Reabertura do setor de alimentação com capacidade de 25% e bares de fora é criticada pela Abrasel em Campinas

Reabertura do setor de alimentação com capacidade de 25% e bares de fora é criticada pela Abrasel em Campinas

A Fase de Transição do Plano São Paulo com a abertura do setor de alimentação fora do lar a partir deste sábado, dia 24, trará baixos reflexos para as finanças já bastante abaladas dos bares e restaurantes.

Decisões como limitação de 25% da capacidade de atendimento, horário de funcionamento até 19h e a permanência da proibição de abertura dos bares, que representam cerca de 30% do setor, são alguns dos erros apontados pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em Campinas e região, que junto com a direção nacional e outras regionais no Estado, tem alertado as autoridades para estes erros estruturais do plano.

A reabertura dos restaurantes e bares, que tenham alvará para este tipo de operação, para atendimento presencial com apenas 25% da capacidade é insuficiente na avaliação da Abrasel em Campinas e região, tomando como base o movimento na fase laranja, quando os estabelecimentos podiam receber até 40% de público. “As vendas nas fases laranja e amarela, restritivas, mostraram-se insuficientes para cobrir custos de reabertura”, alerta o presidente da entidade, Matheus Mason.

Ele lembra também da limitação de horário de atendimento, até 19h. O movimento noturno nas casas – incluindo os dias de semana - responde por 54% do consumo do setor de alimentação fora do lar. Por outro lado, a venda por delivery e retirada representam apenas 20% do faturamento para quem opera nestes sistemas, percentual insuficiente para pagar despesas, salários, impostos e aluguel.

Outro problema apontado pela entidade está diretamente relacionado aos bares. Sem permissão de abertura nesta fase - e até em um possível avanço para a Laranja nas próximas semanas - pelo menos 30% dos estabelecimentos - constituídos por micro e pequenos empresários, permanecerá fechado, sem renda e faturamento.

“Vivemos um momento muito grave, com 97% dos estabelecimentos sem recursos até para pagar os salários deste mês e de maio. Se não tivermos uma solução rápida para reabertura e ajuda dos poderes públicos, veremos milhares de quebras e demissões no setor até maio”, alerta Mason.

O presidente da Abrasel em Campinas e região lembra que o setor é um dos mais importantes da economia, composto de aproximadamente de 1,8 milhões empresas no Brasil, que geram 6 milhões de empregos, além de movimentar cerca de R$226 bilhões todo ano. Na região de Campinas o setor possui 35.556 empresas que juntas movimentam R$ 5,9 bilhões por ano, além de gerar 60 mil empregos, antes da pandemia.

Durante a pandemia o setor sofreu uma grave retração, enquanto outros setores cresceram, como por exemplo o comércio, com um aumento de 1% ou retraíram de forma bem menos acentuada, como a indústria, que caiu 4,3%. “Fica claro que o setor de alimentação fora do lar foi um bode expiatório fácil nesse momento, mas agora precisamos de autoridades do poder público que tenham coragem de assumir as escolhas erradas e promover uma reparação aos afetados”.

Ele lembra que alguns Estados e Municípios já entenderam a importância de se retratar com o setor e adotaram iniciativas como isenção de água e energia, prorrogação do IPTU entre outras. “Não queremos esmola dos poderes públicos, queremos reparação por todo mal causado e pelas decisões impensadas, que acarretaram em perdas financeiras e desempregos”.

 

 

Fonte: Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Campinas e região (Abrasel)