Prejuízos dos produtores de frutas em Valinhos já chega a 40%

Prejuízos dos produtores de frutas em Valinhos já chega a 40%

 Com exportações paradas e aumento da oferta no mercado interno, agricultores temem cenário de crise para os próximos meses
Com exportações paradas e aumento da oferta no mercado interno, agricultores temem cenário de crise para os próximos meses

Com as exportações paradas e o consequente aumento na oferta de frutas no mercado interno, os produtores de figo e goiaba da cidade de Valinhos já conseguem sentir no bolso os prejuízos da pandemia do coronavírus.

Uma das mais tradicionais atividades econômicas do município, a agricultura deve ser afetada com mais intensidade nas próximas semanas. Com o aumento da oferta de produtos, o preço tende a cair, e o prejuízo se torna ainda maior.  O produtor Tiago Trombetta – conhecido por comercializar um dos melhores figos da cidade de acordo com premiação da Festa do Figo – ressalta que, com as exportações prejudicadas há cerca de 30 dias, a produção tem sido escoada nas vendas para o mercado interno

“Já houve queda nas vendas, mas ainda não estamos perdendo frutas. Se a redução continuar na semana que vem, infelizmente perderemos. Além disso, os valores pagos no mercado internacional são melhores e já estamos trabalhando com uma redução de 40% no faturamento. Os prejuízos vão depender do tamanho da paralisação”, afirma.

Tiago explica que as colheitas são realizadas diariamente. “Se não vende, no outro dia tem mais e vai acumulando, até pararmos de colher. Nossa economia é como uma engrenagem, se uma peça quebra, a máquina não funciona. Claro em primeiro lugar está a saúde das pessoas, mas o prejuízo vai ser grande!!!”, ressalta o produtor.

De acordo com Rodrigo Fabiano – o maior produtor de figo da cidade – as exportações no mês de março foram comprometidas devido a alguns fatores. Entre eles, a diminuição dos pedidos vindos de países europeus. “Os poucos pedidos que ainda tínhamos, não poderão ser entregues porque a partir deste final de semana não teremos espaço aéreo. Temos pouquíssimas aeronaves circulando”, afirma.

Para Rodrigo, o mercado interno se manteve aquecido até a última semana, mas o cenário já começou a mudar.  “Com o início da quarentena, as pessoas aumentaram o volume de compras para encher as dispensas, mas agora já está bem devagar e o mercado interno já não consegue absorver toda a produção. Acredito que teremos um cenário bem difícil no próximo mês. Abril vai ser muito difícil”, diz.

Segundo o produtor, março e abril são meses de grande volume de exportações dos frutos e com a paralisação da comercialização os prejuízos devem ser grandes. “Ainda não consigo estimar as perdas em percentuais, mas será muito grande. Tive uma redução no volume de exportações desde o início do mês, já devido ao que estava acontecendo pelo mundo, principalmente na Europa. Estou vendendo no mercado interno com um valor bem inferior para conseguir escoar mais mercadoria”.

O presidente do Sindicato Rural e da Associação Agrícola de Valinhos, Pedro Pellegrini, reforça a preocupação dos produtores. “Além da grande quantidade de figo que ainda existe para ser colhida, os produtores estão no auge das safras de goiaba e cáqui. As exportações estão paradas por problemas de transporte: temos os produtos, temos os pedidos, mas não temos espaço aéreo e o figo, por exemplo, só pode ser exportado por aviões. Então a preocupação é grande porque temos muitos fatores complicadores: a paralisação da exportação, a diminuição do consumo no mercado interno e o aumento da oferta, o que resulta na queda nos preços. Ainda não conseguimos medir os prejuízos, mas sabemos que serão grandes”.

Ceasa mantém funcionamento do mercado de hortifrútis

Um dos principais mercados de comercialização de frutos do interior, a Ceasa Campinas continua de portas abertas e, de acordo com o engenheiro agrônomo Ricardo Munhoz, os mais de 600 boxes e pedras do mercado de hortifrútis operam normalmente. Por ser um dos maiores centros de distribuição da região, o funcionamento da Ceasa pode ser considerado um termómetro da dinâmica do mercado de alimentos.

“Acreditamos que o que sentimos nesta primeira semana ainda foi algo pontual, porque as pessoas fizeram compras em maior volume para manter as dispensas cheias. Aparentemente, tivemos uma redução no fluxo de compradores finais, feirantes e vendedores ambulantes, mas os atacadistas e mercados continuam realizando as compras”, afirma

Para Ricardo, é possível que haja mudanças no perfil de consumo nas próximas semanas. “Com a continuidade da quarentena, é esperado que as pessoas passem a priorizar a compra de produtos essenciais. Porém, reforço que o cenário ainda é muito novo. Então é preciso aguardar um pouco mais para notarmos como o mercado de alimentos vai funcionar”.
No site da Ceasa, um alerta pede que consumidores finais evitem se dirigir ao local durante o período de quarentena.