Uma boa notícia

O anúncio da construção do primeiro Ecoponto do município, que entrará em operação em setembro no Jardim São Marcos, dá mostra de um importante avanço na área ambiental. O local estará preparado para receber pequenas quantidades de entulho, restos de materiais de construção, recicláveis, galhos e resíduos de poda e até móveis e eletrodomésticos sem uso.
Com a medida, o governo do prefeito Orestes Previtale (PSB), dá um exemplo de responsabilidade para os demais municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC), composta por 20 cidades. Aliás, uma ação simples e de grande impacto educativo e socioambiental que Valinhos já deveria ter adotado.
O anúncio do primeiro Ecoponto da cidade acontece justamente na semana em que o mundo recebe a triste e trágica notícia de que o ser humano, na última quarta-feira, dia 1o, faltando cinco meses para o final do ano, já esgotou todos os recursos da Terra disponíveis para o ano de 2018 e, que o Brasil superou média mundial.
A informação é da rede Global Footprint Network, uma entidade sem fins lucrativos, que calcula anualmente o Dia de Sobrecarga da Terra. O cálculo da data em que acabam os recursos necessários para viver de maneira sustentável por um ano usa como base a biocapacidade do planeta, ou seja, o montante de recursos naturais disponíveis, dividindo-a pelo montante de recursos que consumimos.
Segundo a Global Footprint Network, atualmente precisamos de 1,7 planeta para sustentar todas as demandas da humanidade com os ecossistemas da Terra. Para se ter uma ideia de como estamos agindo feito gafanhotos e devorando tudo na Terra, basta lembra que em 1970, o Dia de Sobrecarga da Terra, foi registrado no dia 29 de dezembro, apenas dois dias antes do final do ano.
Educação e conscientização em torno das questões ambientais e dos nossos padrões de consumo precisam impactar mais e mais pessoas todos os anos, pois a Terra pede socorro há muitos anos. É alarmante e preocupante saber que desde a última quarta-feira, dia 1o, o planeta não consegue regenerar mais os recursos sozinho.
A implantação do nosso primeiro Ecoponto pode soar como algo pequeno e banal diante de informação tão alarmante, ou algo, que para um pessimista seria como “chover no molhado”. Contudo, é fato que cada cidadão e cada cidade precisa fazer sua parte, dar sua contribuição local, contribuindo assim para mitigar os impactos no âmbito global.
Quem acompanha o ritmo e a rotina de Valinhos, uma cidade com pouco mais de 120 mil habitantes, percebe rapidamente como o valinhense, quando se trata de questões ambientais e de educação, age egoística e instintivamente, não para salvar sua vida, mas para prejudicar a do coletivo. Em muitos bairros é comum encontrarmos, jogados pelas ruas, restos de camas, sofás, televisores, armários. Quando não, encontramos os chamados “bota-fora” clandestinos que prejudicam o meio ambiente e a saúde de quem mora perto.
Anualmente a Prefeitura, através da Operação Cidade Limpa recolhe toneladas de material que recebem destinação correta e mesmo assim, alguns cidadãos conseguem trocar o jogo de quarto, comprar um sofá novo ou o televisor de última geração, mas para se livrar logo do móvel velho vai logo, na calada da noite, desovando este tipo de material em locais de uso comum.
Esse tipo de conduta de pronto nos mostra duas coisas, a falta de educação e o padrão de consumo de bens não duráveis por parte da população, que também envolve aí o descarte de embalagens, muitas delas não biodegradáveis.
Segundo o Departamento de Comunicação da Prefeitura, o Ecoponto foi um pedido pessoal do prefeito Orestes ao Consórcio Valinhos Ambiental, que cuida do manejo e resíduos na cidade, e sua criação, foi prevista no contrato assinado com a Prefeitura. O uso do Ecoponto será gratuito e deverá atender a atender demanda dos bairros São Marcos, São Luís, Parque Portugal e Parque das Colinas, mas moradores de qualquer parte da cidade poderão levar seus resíduos até o local.