Em entrevista à Folha prefeita fala sobre seus 100 primeiros dias de governo

Em entrevista à Folha prefeita fala sobre seus 100 primeiros dias de governo

Prefeita Lucimara Godoy Vilas Boas  (PSD)
Prefeita Lucimara Godoy Vilas Boas (PSD)

A Prefeita Lucimara Godoy (PSD) completa 100 dias de Governo neste sábado, dia 10. Em entrevista à Folha de Valinhos ela destacou algumas ações conduzidas pela sua equipe de trabalho nesse primeiro momento. Em meio a pandemia, a saúde tem sido prioridade. 

“Entre as principais medidas está o aumento em 62,5% no número de leitos de enfermaria na UPA, houve uma nova organização das tendas que separam os atendimentos COVID dos demais atendimentos. Mais recentemente, foi implantado um novo sistema de fornecimento de oxigênio por tanque fixo na UPA, que hoje oferta 1.500% a mais de oxigênio na unidade”, destacou.

A prevenção foi outra medida emergencial adotada para conter o avanço da pandemia. “Foram medidas restritivas implantadas com antecedência na cidade, em sintonia com a Saúde, como as inéditas barreiras sanitárias neste ano de 2021, antes de outros municípios da região. Em apenas um mês de trabalho houve redução nas festas clandestinas, de aglomerações e aplicadas multas por descumprimento. Consideramos um resultado extremamente positivo e vamos prosseguir com essas ações”, enfatizou.

Outra ação que pode ser destacada foi a realização de reuniões setoriais para conhecer, aprofundar e discutir aspectos do novo Plano Diretor. “O trabalho que realizamos na Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente é essencial para o pleno funcionamento estrutural e a para a manutenção ambiental do município, assegurando sustentabilidade a cidade”, afirmou a prefeita.

Abaixo a integra da entrevista: 

1- Qual a sua avaliação dos primeiros 100 dias de governo?
O foco principal foi na Saúde. Fizemos diversas ações para enfrentar esta fase mais aguda da Pandemia que temos passado na cidade, no Estado e no Brasil. Investimos no aumento dos leitos da UPA, novo sistema com aumento de fornecimento de oxigênio na UPA, transparência e diálogo com todos os setores da socidade, aumento de leitos de UTI nos hospitais, colocando Valinhos com melhor índice de leitos de UTI por 100 mil habitantes entre todas as cidades da região e todas as regiões de Saúde do Estado, implantação com sucesso das barreiras sanitárias, enfim, cuidamos da Saúde. É o início de um trabalho. Além disso, nestes 100 dias, deparamos com uma Prefeitura, enquanto empresa, bastante arcaica e atrasada principalmente no quesito tecnologia. E isto é a base para avançarmos em todas as áreas, para trazer mais qualidade, agilidade e eficiência na prestação do serviço público à população. É como diz uma frase bem usual para este momento: trocamos o pneu do carro com ele em movimento. Mas caminhamos, e avançamos nesta área estrutural, que será decisiva para os próximos meses.

2- Qual a decisão mais importante que a prefeita tomou até o momento?
Cuidar da Saúde, da vida, minuto a minuto para que pudéssemos implementar ações que desacelerassem o contágio da doença e, assim, reduzisse a pressão no sistema hospitalar. Tudo foi pensado e implementado com este objetivo central. Não há comemoração, não há celebração, porque muitas vidas de valinhenses se perderam, mas também conseguimos nos últimos dias reduzir o número de internações nos 2 hospitais e nos atendimentos da UPA em relação à espera de leitos. Isto é um bom indicativo, assim como a redução do contágio. Há muito a caminhar, e manteremos esta serenidade, responsabilidade e prudência para seguir no enfrentamento deste desafio que, sem dúvida, é o maior de toda nossa geração e um dos mais difíceis da história.

3- No momento mais crítico da pandemia, a prefeita permitiu as atividades religiosas presenciais e escolas particulares. Por que?

Todas as nossas ações foram respeitadas nos decretos estaduais e decisão da justiça. Estes 2 pontos são comuns: as atividades religiosas, até esta quarta-feira, quando respondemos esta entrevista, estava liberada pelo Supremo Tribunal Federal e decisão da Justiça se cumpre. Não apenas em Valinhos mas em todos os municípios do Brasil. Quanto as escolas particulares, mesma situação. O decreto estadual é que qualificou o ensino como essencial e, assim, possibilitou as escolas particulares, que assim quisessem, retomar as aulas seguindo os protocolos de saúde.

