Um novo carnaval

Desde 2016 quando a crise financeira se agravou, Valinhos de uma maneira sensata, deixou de realizar o tradicional desfile das Escolas de Samba. Não está sendo diferente em 2017, embora a crise, segundo alguns economistas, esteja chegando ao fim. Este ano a administração do prefeito Orestes Previtale (PMDB) também optou por não realizar este que é considerado nosso segundo maior evento depois da Festa do Figo.
A medida não é exclusividade apenas de Valinhos, que investia mais de R$ 1 milhão na organização do carnaval de rua. Diversas cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) também foram por este caminho. Diante da crise, administradores públicos querem dar mais atenção para áreas essenciais como saúde, segurança e educação.
Diferente de grandes centros como o Rio de Janeiro e São Paulo, onde o carnaval de rua funciona como uma grande indústria o ano todo e movimenta milhões de reais, em cidades médias e pequenas é quase impossível realizar um evento desta envergadura sem a participação do Poder Público.
Mas Valinhos não ficará sem carnaval. Os dois principais clubes – Valinhense e Country Club - estarão realizando seus carnavais de salão e, a novidade deste ano fica para uma solução que nasce da própria comunidade em momentos de crise.
A partir deste ano Valinhos começa a vivenciar a febre dos blocos carnavalescos. Um carnaval bem democrático marcado pela irreverência, descontração e pelo bom humor. Na região, Campinas, a metrópole, vive esta experiência há vários anos e os blocos arrastam multidões.
Na festa do Rei Momo em Valinhos teremos três blocos, que irão sair todos no domingo, dia 26. O Fantasma da Madrugada, do Clube Atlético Valinhense (CAV), terá concentração a partir das 16 horas na portaria 2 do Clube; o Bloco Ginga Mingado do Bar do Ari, tem sua concentração marcada para as 11 horas e o Bloco Trem das Onze, do Adoniran Bar, a partir das 15 horas.
Valinhos sempre teve um carnaval forte e vibrante com grandes Escolas de Samba como Leão da Vila, Arco Iris, Unidos da Madruga, Moinho de Vento, Águias da Avenida, Cai-Cai. Mas para as escolas desfilarem a Prefeitura sempre teve que aportar recursos para que elas pudessem se preparar para a festa, fora o investimento em infraestrutura – som, luz, arquibancada, jurados, etc.
Fato é que independente da crise, a festa do carnaval em que pese o aporte realizado pela Prefeitura, também tem seu lado positivo. A realização da festa movimenta a cidade, especialmente o setor de turismo e uma ampla cadeia produtiva. No caso especifico do carnaval de rua, muitas famílias são envolvidas e havendo desfile ninguém programa viagens para o litoral ou para as montanhas. Todos ficam na cidade, que ganha na movimentação do seu comércio. Até mesmo os clubes que realizam seus carnavais de salão também são beneficiados.
Mas os tempos são outros e, talvez, a crise esteja mostrando para Valinhos e os amantes do carnaval uma nova solução criativa e econômica para que a cidade não fique sem a folia. Os três blocos nasceram de iniciativas particulares e sem intervenção do Poder Público. O único gasto com eles será na organização do trânsito do entorno na região dos desfiles e a presença da Guarda Civil Municipal (GCM) para garantir a segurança. Do mais, a festa é por conta dos foliões.
A crise atinge a todos e nesses momentos cada um, a seu modo, procura agir e reagir para sair dela. Não está sendo diferente com o carnaval de rua. Os três blocos – Fantasma da Madrugada, Ginga Mingado e Trem das Onze – inauguram um novo momento do nosso carnaval. Essa nova experiência poderá contagiar outras pessoas e para os próximos anos novos blocos poderão surgir para mexer e agitar outras regiões da cidade.
Parabéns aos idealizadores e organizadores dos blocos. O novo carnaval irá garantir aos valinhenses uma festa diferente, mas de engajamento e de muita alegria. Ganha a cidade, ganham os foliões e ganha o turismo.