ESPECIAL - Primeira eleição de Luiz Bissoto e Arildo Antunes dos Santos completa 50 anos

ESPECIAL - Primeira eleição de Luiz Bissoto e Arildo Antunes dos Santos completa 50 anos

 Intitulada de “Governo Cidade-Campo”, a administração da dupla de jovens deu um novo rumo à história da cidade
Intitulada de “Governo Cidade-Campo”, a administração da dupla de jovens deu um novo rumo à história da cidade

Há exatos cinquenta anos, uma escolha feita pelos eleitores de Valinhos deu um novo rumo à história da cidade. Era o fim de uma década de guerras políticas entre paragatas e gravatinhas. O início de um novo governo e o primeiro passo em direção a um novo caminho. 

Imbuídos do desejo de mudar os rumos da política valinhense, os então jovens Luiz Bissoto e Arildo Antunes dos Santos decidiram concorrer às eleições municipais por uma sublegenda do partido ARENA (Aliança Renovadora Nacional). Em entrevista exclusiva à Folha de Valinhos, os ex-prefeitos contam que, na época, a cidade era dividida entre dois partidos: ARENA e MDB (Movimento Democrático Brasileiro). De um lado, os gravatinhas, grupo da família de João Antunes dos Santos, xxxx e xxxxx, entre outros. Do outro, os paragatas, que tinham Jerônimo Alves Correia entre seus principais líderes.

A intensa perseguição política e disputa entre os dois grupos ultrapassava as barreiras profissionais e impactava diretamente a vida pessoal de todos, fomentando brigas entre famílias e impedindo o que ambos – Bissoto e Arildo - consideravam o mais importante: o desenvolvimento da cidade.

Eleito vereador em 1963, Luiz Bissoto ocupou uma cadeira no Poder Legislativo por dois mandatos: de 1963 a 1966 e de 1967 a 1969. E foi exatamente em 1969 que, encorajado pelo desejo de trabalhar pela cidade, decidiu concorrer às eleições para prefeito. De acordo com Bissoto, a escolha de Arildo – que trabalhava com transporte de figo e era um profundo conhecedor da agricultura valinhense - foi feita pelo grupo político. O objetivo da união era associar as demandas da cidade às do campo. Assim, a proposta de governo dos jovens visionários foi batizada de “Governo Cidade-Campo”. Vale ressaltar que, alguns nos após fim de seu mandato como prefeito, Bissoto voltou à Câmara Municipal, onde permaneceu como vereador por mais quatro mandatos.

Apoiados pelo então prefeito Vicente José Marchiori, os jovens venceram a disputa pelo Poder Executivo nas eleições do dia 30 de novembro de 1969. No páreo, estavam outros quatro candidatos: Jerônymo Alves Corrêa (vice Mauro Barbosa), José Príncipe (vice Ângelo Marchi Saragiotto), Antônio Mamoni (vice Amado Degásperi), Hoche Franceschini (vice Ivo Evangelista).

“Nosso objetivo era claro: no nosso governo, todos seriam tratados da mesma forma. Queríamos acabar com a guerra política, com as perseguições. Sob o nosso comando, a máquina pública trabalharia para todos, sem distinção. E foi o que fizemos”, revela Bissoto.

Depois de assentar as manilhas, fizemos os testes de vazamento, que era feito com fumaça. Enchíamos a tubulação de fumaça pra ver se estava saindo em algum lugar e só depois de feito os testes é que cobríamos as valas. , só para depois poder cobrir a vala. E aí cobríamos a vala, a terra tinha que ceder, você vai ter que colocar o paralelepípedo, fica tudo irregular. Fizemos tudo isso aqui no centro da cidade e não houve uma reclamação. Não houve uma relação, a cidade estava esperando essa rede de esgoto. Isso é comentado até hoje.

De acordo com o ex-prefeito, naquela época o Governo Federal não repassava dinheiro para os municípios. “Fomos à Brasília e lá nos instruíram a levar o projeto para a companhia de saneamento do Estado, a Sabesp, no caso. Porém, não era o que queríamos. A Sabesp tomaria o DAEV e exploraria nosso sistema de água e esgotos por 30 anos e as melhorias seriam feitas no tempo deles. E O problema do saneamento não era tão simples. Primeiro era preciso ter o projeto. Depois, tivemos que aprovar o projeto no FESB – Fomento Estadual de Saneamento Básico. Tivemos que conseguir o financiamento: 90% pela Caixa Econômica e 10% era contrapartida da Prefeitura. Depois, o FESB foi fazer a licitação. A licitação foi feita em São Paulo pelo próprio FESB. Quando a licitação foi realizada, o preço da empresa vencedora era muito baixo, porque o FESB tinha um valor de referência, um orçamento de quanto a obra ia custar, e o orçamento dessa empresa era muito baixo. Nós sentíamos que a empresa não ia ter condições de concluir a obra, então poderíamos ter valeta aberta na rua, a empresa não concluir e ir embora e você ficar com a valeta aberta para discutir em juízo o que ia acontecer. Então, conversamos com o FESB, apresentamos as nossas razões, o FESB anulou a licitação, fez uma nova licitação. Nessa nova licitação houve mais equilíbrio, comparando com orçamento que o FESB tinha sobre a obra.

Então a obra teve início em fevereiro de 1971. Na Rua Mato Grosso, na Vila Santana, nós abrimos a primeira vala lá. Então, iniciamos a rede de esgoto.

