Pesquisador coordena curso sobre trajetória africana no Brasil

Pesquisador coordena curso sobre trajetória africana no Brasil

Preconceito racial no Brasil é “sutil, mas corta como navalha”, afirma o pesquisador Natanael dos Santos
Preconceito racial no Brasil é “sutil, mas corta como navalha”, afirma o pesquisador Natanael dos Santos

O preconceito ainda existente no Brasil e permeia algumas formas de expressão cotidiana, erros históricos, conceitos, cultura. Esse foi um dos debates abordados no curso “Trajetória do Africano em território Brasileiro”, ministrado pelo pesquisador Natanael dos Santos, de 63 anos, para mais de 500 professores da Rede Municipal de Educação de Valinhos, nesta segunda-feira, dia 27.

Santos pesquisa o tema informalmente desde 1974 e cientificamente desde 1987. Ao falar sobre identidade racial, afirmou que o preconceito “é sutil, mas corta como navalha”. Autor do livro que leva o mesmo nome do curso, o professor buscou levar os professores a uma reflexão e a uma revisão da temática, para posterior aplicação em sala de aula. “Estamos quebrando um paradigma aqui hoje, bem como cumprindo o que preconiza a Lei 10.639”, afirmou.

A Lei 10.639 é de 2003 e acrescentou três novos artigos (26 A, 79 A e 79 B) à Lei 9.394, de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. A mudança incluiu no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática história e cultura afro-brasileira.

Nessa proposta, a lei estabelece que o conteúdo programático deve incluir o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.

Para Santos, o preconceito só será extinto se ações como essa, junto aos educadores, forem realizadas com mais frequência. “Isso traz à tona a possibilidade de você questionar”, disse.

Após sua explanação, que contou com troca de figurinos de origem africana e música de países do continente, os professores foram divididos em grupos para a realização de oficinas de dança afro, instrumentos musicais e coral. Ao final, houve a união de tudo o que foi aprendido.

“A forma didática e dinâmica com que esse tipo de conhecimento está sendo passado é de fácil assimilação e os professores estão adorando”, disse a professora Ana Angélica Júlio, diretora pedagógica da Secretaria de Educação.

Para ela, o combate ao preconceito racial também deve ter sua frente na escola e essa revisão de conceitos e da história é de grande importância para cada um dos professores. “Estamos vendo aqui hoje que há muita coisa que precisamos aprender e muitos preconceitos apreendidos dos quais precisamos nos desfazer”, disse.

O curso “Trajetória do Africano em território Brasileiro”, promovido pela Secretaria de Educação, dentro da proposta dos cursos de formação de seu corpo docente, atingiu seus objetivos, segundo o secretário de Educação, professor Zeno Ruedell.

“O que estamos vendo aqui hoje, com o vasto conhecimento do pesquisador e escritor Natanael Santos, é uma grande revisão histórica e uma ruptura com o conhecimento sobre a África e os negros que até então desconhecíamos”, disse o professor Zeno.