Especialista em trânsito fala sobre fisclização eletrônica

Especialista em trânsito fala sobre fisclização eletrônica

 Carlos Alberto Bandeira Guimarães defende radares como ferramenta educacional
Carlos Alberto Bandeira Guimarães defende radares como ferramenta educacional

“O monitoramento eletrônico é uma das ferramentas mais eficazes para fiscalização do trânsito e tem como objetivo garantir mais segurança para todos”. Assim, o professor de engenharia de tráfego da Unicamp, Carlos Alberto Bandeira Guimarães, define a importância do sistema de fiscalização eletrônica implantado nos municípios.

Diante das polêmicas em torno da instalação de radares na cidade, a Folha de Valinhos questionou o especialista quanto aos benefícios da fiscalização. Para o professor, os radares funcionam também como uma ferramenta educacional, uma vez que ensinam aos cidadãos quais limites devem ser respeitados em determinadas vias.

“Em uma via que permanece dois anos com um radar de 50km/h, por exemplo, os motoristas ficam condicionados a trafegar ali dentro deste limite. Mesmo que o radar seja retirado, é comum ver todos continuam, durante um determinado período, trafegando dentro da mesma velocidade”, afirma Guimarães.

Ainda segundo o especialista, os radares devem ser implantados após a realização de estudos de tráfego que considerem, entre outros fatores, as estatísticas de acidentes das vias. “A redução imediata do número de acidentes nos locais onde são implantados os equipamentos de fiscalização chega a ser, em média, de 30%. Com o tempo, esse número tende a aumentar muito”, ressalta o professor.

Quanto a Valinhos, Guimarães ressalta que as cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) possuem um alto índice de veículos por habitantes. A média na cidade, de acordo com dados de 2019 do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 1,59 carro por pessoa. Em nível nacional, o número é de oito pessoas para cada veículo.

“Isso significa que temos em Valinhos um maior número de veículos circulando em um menor espaço viário. Vale lembrar que estas estatísticas só contabilizam os carros emplacados no município. Ou seja, é preciso ainda considerar os veículos emplacados em cidades vizinhas como Vinhedo e Campinas que trafegam por Valinhos diariamente. Com isso, a fiscalização se faz ainda mais necessária para garantir um trânsito seguro”, diz Guimarães.

Atualmente, Valinhos possui 19 equipamentos fixos de fiscalização, seis para controle do avanço em sinal vermelho e parada faixa de pedestres, quatro para verificar avanço do sinal vermelho e velocidade, além de três lombadas eletrônicas.

A fiscalização eletrônica estava parada no município desde 2016, quando chegou ao fim o contrato anterior. À época, eram 17 pontos, entre eles, 14 fixo e três por avanço do sinal.

Além dos equipamentos, foram implantadas sinalização de solo e placas de orientação, já que a velocidade das vias varia de 40km/h a 60km/h.

De acordo com a Prefeitura de Valinhos, os radares entraram em funcionamento em junho de 2019 e, apesar do período reduzido de funcionamento, já é possível notar redução no número de acidentes nos locais dos radares. Ainda segundo a Prefeitura, os pontos de instalação de radares foram definidos para garantir maior segurança no trânsito, redução na quantidade de acidentes e redução do excesso de velocidade e levaram em conta estatísticas de acidentes e de infrações cometidas, além de estudos pontuais a partir da solicitação de moradores ou condutores que se utilizam dos locais.

CPI instaurada na Câmara pretende frear fiscalização  
Os vereadores instalaram, na sessão desta terça-feira (18), uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar possíveis irregularidades nos serviços de gestão e fiscalização do trânsito de Valinhos, por meio de radares. No documento que embasou o pedido de CPI, os vereadores alegam que há suspeitas de que na cidade haveria uma “indústria da multa”.