Prefeito: Luiz Bissoto

Idade atual: 87 anos
Profissão: Contabilista
Carreira política:
Prefeito de 1970 a 1972 e de 1977 a 1982
Vereador por seis legislaturas: 1963-1966| 1967-1969|
1989-1992| 1993-1996| 1997-2000| 2001-2004

“Hoje eu tenho orgulho e me sinto muito satisfeito. Tenho um grande respeito pelos meus antecessores, pelos prefeitos que me antecederam. E tenho também um grande respeito por todos os funcionários e servidores que no dia 31 de janeiro de 1970 me receberam muito bem, me ajudaram a administrar. Me ensinaram e eu aprendi muito com eles. Tenho muito respeito por todos eles. Essa é a minha mensagem na comemoração dos 50 anos da eleição de 1969”

Vice-prefeito: Arildo Antunes dos Santos
Idade atual: 85 anos
Profissão: Empresário
Carreira política:
Vice-prefeito de 1970 a 1972
Prefeito de 1973 a 1976
Vereador por duas legislaturas: 1997-2000 | 2001-2004
Presidente da Câmara Municipal: 2001/2002

“Primeiro quero agradecer a Folha de Valinhos pela oportunidade e dizer, inclusive, o quanto é importante que essa geração que hoje está morando em Valinhos saiba um pouquinho da história da cidade. Saiba como a cidade começou. O trabalho que realizamos é reconhecido até hoje, a gente sabe disso. Mas essa divulgação é importante. Importante para que essas novas gerações, que estão participando da política hoje, que serão as responsáveis pelo nosso destino, saibam mais sobre passado, sobre daqueles que governaram essa cidade e deram a ela o melhor de si. Graças a Deus hoje, tenho condições hoje de ver o que está acontecendo e saber que Valinhos tem um exemplo muito vivo, muito claro, de administrações que trabalharam pela cidade e que fizeram com que a cidade seja hoje uma das mais cobiçadas de todo o estado para se morar. O que Valinhos oferece hoje é fruto de uma semente e essa semente, eu não tenho dúvida em dizer, foi lançada lá por volta de 1969, 1970. Hoje, completamos 50 anos desde aquela histórica vitória do governo Cidade-Campo. Cidade-Campo, que foi a verdadeira integração entre a cidade e o campo, duas forças vivas da cidade. Meu desejo é que esse seja um momento de reflexão para aqueles que tem a obrigação de nos dirigir, que olhem um pouco para o passado e saibam que Valinhos tem essa história para contar”.

CAMARA MUNICIPAL- 5ª LEGISLATURA – 1970

VEREADORES
Amélio Borin †
Antônio de Castro †
Ary de Oliveira Campos †
Carlos Oscar †
Eber Carlos Severino Foratto †
Jacob Turcatti †
José Sebastião Barchesi †
Leonardo Tordin
Orestes Previtale †
Sérgio José Calsavara
Walter Obmer Woelzke †

Suplentes em Exercício:
Francisco Mamprim †
Luiz Ramos
Osvaldo Antônio Prado
Osvaldo Molon †
Reinaldo Rossi Filho †
Vicente Pedro Rogério Júnior

Mesas Diretoras:

1970/1971
Presidente: Antônio de Castro
Vice Presidente: José Sebastião Barchesi
1º Secretário: Jacob Turcatti
2º Secretário: Sérgio José Calsavara

1972
Presidente: Amélio Borin
Vice Presidente: Jacob Turcatti
1º Secretário: Sérgio José Calsavara
2º Secretário: Ary de Oliveira Campos

 

A continuidade do Governo Cidade-Campo

Bissoto e Arildo se revezaram no Poder Executivo durante outros nove anos
As sementes plantadas por Luiz Bissoto e Arildo Antunes dos Santos durante o Governo Cidade-Campo frutificaram e deram um novo rumo para o desenvolvimento da cidade. A aprovação popular do governo liderado por eles foi tão grande, que a dupla de jovens permaneceu no comando do Poder Executivo por mais nove anos. Durante este tempo, outras importantes obras também foram realizadas.

Vale ressaltar que, além da criação do Plano Diretor, o governo Cidade-Campo também foi responsável pela elaboração do Plano Diretor de Abastecimento de Água (PDAA), que traçou as diretrizes que guiariam a evolução do sistema de abastecimento durante 30 anos.

Em 1973, foi a vez de Arildo ocupar a cadeira de chefe do Poder Executivo, onde permaneceu até 1976 com Amélio Borin como vice.  Em 1977, Bissoto voltou a ser eleito. Com Vitório Humberto Antoniazzi como vice, Bissoto foi prefeito até 1982, cumprindo um mandato de seis anos.

Entre as obras realizadas nos anos que sucederam o Governo Cidade-Campo, está a construção do Viaduto Governador Laudo Natel, uma das mais importantes vias da cidade.

“Nós precisávamos de verba para realizar esta obra. Foi quando um profissional da PUC de São Paulo me disse: ‘todo homem tem sua vaidade’. Com essa frase, ele me orientou a levar o desenho da obra ao governador e pedir a autorização para colocar o nome dele ao viaduto. Durante uma audiência em São Paulo, o governador viu o projeto e imediatamente determinou que fossem destinadas verbas para estudá-lo. O viaduto Governador Laudo Natel foi totalmente custeado pelo Estado”, conta Arildo.

Como prefeito, além de dar continuidade a implantação do sistema de esgotos Arildo também executou importantes obras relacionadas ao abastecimento de água e adquiriu, em 1974, a área de 67 alqueires onde está instalada a barragem João Antunes dos Santos, em Vinhedo, cujas águas abastecem 20% do município de Valinhos. O projeto – assim como a construção da ETA II - era uma das metas estabelecidas pelo PDAA.

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