César Rocha fala sobre projetos de defesa para os animais

César Rocha fala sobre projetos de defesa para os animais

O vereador César Rocha (Rede) é o quarto a ser entrevistado na seção Conheça seu Vereador. Eleito pela primeira vez em 2012, ainda pelo PV, mudou de partido durante a legislatura fora do prazo legal, segundo entendimento da Justiça Eleitoral, fato que acarretou a perda de mandato no fim de 2016. Independente disso, César Rocha voltou a disputar as eleições no ano passado, mas pela Rede, e conquistou a re-eleição. Confira abaixo a íntegra da entrevista.

Folha de Valinhos: César, quais serão suas ações no seu segundo mandato? Quais bandeiras você defenderá?
César Rocha: Pretendo dar continuidade nas políticas públicas em prol dos animais, ampliando os direitos e benefícios que consegui aprovar na última legislatura. Além de novos projetos, estou reapresentando os que foram arquivados. Continuarei defendendo aqueles que não têm voz dentro da sociedade: animais e meio ambiente, ou seja, aqueles que são deixados em segundo plano, porém que têm tanta importância quanto o ser humano para mantermos uma sociedade saudável e equilibrada.

Como sua experiência do primeiro mandato poderá lhe ajudar no segundo?
A experiência me trouxe aprendizado, e a reeleição me permite corrigir as falhas e abrir novos caminhos.

Apesar de muitas inovações em Valinhos resultantes de projetos de lei, como a que proíbe uso de animais em rituais religiosos, a cidade está aquém do que poderia na área de proteção aos animais. Você concorda com essa afirmação?
Concordo em partes. Não podemos negar os avanços que tivemos, antes de eu ser vereador a cidade não tinha legislação em prol dos animais, exemplo a lei de minha autoria que proíbe a realização de Rodeio no município. Hoje temos também um convênio estabelecido entre a Ong Mata Ciliar de Jundiaí e a Prefeitura para acolhimento de animais silvestres encontrado em situação de sofrimento. Há quatro anos era muito comum nos deparamos com cadelas no cio, o que fazia aumentar a problemática de cães abandonados. Tínhamos vários cães perambulando pela cidade. Por conta da sistemática castração consciente que envolve os tutores e protetores essa se tornou uma cena rara. O abandono de ninhadas também reduziu em 85%. Se a Prefeitura cumprisse todas as leis que eu consegui aprovar até agora, como a que cria a Coordenadoria do Bem Estar Animal atrelada a Secretaria do Planejamento e Meio Ambiente, Valinhos seria referência para o Brasil na questão do bem estar animal.

Um problema recorrente no Município é sobre os animais de rua, muitos deles abandonados. O que pode ser feito em relação a isso?
Ao contrário do que se imagina 75% dos animais que estão nas ruas não estão abandonados. Nas ruas existem os cães semi domiciliados, aqueles cujos tutores deixam o portão da casa aberta pra entrar e sair quando quiserem. Temos também os cães comunitários, que não tem um cuidador próprio, mas que estabeleceram laços de afetividade na comunidade onde vivem. Já os cães errantes, que se alimentam de lixo, os abandonados e os perdidos que não conseguem voltar para casa por falta de identificação, são os que representam uma parte ínfima, facilmente reconhecidos por seu comportamento.
A solução para a problemática que envolve os animais é bastante complexa. Para os domésticos se continuarmos trabalhando na conscientização da guarda responsável, castração por saturação, identificação (micro chipagem) e adoção, tenho certeza que conseguiremos controlar, como aconteceu na Holanda, que aliou estas políticas públicas à leis duríssimas em casos de maus tratos e abandono, além de altos impostos para compra de animais de raça e hoje se consagrou como o primeiro país do mundo sem cães abandonados. Já os animais de produção são os que mais sofrem. Só quando o mundo se tornar vegetariano conseguiremos conciliar progresso com preservação ambiental. Portanto, estamos no caminho certo.

Qual sua opinião sobre a mudança na composição dos conselhos de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano? Lembrando que eles analisam a mudança do zoneamento na região da antiga Fonte Sônia, tema que gerou fortes discussões na cidade.
As mudanças na composição destes conselhos foram necessárias a fim de atender recomendação do Ministério Público, que entendeu ter havido violação da lei. Vamos acompanhar os trabalhos dos conselhos e garantir a legitimidade das representações da sociedade.

Você fez parte da base durante o governo Clayton Machado (PSDB) e o apoiou na última campanha eleitoral. Agora, com Orestes Previtale (PMDB), se manteve na base. Como explicar aos seus eleitores essa mudança ideológica? Já que apoiou outro candidato a prefeito.
A opção por compor a base ou a oposição decorre de deliberação da executiva do partido, não do vereador isoladamente. Na legislatura anterior eu estava filiado ao PV, que compôs a base governista. Posteriormente, migrei para a Rede, partido recém criado em Valinhos, cujo coletivo deliberou no sentido de ficar até o final do governo Clayton. Com a eleição do novo governo, em consenso com os membros da executiva e filiados da Rede, decidimos ajudar na governabilidade e dar a nossa contribuição, ajudando a administração a sanar a situação caótica que se encontra nosso município.

 

Luiz Felipe Leite

Repórter