassem suas experiências de combate à poluição marinha.

O secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi, destaca que todos os países precisam avançar nas políticas de controle e destinação correta de resíduos. Ele diz que, apesar de não ter controle sobre o lixo que chega do exterior, o estado atua diretamente na coleta e destinação. Rossi considera gratificante ver visitantes estrangeiros participando da missão de conservação.

A Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul

A reserva é uma unidade de conservação de 3.309,63 hectares que abrange várias áreas, incluindo a Ponta da Escada e a Serra do Papagaio. Ela é a única no Rio de Janeiro que possui todos os ecossistemas litorâneos. O Inea informa que o local só permite atividades de pesquisa científica e educação ambiental, e a visitação recreativa não é autorizada, já que o objetivo da reserva é preservar a biodiversidade e sítios arqueológicos.

Leia https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-07/pescadores-tiram-46-toneladas-de-lixo-em-baias-de-guanabara-e-sepetiba

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