Casa da Criança de Valinhos realiza encontro virtual na segunda-feira

Casa da Criança de Valinhos realiza encontro virtual na segunda-feira

No dia 30, às 19h30, um encontro virtual será realizado para mobilizar e esclarecer a população Valinhense. O evento tratará de temas como a importância da atuação do Conselho Tutelar junto ao Serviço de Acolhimento Familiar, medida protetiva, direitos, deveres e o impacto positivo na sociedade.

Para participar dos encontros da Família Acolhedora e obter mais informações, acesse o site www.casadacriancadevalinhos.com.br . Novas inscrições para a capacitação poderão ser feitas por meio do e-mail:  familiaccava@gmail.com ou através do telefone (19) 3829-3410.

“Ainda precisamos quebrar alguns paradigmas da sociedade para mudar a cultura do medo de acolher. A cada experiência de acolhimento familiar comprovamos inúmeros benefícios na vida uma criança e ou adolescente, sem falar da experiência altamente positiva para todos os membros da família voluntária”, afirma Silvana Miranda, coordenadora do Serviço de Acolhimento Familiar, da Casa da Criança de Valinhos.

No período de pandemia, as crianças e adolescentes do acolhimento institucional tiveram uma oportunidade diferente para minimizar os riscos de contágio. Por não haver famílias acolhedoras com o perfil indicado, cada criança foi encaminhada para receber os cuidados de um profissional que ela já conhecia e já mantinha convívio na Instituição. Segundo os relatos desses educadores, é possível observar mudanças radicais que a convivência familiar, mesmo que temporária, faz no desenvolvimento e comportamento das crianças e principalmente dos adolescentes.

Cristiano Souza Silva, educador selecionado para receber um desses adolescentes, é formado em pedagogia e geografia, com especialização em psicologia social, pai de uma criança de cinco anos, conta como foi o processo de receber um acolhido na sua casa.

“Atuo como educador há mais de 17 anos, no entanto, esta foi uma experiência inusitada para mim e para a minha família. Sabíamos que poderia ser altamente desafiador, só não esperávamos que seria uma das melhores experiências de nossas vidas. Estamos há sete meses com um adolescente de 14 anos, que já sofreu muito na vida, mas que agora tem a oportunidade de vivenciar a rotina de uma família, recebe amor e carinho de todos e mais que isso, ele aprendeu naturalmente a retribuir todos esses sentimentos. Nossa família também se renovou com ele, que está mais autoconfiante, esperançoso e com vontade de vencer. Ele é determinado e gosta de bons desafios, juntos montamos quebra-cabeças complicados, andamos de bicicleta e estudamos. Ele sabe que poderá contar comigo, já penso nele assim como penso no meu filho. Sinto que serei além de educador, uma espécie de padrinho para ele”, conta Cristiano.

Para o educador, a experiência similar ao Acolhimento Familiar renova as esperanças e recomenda fortemente a todos que puderem conhecer a oportunidade desta atuação. “É uma das experiências mais profundas que alguém pode vivenciar. É impossível não reconhecer os benefícios para todos os envolvidos. Trata-se de uma relação familiar muito enriquecedora. No dia do meu aniversário, recebi um presente valioso, nosso acolhido fez questão de dizer que tomou a decisão de ter os melhores hábitos, boa rotina e que quer fazer faculdade como eu fiz. Esse presente veio embalado com reconhecimento, gratidão e muito amor. Isso não tem preço, tem muito valor”, reconhece, emocionado.

Pesquisas apresentadas, em maio de 2020, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam os dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA): 32.791 (96%) das crianças e adolescentes acolhidos estão em acolhimento insti¬tucional e 1.366 (4%), em acolhimento familiar. O percentual de Acolhimento Familiar em relação ao Acolhimento Institucional é muito inferior em relação a países desenvolvidos.