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Guerra em Gaza: o conflito mais letal para jornalistas na história
Para ilustrar, esse número supera a soma de mortes de jornalistas em sete conflitos importantes: as 1ª e 2ª Guerras Mundiais, a Guerra Civil Americana, a Guerra do Vietnã (incluindo Camboja e Laos), e os conflitos na Síria, Iugoslávia e Ucrânia. Certamente, a Universidade de Brown, nos Estados Unidos, corrobora essa realidade, concluindo que a guerra em Gaza “é, simplesmente, o pior conflito de todos os tempos para repórteres”.
De acordo com o Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ), os ataques de Israel visam impedir a cobertura da guerra. Em outras palavras, a organização afirma que Israel está se engajando no esforço mais mortal e deliberado para matar e silenciar jornalistas já documentado pelo CPJ. Por consequência, os profissionais palestinos são alvo de ameaças, tortura e prisões arbitrárias.
Além disso, Israel proíbe a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza sem a escolta e o controle de militares. Isso dificulta ainda mais o acesso à informação sobre o que acontece no território palestino.
Primeiramente, logo após o início do conflito em 2023, 37 jornalistas foram mortos apenas no segundo mês de guerra. O Sindicato dos Jornalistas Palestinos informou que 520 profissionais de mídia foram feridos, enquanto mais de 800 de seus familiares foram mortos. Juntamente com isso, mais de 200 jornalistas foram presos por Israel desde outubro de 2023, sendo que 55 continuam detidos.
Enquanto isso, 115 veículos de comunicação foram destruídos por ataques aéreos e de tanques na Faixa de Gaza. Na Cisjordânia e em Jerusalém, cinco veículos de comunicação foram fechados e 12 gráficas foram destruídas.
Como resultado de sua estratégia, Israel nega que ataque civis de forma deliberada, incluindo jornalistas, e justifica alguns assassinatos ao vincular profissionais ao Hamas. Ainda assim, organizações profissionais e de direitos humanos questionam essas acusações. Por exemplo, em fevereiro de 2024, Wael Al-Dahdouh, chefe da Al Jazeera em Gaza, que perdeu a esposa e três filhos em bombardeios, descreveu o cenário como o mais perigoso da história humana para o jornalismo.
O ataque ao Hospital Nasser em Khan Yunes, na última segunda-feira (25), chocou o mundo. De forma que, o hospital foi bombardeado pela segunda vez no mesmo dia enquanto jornalistas cobriam os resultados de um ataque anterior. Em resumo, cinco jornalistas morreram no ataque, incluindo Hussam Al-Masri (Reuters) e Mohammed Salama (Al Jazeera).
Apesar disso, a FDI negou que alveja civis intencionalmente e acusou o Hamas de usar o hospital. Entretanto, o Monitor Euro-Mediterrâneo de Direitos Humanos, com sede em Genebra, sugere que os ataques de “tiro duplo” são uma tática para atingir socorristas, defesa civil e jornalistas. Isso reflete uma intenção premeditada de silenciar testemunhas e destruir provas.
Fome e Desafios Diários para a Imprensa
Além dos bombardeios, jornalistas em Gaza enfrentam a fome. Como resultado do bloqueio israelense, o acesso a alimentos é extremamente limitado. Em julho deste ano, agências de notícias como AFP, Associated Press, BBC News e Reuters expressaram preocupação com seus jornalistas, alertando que eles e suas famílias estão cada vez mais incapazes de se alimentar.
A Sociedade de Jornalistas da AFP destacou a gravidade da situação, afirmando que, desde sua fundação em 1994, nenhum de seus jornalistas precisou enfrentar a ameaça de morrer de fome em uma zona de conflito. Enquanto isso, o governo de Israel, por outro lado, nega que haja fome, uma afirmação que contradiz evidências de organizações humanitárias e da própria ONU.
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