4- Qual a opinião da prefeita sobre a instalação do Ecoponto no Santa Gertrudes?
O Ecoponto contribui com o meio ambiente, com a saúde da população, com a segurança e se torna um instrumento importante sobretudo para quem não tem condições, por exemplo, de alugar caçamba para recolher restos de construção. Na região do São Marcos, detectamos mais de 30 locais com descartes irregulares, colocando em risco a saúde da população. Com o Ecoponto, totalmente monitorado pela Prefeitura, num único local, e um amplo trabalho de conscientização junto à população sobre o descarte correto de materiais e a importância da separação efetiva dos resíduos, sem dúvida será mais um avanço na cidade na área de política pública sobre a gestão de resíduos. É importante deixar claro que o Ecoponto não recebe resíduos orgânicos, restos de alimentos, mas sim descarte de pequenas quantidades de entulhos em geral, recicláveis, galhos, resíduos de poda e capinação, móveis e eletrodomésticos sem uso. Todo o material descartado terá destinação ambientalmente correta.

5- Qual a opinião da prefeita sobre o Tratamento Precoce?
Como já dissemos, temos vivido tempos de tensão e que tem trazido prejuízos incalculáveis a milhares de famílias valinhenses, assim como em todo o Estado e no Brasil. Temos atuado, com seriedade e profissionalismo, para colocar em prática o que é possível e prático para enfrentarmos esta Pandemia. Investimos em estrutura, aumentamos leitos, criamos medidas de restrição para a circulação do vírus e temos trabalhado com a qualidade de atendimento dos nossos profissionais de Saúde na cidade, especialmente na UPA 24 horas. O protocolo de atendimento inicial, precoce, por um médico, com receituário de medicamentos, sob a responsabilidade médica, assim que é observada a suspeita de Covid, é um ponto importante. Respeitamos os princípios da ciência e da medicina, para o atendimento qualificado e correto dos pacientes da nossa cidade, sempre com orientação médica, nunca por conta própria, sem receituário prescrito.

6- Quais, quantos e quando foi/foram os encontros com representantes de instituições que querem a implantação do Tratamento Precoce?
Estivemos visitando Limeira, para conhecer os protocolos de atendimento por lá, e também recebemos algumas visitas sobre este tema. O mais importante, ressaltamos: defendemos a Medicina, não sugerimos tomar medicação sem atendimento médico preliminar, tampouco defendemos medicamento A ou B. O que importa, neste momento, é a valorização do trabalho dos profissionais da Saúde.

7- Qual a opinião da prefeita sobre o transporte coletivo na cidade?
Mais do que uma opinião, prefiro falar das ações. Fizemos reunião, solicitamos o cumprimento dos termos da concessão, notificamos sobre a necessidade de aumento da frota especialmente nos horários de pico e sabemos que a situação, ainda, não é de acordo com o que exigimos e fiscalizamos. O assunto está, no momento, sendo analisado pelo Jurídico da Prefeitura. O que não pode é a PREFEITURA fiscalizar, cobrar, notificar e, mesmo assim, a situação por parte da empresa não mudar.

8- Qual a atual situação da dívida do município?
Todos sabem da situação deficitária de Valinhos, sobretudo no quesito dívida. O que temos é a obrigação de arcar com estes custos que, infelizmente, atrapalham os investimentos na cidade. Mas fomos eleitos para buscar alternativas. E assim temos feito. Caminhando com o Plano Desenvolve Valinhos e estabelecendo passo a passo o necessário para termos na cidade um Centro Tecnológico, que temos avançado junto às entidades empresarias da cidade e com o total apoio da Inova – Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Este é o caminho, dar assistência às empresas instaladas na cidade, buscar novas empresas e, assim, aumentar os recursos de investimentos para Valinhos. Estamos neste caminho.

9- Diferentes categorias se mobilizam contra as medidas restritivas. Qual a opinião da prefeita sobre a ação desses grupos?
Legítimo e devemos respeitar. A situação é difícil, todos querem e precisam trabalhar. Por isto estas ações tomadas, com austeridade e responsabilidade na cidade, começam a dar sinais de efeitos positivos, e assim esperamos que, muito em breve, o Estado possa retomar as fases de flexibilização e , com prudência e olhar na Saúde, voltamos passo a passo ao caminho necessário do desenvolvimento econômico.

10- Para a prefeita, quais os motivos que levaram a viver o período mais crítico da pandemia? 
É uma pergunta complexa, não temos apenas 1 motivo. É uma série de situações. Achar culpados é o mesmo que  encontrar desculpas . O que devemos, e está sob nossa responsabilidade, é trabalhar e cuidar de Valinhos. E, como falamos nesta entrevista, em outras questões, felizmente temos caminhado para, em breve, sairmos definitivamente desta fase tão crítica. Teremos que saber conviver com a Pandemia, ainda, por um bom tempo, mas de forma a não prejudicar, seja na Saúde seja na Economia, especialmente aqueles que mais precisam, e sofrem há mais de 1 ano com este cenário triste no mundo e no Brasil.